MIS
MEMÓRIA AUDIOVISUAL JUNTO ÀS ONDAS DO MAR
SE AO PENSAR EM VISITAR O MUSEU DA IMAGEM E DO SOM VOCÊ COLOCAR O GPS RUMO À LAPA OU PRAÇA XV, PREPARE-SE PARA A NOVIDADE: O MUSEU AGORA GANHA MAIS UMA UNIDADE NA ZONA SUL. COM UMA ARQUITETURA INOVADORA, SE INTEGRA À ORLA DE COPACABANA – O CENÁRIO MAIS EMBLEMÁTICO DA CIDADE –, ENALTECENDO A VOCAÇÃO CULTURAL DO RIO.
A primeira exposição temporária marca o início da abertura gradual do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Copacabana – um dos projetos culturais mais aguardados do país. Depois de mais de uma década de expectativa, o equipamento começa a ganhar vida com a inauguração da exposição “Arquitetura em Cena: O MIS Copa antes da imagem e do som”.
A mostra escolhida para inaugurar esta nova fase convida o público a conhecer os bastidores da construção do próprio museu. Antes mesmo da chegada dos acervos audiovisuais, elementos interativos colocam em evidência as formas do edifício, revelando o processo conceitual que deu origem a um dos projetos culturais mais emblemáticos da cidade. Pavimentos que se integram produzem a sensação de movimento, como as ondas do mar e o calçadão de Copacabana. É tempo de refletir sobre a proposta arquitetônica desse espaço destinado a preservar e celebrar a memória audiovisual brasileira. A exposição integra uma agenda de atividades que está sendo ampliada progressivamente com ações culturais, educativas e experiências voltadas para diferentes públicos.
A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, compara essa entrega do governo ao movimento mundial de inauguração de equipamentos culturais de forma parcial. “Essa é uma oportunidade para o público vivenciar os processos. Nós estamos nessa fase de colocar tudo no lugar para, daqui a pouco, abrir as portas de forma completa para uma experiência plena”, avisa. E quanto ao prazo para a conclusão, a secretária revela: “Na sua totalidade, será um belo presente de Natal”.
BOULEVARD VERTICAL
À BEIRA-MAR

A arquitetura do novo MIS é, por si só, uma atração. O projeto foi assinado pelo escritório norte-americano Diller Scofidio + Renfro (DS+R), vencedor de um concurso internacional de ideias realizado em 2009. Depois de 16 anos entre projetos, desafios e expectativas, o MIS Copacabana finalmente abriu suas portas para receber moradores e turistas. No Brasil, o desenvolvimento e a execução do projeto contaram com o apoio do escritório Índio da Costa Arquitetura e Design. O conceito arquitetônico transformou o famoso calçadão de Copacabana em um boulevard vertical à beira-mar, criando um percurso ascendente com escadas, rampas e mirantes, inclusive do lado externo do prédio.
Quem visitar a exposição atual, poderá ver fotos de outros projetos que disputaram o concurso, fazer um tour visual pelas próximas etapas que serão entregues, e entender o conceito dos elementos utilizados na arquitetura. Uma curiosidade: a fachada do edifício é composta por cerca de 22 mil tubos de cobogó, que ajudam a criar o visual marcante do prédio e a controlar a incidência solar. Esses elementos também estão representados na exposição, para que o visitante consiga olhar através dos cilindros e tenha uma experiência imersiva.

O espaço reunirá salas de exposições permanentes e temporárias, áreas de pesquisa, ambientes educativos, cineteatro, auditório para 280 pessoas, além de locais de convivência que incluem cafeteria, restaurante panorâmico e um mirante com vista privilegiada. O rooftop já é um espaço disputado para eventos corporativos e culturais. E na fachada dos fundos do edifício, uma homenagem a uma das artistas brasileiras mais emblemáticas: na medida em que o visitante caminha, surge a imagem revelada aos poucos dos olhos e da boca de Carmen Miranda.
Nos próximos meses, o museu avançará para a fase de implantação da museografia, etapa em que serão instaladas as exposições, os conteúdos digitais e as experiências interativas que irão compor o circuito definitivo de visitação. Hoje, o museu se aproxima de sua conclusão graças a um investimento total de R$ 345 milhões, resultado de uma ampla parceria entre o poder público e a iniciativa privada. Mais da metade desse valor foi aportada pelo governo do estado, incluindo recursos destinados à execução das obras, elaboração de projetos e desenvolvimento do conteúdo museográfico. As secretarias de Cultura e de Infraestrutura também tiveram a parceria da Fundação Roberto Marinho.

O novo equipamento cultural já nasce contando com o acervo de mais de um milhão de itens. “O MIS Lapa, que faz a guarda, é fonte de muita pesquisa. Lá, o museu é visitado especialmente por roteiristas, criadores de conteúdo e pesquisadores de séries e novelas, e cumpre um papel muito importante no relacionamento do passado com o futuro”, declara Danielle Barros. E ela reforça o convite: “Vem fazer parte desta história, vem construir com a gente este legado”.
Mariana Leão é jornalista, apresentadora, repórter e editora, com passagem pelas emissoras Globo, Record, Rede TV e Band
VENHA CONHECER
O MIS Copacabana fica na Avenida Atlântica, 3.432, na altura do Posto 5. A visitação é gratuita, contemplando grupos específicos, como estudantes da rede pública, universitários das áreas de arquitetura, história e museologia, e representantes de associações de moradores, comerciantes e profissionais da rede hoteleira da região. O agendamento deve ser feito pela plataforma Sympla.






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Sob um imponente vitral simbolizando a história do Brasil, desde o seu Descobrimento até a Proclamação da República, está o plenário Barbosa Lima Sobrinho, sede histórica das atividades da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), localizado no Palácio Tiradentes – um dos maiores símbolos da vida política brasileira. O local reúne, em sua trajetória, capítulos que vão da colônia à contemporaneidade, convidando o visitante a percorrer os caminhos em que o país foi, e ainda é, construído. E 2026 é um ano muito emblemático para este endereço histórico. “Completamentos 100 anos de Palácio e fizemos uma série de programações ao longo do ano, com visita teatralizada, exposições tempórias e espaços abertos ao público. Então, é um ano muito especial”, celebra Fernanda Figueiredo, diretora de cultura do Palácio Tiradentes.
Já em 1922, a antiga cadeia se encontrava em estado precário e foi demolida para dar lugar a uma nova construção monumental. Inspirado no Grand Palais, de Paris, o projeto arquitetônico, assinado por Archimedes Memória e Francisco Couchet, deu origem ao edifício atual. Inaugurado em 6 de maio de 1926, o Palácio Tiradentes passou a sediar a Câmara dos Deputados. Durante mais de três décadas, foi cenário de momentos decisivos da política nacional, recebendo presidentes como Washington Luís e Juscelino Kubitschek.
A 120 km da capital do estado está a Princesinha do Café, como é conhecida a charmosa cidade de Vassouras, localizada no centro-sul do estado. Na Praça Barão do Campo Belo, bem ao lado da Igreja Matriz, foi inaugurado, em dezembro de 2025, o Museu Vassouras – e, somente em seu primeiro mês, recebeu cerca de 7 mil visitantes. O espaço devolveu a vitalidade do casarão histórico, construído por barões, tombado pelo patrimônio público em 1986, que permanece na memória afetiva dos moradores da região.
As visitas guiadas apresentam aos visitantes os três núcleos temáticos da exposição: Folias, Vapor e Milagre. Algumas obras de valor histórico, como “Folia do Divino”, de Djanira, e “Meu limão”, de Beatriz Milhazes, fazem parte do eixo Folias, que celebra os cortejos e as festas populares. Em tom mais sóbrio, a estação Vapor se coloca como uma costura entre expressões culturais, viajando pelos trilhos de ferro que ligam o Vale do Café à Central do Brasil. Ao longo desse caminho, ecoam a voz de Clementina de Jesus, a percussão do Jongo da Serrinha de Madureira e o samba do Império Serrano.

O paisagismo é composto por nove canteiros em forma octogonal, preenchidos por plantas ornamentais e árvores ciprestes, em formato de cones, que simbolizam a vida eterna. “Os octógonos nos remetem às colmeias, e as abelhas voltam para casa para morrer. Esse ritual tem relação com Benatar, quando desejou voltar às suas origens. São oito canteiros preenchidos e um, ao centro, está vazio, aberto para que cada um possa trazer a sua identidade”, informa Luana, descrevendo o simbolismo da curadoria de Ilana Feldman.
Do alto do Morro de São Bento, entre a movimentação urbana e o traçado histórico do Centro do Rio, ergue-se um importante monumento da cultura colonial brasileira: o Mosteiro de São Bento. Fundada em 1590, apenas 25 anos após a criação da cidade, a abadia é testemunha viva da formação histórica, religiosa e artística do país. Os monges beneditinos, que entoam cânticos gregorianos nas missas dominicais, vivem em uma clausura, sem permissão de acesso às mulheres, mas me foi concedida uma exceção e eu detalho minhas impressões nesta matéria.


Dentro da clausura, onde vivem atualmente cerca de 30 monges, há aposentos que se alternam entre a simplicidade e a exuberância. O refeitório, os corredores e ala da enfermaria são espaços funcionais. Já a Capela das Relíquias impressiona por suas paredes em tom verde, esculpidas em relevo revestido a ouro – uma encomenda do Frei Antônio do Desterro, então bispo do Rio de Janeiro. A sacristia também é um lugar que abriga peças de arte, entre elas, ao centro de um majestoso altar, a principal pintura do Frei Ricardo do Pilar, denominada “Senhor dos Martírios”.
Sigo a conhecer os ambientes da clausura e, na escada, me deparo com janelas que mais parecem quadros da bela vista do Rio de Janeiro. Algumas paredes chegam a medir quase três metros de espessura, uma verdadeira fortaleza. Da sacada, tenho ampla visão da Baía de Guanabara, da Praça Mauá, do Museu do Amanhã e da Ponte Rio-Niterói. Para finalizar, um passeio pelo jardim emoldurado pelos arcos do mosteiro, um verdadeiro recanto de paz em meio à natureza, em pleno Centro da cidade. O caminho é sobre as lápides sepulcrais em que os monges são enterrados.
Na chegada ao salão principal, uma sensação de encantamento na medida em que o olhar se ergue, acompanhando o curso das estantes de livros infindáveis, arrematadas por bordados de ferro, que apontam para um misto de luzes dissipadas de uma claraboia e de um lustre suspenso a quase 30 metros de altura. Projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva Castro, o prédio em estilo manuelino evoca a Era dos Descobrimentos, com inspiração no Mosteiro dos Jerónimos, em Portugal. Os desavisados chegam a confundir o lugar com uma catedral. Há quem passe pela porta e até se benza. É compreensível, pois o Real Gabinete Português de Leitura mais parece um verdadeiro templo sagrado dos livros. “Diferente de qualquer biblioteca em que já estive, ainda um bocado espantado com tudo que vejo, é algo de outro mundo”, descreve o visitante Afonso Couto, olhando ao redor.
O reconhecimento como a oitava biblioteca mais bonita do mundo faz parte do ranking de 2025, promovido pelo 1000 Libraries Awards, da fundação internacional 1000 Libraries. Tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac), o Real Gabinete Português de Leitura também foi eleito como a mais bela biblioteca oitocentista do mundo. A inauguração desta sede foi em 1887 e contou com a presença da princesa Isabel. Quem assegura isso é Francisco da Costa, presidente há oito anos do Real Gabinete Português de Leitura: “Em 10 de junho de 1880, época da comemoração dos 300 anos de Camões, D. Pedro II lançou a primeira pedra na construção deste prédio, cuja obra terminou em 1887. Mas quem inaugurou o Real Gabinete Português foi a princesa Isabel”.
lém de guardar verdadeiras obras-primas da literatura, que datam desde 1520, o Real Gabinete é considerado uma biblioteca-museu, por abrigar também peças de inestimável valor histórico, como documentos preciosos da colonização portuguesa. É possível agendar uma visita guiada para explorar todos os pavimentos e se encantar com verdadeiros tesouros artísticos. Há telas de grande importância, como as obras do pintor português José Malhoa: O Descobrimento do Brasil e O Sonho do Infante. O busto de Camões é uma peça imponente localizada na Sala de Leitura, assim como o Livro de Ouro – uma homenagem a Eduardo de Lemos, presidente do Real Gabinete entre os anos de 1878 e 1882. A respeito dele, Gilda Santos, vice-presidente cultural do Real Gabinete Português de Leitura, comenta: “Eduardo de Lemos investiu neste imóvel e conseguiu angariar fundos para a sua construção. Na inauguração, ele já não era mais o presidente, mas seus amigos fizerem este álbum com autógrafos e dedicatórias para homenageá-lo”.
Em meio à agitada rua São Clemente, encontra-se este imponente marco histórico do Rio de Janeiro. Entre com a gente por seus jardins e venha conhecer esta verdadeira obra de arte arquitetônica.



Projeto de revitalização do Jardim de Alah





O Espaço Inovação conta com laboratórios de tecnologia e recebe exposições, como a mostra “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado.











