Botecar Rio 2025: um roteiro de sabores e arte pela cidade

Aconchego Carioca Prato: Camarão do Gui – camarões com e sem casca no alho e óleo, com purê de mandioquinha e puxado na noz moscada. Foto: Fábio Rossi

A boemia carioca ganha mais um motivo para brindar: começou o Botecar Rio, o concurso de petiscos que movimenta a cidade entre 12 de novembro e 14 de dezembro. Nesta edição, o tema “arte com as mãos” inspira 40 bares espalhados pelo Rio a criarem receitas inéditas, celebrando a tradição dos botecos e a criatividade que marca a alma carioca.

Este ano, o público poderá revisitar clássicos e conhecer novidades que já nasceram com status de queridinhas. Entre as estreias estão o histórico Bar Brasil, na Lapa, e o tradicionalíssimo Bar Bracarense, no Leblon, ambos Patrimônio Cultural Carioca. Entram também na disputa casas como o Café do Bom Cachaça da Boa, no Centro; o Dois de Fevereiro, comandado pelo chef João Diamante; e o Barão, em Inhaúma. Somam-se ainda nomes premiados e recém-inaugurados que prometem surpreender.

Bar da Amendoeira👆 Prato: Feijão do Jaguar – caldinho de feijão com linguiça coroado com a carne-seca desfiada acebolada e alho frito mais famosa da cidade e servido com torresmo e couve. Foto: Fábio Rossi

Os veteranos também estão firmes no jogo: Aconchego Carioca, Adega do Pimenta, Bafo da Prainha, Bar da Frente, Bar da Gema, Bar do Bode Cheiroso, Bar do Momo (campeão de 2024) e muitos outros ícones seguem representando a essência dos botecos cariocas.

Ao todo, são 33 dias para explorar 18 bares na Zona Sul, 14 na Zona Norte e 8 na Lapa e Zona Portuária. Cada participante criou um petisco exclusivo inspirado em artistas, artesãos ou obras ligadas ao Rio, e em alguns endereços o público ainda poderá ver, conhecer e até comprar as peças dos homenageados.

As homenagens tornam o festival ainda mais especial. Tem bar celebrando o talento de Gabriel Labarba, cliente e garçom do Baixela; aquarelas do pintor Nelson Polzin no Enchendo Linguiça; peças artesanais de Edwiges Pereira no Suru Bafo; e um tributo emocionante a Jorge Selarón no Bar Brasil. Há também bares que reverenciam o traço marcante de Jaguar, figura histórica dos botecos cariocas.

E como participar? É simples: basta circular pelos bares participantes, experimentar os petiscos e votar. O concurso combina voto popular e avaliação do júri técnico, ambos com peso igual. As notas vão de 0 a 5 e avaliam petisco, ambiente, atendimento e temperatura da bebida. Os pratos têm valor sugerido entre R$ 20 e R$ 45, um convite perfeito para montar seu próprio roteiro de boteco.

Bar Bracarense Prato: Polentarte – seis mini composições geométricas de polenta dourada com ragu de língua bovina e toque cítrico. Foto: Fábio Rossi

O Botecar Rio é mais que um concurso: é um festival de sabores, histórias e encontros. Um brinde à cultura carioca — e você está convidado a viver essa experiência. Aproveite, descubra novos petiscos, reencontre clássicos e celebre a arte feita com as mãos… e com muita alma.

Serviço: 

Para saber quais são os botecos participantes e seus endereços, basta acessar o site do Festival Botecar Rio 2025.: www.festivalbotecar.com.br

Eleninha: o point intimista da cidade

Foto Tomas Rangel

O Eleninha surgiu como a versão mais despojada e intimista do restaurante Elena, sua casa-irmã no Horto, ocupando um casarão histórico tombado pelo IPHAN e trazendo música ao vivo, coquetelaria criativa e clima descontraído para complementar a experiência gastronômica do Elena. Charmoso, despretensioso e cheio de personalidade, nasceu para ser daqueles lugares que a gente descobre quase por acaso e depois não consegue mais deixar de frequentar. Instalado em um casarão tombado pelo IPHAN, parte do conjunto histórico da Chácara do Algodão, o bar se espalha pela calçada em mesas ao ar livre e guarda, lá dentro, apenas 40 lugares — o que torna a experiência ainda mais intimista e acolhedora. Recentemente, o Eleninha foi eleito o Melhor Bar do Rio de Janeiro pelo prêmio Rio Show de Gastronomia, reconhecimento que reforça sua qualidade e relevância na cena carioca.

De domingo a domingo, o clima é de descontração elegante. Aos domingos, a trilha sonora fica por

Chorinho aos Domingos – G2 Films

conta da música ao vivo de alta qualidade, que vai do chorinho ao jazz, e em outros dias ganha o tempero de forró, DJ e ritmos que convidam a brindar. Tudo isso emoldurado por uma vista única: o Cristo Redentor e o verde exuberante do Jardim Botânico.

A cozinha, comandada pelo chef Itamar Araújo, segue o conceito de “estilo livre”, sempre aberta a novidades e referências asiáticas. Isso significa que a cada visita há algo novo para provar — mas vale apostar em delícias como o Crudo de peixe do dia com molho cítrico, os Dumplings de camarão no vapor, o clássico Fish and Chips e os criativos buns, que podem ser de peixe em tempurá, cogumelos ou frango crocante. Durante a semana, o menu executivo renova a cada sete dias, com entrada, prato principal e sobremesa, tornando a casa uma ótima pedida também para o almoço.

Crudo de Peixe do Dia com Molho Cítrico e Crocante de Arroz

No capítulo das bebidas, o bar conquista pelo equilíbrio entre simplicidade e sofisticação. A carta de drinques leva a assinatura do premiado mixologista Alex Mesquita, que recria clássicos como Negroni e Moscow Mule e ainda apresenta autorais como o “Só Prova”, que mistura gin, damasco e bitter de laranja, e o “Cajueiro sem caju”, uma surpreendente combinação de cachaça, Cynar, maracujá e hortelã. Para quem prefere algo mais leve, há chopes, cervejas e sodas artesanais refrescantes.

O ambiente é outro espetáculo à parte. O projeto arquitetônico da Tadu preserva as paredes de pedra originais do casarão, revela janelões de madeira e vidro e aposta em iluminação que valoriza os detalhes e cria um clima acolhedor. Estofados em veludo verde, mesas de madeira, estante de vinhos e até uma seleção de vinis clássicos decoram o espaço, que equilibra charme e aconchego na medida certa.

“Só Prova” Drink – Foto Tomas Rangel

Mais do que um bar, o Eleninha é um convite a viver momentos sem pressa, rodeado de boa música, drinques impecáveis, comida criativa e um cenário que é puro Rio de Janeiro. Um lugar para ir uma vez e querer voltar sempre — porque cada visita reserva uma surpresa.

Serviço: 

Rua Pacheco Leão, 780 – Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ 

Horário de funcionamento: terça a quinta, das 12h à 0h; sexta, das 12h à 01h; sábado, das 13h à 01h e domingo, das 13h às 19h. 40 lugares (20 na varanda e 20 no salão). Não aceita reservas. 

Formas de pagamento: dinheiro e cartões de crédito e débito 

Taxa de rolha: R$ 80 

@eleninhahorto 

 

Mini Burguer de Wagyu com creme de queijo – Foto Tomas Rangel
Wonton de Camarão com óleo de pimenta – Foto Tomas Rangel

Jurubeba: onde a culinária popular encontra a alta gastronomia

O circuito carioca de gastronomia ganhou mais uma novidade no universo dos botecos. Depois de renomados chefs cariocas, como Thomas Troisgros, Pedro Artagão e Bruno Katz, se aventurarem nesse cenário, agora é a vez do chef Elia Schramm mergulhar na culinária popular.

O Boteco Jurubeba, localizado em Botafogo, nasceu em janeiro de 2025, tornando-se um bar que une a autenticidade do botequim carioca à criatividade gastronômica. A ideia do local surgiu de uma conversa entre os sócios Elia Schramm e Flávio Gomes. Antes mesmo do primogênito Babbo Osteria, a dupla já sonhava em abrir um bar — no melhor estilo “boteco” — para serem “clientes do próprio negócio”.

O Jurubeba chegou para ser um lugar de comida gostosa, muito bem temperada, chope gelado, ambiente divertido e serviço amigo. O nome, inspirado em uma planta nobre do sertão, que simboliza resistência e autenticidade, remete às raízes nordestinas de Flávio, nascido no Rio Grande do Norte, e à busca de Elia por uma narrativa pessoal e verdadeira em cada detalhe do projeto.

A casa de esquina na Rua Real Grandeza ganhou paredes brancas com detalhes em verde e toldos na mesma cor. Como todo bom boteco, claro, há mesas na calçada e uma decoração interna cheia de simbologias e referências ao sincretismo brasileiro. Tem São Jorge, vinis, flâmula do Flamengo, o Ofá de Oxóssi e itens garimpados pelo chef e pela equipe. O pano de fundo musical não poderia ser outro: samba e muita música brasileira, com faixas escolhidas a dedo pelo chef. Mais do que um bar, o Jurubeba é um refúgio onde histórias se encontram e a tradição se renova.

No boteco, a comida realmente é um capítulo à parte. Elia se inspira na essência da cozinha brasileira, com um carinho especial pela culinária mineira — que, surpreendentemente, tem muito em comum com as técnicas da cozinha regional francesa, um toque que Schramm trouxe de sua trajetória gastronômica. Para comandar a cozinha, Elia convidou seu amigo, o chef Fabiano Soares, que trabalhou 12 anos no grupo Troisgros e também foi chef do Ôia, Bisou Bisou e Magnólia.

Menu Jurubeba

O menu não foge da raiz e é cheio de refogados. A começar pelo Mocotó do Jurubeba (R$ 21), feito no caldo com feijão branco, paio, farofinha e cheiro-verde; tem a Moelinha Ferrugem (R$ 38), de galinha na pressão com molho ferrugem e muita salsinha; e o Maria Bonita & Lampião (R$ 37), queijo coalho grelhado na chapa com melado picante e crocante de caju. Também há homenagem à famosa Batata de Marechal (R$ 33), bem temperada, com linguiça acebolada, alho e um ovo estalado por cima. Da sua pegada asiática, veio o KFP (Korean Fried Passaralho) (R$ 42), frango frito à moda coreana com alho, gergelim e molho agridoce levemente picante.

Entre os petiscos, também não ficam de fora clássicos como feijão amigo (R$ 13), pão de alho (R$ 14), pastelzinho de queijo com cebola caramelizada (R$ 19 – 2 unidades) e pastelzinho de camarão com catupiry (R$ 24 – 2 unidades).

Como bom boteco, os sanduíches chegam bem recheados, em duas versões: o Copacabronx (R$ 35), de pernil com queijo prato e picles de abacaxi no pão francês; e o Oswaldinho (R$ 39), com rosbife, queijo prato, manteiga de alho e pão francês. Para a sobremesa os favoritos: Pudim de Leite (R$ 17) e Bolo de Coco (R$ 25), bem molhadinho e gelado.

Tudo isso pode ser acompanhado pelo delicioso chope Brahma, gelado e bem tirado. A carta de drinques autorais, assinada pela bartender Paula Diniz (Babbo), veio cheia de brasilidades. O Flor de Jurubeba (R$ 28) leva jurubeba, hibisco, baunilha e espumante de caxiri; já o Galo Jurubeba (R$ 33) é feito com cachaça Jurubeba, cachaça envelhecida em pau-brasil, vermute de jurubeba e redução de cerveja dunkel. E claro, não podiam faltar as batidas, em dois tamanhos: 50 ml (R$ 8) e 150 ml (R$ 13), nos sabores cocada, paçoca, curau de milho e maracujá.

De segunda a sexta, exceto às terças (folga da equipe), o Jurubeba abre no almoço com menu do dia, com receitas bem servidas e bem temperadas. Semanalmente são oferecidas quatro sugestões: PF de Frango, PF de Carne, Arroz de Pernil e Peixe à Milanesa, além de Nhoque à Milanesa.

Vale a dica!

Serviço:  

Local: Rua Real Grandeza, 196 – Botafogo  

Horários: Segunda: 12h às 00h  / Terça: fechado /Quarta a sábado: 12h às 00h / Domingo: 12h às 23h 

Instagram @jurubeba.bar 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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