Palácio Pedro Ernesto
ASA DAS LEIS E DA CULTURA CARIOCA
ALÉM DE SER O LOCAL DE DEBATES E IMPORTANTES DECISÕES DO PODER LEGISLATIVO, ESTE PALÁCIO NO CORAÇÃO DA CINELÂNDIA É UM PATRIMÔNIO CULTURAL, COM OBRAS DE ARTE E ELEMENTOS QUE CONTAM A HISTÓRIA DA DEMOCRACIA E DA PARTICIPAÇÃO POPULAR.
Mais do que abrigar a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o Palácio Pedro Ernesto é um espaço de memória, cultura e educação para a cidadania. Localizado na Cinelândia e inaugurado em 1923, o edifício centenário reúne história, arte e democracia em seus salões, corredores e plenário, aproximando a população da vida pública e do patrimônio cultural. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi sede de importantes instituições públicas, como o antigo Conselho Municipal, a Prefeitura do Rio, o Ministério da Educação e a Assembleia Legislativa da Guanabara, até se tornar, em 1977, a sede definitiva da Câmara Municipal do Rio.

A riqueza artística é um dos destaques da visita ao palácio. No topo da escadaria principal, está o busto do ex-prefeito Pedro Ernesto, que governou o Distrito Federal (na época, o Rio de Janeiro), e valorizou, em sua gestão, a cultura popular. Ao alto, o monumental tríptico de aproximadamente 50 m2, de autoria de Eliseu Visconti, apresenta uma narrativa visual sobre a cidade, a legislação e os momentos marcantes da história carioca. O acervo também reúne obras de Manoel da Cunha, um dos grandes nomes da pintura brasileira do século XVIII.
A equipe do cerimonial da Câmara do Rio proporciona ao público uma visita guiada pelas dependências do palácio. No segundo pavimento, o visitante é conduzido ao Salão Nobre, onde acontecem algumas audiências com participação da sociedade. O local chama a atenção pela decoração em estilo Luiz XV, com detalhes em folhas de ouro, mobiliário histórico e espelhos de cristal. Já a Sala Inglesa, inspirada no parlamento britânico, preserva uma peça rara: a cabine de votação antiga. “Era uma espécie de confessionário, uma cabine de votação em que os parlamentares podiam votar secretamente, quando o voto ainda era secreto. Atualmente, tudo é transparente, inclusive transmitido pela televisão e pelo YouTube”, relata a cerimonialista Ana Carolina Mangia.
PLENÁRIO ABERTO A TODOS
O plenário da Câmara desperta a curiosidade dos visitantes, porque é o local em que acontecem as sessões legislativas. Na lateral, a Tribuna Marielle Franco, em homenagem à vereadora executada, representa a participação popular e os direitos humanos. Na cúpula da rotunda, o vitral assinado pelos irmãos Chambelland simboliza os ideais republicanos. Também se destaca, acima da imponente mesa diretora, o painel histórico A Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, pintado por Rodolfo Amoedo, em 1925.
A Câmara também assumiu uma vocação educativa, com iniciativas que aproximam crianças, adolescentes e cidadãos do funcionamento do Parlamento, por meio dos projetos Carioquinha, Escola do Legislativo e Câmara Juvenil. Neles, os estudantes assumem simbolicamente o papel de vereadores e conhecem, na prática, o processo legislativo.
Apesar da mudança que já está ocorrendo das atividades da Câmara Municipal do Rio para o Edifício Serrador, o palácio deve permanecer preservado para visitação e sessões solenes. De portas abertas, o público pode conhecer esse patrimônio histórico-cultural e ter a oportunidade de apresentar às novas gerações o funcionamento da rotina legislativa do Rio de Janeiro.

VISITAÇÃO GUIADA
Ocorre de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, na Praça Floriano, s/nº, Cinelândia. A entrada é gratuita. Para grupos de até dez pessoas, não é necessário agendar. Mas atenção: por ser um órgão público em funcionamento, não é permitido entrar com bermudas, camisetas sem manga ou chinelos.
Mariana Leão é jornalista, apresentadora, repórter e editora, com passagem pelas emissoras Globo, Record, Rede TV e Band






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Sob um imponente vitral simbolizando a história do Brasil, desde o seu Descobrimento até a Proclamação da República, está o plenário Barbosa Lima Sobrinho, sede histórica das atividades da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), localizado no Palácio Tiradentes – um dos maiores símbolos da vida política brasileira. O local reúne, em sua trajetória, capítulos que vão da colônia à contemporaneidade, convidando o visitante a percorrer os caminhos em que o país foi, e ainda é, construído. E 2026 é um ano muito emblemático para este endereço histórico. “Completamentos 100 anos de Palácio e fizemos uma série de programações ao longo do ano, com visita teatralizada, exposições tempórias e espaços abertos ao público. Então, é um ano muito especial”, celebra Fernanda Figueiredo, diretora de cultura do Palácio Tiradentes.
Já em 1922, a antiga cadeia se encontrava em estado precário e foi demolida para dar lugar a uma nova construção monumental. Inspirado no Grand Palais, de Paris, o projeto arquitetônico, assinado por Archimedes Memória e Francisco Couchet, deu origem ao edifício atual. Inaugurado em 6 de maio de 1926, o Palácio Tiradentes passou a sediar a Câmara dos Deputados. Durante mais de três décadas, foi cenário de momentos decisivos da política nacional, recebendo presidentes como Washington Luís e Juscelino Kubitschek.
A 120 km da capital do estado está a Princesinha do Café, como é conhecida a charmosa cidade de Vassouras, localizada no centro-sul do estado. Na Praça Barão do Campo Belo, bem ao lado da Igreja Matriz, foi inaugurado, em dezembro de 2025, o Museu Vassouras – e, somente em seu primeiro mês, recebeu cerca de 7 mil visitantes. O espaço devolveu a vitalidade do casarão histórico, construído por barões, tombado pelo patrimônio público em 1986, que permanece na memória afetiva dos moradores da região.
As visitas guiadas apresentam aos visitantes os três núcleos temáticos da exposição: Folias, Vapor e Milagre. Algumas obras de valor histórico, como “Folia do Divino”, de Djanira, e “Meu limão”, de Beatriz Milhazes, fazem parte do eixo Folias, que celebra os cortejos e as festas populares. Em tom mais sóbrio, a estação Vapor se coloca como uma costura entre expressões culturais, viajando pelos trilhos de ferro que ligam o Vale do Café à Central do Brasil. Ao longo desse caminho, ecoam a voz de Clementina de Jesus, a percussão do Jongo da Serrinha de Madureira e o samba do Império Serrano.

O paisagismo é composto por nove canteiros em forma octogonal, preenchidos por plantas ornamentais e árvores ciprestes, em formato de cones, que simbolizam a vida eterna. “Os octógonos nos remetem às colmeias, e as abelhas voltam para casa para morrer. Esse ritual tem relação com Benatar, quando desejou voltar às suas origens. São oito canteiros preenchidos e um, ao centro, está vazio, aberto para que cada um possa trazer a sua identidade”, informa Luana, descrevendo o simbolismo da curadoria de Ilana Feldman.
Do alto do Morro de São Bento, entre a movimentação urbana e o traçado histórico do Centro do Rio, ergue-se um importante monumento da cultura colonial brasileira: o Mosteiro de São Bento. Fundada em 1590, apenas 25 anos após a criação da cidade, a abadia é testemunha viva da formação histórica, religiosa e artística do país. Os monges beneditinos, que entoam cânticos gregorianos nas missas dominicais, vivem em uma clausura, sem permissão de acesso às mulheres, mas me foi concedida uma exceção e eu detalho minhas impressões nesta matéria.


Dentro da clausura, onde vivem atualmente cerca de 30 monges, há aposentos que se alternam entre a simplicidade e a exuberância. O refeitório, os corredores e ala da enfermaria são espaços funcionais. Já a Capela das Relíquias impressiona por suas paredes em tom verde, esculpidas em relevo revestido a ouro – uma encomenda do Frei Antônio do Desterro, então bispo do Rio de Janeiro. A sacristia também é um lugar que abriga peças de arte, entre elas, ao centro de um majestoso altar, a principal pintura do Frei Ricardo do Pilar, denominada “Senhor dos Martírios”.
Sigo a conhecer os ambientes da clausura e, na escada, me deparo com janelas que mais parecem quadros da bela vista do Rio de Janeiro. Algumas paredes chegam a medir quase três metros de espessura, uma verdadeira fortaleza. Da sacada, tenho ampla visão da Baía de Guanabara, da Praça Mauá, do Museu do Amanhã e da Ponte Rio-Niterói. Para finalizar, um passeio pelo jardim emoldurado pelos arcos do mosteiro, um verdadeiro recanto de paz em meio à natureza, em pleno Centro da cidade. O caminho é sobre as lápides sepulcrais em que os monges são enterrados.
Na chegada ao salão principal, uma sensação de encantamento na medida em que o olhar se ergue, acompanhando o curso das estantes de livros infindáveis, arrematadas por bordados de ferro, que apontam para um misto de luzes dissipadas de uma claraboia e de um lustre suspenso a quase 30 metros de altura. Projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva Castro, o prédio em estilo manuelino evoca a Era dos Descobrimentos, com inspiração no Mosteiro dos Jerónimos, em Portugal. Os desavisados chegam a confundir o lugar com uma catedral. Há quem passe pela porta e até se benza. É compreensível, pois o Real Gabinete Português de Leitura mais parece um verdadeiro templo sagrado dos livros. “Diferente de qualquer biblioteca em que já estive, ainda um bocado espantado com tudo que vejo, é algo de outro mundo”, descreve o visitante Afonso Couto, olhando ao redor.
O reconhecimento como a oitava biblioteca mais bonita do mundo faz parte do ranking de 2025, promovido pelo 1000 Libraries Awards, da fundação internacional 1000 Libraries. Tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac), o Real Gabinete Português de Leitura também foi eleito como a mais bela biblioteca oitocentista do mundo. A inauguração desta sede foi em 1887 e contou com a presença da princesa Isabel. Quem assegura isso é Francisco da Costa, presidente há oito anos do Real Gabinete Português de Leitura: “Em 10 de junho de 1880, época da comemoração dos 300 anos de Camões, D. Pedro II lançou a primeira pedra na construção deste prédio, cuja obra terminou em 1887. Mas quem inaugurou o Real Gabinete Português foi a princesa Isabel”.
lém de guardar verdadeiras obras-primas da literatura, que datam desde 1520, o Real Gabinete é considerado uma biblioteca-museu, por abrigar também peças de inestimável valor histórico, como documentos preciosos da colonização portuguesa. É possível agendar uma visita guiada para explorar todos os pavimentos e se encantar com verdadeiros tesouros artísticos. Há telas de grande importância, como as obras do pintor português José Malhoa: O Descobrimento do Brasil e O Sonho do Infante. O busto de Camões é uma peça imponente localizada na Sala de Leitura, assim como o Livro de Ouro – uma homenagem a Eduardo de Lemos, presidente do Real Gabinete entre os anos de 1878 e 1882. A respeito dele, Gilda Santos, vice-presidente cultural do Real Gabinete Português de Leitura, comenta: “Eduardo de Lemos investiu neste imóvel e conseguiu angariar fundos para a sua construção. Na inauguração, ele já não era mais o presidente, mas seus amigos fizerem este álbum com autógrafos e dedicatórias para homenageá-lo”.
Em meio à agitada rua São Clemente, encontra-se este imponente marco histórico do Rio de Janeiro. Entre com a gente por seus jardins e venha conhecer esta verdadeira obra de arte arquitetônica.



Projeto de revitalização do Jardim de Alah





O Espaço Inovação conta com laboratórios de tecnologia e recebe exposições, como a mostra “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado.