IMAGINE CAMINHAR ENTRE ANIMAIS GIGANTES DO PASSADO, EXPLORAR CAVERNAS E DESVENDAR OS MISTÉRIOS DE UM TESOURO PIRATA. ESSA AVENTURA ESTÁ PRESTES A SE TORNAR REALIDADE NA REGIÃO DOS LAGOS, ONDE UM PARQUE TEMÁTICO PROMETE TRANSPORTAR OS VISITANTES A MILHÕES DE ANOS NO TEMPO.
IGUABA GRANDE DE VOLTA À PRÉ-HISTÓRIA
Conta a lenda que, na lagoa que banha Iguaba Grande, chegou um barco pirata em busca de um tesouro escondido naquela pequena cidade. Mas, quando estava quase atracando, um grande megalodonte – espécie de tubarão que viveu há 23 milhões de anos – atacou a embarcação, que acabou encalhando na praia. Os piratas, sem saída, tiveram que passar a noite por lá. De repente, começaram a ouvir diversos barulhos, e foi então que descobriram que estavam numa ilha repleta de seres que, teoricamente, já estariam extintos há milênios. E onde está o tesouro afinal? Em algum lugar da Ilha dos Dinossauros, o novo parque temático que será lançado até o final do ano neste município da Região dos Lagos.

Um dos sócios à frente do empreendimento é o sonhador Júlio Alves, que, em 2024, procurou o então prefeito Vantoil Martins para apresentar uma proposta baseada na Terra dos Dinos, que já fazia grande sucesso em Miguel Pereira, com seus cerca de 40 dinossauros. Só que, no projeto de Júlio, a ideia era ter mais de 200 espécies. “Acho que eu exagerei. Mas o parque é muito grande, e acho que ficou legal. Deu tudo certo”, confia o empresário, que coordena de perto a fase final das obras.
E espaço realmente não falta: em uma área de aproximadamente 220 mil metros quadrados, poderão circular até 3 mil pessoas confortavelmente. “Estamos preparando um dos maiores parques da América Latina, para dar atenção a um público a nível AA. Eu me preocupei em ter um estacionamento muito grande, com carrinho para cadeirantes, com um departamento médico legal e com todos os detalhes para nos prevenir de tudo”, assegura Júlio.
A aventura começa nas trilhas que conduzem os visitantes por cenários inspirados nos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo. As réplicas em tamanho real terão movimentos e sons. Entre as espécies representadas, estão o Tiranossauro rex, o Triceratops e o Amargasaurus. O projeto prevê ainda dinossauros com recursos de inteligência artificial, árvores cenográficas que se movimentam e pterodátilos voando.
DE BIKE NA TIROLESA
O complexo terá atrações de aventura, como tirolesa, circuito de arvorismo, parede de escalada e kart-sauro. Entre os equipamentos anunciados, estão também uma tirolesa de bicicleta (única no estado do Rio) e um teleférico inclusivo. A proposta é oferecer opções para diferentes idades, combinando a curiosidade pela pré-história com atividades ao ar livre. Cavernas, túnel de fósseis e o tanque temático do megalodonte completam a viagem, enquanto a Caravela do Pirata ajuda a dar vida à história do tesouro perdido.
Até a mudança de cenário foi incorporada à narrativa. “Criamos um parque diferenciado. Quando você volta para 69 milhões de anos atrás, anda no chão de terra. Quando passa para a calçada, onde fica a Praça de Alimentação, é sinal de que retornou para 2026”, explica Júlio. É nessa transição entre passado e presente que entram os espaços de convivência, restaurantes e lojas de lembranças.
Uma das novidades foi idealizada para transformar os pequenos visitantes em personagens da história do parque. “Trouxemos o maior ovo de dinossauro do mundo. As crianças vão assinar nele, que vai ficar guardado em um museu dentro do parque. Quando elas voltarem lá, vão ver a sua assinatura guardada”, anuncia Júlio.
A inclusão também ganhou espaço no planejamento. Além de estruturas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida, o projeto contempla uma sala de descompressão para crianças autistas e experiências sensoriais para visitantes com deficiência visual. “Criamos um parque bem legal, interativo e com uma área de sensibilidade para quem não enxerga poder tocar no dinossauro”, conta o empresário. Assim, a descoberta das criaturas pré-históricas não dependerá apenas da visão: o tato também fará parte do passeio.
TURISMO O ANO INTEIRO
A grandiosidade da Ilha dos Dinossauros deve ultrapassar os limites de seus portões. Às margens da Lagoa de Araruama, na movimentada Rodovia Amaral Peixoto, o empreendimento aposta em um tipo de lazer que pode atrair visitantes mesmo fora da alta temporada, quando as praias costumam concentrar o movimento turístico da Região dos Lagos. A expectativa é estimular viagens em família, prolongar a permanência dos turistas e movimentar pousadas, hotéis, restaurantes, lojas e outros serviços de Iguaba Grande e municípios vizinhos.
O reflexo no mercado de trabalho também é aguardado. Na apresentação do projeto, foi anunciada a estimativa de cerca de 200 empregos diretos e mais de 300 indiretos, envolvendo desde a operação e manutenção das atrações até alimentação, comércio e atendimento ao público. Outra preocupação divulgada pelos responsáveis é integrar as instalações à vegetação existente, preservando árvores nativas e valorizando o ambiente natural.
Com a conclusão das obras, Iguaba Grande espera ganhar um novo cartão-postal e ampliar seu lugar no roteiro turístico fluminense. Para as famílias, a promessa é de um dia inteiro entre descobertas, brincadeiras e aventuras. E, para quem embarcar na lenda dos piratas, ficará uma pergunta no ar: onde estará escondido o tesouro da Ilha dos Dinossauros?
Sávio Neves é presidente do Conselho Empresarial de Turismo da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ)






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