COGUMELOS
TECNOLOGIA QUE IMITA FLORESTAS
EM CÂMARAS FRIAS, A NATUREZA É RECRIADA PARA DAR VIDA A UM CULTIVO QUE UNE CIÊNCIA, SUSTENTABILIDADE E SABOR. UM NOVO JEITO DE PRODUZIR REVELA QUE O FUTURO DO AGRO PODE FLORESCER LONGE DO CAMPO.
Nesta edição, mostramos a você uma fazenda sem campo ou pasto. É, na verdade, uma criação indoor, para a produção de cogumelos. Na Fazenda Eldorado, em Nova Iguaçu, parece até que estamos dentro de um filme de ficção científica: câmaras frias, climatizadas, controlam temperatura, umidade e toda a atmosfera para se produzir o shitake mais saudável possível. Na verdade, tudo é preparado para simular o habitat em que o cogumelo naturalmente nasce. “Aqui, vemos a mágica da floresta. Conseguimos recriar todo o ecossistema que esse reino maravilhoso dos fungos precisa para poder crescer”, explica Anderson Simões, sócio da fazenda.
Ao seguirmos pelos corredores frios e silenciosos da fazenda, nos deparamos com uma agricultura de precisão, em que cada detalhe interfere diretamente na qualidade do produto final. O processo começa muito antes de qualquer cogumelo aparecer. Nas chamadas “salas de frutificação”, tudo nasce em blocos (também denominados “substratos”) – estruturas que funcionam como verdadeiros berços da produção –, dando início à fase de maturação. Esses blocos são compostos por 80% de serragem de eucalipto – componente principal para que o cogumelo desenvolva a sua textura e qualidade – e 20% de farelos de milho, soja, arroz e trigo, que oferecem a “alimentação” essencial para os cogumelos. “O carbono vem da madeira, e o nitrogênio, dos farelos. Com essa mistura, temos nutrientes suficientes para o crescimento de micélio, que vai envolver todo o bloco, amadurecer e frutificar, originando o cogumelo”, informa Anderson.

Mas, para isso, é preciso respeitar o tempo da natureza: “Depois que os blocos estão prontos, eles são autoclavados, passando pela parte de inoculação. Depois de 30 dias, a capa micelial fica toda fechada e começa a maturar. Após isso, permanecem por mais 60 dias repousando num ambiente com luz azul. Só depois desses 90 dias é que seguem para a sala de produção”, completa o sócio, contando que, no momento de nossa visita, dispunha de 10 mil blocos nessa estufa inicial. Porém, ela está preparada para receber 180 mil.
“Nós temos a preocupação de trazer a pesquisa para dentro da empresa e aplicar esse conhecimento em nossa produção. Senão, não seria possível obter esses cogumelos.”
Sael Sanchez, especialista técnico da Fazenda Eldorado
CADA BLOCO PODE RENDER ATÉ 1 KG

E em cada bloco desses, quantos cogumelos frutificam? Quem traz a resposta é Sael Sanchez, especialista técnico da Fazenda Eldorado, já nos conduzindo pela sala de produção em si: “Isso depende da estrutura do bloco, do seu enriquecimento e da linhagem de cogumelo. Em geral, eu posso ter de 40% a 50% do total do substrato transformado no produto. Nós estamos trabalhando com pesquisas para aumentar essa produtividade aos níveis da China, que chega a alcançar entre 60% e 70%. Por enquanto, de um bloco de dois quilos, podemos obter aqui entre 400 gramas a quase um quilo de cogumelo”.
Na Fazenda Eldorado, a capacidade de produção por cada sala gira em torno de 3 mil a 4 mil blocos. E como o local dispõe de nove salas, a cada ciclo de 15 dias totalizariam, aproximadamente, 36 mil blocos. Em um mês, atinge-se o dobro dessa produção.
“Aqui, vemos a mágica da floresta. Conseguimos recriar todo o ecossistema que esse reino maravilhoso dos fungos precisa para poder crescer.”

NADA SE PERDE NA PRODUÇÃO
Mas o que acontece com o percentual do substrato que não se torna cogumelo? Bem, como já dizia Lavoiser, na natureza nada se perde, tudo se transforma. O que resta dos blocos, então, volta para o solo. “Como o restante é composto por carbono, ajudamos a estocá-lo para o meio ambiente. Podemos dizer, efetivamente, que somos sequestradores de carbono”, comemora Sael, sabendo da importância desse simples ato para ajudar a amenizar o aquecimento global.
O técnico informa que já existem alguns estudos científicos – na Turquia, na Rússia e, inclusive, no Brasil, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – provando que o fungo, em seu processo de degradação dos substratos para obter seu alimento, acaba gerando uma bateria enorme de produtos que têm componentes antioxidantes de grande potencial e também antibióticos. “Quando o substrato é idôneo para outros fins, ou seja, quando ele é feito à base de capim ou de bagaço de cana, eu consigo dar esse substrato para o gado. E ele aumenta em 30% a produção de leite, devido a todos os seus compostos. Eu também posso produzir um substrato para a criação de tilápia, que vai ajudar em seu processo de criação”, informa Sael.
Portanto, na produção da Fazenda Eldorado, nada vira lixo. “Isso aqui é o ouro marrom que ainda não aprendemos a utilizar em todo o seu potencial”, refere-se o técnico, ao mostrar os blocos que restam sem cogumelos. Nesse aspecto, ele enaltece o Brasil, onde cada vez mais universidades estão trabalhando com os cogumelos: “Eu acredito que, nos próximos anos, vamos descobrir muita coisa a respeito. Inclusive, a nossa fazenda é uma das primeiras do país a estar diretamente relacionada com a Universidade Federal Rural. Nós temos a preocupação de trazer a pesquisa para dentro da empresa e aplicar esse conhecimento em nossa produção. Senão, não seria possível obter os cogumelos que estamos vendo hoje aqui”.
Sael destaca que a produção de cogumelos no Rio de Janeiro também pode vir a colaborar com toda a estrutura de economia circular e ser fundamental para o desenvolvimento do agro na região. “Afinal, esses substratos têm matéria orgânica que melhora as características do solo. Nós temos solos muito ácidos e pobres. Então, se tivéssemos cada vez mais substratos que possam ser devolvidos para a terra, já ajudaria a melhorar a sua condição física, como textura, porosidade e umidade”, recomenda.
FIM DA VISITA,
HORA DA DEGUSTAÇÃO
Quando finalizamos nosso tour pela produção do shitake, aproveitamos para colher algumas dessas iguarias para tratar de levá-las ao prato. Mas, para isso, contamos com a expertise da chef Elisa, que prepara para a equipe da Revista Manchete um creme aveludado de cogumelos com cebola caramelizada. Além do shitake, ela também inclui o shimeji, e os prepara salteados e refogados. Para o molho branco, a chef acrescenta noz-moscada que, garante, agrega muito sabor ao creme.
O aroma delicioso invade o ambiente, indicando que é hora da degustação. “Esse é um prato supernutritivo e rápido de fazer. Pode tanto acompanhar um petisco à noite com os amigos quanto ser servido com arroz ou uma salada verde. Fica uma delícia”, garante Elisa. E nós aprovamos!
Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro-Rio, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD






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Anos 1970
Com a chegada dos anos 1990, a pesquisa agropecuária fluminense entrou em uma nova fase, marcada pela incorporação de tecnologias, inovação científica e soluções práticas voltadas ao aumento da produtividade com responsabilidade ambiental. A Pesagro-Rio ampliou sua atuação no desenvolvimento de mudas, no controle de qualidade dos alimentos e na criação de tecnologias acessíveis ao produtor rural. Foi um período em que a ciência passou a dialogar de forma ainda mais direta com o cotidiano do campo, transformando conhecimento em resultados concretos, fortalecendo a agricultura familiar e preparando o agro fluminense para os desafios de um novo século.
Durante muito tempo, o estado do Rio de Janeiro esteve fora do circuito nacional e internacional dos grandes queijos artesanais. Mas esse cenário vem mudando, e a região de Valença, no Centro-Sul Fluminense, desponta como um dos principais símbolos dessa transformação. Condições naturais favoráveis, tradição produtiva, assistência técnica e investimento em qualidade explicam por que os queijos locais vêm conquistando reconhecimento em concursos de alto prestígio no Brasil e no exterior.
A Região Serrana do Rio de Janeiro abriga um dos mais importantes polos agrícolas do estado. O chamado Cinturão Verde, que se estende entre Nova Friburgo e Teresópolis, abrangendo 16 municípios, responde por grande parte do abastecimento de hortaliças consumidas no território fluminense, exercendo papel estratégico na segurança alimentar e na economia local.
A laranja de Tanguá ganhou destaque nacional pelo sabor adocicado e baixa acidez, atributos ligados ao solo e ao clima locais. A cachaça de Paraty conquistou a Denominação de Origem por suas práticas artesanais, pelo cultivo manual da cana e pelas características ambientais da região. “Quando o consumidor compra a cachaça com o selo de IG, tem a certeza de estar adquirindo um produto com origem controlada e qualidade garantida”, afirma Eduardo Mello, presidente da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Paraty (Apacap). Já as pedras carijó, madeira e cinza foram pioneiras ao receber a Denominação de Origem, protegendo legalmente a extração e ampliando o valor agregado desses materiais no mercado da construção civil e do design.
Neste mapa, conheça a distribuição das Indicações Geográficas no estado do Rio de Janeiro. Em destaque, estão os municípios e as regiões que já possuem produtos certificados por sua origem, qualidade e tradição, como frutas, bebidas e rochas ornamentais, além daqueles que avançam no processo de reconhecimento oficial.
O cultivo da soja vem se consolidando como uma nova fronteira agrícola no Norte Fluminense, impulsionado por tecnologia, pesquisa científica e logística favorável. Municípios como Macaé e Campos dos Goytacazes passaram a ganhar destaque com safras expressivas, resultado de estudos de viabilidade iniciados há décadas e retomados nos últimos anos. A proximidade com o Porto do Açu tem sido decisiva para a competitividade do produto, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso ao mercado externo. Por exemplo, a Primus Ipanema Agropecuária, de Macaé, exportou pela primeira vez 1.350 toneladas de soja, enquanto a última safra da Fazenda Santa Cruz, em Campos, registrou uma produção de 3 mil toneladas.
Durante décadas, o território fluminense viveu os efeitos de um modelo agrícola baseado na exploração extensiva do solo. O avanço do café e, posteriormente, da cana-de-açúcar deixou como herança áreas degradadas, empobrecimento do solo e perda de biodiversidade. É nesse contexto que os sistemas agroflorestais (SAFs) ganham protagonismo como alternativa capaz de conciliar produção, recuperação ambiental e geração de renda no campo.



O Brasil vive uma revolução silenciosa no campo: em menos de duas décadas, se transformou no maior exportador de milho do mundo. A força dos grãos impulsiona essa trajetória, mas é o milho que, ano após ano, reafirma sua importância estratégica na mesa, na indústria e na economia. E, embora muitos imaginem que esse protagonismo esteja restrito ao Centro-Oeste, o estado do Rio de Janeiro também abre seu espaço nesse cenário – com destaque para Macaé, onde o milho cresce em escala, tecnologia e ambição.



E não é à toa que esta simpática cidade, emoldurada pelas montanhas da Serra do Mar, se orgulha do título de “terra do tomate”. O município é o maior produtor do estado do Rio de Janeiro e tem na agricultura protegida o motor de sua economia. E nós fomos conhecer um pouco de toda essa produção, nas estufas da Seal Hortifruti, que contabilizam 1.560 m2, contendo três mil vasos com tomates. Lá, presenciamos como a tecnologia e o cuidado com cada planta transformam o fruto vermelho em símbolo de prosperidade e identidade local.

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O desafio é manter o frescor das flores até o destino final. O engenheiro agrônomo explica como isso é possível: “Temos nos dedicado a estruturar os produtores rurais com o que eles precisam para a comercialização, e eles já detêm uma infraestrutura de câmaras frigoríficas em torno de 4ºC, além de eletrificação rural e até geradores para que não tenham prejuízos. A colheita pode começar na véspera ou em até três, quatro dias. Após colhidas, as flores são mantidas não só refrigeradas, mas também em poços com água. O nosso transporte é todo rodoviário, feito nos caminhões com essa infraestrutura. Então, hoje consigo ter um deslocamento de até cinco dias com toda a tranquilidade, deixando as flores com o mesmo frescor, com a mesma tonalidade de cores e com a mesma qualidade para poderem ser ainda comercializadas em mais alguns dias nos pontos de venda”.
recebem uma lembrança especial: “Toda pessoa que vem nos conhecer, no final da visitação, ganha de brinde um buquezinho de flores, para levar com ela um pedacinho nosso”, avisa Wallaf.
Em sua origem, a laranja não é um produto tipicamente nacional. Há mais de 4 mil anos, ela começou a ser cultivada no sul da China e só foi chegar à Europa – mais precisamente, na Península Ibérica – lá pelo século X, trazida pelas mãos de comerciantes mouros. Até que, por volta de 1530, essa fruta finalmente atracou no Brasil graças a uma necessidade dos colonizadores portugueses: tratar os seus marinheiros que sofriam de escorbuto, doença causada pela deficiência de vitamina C. Mal sabiam que isso daria início a uma nova paixão nacional, já que, hoje, o Brasil se encontra como o maior produtor de laranjas do mundo.


A maciez e a suculência se devem à distribuição uniforme da gordura entremeada nos tecidos musculares. Durante o preparo, o calor derrete a gordura parcialmente e impregna a parte magra, tornando-a mais tenra e saborosa. Muitos descrevem a carne como amanteigada, com um leve sabor de nozes, sendo considerada uma das mais nobres nas churrascarias. 


Pelo segundo ano consecutivo, a Fazenda Cananéia recebeu o Selo Angus Sustentabilidade, certificado pelo TÜV Rheinland, um rigoroso organismo de certificação alemão, com mais cem anos de atuação na área de inspeção em todos os tipos de serviços relacionados à qualidade da segurança técnica, de proteção ao homem e ao meio ambiente. Na última auditoria, em 2024, a Cananéia foi avaliada em 87 ítens e não apresentou qualquer inconformidade, recebendo a máxima pontuação, que é o nível 3.




















