ESPECIAL
CLUBE DOS MABIMBÁS
TRADIÇÃO COM VISTA PRIVILEGIADA DE COPACABANA
ENTRE O MAR E UM DOS CENÁRIOS MAIS DESLUMBRANTES DO RIO, ESTE CANTINHO ESCONDIDO NO POSTO 6 ATRAVESSA GERAÇÕES PRESERVANDO HISTÓRIAS E UM JEITO MUITO PRÓPRIO DE RECEBER. AOS 94 ANOS, SEGUE COMO UM ENDEREÇO EXCLUSIVO, ONDE PESCA, GASTRONOMIA E CELEBRAÇÕES SE ENCONTRAM À BEIRA-MAR.
Em 1932, 36 jovens rapazes apaixonados pela pesca e pelos esportes náuticos costumavam lançar seus anzóis no Posto 6 da Praia de Copacabana, coladinho ao Forte. No mar, havia um peixe em abundância: o marimbá. Essa turma, então, deu início ao Clube dos Marimbás, inicialmente numa casa na rua Sá Ferreira, mas sempre com a forte ligação com o mar e a caça submarina. Em 1941, o Marimbás ganhou não só a sua sede definitiva, na praça de acesso ao Forte de Copacabana, como também selou a conquista de uma das vistas mais lindas do litoral carioca.
Noventa e quatro anos depois, o clube segue como um espaço pequeno e tradicional, com apenas 500 sócios – desses, a média de frequentadores fica em torno de 150 a 180 que vão sempre. “O Marimbás é como se fosse uma grande família. Aqui, evitamos qualquer tipo de desavença e tentamos harmonizar tudo ao máximo. Até porque é um lugar privilegiado. Quando se fala no clube não tem como não mencionar essa vista de Copacabana”, afirma o conselheiro nato Paulo Simões.

Ele reforça que o Marimbás, por muito tempo, seguia o lema “meninas não entram” – até podiam frequentar as dependências em eventos, mas não podiam adquirir títulos de sócias. Com o passar dos anos, isso foi ficando para trás. Até que veio o grande marco revolucionário: “A gente vive quebrando paradigmas, não é mesmo? E o maior deles foi que, depois de quase 80 anos de existência, o Marimbás tem uma mulher como comodora”, conta Paulo.
Desde 2024, Lydia Valansi é quem está à frente do clube náutico. “Quando entrei para o Marimbás, há 24 anos, já não era tão machista. Ele foi virando um clube mais social, que hoje tem uma comodora mulher”, comemora Lydia. E ela fala dos encantos do Marimbás: “Você sai com o seu barco, volta com seu peixinho e leva para a cozinha preparar. Você mesmo come o peixe que pescou. Vale dizer que o nosso restaurante é o carro-chefe daqui. Uma comida maravilhosa, com especialidade em frutos do mar”.
RÉVEILLON DE CAMAROTE

Não se pode esquecer, obviamente, que a vista privilegiada é um prato cheio para festas memoráveis. As de réveillon já são tradicionais, com as pessoas vendo a queima de fogos como se estivessem em um camarote. “Nos meus 40 anos de sócio do Marimbás, já fui a pelo menos 30 réveillons. Este clube é completamente diferente de todos os outros. Você chega e senta em qualquer mesa e conversa com todo mundo. Todos se conhecem”, enaltece Francisco Figueiredo, presidente do conselho. Importante completar que todo ano, no Carnaval, acontece a disputada Feijoada do Marimbás, com muito samba à beira-mar.

Mas o local também cede espaço para festas ao longo do ano, e quem já comemorou o seu aniversário no Marimbás foi a socialite Narcisa Tamborindeguy. “Fiz uma festa enorme, aqui tudo bomba. Eu amo esse clube, o melhor de todos. Já conheço os funcionários, e são todos simpáticos e gentis. A comida é maravilhosa e a vista, linda. É tudo lindo”, revela encantada, enquanto abraça a comodora. “A Lydia Valansi também é uma comodora linda e maravilhosa. Ai, que loucura”, finaliza Narcisa, com sua frase típica, deixando em todos nós a vontade de também curtir o Clube dos Marimbás. Mais um pedacinho do Rio de Janeiro que encanta.
Reportagem de Alexandre Teves






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