Gato
UM PACIENTE ESPECIAL

Diferentemente dos cães, os felinos não demonstram quando estão doentes e não gostam de sair de casa – muito menos para ir ao veterinário. Por isso, os tutores precisam redobrar os cuidados para assegurar a saúde de seus gatinhos em todas as fases da vida deles.

Quando comparamos cachorros e gatos, um detalhe chama a atenção: os felinos foram domesticados há bem menos tempo do que os cães – presume-se que tenha sido há 10 mil anos, contra 20 a 30 mil anos dos seus “au-migos”. Embora pareça uma eternidade, isso ainda faz com que os bichanos tragam muitas características de sua vida selvagem como predadores. “E um predador não demonstra fraqueza, nem doenças. Os gatos escondem muito o que estão sentindo”, esclarece a veterinária Alessandra Cesário, especializada em medicina felina.

Por esse motivo, as visitas regulares à clínica são fundamentais, porque será durante as consultas que o especialista conseguirá perceber se o animal tem algum problema. “Como o gato é muito discreto para expor os sintomas de que vem apresentando uma doença, só mesmo fazendo o check-up uma vez ao ano para conseguir ter um padrão do paciente. Isso envolve exame clínico, exame de sangue, radiografia de tórax e ultrassonografia. Assim o veterinário vai saber sobre o peso, a temperatura média, a frequência cardíaca e a palpação abdominal que são um padrão de normalidade dele. E quando, em um determinado momento, alguma dessas características muda, já percebemos que algo está acontecendo com o gato”, explica Alessandra.

Na verdade, a veterinária considera que o ideal seriam duas consultas ao ano. Porém, para gatos mais novos, a visita anual à clínica seria o suficiente. Já a partir de 5 ou 6 anos, vale aumentar a frequência, assim como será incluído no check-up mais um exame: o cardiológico. E os tutores não devem achar que seja um exagero. “Sem todos esses exames, realmente não temos como perceber se o gato está com algum problema”, assegura a especialista em felinos.

Mas será que o tutor pode levar o seu gatinho a qualquer clínica veterinária, para que seja atendido por um clínico geral? Alessandra responde: “Obviamente, um clínico geral saberá tratar as principais doenças de um gato. Mas eu recomendo muito que se procure um veterinário especialista em felinos. Ele saberá a melhor maneira de lidar com o pet, conseguindo examinar sem estressá-lo”. E foi justamente para entender mais a respeito desse diferencial de atendimento que a Revista Manchete acompanhou Alessandra Cesário em sua rotina de consultas no Hospital Veterinário Città Vet – clínica humanizada, como você poderá acompanhar a seguir.

GRANDE ALÍVIO PARA A DOR

Durante a nossa visita à clínica bem equipada, Alessandra estava atendendo o Pedro Augusto, um gatinho de 14 anos, da tutora Maria Ignês Pimentel. O felino havia chegado à clínica uns 40 dias antes, com um quadro de fortes dores articulares. E, diante disso, já surge um aspecto a ser observado nos gatos idosos: “As pessoas costumam achar que o gato mais velho está mais parado por conta da idade. Mas, muitas vezes, isso acontece porque ele tem dor. Cão com dor articular manca. Já o gato não dá esse sinal. Ele fica quieto, começa a dormir mais e para de subir na pia, na cama…”, ensina a veterinária.

Na primeira consulta, Alessandra diagnosticou o problema: Pedro Augusto tinha coxartrose, uma das principais doenças ortopédicas do felino idoso, que se caracteriza pela dor no quadril. Para tratá-lo, a especialista prescreveu um medicamento inovador, o Solensia, que age no sistema nervoso do animal, impedindo a ligação ao neurônio que causa a dor.

Injetável, sua recomendação de uso é mensal. E, naquele dia, Pedro Augusto estava na clínica para repetir a segunda dose da medicação, que está ajudando muito a reduzir as dores do idosinho. Quem assegura isso é a tutora Maria Ignês: “Ele agora está praticamente 100%. Pedro Augusto sempre foi um gato ativo, que gostava de subir nas coisas e fazer as peraltices dele, e de repente começou a ficar parado, só dentro da caminha. Um outro veterinário receitou corticoide, mas ele ficou muito agitado. Quando trocamos para a medicação atual, ele respondeu super bem ao tratamento. Agora, o velhinho voltou à ação”.

Alessandra Cesário, veterinária especializada em medicina felina

Após a consulta com direito à nova dose de Solensia, Pedro Augusto foi liberado e a veterinária partiu para o seu segundo atendimento do dia: a gatinha Maria, de apenas 1 ano e 1 mês.

“Coxartrose é uma doença grave. O pet pode deixar até mesmo de entrar em sua caixinha de areia, porque passa a ter dificuldades de ficar na posição para evacuar. Isso pode trazer problemas urinários ou constipação fecal.”

Alessandra Cesário, veterinária

DE OLHO NA VACINAÇÃO

Gato saudável é gato vacinado! Por isso, é preciso cumprir anualmente um protocolo vacinal, como indica Alessandra Cesário. “No Rio de Janeiro, alguns veterinários seguem protocolos internacionais e optam por dar a vacina tríplice, porque não acham necessário proteger contra clamidiose. Mas, na região em que atendo, costumo receber muitos pacientes com clamídia. Por isso, sempre aplico a vacina quádupla, que inclui a proteção contra essa doença”, explica.
A veterinária alerta para uma vacina que não pode falar para os gatinhos cariocas: contra a FeLV (leucemia felina). “Essa é a principal virose que temos. No Rio, há uma incidência muito grande dessa doença que não tem cura e que leva os animais a óbito. Então, recomendo vacinar sempre que o animal tem acesso à rua ou quando possa ter contato com outros gatos”.

Veja, a seguir, as vacinas principais para gatos:

Contra FeLV
Antirrábica
(contra raiva)
Tríplice: contra herpesvirus (causa gripe), panleucopenia (provoca vômito e diarreia e é fatal em filhotes) e calicivírus (semelhante à gripe, com comprometimento ocular e lesões na língua)
Quádrupla: Contra as três doenças protegidas pela Tríplice mais clamídia (conjuntivite severa com espirros e secreção nasal)

É PRECISO DAR VERMÍFUGO AO GATO?
Sim! Existem mais de cem tipos de vermes intestinais e ainda não há qualquer medicamento completo para esse combate. “Por isso, quando suspeitamos de verminose, precisamos fazer algumas associações medicamentosas em alguns gatos que, por exemplo, têm acesso à rua ou que moram em casa com quintal, podendo ter mais contato com outros vermes além dos combatidos pelo Revolution”, explica Alessandra. Assim, a cada seis meses, ela prescreve para seus pacientes outros vermífugos complementares.

GATOS TAMBÉM PODEM TER CARRAPATO?
Muita gente pensa que carrapatos só atingem cães. Não é bem assim. Alessandra esclarece: “O gato não é o hospedeiro principal desse parasita. Porém, em algumas situações, quando não tem cães no ambiente, o carrapato pode, sim, infestar o gato. Não é comum, mas se o gato estiver numa região lotada de carrapatos e não tiver algum outro hospedeiro principal para eles, vão acabar infectando o felino também”. Só que vale lembrar: aqueles que estiverem recebendo Revolution mensalmente estarão livres dessa ameaça.

PREVENÇÃO É O IDEAL
Maria estava na clínica para o seu primeiro check-up anual. “Aparentemente, ela não tem nada. Mas, mesmo sendo uma gata saudável, veio cumprir a rotina pediátrica dela, porque ainda é praticamente um bebê”, comenta Alessandra. Para começar os exames, a veterinária teve uma preocupação bem simples, mas que pode passar despercebida por outros profissionais: ela forrou com um pano a mesa de atendimento – que, por ser de inox, é fria. “Os gatos ficam muito mais confortáveis durante a consulta quando colocamos esse paninho, porque o gelo da mesa incomoda muito eles”, explica a especialista em felinos.Delicadamente, Alessandra começou a fazer o exame clínico em Maria, passando as mãos sobre seu corpinho. “O exame do gato deve ser muito sutil. Parece que estou só fazendo carinho, mas na verdade já estou examinando”, conta a veterinária, enquanto faz a palpação na gatinha. Após perceber que estava tudo bem, Maria seguiu para a radiografia de tórax e a ultrassonografia. E, felizmente, os exames de imagem constataram que a felina estava, realmente, muito bem.


Diante desse quadro animador, Maria não poderia ir embora da clínica sem realizar a prevenção anual. “Ela precisa receber as vacinas contra raiva e leucemia, além da vacina quádrupla viral, contra quatro doenças. Também vou aplicar nela o Revolution, que previne contra pulgas e vermes”, adianta Alessandra.A veterinária aproveitou para explicar algo muito relevante para os tutores protegerem seus gatinhos. Além de Revolution – que é um vermífugo de aplicação mensal – prevenir contra os vermes Toxascaris, Toxocara e Ancylostoma, que atingem os gatos, ele faz a prevenção, principalmente, contra o verme do coração (parasita Dirofilaria). “Saber disso é muito importante, porque as pessoas falam pouco de verme do coração em gatos, achando que só ocorre em cachorros. Mas felinos também estão sujeitos a essa doença grave, e o Revolution é o único medicamento que faz essa prevenção”, alerta Alessandra. E, vale reforçar, esse produto é de uso simples, em gotinhas aplicadas na região dorsal do gato, sendo possível o próprio tutor realizar essa prevenção mensal em casa.

Após ser vacinada e vermifugada, Maria foi liberada pela veterinária. Como se vê, a rotina clínica para gatos está avançada, e não se deve mais achar que eles são pets resistentes e que não precisam ir regulamente a uma clínica. Alessandra mostrou que a evolução de uma possível doença é silenciosa nos felinos, e somente os exames regulares darão a tranquilidade que os tutores precisam para desfrutar dessa convivência amorosa com toda a saúde possível.

Dra. Patrícia Pimentel, sócia-fundadora e especialista em dermatologia

SEU PET TAMBÉM MERECE UM SKINCARE

Você já não sabe mais o que fazer com aquele coça coça do seu animalzinho? Ele fica tão agoniado que até esfrega o bumbum no chão, não é? Isso sem falar da queda de pelo e da vermelhidão da pele. Foram vários tratamentos e dali a pouco, pronto, lá está ele se coçando de novo e você, claro, sofre junto. Mais comum do que se imagina, a dermatite é uma das principais queixas nos consultórios veterinários.

Dra. Patrícia Pimental com seus pacientes, Bela e Mini

A coceira em cães pode ser causada por diversos fatores, incluindo infecções bacterianas ou fúngicas, alergias, parasitas, hipersensibilidade alimentar ou, até mesmo, fatores ambientais. A pele é o maior órgão do corpo e a primeira barreira de proteção do animal. Por isso, é importante que se estabeleça uma rotina adequada de cuidados preventivos.

QUANDO A COCEIRA É UM PROBLEMA

1 – Uma coceira ocasional pode ser considerada normal se não interromper as atividades de rotina do seu pet, como brincar ou comer. Se provocar perda de pelo com falhas ou danos à pele, algo está errado.
2 – Seu cão não deve se sentir incomodado com a coceira. Repare se ele lambe ou mastiga muito as patinhas, se esfrega nas paredes, morde a pele ou se coça constantemente.
3 – Fique alerta se ele costuma chacoalhar a cabeça e se o ouvido tem secreção com odor desagradável.
4 – Abra a pelagem e verifique se a pele apresenta feridas, crostas e coloração mais escura ou com vermelhidão.
5 – Nem toda coceira é alergia, mas toda alergia não controlada apresenta coceira.

 

A boa notícia é que existem tratamentos que podem dar alívio rapidamente. A médica dermatologista veterinária Patrícia Pimentel recomenda ao tutor procurar um especialista logo nos primeiros sintomas, e já adianta algumas dicas caseiras que podem ajudar:

– Dieta alimentar.
– Limpar a casa com produtos de amônia quaternária ou substâncias voláteis, como álcool ou hipoclorito de sódio, para matar os germes.
– Evitar oferecer petiscos coloridos e com muitas substâncias artificiais.

 

 

O FIM DAS COCEIRAS

Gigi chegou ao consultório quase sem pelo e com muitas erupções na pele, chamadas de piodermite. Na escala de coceira com variação de zero a dez, ela estava no nível máximo, e até acordava só para se coçar. Sua tutora estava muito preocupada, porque já tinha tentado vários tratamentos sem sucesso. Dessa última vez, uma boa notícia: Gigi foi submetida ao teste da hipersensibilidade alimentar e entrou na dieta de dois meses somente com ração hipoalergênica.
Como tratamento clínico, foi prescrito o medicamento Oclacitinib, conhecido nas farmácias veterinárias como Apoquel, e, para o alívio do prurido (coceira), recebeu uma aplicação do Cytopoint a cada dois meses. A partir daí, ela começou a ter qualidade de vida com a diminuição da queda de pelo e o fim das lesões de pele e placas vermelhas. “Agora ela está linda, com pelo maravilhoso. Só não deixou ainda de ser ansiosa. Fica desesperada quando está na minha mesa”, diz a veterinária Patrícia.

 

Gigi, da raça buldogue francês, ganha qualidade de vida com dieta e medicamentos
Os remédios Apoquel e Cytopoint, ambos do laboratório Zoetis
Os remédios Apoquel e Cytopoint, ambos do laboratório Zoetis

 

Fim das coceiras para Jimmy, o cão “anjinho”

DIAGNÓSTICOS A PARTIR DE EXAMES NO OUVIDO
A otoscopia, exame que permite detectar doenças, infeções e lesões no ouvido, é sempre recomendada na consulta de avaliação dermatológica. O cãozinho Jimmy, considerado um “anjinho” por sua veterinária, estava incomodado com as coceiras e a descamação na região das orelhas. Os exames apontaram a presença de Malassezia, um tipo de fungo responsável por causar infecções. “Não é comum acharmos essa quantidade grande de Malassezia. Então, é preciso tratar a crise para equilibrar a microbiota, que são as bactérias boas do ouvido”, concluiu a veterinária.
Como Jimmy é muito sensível e fica nervoso ao aplicar o remédio, foi introduzida uma medicação com efeito residual de 28 dias. De acordo com a médica, a otite, na maioria dos casos, acontece por quadro alérgico. O animal começa a se coçar, a pele inflama e então aumentam as chances de os fungos e as bactérias atacarem. Com o tratamento preventivo, o resultado é bastante satisfatório, diminuindo as crises. “O importante para animais com problemas dermatológicos é o cuidado do tutor em fazer a manutenção. O Jimmy, por exemplo, está muito bem cuidado agora”, avalia a médica.

A cadelinha spitz alemã Bela, em tratamento da alopecia X

DERMATITE ATÓPICA CANINA
Milie foi resgatada das ruas e chegou a um abrigo em condições críticas. Nem sequer era possível saber sua cor, de tantas lesões provocadas por coceira. Os médicos até suspeitaram de uma doença autoimune mais grave, mas o laudo da citologia confirmou a dermatite atópica canina – uma doença de pele caracterizada por coceira intensa, que pode acometer o corpo todo ou parte dele, como orelhas, extremidades das patinhas e face. É uma forma de alergia muito comum em cães. Pode ser desencadeada por substâncias que estão no ambiente e penetram na pele do animal, causando estimulação exagerada do sistema imunológico, alergia e inflamação. O tratamento é complexo e envolve medicações, xampus e produtos aplicados na pele do animal.
No caso da Milie, o abrigo não teve condições de arcar com as despesas, mas o hospital veterinário cuidou da cadelinha e fez uma campanha até encontrar uma família acolhedora.

 

ALOPECIA X, UMA DOENÇA AINDA POUCO CONHECIDA

A cadelinha Milie foi resgatada com
dermatite atópica canina e, após tratamento, ganhou uma família

A tinge cães (tanto machos quanto fêmeas) de todas as idades e provoca a perda dos pelos, geralmente na região dorsal, se estendendo pela cauda.

A opecia X afeta, em sua maioria, cães da raça spitz alemão, mas também pode se manifestar em outras raças. A cadelinha Bela, de 9 anos, era bem peluda, mas, com o tempo, foi perdendo a pelagem do corpo inteiro, até do rabo e da região embaixo do pescoço. Nesse caso, Patrícia recomenda o tratamento alternativo com uso de melatonina ou microagulhamento para escarificar, ou seja, gerar um trauma na primeira e segunda camadas da pele a fim de promover um processo de cicatrização para o nascimento do pelo.

“Hoje, já existe um chip que, teoricamente, vai agir em alguns hormônios e então ajudar na repilação, mas tudo ainda é muito empírico. Não há um tratamento único, correto, para se ter essa resposta”, explica Patrícia. A veterinária recomenda as precauções:

“O tutor não deve dar banho toda semana. Quanto mais poupar o pelo do animal, melhor. Espaçar o banho entre 15 e 30 dias e, como manutenção, só tosar com tesoura e não deixar baixar muito o pelo”

 

Dra. Patrícia Pimentel, sócia-fundadora e especialista em Dermatologia

Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e veja como ficaram esses pacientes após os tratamentos

 

 

 

 

 

 

Pode chegar o dia em que o seu melhor amigo, aquele que te acompanha como uma sombra e olha fixamente nos teu olhos, precise de cuidados especiais. É comum que cachorros com idade mais avançada ou que estejam se recuperando de cirurgias sintam dor ou apresentem dificuldade de locomoção. E é aí que entra a reabilitação veterinária, também indicada para cães com limitações decorrentes de condições genéticas, traumáticas e em casos de distúrbios neurológicos.

A relação entre tutores e pets hoje é muito próxima, eles são tratados como membros da família e, portanto, recebem cuidados similares aos humanos quando o assunto é qualidade de vida. A reabilitação tem apresentado resultados significativos proporcionando bem-estar aos pets. Sessões continuadas de tratamento individual agem no alívio da dor e da inflamação, além de recuperar funções específicas do organismo do paciente.

Terapias proporcionam mais qualidade de vida e longevidade aos pets

FISIOTERAPIA

Complemento à medicina veterinária convencional

Akira em sessão de laserterapia com efeito analgésico e anti-inflamatório

O tratamento fisioterápico é a recuperação, manutenção e promoção da melhor funcionalidade física de pacientes que apresentam lesões de origem ortopédica ou neurológica. As sessões podem incluir recursos tais como: água, luz, eletricidade, calor, frio, massagem e movimento. O objetivo é o alívio das dores, a recuperação celular dos tecidos lesionados, a ativação da circulação, da mobilidade dos músculos, das articulações, das funções neurológicas, além do aumento da resistência física.

Akira é um bulldog francês brincalhão, que adora correr atrás da bolinha, mas começou a sentir dores na pata ao pisar, assim como passou a ficar mais limitado a fazer outros movimentos, como subir no sofá. Com os exercícios na clínica, ele ganhou mais mobilidade e encara a fisioterapia como uma brincadeira, conta sua tutora Laís Sereno. “É nítida a qualidade de vida que ele ganhou e criou vínculo aqui com as meninas. Já ganhou alta três vezes e aí ele arruma confusão para voltar.”

HIDROTERAPIA

A maltês Gigi faz sessões de hidroterapia acompanhada por sua tutora

Recuperação com menos impacto

Uma esteira dentro de um tanque de água morna é o local apropriado para esse tipo de terapia. Esse recurso é utilizado em animais que estão se recuperando de cirurgias ou que estão acima do peso e não podem fazer exercício durante o passeio no solo. A água alivia a carga e permite que o paciente se recupere mais rápido, evitando novas lesões. A médica veterinária Ana Luiza Abreu comenta sobre os recursos disponíveis enquanto observa a maltês Gigi caminhar na esteira. “A hidroterapia dessa forma que a gente está fazendo aqui é possível controlar a temperatura da água e subir ou descer a esteira, de acordo com a altura do animal. Eu também controlo a velocidade que eles vão andar aqui dentro. Então, de acordo com o estágio de recuperação, a gente vai progredindo, como se fosse uma carga na academia”, explica.

Centros especializados contam com tapetes subaquáticos, mas também é possível fazer alguns exercícios de hidroterapia em piscinas ou banheiras, sempre com a supervisão de um profissional. Na água, os movimentos são mais completos sem sobrecarregar as articulações.A indicação dessa terapia deve ser avaliada para cada caso, pois tem algumas contraindicações, como para pacientes operados há menos de com 10 dias, com problemas cardiovasculares, respiratórios, com histórico de crises convulsivas, dermatopatias e para animais com drenagens.

A água alivia a carga e permite que o paciente se recupere mais rápido, evitando novas lesões

ACUPUNTURA

Equilíbrio energético e alívio da dor

Uma técnica milenar que também apresenta bons resultados no restabelecimento da saúde dos cães. Algumas clínicas veterinárias oferecem a acupuntura, que consiste em estimular pontos específicos do corpo com agulhas finas. Não causa dor, nem efeitos colaterais, mas alguns animais podem sentir um leve desconforto.

Cadelinha Serena em sessão de acupuntura

A acupuntura é bastante utilizada na parte ortopédica para auxiliar no tratamento de casos como frouxidão de ligamentos, luxação, displasia de quadril e de cotovelo. Também é recomendada para animais em crise de dor na coluna ou em órgãos. A veterinária acupunturista Luiza Ribeiro conta do progresso obtido no caso da cadelinha Serena. “No caso dela, tem ajudado na inflamação do estômago, intestino e pâncreas. Também é recomendado para animais idosos com artrose nas articulações.”

Algumas clínicas veterinárias oferecem a acupuntura, que consiste em estimular pontos específicos do corpo com agulhas finas

MAGNETOTERAPIA

A cadelinha Shiva aprende a fazer circuitos novos para melhorar a cognição

Reorganização das células

Uma técnica de tratamento complementar, não invasiva, com ação anti-inflamatória e analgésica, ideal para pacientes com dores articulares e musculares. Na magnetoterapia são utilizados imãs e seus campos magnéticos aumentam a interação celular. O aparelho emite ondas com a função de trocar a carga com os tecidos do corpo do animal e ele geralmente fica bem relaxado durante o processo, sentindo apenas uma sensação de leve aquecimento. Todas as substâncias, sejam líquidas, sólidas ou gasosas sofrem influência do campo magnético, o que resultará na reorganização das células, além de equilibrar o ph do organismo durante o processo.

LASERTERAPIA E CINESIOTERAPIA

Tecnologia e exercícios associados

O laser terapêutico é um tratamento indolor com ação anti-inflamatória e analgésica. Já a cinesioterapia utiliza exercícios e circuitos para manter os pets ativos e independentes, principalmente os idosos. “A Shiva, por exemplo, é uma cadelinha que já apresenta alterações cognitivas e neurológicas. Os exercícios são fundamentais para manter sua mobilidade e independência dentro de casa”, conta a veterinária Ana Luiza.

Com avanços constantes na medicina veterinária, terapias como essas estão garantindo que os pets vivam mais e melhor. Se antes uma lesão ou doença limitava a vida de um animal, hoje há soluções que devolvem a alegria e a qualidade de vida aos companheiros de quatro patas. É essencial que os tutores estejam atentos a qualquer mudança no comportamento do seu pet, pois isso pode indicar dor, desconforto ou até mesmo um problema de saúde mais sério. Estudos mostram que até 70% dos cães apresentam algum sinal de dor crônica sem que os donos percebam. Alterações na postura, dificuldades para se movimentar, menor interesse por brincadeiras ou até mudanças sutis no apetite podem ser indicativos de que algo não está bem. O acompanhamento veterinário e a reabilitação adequada são fundamentais para garantir qualidade de vida ao seu pet. Fique atento a qualquer sinal!

É essencial que os tutores estejam atentos a qualquer mudança no comportamento do seu pet, pois isso pode indicar dor, desconforto ou até mesmo um problema de saúde mais sério

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR

Zoe na sessão de eletroacupuntura

Zoe é uma SRD que foi atropelada e perdeu parcialmente o movimento de sua pata direita. Como forma de dar conforto e controlar a dor que sente, recebeu atendimento de uma equipe multidisciplinar composta por neurologista, fisioterapeuta e acupunturista para que a decisão de tratamento seja em conjunto. Hoje, ela se beneficia dos exercícios diários, acupuntura e medicamentos para controle de dor e ômega 3.

Também é preciso controlar o peso da Zoe, pois como ela usa apenas 3 patas, os quilos a mais poderiam piorar o quadro dela. Apesar das dificuldades e de outras sequelas do atropelamento, Zoe é extremamente alegre e seus tutores proporcionam à ela o máximo de qualidade de vida que podem.

Terapias que se complementam

Quando o médico-veterinário indica a reabilitação ao animal, geralmente a prescrição vem associada a uma terapia farmacológica, ou seja, com o uso de medicamentos. Em casos de dor, a avaliação deve ser criteriosa e o uso associado de terapias e medicamentos proporciona um conforto maior ao paciente, além de acelerar o processo de recuperação.

A Zoetis trouxe para o Brasil uma terapia injetável chamada Librela, que atua em um tipo de dor crônica relacionada à osteoartrite que afeta aproximadamente 40% dos cães de diversas idades – uma doença que não tem cura, afeta as articulações e precisa ser tratada para o resto da vida do animal, como explica a médica-veterinária Alessandra Bentes: “A gente não trata a osteoartrite diretamente, o que fazemos é o controle de dor dessa doença para dar qualidade de vida ao paciente, através do uso de medicamentos, como o Librela, por exemplo, associado às terapias, dieta e suplementos.” Em caso de mudança de comportamento ou dor do seu animalzinho, procure um médico-veterinário.