Agro RIW Tech
O CAMPO NO CENTRO DA INOVAÇÃO
ENTRE OS DIAS 4 E 7 DE AGOSTO, PRODUTORES RURAIS, PESQUISADORES, EMPRESAS, INSTITUIÇÕES E STARTUPS DIVIDIRAM ESPAÇO NO PÍER MAUÁ, DURANTE A SEXTA EDIÇÃO DO RIO INNOVATION WEEK (RIW), PARA MOSTRAR QUE A TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA NÃO ACONTECE APENAS NOS GRANDES CENTROS URBANOS – ELA TAMBÉM ESTÁ ESPALHADA PELO INTERIOR DO ESTADO.
O AgroRIW Tech reuniu diferentes elos da cadeia produtiva, aproximando quem produz no campo de quem desenvolve pesquisas, tecnologias e novos modelos de negócio no setor agropecuário. Mas nem toda inovação apresentada no Armazém 1B estava em máquinas ou softwares. Parte importante do espaço foi ocupada por quem está na outra ponta dessa transformação: o produtor. Nesta sexta edição, 31 produtores fluminenses levaram ao público os produtos que compõem o melhor do agro do Rio, como cafés, queijos, cachaças, embutidos, doces, cogumelos e outras especialidades preparadas em diferentes regiões do estado.
Nós circulamos pelos estandes e pudemos experimentar várias dessas delícias, muitas delas com uma pitada de inovação: mostarda de maracujá e pimentão em miniatura recheado com castanha de caju, da Arte em Conservas, de Petrópolis; doce de leite com apenas 10% de açúcar – que leva de seis a oito horas para dar o ponto, e é considerado um dos melhores do estado –, da Laticínios Manoel Borges, de Paty do Alferes; hambúrguer vegano feito com 100% de fibra de caju, da Amazonika Mundi, de Niterói – e que já está sendo exportado para a Índia –; cerveja com pimenta, da Cervejaria Buzzi, de Santa Maria Madalena; e cachaça de doce de leite, da Cachaça Barra Velha, de Campos de Goytacazes. Arilton Lima, produtor desta marca, comemorou uma conquista: “Ganhamos, em 2025, o duplo ouro na Bélgica como o melhor destilado, comprovando que a cachaça é a nossa bebida de excelência”.
Em nossa visita, vimos também que a preocupação com a tecnologia está em uma bebida que todo mundo gosta: a água de coco. A da Rei do Coco, de Barra do Piraí, é vendida em garrafinhas semelhantes às de água mineral, capazes de conservar o sabor natural por até seis meses. “Em nosso processo na agroindústria, desenvolvemos os equipamentos e criamos uma máquina de extração, que é um divisor de águas na qualidade do nosso produto. Com ela, colhemos no ponto certo, fazemos uma boa extração e depois um bom envase, chegando a essa qualidade. É o segredo do sucesso”, conta Fábio Rodrigues, produtor da marca.

Mas o que é tradição também brilhou na feira. E lá pudemos experimentar uma berinjela que agrada até quem não é fã desse legume. É o produto mais antigo – e mais famoso – criado pelo Armazém Sustentável, de Petrópolis. “A berinjela agridoce com passas ao vinho fundou a minha empresa, há 17 anos. E eu faço para quem não gosta de berinjela”, revela Gustavo Aronovick, sócio da empresa, que também vende conservas, geleias, molhos e vários tipos de mel, todos com certificação orgânica. E ele estava certo: provamos e aprovamos.
Mel também é o forte do Apiário Martins, de Rio Bonito. Só que o estande desse produtor surpreendeu com lindas velas esculpidas, feitas com cera de abelha 100% pura. O produto é natural, tem alta durabilidade e ainda exala um sutil aroma adocicado. “Tudo da abelha é aproveitado. Além do mel, temos própolis, pólen e geleia real. E as velas têm o cheiro específico da cera da abelha, que faz lembrar o mel”, comenta João Vitor Rodrigues, sócio-proprietário do Apiário Martins.

Pelos corredores do AgroRIW Tech, encontramos diversos produtos premiados – como os queijos da Fazenda Boa Fé (de Santa Maria Madalena) e os cafés das marcas Iranita e Manduca (ambos de Porciúncula) – e também alguns itens que rompem as fronteiras do Brasil. É o caso das bananadas da Fumel, de Cachoeiras de Macacu.
“Já tem dez anos que vendemos para o Canadá. Todos os nossos produtos são naturais, sem açúcar, feitos com produtores conhecidos que damos assistência. Quem come nossas bananadas apoia a agricultura familiar”, comenta Nara Victor, sócia-diretora da Fumel.
Como se vê, é o agro do Rio indo cada vez mais longe.
Paulo Renato Marques é engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD






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Para conferir de perto este sabor gourmet, fomos à Fazenda Florença, em Conservatória (distrito de Valença), onde ele é produzido. Quem nos conduziu pelo cafezal foi o proprietário Paulo Roberto dos Santos, que nos contou que, antes, a fazenda era um pasto de éguas da raça Percheron, até que o Sebrae promoveu um projeto de reintrodução do plantio do grão no Vale do Café (região do Sul Fluminense, onde havia as grandes fazendas produtoras do século XIX). Paulo abraçou a causa e, em 2017, terminou o plantio, com toda uma preocupação agroflorestal. “Também inserimos árvores nativas da Mata Atlântica e frutíferas, para favorecer a fauna. Hoje, em noite de lua cheia, conseguimos ver os animais passando, já que agora eles têm o que comer aqui”, comenta Paulo.











Anos 1970
Com a chegada dos anos 1990, a pesquisa agropecuária fluminense entrou em uma nova fase, marcada pela incorporação de tecnologias, inovação científica e soluções práticas voltadas ao aumento da produtividade com responsabilidade ambiental. A Pesagro-Rio ampliou sua atuação no desenvolvimento de mudas, no controle de qualidade dos alimentos e na criação de tecnologias acessíveis ao produtor rural. Foi um período em que a ciência passou a dialogar de forma ainda mais direta com o cotidiano do campo, transformando conhecimento em resultados concretos, fortalecendo a agricultura familiar e preparando o agro fluminense para os desafios de um novo século.
Durante muito tempo, o estado do Rio de Janeiro esteve fora do circuito nacional e internacional dos grandes queijos artesanais. Mas esse cenário vem mudando, e a região de Valença, no Centro-Sul Fluminense, desponta como um dos principais símbolos dessa transformação. Condições naturais favoráveis, tradição produtiva, assistência técnica e investimento em qualidade explicam por que os queijos locais vêm conquistando reconhecimento em concursos de alto prestígio no Brasil e no exterior.
A Região Serrana do Rio de Janeiro abriga um dos mais importantes polos agrícolas do estado. O chamado Cinturão Verde, que se estende entre Nova Friburgo e Teresópolis, abrangendo 16 municípios, responde por grande parte do abastecimento de hortaliças consumidas no território fluminense, exercendo papel estratégico na segurança alimentar e na economia local.
A laranja de Tanguá ganhou destaque nacional pelo sabor adocicado e baixa acidez, atributos ligados ao solo e ao clima locais. A cachaça de Paraty conquistou a Denominação de Origem por suas práticas artesanais, pelo cultivo manual da cana e pelas características ambientais da região. “Quando o consumidor compra a cachaça com o selo de IG, tem a certeza de estar adquirindo um produto com origem controlada e qualidade garantida”, afirma Eduardo Mello, presidente da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Paraty (Apacap). Já as pedras carijó, madeira e cinza foram pioneiras ao receber a Denominação de Origem, protegendo legalmente a extração e ampliando o valor agregado desses materiais no mercado da construção civil e do design.
Neste mapa, conheça a distribuição das Indicações Geográficas no estado do Rio de Janeiro. Em destaque, estão os municípios e as regiões que já possuem produtos certificados por sua origem, qualidade e tradição, como frutas, bebidas e rochas ornamentais, além daqueles que avançam no processo de reconhecimento oficial.
O cultivo da soja vem se consolidando como uma nova fronteira agrícola no Norte Fluminense, impulsionado por tecnologia, pesquisa científica e logística favorável. Municípios como Macaé e Campos dos Goytacazes passaram a ganhar destaque com safras expressivas, resultado de estudos de viabilidade iniciados há décadas e retomados nos últimos anos. A proximidade com o Porto do Açu tem sido decisiva para a competitividade do produto, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso ao mercado externo. Por exemplo, a Primus Ipanema Agropecuária, de Macaé, exportou pela primeira vez 1.350 toneladas de soja, enquanto a última safra da Fazenda Santa Cruz, em Campos, registrou uma produção de 3 mil toneladas.
Durante décadas, o território fluminense viveu os efeitos de um modelo agrícola baseado na exploração extensiva do solo. O avanço do café e, posteriormente, da cana-de-açúcar deixou como herança áreas degradadas, empobrecimento do solo e perda de biodiversidade. É nesse contexto que os sistemas agroflorestais (SAFs) ganham protagonismo como alternativa capaz de conciliar produção, recuperação ambiental e geração de renda no campo.



O Brasil vive uma revolução silenciosa no campo: em menos de duas décadas, se transformou no maior exportador de milho do mundo. A força dos grãos impulsiona essa trajetória, mas é o milho que, ano após ano, reafirma sua importância estratégica na mesa, na indústria e na economia. E, embora muitos imaginem que esse protagonismo esteja restrito ao Centro-Oeste, o estado do Rio de Janeiro também abre seu espaço nesse cenário – com destaque para Macaé, onde o milho cresce em escala, tecnologia e ambição.



E não é à toa que esta simpática cidade, emoldurada pelas montanhas da Serra do Mar, se orgulha do título de “terra do tomate”. O município é o maior produtor do estado do Rio de Janeiro e tem na agricultura protegida o motor de sua economia. E nós fomos conhecer um pouco de toda essa produção, nas estufas da Seal Hortifruti, que contabilizam 1.560 m2, contendo três mil vasos com tomates. Lá, presenciamos como a tecnologia e o cuidado com cada planta transformam o fruto vermelho em símbolo de prosperidade e identidade local.

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O desafio é manter o frescor das flores até o destino final. O engenheiro agrônomo explica como isso é possível: “Temos nos dedicado a estruturar os produtores rurais com o que eles precisam para a comercialização, e eles já detêm uma infraestrutura de câmaras frigoríficas em torno de 4ºC, além de eletrificação rural e até geradores para que não tenham prejuízos. A colheita pode começar na véspera ou em até três, quatro dias. Após colhidas, as flores são mantidas não só refrigeradas, mas também em poços com água. O nosso transporte é todo rodoviário, feito nos caminhões com essa infraestrutura. Então, hoje consigo ter um deslocamento de até cinco dias com toda a tranquilidade, deixando as flores com o mesmo frescor, com a mesma tonalidade de cores e com a mesma qualidade para poderem ser ainda comercializadas em mais alguns dias nos pontos de venda”.
recebem uma lembrança especial: “Toda pessoa que vem nos conhecer, no final da visitação, ganha de brinde um buquezinho de flores, para levar com ela um pedacinho nosso”, avisa Wallaf.
Em sua origem, a laranja não é um produto tipicamente nacional. Há mais de 4 mil anos, ela começou a ser cultivada no sul da China e só foi chegar à Europa – mais precisamente, na Península Ibérica – lá pelo século X, trazida pelas mãos de comerciantes mouros. Até que, por volta de 1530, essa fruta finalmente atracou no Brasil graças a uma necessidade dos colonizadores portugueses: tratar os seus marinheiros que sofriam de escorbuto, doença causada pela deficiência de vitamina C. Mal sabiam que isso daria início a uma nova paixão nacional, já que, hoje, o Brasil se encontra como o maior produtor de laranjas do mundo.


A maciez e a suculência se devem à distribuição uniforme da gordura entremeada nos tecidos musculares. Durante o preparo, o calor derrete a gordura parcialmente e impregna a parte magra, tornando-a mais tenra e saborosa. Muitos descrevem a carne como amanteigada, com um leve sabor de nozes, sendo considerada uma das mais nobres nas churrascarias. 


Pelo segundo ano consecutivo, a Fazenda Cananéia recebeu o Selo Angus Sustentabilidade, certificado pelo TÜV Rheinland, um rigoroso organismo de certificação alemão, com mais cem anos de atuação na área de inspeção em todos os tipos de serviços relacionados à qualidade da segurança técnica, de proteção ao homem e ao meio ambiente. Na última auditoria, em 2024, a Cananéia foi avaliada em 87 ítens e não apresentou qualquer inconformidade, recebendo a máxima pontuação, que é o nível 3.




















