GOLFE & FEIJOADA
PARA CELEBRAR MAIS UMA EDIÇÃO

Em um ambiente descontraído, com música ao vivo e a vista do entardecer do Campo Olímpico de Golfe, empresários, colunistas, artistas e uma rede de amigos prestigiaram a festa de lançamento da segunda edição da Revista Manchete.

A ocasião festiva, em 31 de maio, foi a oportunidade para o encontro de pessoas que, assim como a Revista Manchete, enxergam o Rio como uma grande vitrine, além de um ambiente favorável para investimentos em diversos segmentos. A união desses representantes das iniciativas público-privadas tem possibilitado o avanço na economia e a melhora na qualidade de vida, tanto para os que vivem aqui quanto para os que visitam o estado do Rio de Janeiro.

Marcos e Natalia Salles

“É muito importante para a Revista Manchete essa retomada. Temos a oportunidade de falar dos empresários e de todo esse empenho que o Rio tem realizado para ressurgir com a sua força e capacidade” , ressaltou o presidente da Revista Manchete, Marcos Salles. E, em um gesto de homenagem, entregou a Camila Farani a capa da segunda edição enquadrada.

 

Camila Farani, após, posou para foto com o empresário Alexandre Accioly, capa da primeira edição

“Eu não tenho como expressar essa emoção em ser capa da segunda edição da revista. Eu não poderia estar mais feliz, não somente como carioca, mas como empresária brasileira. Esse homem (Marcos Salles) é um super empreendedor e, além disso, é um guerreiro por colocar a Revista Manchete novamente no mercado.”

Assim como a feijoada servida na festa é uma tradição carioca, a Revista

Fábio Ramalho e sua mãe Marluce

Manchete também é uma referência para o mercado editorial do Rio e ainda mantém alguns traços de sua origem, como o fotojornalismo. Porém, o atual periódico tem uma apresentação moderna, em formato multiplataformas. O leitor pode acessar os vídeos por meio do QR Code localizado ao final de cada matéria ou assistir ao programa pela TV Max, todas as segundas-feiras, às 20h, e ainda navegar pelo site e pelas redes sociais para ficar por dentro das novidades. A nova Manchete tem o propósito de continuar a escrever histórias que encantam e são compartilhadas.

Germana Puppin, Nathalia Gomes, Nilton Rechtman e Carlos Martins
Carlos Favoreto, Marcos Salles e o deputado federal Eduardo Pazuello

 


Descortinamos o palco que já recebeu os maiores artistas do mundo em espetáculos de dança, música, ópera e artes cênicas. Apresentamos em detalhes o exuberante Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que, com seus 115 anos, preserva valiosas obras de arte, conta com uma programação diversificada e hoje é considerado um espaço mais democrático.

Na Cinelândia, Centro do Rio, está localizado o prédio do Theatro Municipal, impactante por sua arte eclética em estilos clássico, barroco, art nouveau e Luís XV, cravejado por magníficos vitrais alemães e com uma águia dourada na cúpula, pesando 350 kg, com 8 mil folhas de ouro de 23 quilates.Sua fachada, com seis imponentes colunas de mármore, elevam o olhar do público ao encontro das musas da poesia, da música, do canto, da dança, da comédia e da tragédia.  

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro é considerado a principal casa de espetáculos do Brasil e uma das mais importantes da América Latina.
A foto é de 1910 e é creditada a Augusto Malta

O prédio foi inaugurado em 14 de julho de 1909, quatro anos e meio após o início das obras. Os arquitetos Francisco de Oliveira Passos, filho do prefeito Pereira Passos, e o arquiteto francês Albert Guilbert venceram o concurso e projetaram o teatro. A proposta de Guilbert teve inspiração na Ópera Garnier, a Ópera de Paris, do século XVII. Adornos da sala de espetáculos, fachada e áreas de circulação foram criados pelos mais importantes pintores e escultores da época, como Rodolpho Amoedo, os irmãos Bernardelli e o impressionista Eliseu Visconti. Também foram recrutados artesãos europeus para a produção dos vitrais e mosaicos. Desde a sua inauguração, o teatro passou por quatro grandes reformas (1934, 1975, 1996 e 2008) e permanece bem conservado, preservando a beleza das obras originais.  

Pinturas representando as culturas clássicas de países como Hungria, França e Espanha

Em entrevista à Revista Manchete, a historiadora e presidente do Theatro Municipal do Rio, Clara Paulino, conta que venceu o desafio de aumentar a frequência do público ao teatro quando passou a oferecer apresentações gratuitas e visitas guiadas com propostas educativas. Além disso, difunde o conhecimento cultural com exposições itinerantes e o Projeto Escola, que alcança 1.800 alunos da rede pública de diferentes municípios. Nessa proposta, o material é enviado ao professor com dois meses de antecedência para que o conteúdo possa ser trabalhado em sala de aula.

“Quando eles vêm aqui, já conhecem a história do espetáculo, do compositor e do teatro, compreendendo melhor as informações. Quando saem, ainda levam uma cartilha educativa para falarem sobre o que aprenderam em casa”, explica Clara.

A escadaria do Theatro Municipal, além de cenário para belas fotografias, também é palco de apresentações da Ópera ao Meio Dia

A escadaria do teatro é o lugar preferido para aquela foto de recordação, justamente onde acontece, todas as terças-feiras, o projeto Ópera ao Meio Dia, uma apresentação gratuita de grandes títulos de óperas encenados pelos corpos artísticos do Theatro Municipal. Cada canto do teatro é um lindo cenário para apresentações culturais. O Boulevard de Portas Abertas é outro projeto de música, programado para as quartas-feiras, a partir das 17 horas, na lateral do prédio, na avenida Treze de Maio.

O calendário deste ano conta com as apresentações oficiais e com os espetáculos de permissionários, como o balé A Floresta Amazônica e a opereta Viúva Alegre, exibidos recentemente. No mês de maio, entrou em cartaz o balé O Lago dos Cisnes. Em junho, as portas do teatro se abrem ao concerto Música Brasileira em Foco e, em julho, será o mês da ópera, contando com uma programação especial para comemorar o aniversário do teatro.

Com mais de um século de história e tradição, o Theatro Municipal conta com um centro de documentação, o Cedoc, responsável pela guarda e catalogação de um acervo de cerca de 70 mil peças, documentos e registros históricos. Além da responsabilidade cultural, a fundação atua na formação de profissionais com a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, uma das mais tradicionais companhias de balé do Brasil. 

 

A EXUBERÂNCIA DA SALA DE ESPETÁCULOS

Quem entra pela primeira vez não se esquece do sentimento de admiração por tamanha conjuntura artística. Com 2.212 assentos, a sala de espetáculos é dividida em quatro andares: plateia, balcão nobre, balcão superior e galeria. Raros são os momentos em que pode ser visto o pano de boca de 192 m2, intitulado A influência das artes sobre a civilização. Essa relíquia é considerada uma das cinco maiores telas do mundo, pintada por Eliseu Visconti, em Paris, em 1907. O artista brasileiro também executou os trabalhos de decoração do teto e do friso do proscênio.

Outra peça de grande valor é o lustre central da sala, com 118 lâmpadas, ornado com vidros ingleses e cristais belgas. Para maior preservação, ele passa por um ritual de descida apenas duas vezes ao ano, momento em que é realizada a manutenção e troca das lâmpadas.

O pano de boca pintado por Eliseu Visconti. Com 192 m2 está entre as cinco maiores telas do mundo.

São mais de 30 mil visitantes por mês, com a oferta de projetos, visitas guiadas e apresentações. O Theatro Municipal  conta com seu próprio corpo artístico, composto por orquestra sinfônica, coro e balé.

MÚSICA NO ASSYRIO

No subsolo do teatro está o Salão Assyrio, um lugar repleto de história. Já foi cabaré, palco de grandes bailes de máscaras, abrigou um restaurante frequentado pela alta sociedade carioca e recebeu apresentações do grupo Os Oito Batutas, com o mestre Pixinguinha.

Os três vitrais principais representam as artes da música, do teatro e da dança

Atualmente, esse espaço é destinado a visitas guiadas e ao projeto Música no Assyrio, que oferece temporadas de concertos quinzenais aos domingos. Um lugar repleto de arte, com frisos, luminárias e estátuas inspiradas na antiga cidade de Persépolis e na cultura babilônica. O salão possui colunas que terminam com cabeças de touro, em estilo assírio. As portas trazem molduras de pedra gravada com margaridas, a flor sagrada da antiga Mesopotâmia. A decoração recebe os imponentes frisos dos leões, dos seres alados babilônicos e dos arqueiros da sala do trono de Dario I.

É possível conhecer as dependências do teatro, incluindo os bastidores, com uma explicação imersiva pela história da arte, bem como agendar a “visitas brincadas”, ou, ainda, a “visita game”, dedicada ao público jovem. Basta entrar no site oficial do Theatro Municipal e conferir o cronograma regular.

As visitas guiadas ao Theatro Municipal podem ser agendadas pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (21) 2332-9227.

 

 

Mariana Leão é jornalista, apresentadora, repórter e editora, com passagem pelas emissoras Globo, Record, Rede TV e Band.

 

 

 

 

 

Em uma tarde quente, típica do verão carioca, reluz o brilho das fantasias, ecoa em grito forte e exaltado o samba enredo da escola e extravasa a energia pulsante do povo que faz o carnaval acontecer. Um ambiente que pode até ser chamado de habitat para quem vive dele e descreve como ninguém o carnaval carioca.

Considerado a figura mais emblemática da maior festa popular brasileira, Milton Cunha esbanja carisma e conhecimento em seus comentários para a televisão. E entre uma entrada ao vivo e outra, ele retribui o carinho do público, dança, chacoalha as plumas e para tudo em atenção à Revista Manchete.

Naquela conversa rápida antes de iniciar a entrevista, percebo sutilmente que tinha algo de errado e perguntei ao Milton se ele estava bem. Com um suspiro profundo, ele mudou o semblante, resgatou o seu mais largo sorriso fazendo reluzir seus olhos verdes no tom da sua fantasia e me disse que estava pronto para gravar. Ali eu vi que ele realmente consegue se condicionar para transformar a energia e colocar em prática os seus próprios conselhos.

O que muito explica também a forma como encarou e ressignificou a sua própria história, inicialmente marcada por fome, abuso sexual por parte do seu próprio pai e rejeição da família por conta da sua sexualidade. De onde vem essa força que o impulsionou ao outro extremo da vida com tamanha resignação?

“Nossa, eu sou felicíssimo porque eu fiz da minha vida tudo que eu queria. Eu projetei estar aqui sentado neste palco, dando esta entrevista, porque eu queria a comunicação, eu queria o microfone, a possibilidade de falar da arte. Então, passei fome, lutei, peguei pau de arara. Não importa, eu estava edificando a minha individualidade, o meu futuro. Então, chegando aqui, estou confortável, belíssimo na minha pele.”

Além de comentarista do carnaval brasileiro, Milton Cunha também é psicólogo e cursa o terceiro pós-doutorado, aprofundando cada vez mais suas pesquisas científicas sobre a estrutura narrativa das escolas de samba e da cultura brasileira. A paixão pela arte popular e pela simbologia dos adereços o acompanha desde sempre.

“Eu adoro enfeites. Quando criança, eu amava botar flor na cabeça, usar cores extravagantes, a minha alma é enfeitada. Então, eu sou aquela criança esquisita, muito pintosa, muito boneca e tal. Eu cresço, vou pro teatro – isso me possibilita o brilho e a luz que eu adoro. Quando eu chego ao Rio para trabalhar com diversão, entretenimento, moda, aí a estampa entra na minha vida e nunca mais sai.”

Ele se intitula o “Rei da Folia”, diz que adora um “ziriguidum”, uma “fuzarca”, mas também carrega o peso e a responsabilidade de ser o porta-voz da maior vitrine cultural que o Brasil tem perante o mundo. O desfile das escolas de samba recebe celebridades, autoridades e turistas internacionais, além de ter se tornado patrimônio artístico copiado em Londres, no Japão e na Suíça. E a essência desse carnaval made in Brazil qual é?

“É a nossa gente! Eles têm o talento, são as verdadeiras estrelas. Quando você coloca um tema enredo, eles sabem compor, cantar e dançar com suingue. É uma forma deles ocuparem a Marquês de Sapucaí, e dizer: ‘Olha, nós não produzimos só notícia ruim, a gente produz arte, a gente tem beleza e sabe fazer o carnaval.’ Aí os gringos apontam para a nossa saúde precária, para os barracos, para o trem lotado e o povo explica: ‘A gente não faz carnaval porque a vida é boa, mas porque a vida tem que melhorar.’ Tem que subir e descer o morro do Rio de Janeiro para entender.

Rico, pobre, gordo, magro, todos cantando juntos, exibindo as mais diversas formas de expressão artística, resultado de um ano de trabalho, entregando o melhor em uma festa democrática que tem sempre um vencedor certo: o povo brasileiro.

“É isso. O guarda-chuva das escolas nivela os 5 mil. Se o empurrador de carro não empurra, a senhora dona de banco riquíssima, não vai desfilar. Então, esse modelo democrático é um momento de patriotismo. Imagina se o Brasil se junta e faz valer a nossa bandeira? Imagina!”

As pessoas se reunem ao redor da entrevista, acenam com a cabeça em sinal de concordância e o aguardam ansiosas por um abraço e uma selfie. Eu me despeço, agradecendo por essa conversa inspiradora.

“Quantas páginas e capas da Revista Manchete eu tenho guardadas, porque a gente via o mundo através da Manchete. Então, que bom, desejo sucesso, anos de glória! É um orgulho para o povo brasileiro ter a Manchete de volta!”