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Jiu Jítsu: Uma luta que transforma

JIU JÍTSU
UMA LUTA QUE TRANSFORMA

ENTRE AS ARTES MARCIAIS, A QUE APRESENTA O MAIOR NÚMERO DE PRATICANTES NO BRASIL É O JIU-JÍTSU, SEGUNDO DADOS DO IBGE. MAS AS LIÇÕES DESSE ESPORTE ULTRAPASSAM OS LIMITES DO TATAME. ALÉM DE TRABALHAR O CORPO, A PRÁTICA DEIXA A MENTE FORTE, TRAZENDO UM CONTROLE EMOCIONAL IMPORTANTE NOS DIAS DE HOJE.

Quando falamos do jiu-jítsu brasileiro, sabemos que ele carrega um sobrenome conhecido no mundo inteiro: Gracie. Ao longo de 100 anos, a família ajudou a desenvolver e popularizar a modalidade, transformando o esporte em uma tradição que atravessa gerações. E para falar um pouco sobre o assunto, conversamos com uma representante da quarta geração desta família, Kyra Gracie. Oito vezes campeã mundial, ela atualmente transmite os ensinamentos do tatame na Gracie Kore, certa de que a prática oferece muitos benefícios: “No jiu-jítsu, você tem diversos ganhos, inclusive o mental. Depois que você cuida do seu corpo, trabalha muito a sua mente, e é o que temos que buscar no mundo em que vivemos hoje”.

Walter Troncoso entrevistou Kyra Gracie, diretamente do tatame da Gracie Kore

Não é à toa que, atualmente, muitas pessoas procuram essa arte marcial para conquistar mais tranquilidade. “É a calma diante do caos. É você saber ter inteligência emocional, se controlar e entender sobre a sua respiração, para ter a melhor estratégia de agir quando necessário e também saber quando não agir. Levar esses ensinamentos do tatame para a vida é fundamental. Hoje, a gente vive num mundo em que já acorda e está ali nas redes sociais, e vai dormir e ainda está respondendo a e-mails. E se a pessoa deixar isso dominar a sua vida, uma hora vai ter um burnout ou picos de ansiedade”, considera Kyra. E ela completa: “O aluno sai daqui com a mente muito mais clara e fica mais fácil até para a resolução de problemas”.

Troncoso com o ator Malvino Salvador, que pratica o esporte há 18 anos.

Quem confirma que isso é a mais pura verdade é o ator Malvino Salvador, que pratica o esporte há 18 anos: “O jiu-jítsu nos traz controle emocional, equilíbrio, autoconfiança, autoestima, resiliência, disciplina, foco e garra. São muitos aspectos positivos, que foram fundamentais na formação da minha personalidade. E posso dizer que o jiu-jítsu me ajudou em todas as esferas da minha vida”.

Mas será que a prática é para todo mundo mesmo ou é só para quem tem força, coordenação motora e mobilidade? “O jiu-jítsu não exige um biotipo específico. Você não tem que ser alto e atlético. Dá para adaptar a todos os perfis. Uma pessoa que é mais baixinha vai fazer umas técnicas, e a que é mais alta vai fazer outras. Por isso que é um jogo muito legal, porque você vai sempre trabalhar e ser desafiado por pessoas com diferentes perfis”, responde Kyra.

Vale incluir que a metodologia aplicada na Gracie Kore é para todas as idades, até mesmo para sedentários e para o público 50+, que desejam mudar o estilo de vida. “Nós temos uma metodologia desenhada justamente para preparar o corpo dessa pessoa que quer aprender, até que ela esteja preparada para as situações de luta. Ela não vai chegar já lutando, porque precisa ter uma base, mas, quando a gente percebe que o aluno evoluiu, aí sim buscamos mais desafios para ele”, explica Kyra. E a atleta traz outro estímulo importante para os mais velhos: “Aqui, eles vão ter mais longevidade e mais mobilidade, e ainda vão fazer amizades muito positivas, que viram amigos fora do tatame também”.

QUANDO A DEFESA
GERA GENTILEZA

Já o professor José Roberto de Oliveira, da Rio Jiu-Jítsu Old School, lembra que essa arte marcial foi criada para ensinar seus praticantes a se defenderem. “Eu trabalho 100% com a defesa pessoal. Porém, o que eu realmente mais gosto de ver é o processo transformador que causa no aluno. Aqui, ele não vem com aquela intenção de ganhar do outro, e sim com a intenção de vencer os fantasmas dele”, revela José Roberto.

Nesse aspecto, ele também aponta que os benefícios do esporte vão muito além da melhora corporal: “O ganho físico é ótimo, porque mexe músculos do corpo que o aluno nem lembra que tem. Mas, na minha opinião, o maior ganho que o jiu-jítsu pode dar à pessoa é um processo de transformação emocional e mental. O ser humano que sabe se defender é mais seguro. E, assim, se torna menos violento. Ele sabe gerenciar o medo dele de uma forma diferente do que aquela pessoa que não sabe se defender. Então, quando me perguntam qual é o primeiro passo da defesa pessoal, eu falo que é a gentileza. Agora, para você ser uma pessoa gentil, você precisa saber se defender”.

Assim como Kyra afirmou, o professor finaliza ressaltando que, diante da massificação da conexão virtual, o esporte é uma grande saída: “Numa época em que está todo mundo isolado em telefone celular, você tem um contato físico. Troca ocitocina e está num ambiente que transforma a pessoa. Ela se torna mais segura, mais confiante e mais equilibrada. Melhora o corpo e a cabeça, e ainda faz amigos de verdade”. Gostou disso? Então é só tomar a decisão de fazer parte da turma do tatame.

Walter Troncoso é profissional de educação física e empresário

 

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