COIMBRA: MAIS UM VERÃO DE GRANDES DEBATES
NO 31º SEMINÁRIO DE COIMBRA, GRANDES NOMES DO DIREITO SE REUNIRAM PARA TRAZER À PAUTA TEMAS DE GRANDE RELEVÂNCIA AOS DESAFIOS ATUAIS.
O sol que aqueceu Coimbra, nos dias 2 e 3 de julho, brilhou ainda mais diante do alto nível intelectual do 31º Seminário de Verão, evento que, desde 1995, reúne alunos, advogados e magistrados do Brasil e de Portugal. Na Capela do Colégio da Trindade, da Universidade de Coimbra, dezenas de painelistas e palestrantes – incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), defensores públicos federais, professores e pesquisadores de universidades dos dois países – debateram temas em torno do Direito e das relações internacionais.
Manuel Carlos Lopes Porto, presidente da Associação de Estudos Europeus (AEEC) da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, falou sobre a importância do seminário, 31 anos após sua criação: “O número de participantes aumentou, assim como o impacto em termos de aprofundamento científico. Com o passar do tempo, o evento foi acompanhando os desafios da história, e agora há desafios novos, como as questões ambiental e da informática. Acompanhar o novo contexto do mundo dá força ao seminário, com contributos para as áreas jurídica, econômica e ambiental. Tudo isso faz com que ganhe prestígio cada vez maior e importância, e assim espero que seja daqui a dez, vinte anos”.
Mas será que o Direito está realmente alinhado aos avanços da tecnologia? Os magistrados manifestaram a sua opinião. “Sim, os advogados têm acompanhado o avanço da inteligência artificial. A OAB vem tratando do tema, para evitar riscos, assim como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os tribunais também têm disciplinado a respeito. O CNJ editou a resolução 615, que trata da IA nos tribunais. Há uma preocupação muito grande com o uso adequado dela, porque a cada dia se nota uma utilização maior por todos os profissionais do Direito”, comentou Ricardo Cueva, ministro do STJ.
Apesar de toda a modernização tecnológica, outro assunto veio à tona no Seminário de Verão: o Direito é uma arte ou uma ciência? De acordo com Ricardo Lewandowisk, ministro aposentado do STF, essa é uma grande dúvida que permanece até hoje. O magistrado conta que já presenciou várias discussões, em altíssimo nível, entre os ex-ministros Eros Grau e Marco Aurélio Mello, em que o primeiro defende ser uma arte, e Mello, uma ciência, por ter objeto e método próprios. Para Grau, o Direito é uma arte porque comporta interpretação e uma certa flexibilidade, embora implique prudência – daí o próprio nome jurisprudência que se dá às decisões judiciais. Mas Lewandowisk também tem seu ponto de vista: “Essa discussão é interminável. Eu mesmo ficava na dúvida, até que, recentemente, me caiu em mãos um livro do jurista francês Michel Villey, no qual ele diz que o Direito, para além de ser um conjunto de normas e fórmulas, é um modo de organização da sociedade. Então, eu me convenci de que o Direito é uma ciência, mas num outro sentido. Ele pode ser visto com uma ótica semelhante à antropologia, sociologia, história e a outras ciências humanas, para entender como as diversas sociedades se organizaram ao longo do tempo, tendo em vista o modelo jurídico que adotaram”.
Estes foram apenas alguns exemplos do alto nível dos debates que aqueceram ainda mais o verão de Coimbra. E prepare-se, porque ano que vem tem mais!






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Fazendo uma retomada da sua trajetória como ministro, qual é a imagem que lhe vem à cabaça sobre o dia em que o senhor chegou ao STJ?
O que o Humberto atual falaria para aquele Humberto de 20 anos atrás, quando chegou ao STJ?

vai muito além do que está no gabinete. Acho que um juiz não pode ficar sentado em uma mesa e conhecer o mundo apenas pelos livros. O bom é conhecer a vida, e, no caso, a fotografia me permite isso. Eu viajo para fotografar e, aí, vou conhecendo o ser humano, outras realidades completamente diferentes”, conta, revelando que, em sua última viagem à Índia, chegou a tirar mais de 3 mil fotos. As regiões brasileiras também já estiveram sob seu enquadramento, como os estados do Amazonas e Roraima e a cidade de Belém. Já em São Paulo, sua lente apontou para presidiárias transexuais, e o ensaio artístico acabou resultando no seu segundo livro.



O que é o seguro garantia judicial?







De lá para cá, as mulheres conquistaram seus direitos, mas ainda estão em processo de evolução, e, para isso, contam com a nossa legislação e com profissionais que se dedicam ao exercício do cumprimento da lei. Para combater a importunação sexual nos desfiles das escolas de samba, a juíza do TJRJ, Luciana Fiala, desempenhou um importante trabalho com sua equipe junto à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). “Temos pesquisas que indicam que, de cada dez mulheres, sete já sofreram assédio durante o Carnaval ou vão sofrer. Então, fizemos a capacitação de seguranças e daqueles que trabalham nos camarotes do sambódromo para saberem como atender à mulher vítima de violência”, disse a juíza especialista em Direito Penal.
Uma grande inspiração para a realização da campanha “Não Força!” é a história que presenciei anos atrás da nossa também convidada palestrante Fernanda Alves, criadora da conta no Instagram @horadefalaroficial. Na época, ela me pediu ajuda para denunciar um caso de assédio e, apesar do medo dela, podemos afirmar que foi a decisão certa. O final feliz aconteceu graças ao gesto de coragem da Fernanda, que compartilhou sua história de superação com a plateia. “Nós temos o dever de denunciar esse tipo de crime. É difícil? Sim, o processo às vezes é lento, você tem que ficar repetindo as mesmas falas, mas é necessário! Se você permanecer em silêncio, vai fortalecer aquele agressor e ele vai fazer com outras mulheres. A denúncia quebra o ciclo de abuso”, enfatizou Fernanda.

A relação entre Brasil e China nunca esteve tão dinâmica. De parcerias comerciais a intercâmbios acadêmicos, o diálogo entre as duas nações vem se fortalecendo em diversas frentes. Para falar sobre esse tema, conversei com Thomas Law, mestre em Direito das Relações Internacionais Econômicas, doutor em Direito Comercial e presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina) – entidade que atua na integração entre os dois povos e na difusão de suas culturas. Com sólida experiência internacional, o especialista comenta como o Brasil pode ampliar as oportunidades com o país asiático, a importância do respeito às tradições locais e os novos caminhos abertos pela tecnologia.
Como o senhor avalia o sistema jurídico chinês em comparação ao brasileiro?
Nos anos 80 e 90, o que se via no gramado? Jogadores estampando nas camisas a imagem dos patrocinadores do time. Era a forma de injetar dinheiro para alavancar os clubes. Mas, com o passar do tempo, esses patrocínios foram perdendo força. Até que, em 2021, foi criada a Lei nº 14.193, a SAF, como um instrumento jurídico que assegura a entrada de investidores nos clubes de futebol brasileiros, para uma melhora na gestão administrativa. A seguir, veja o que Rafael Rolim diz a respeito.
