MARINHA DO BRASIL
Navegando junto à
tecnologia nuclear
Do combustível que abastece as usinas de Angra ao futuro submarino nuclear brasileiro, a Força Naval vem construindo uma trajetória que combina desenvolvimento científico e segurança energética para o país.
Quando o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva defendeu, ainda na década de 1950, que o Brasil precisava dominar tecnologias estratégicas para garantir seu desenvolvimento, o país dava os primeiros passos rumo a uma política nuclear própria. Mais de sete décadas depois, essa visão continua orientando alguns dos principais projetos tecnológicos nacionais conduzidos pela Marinha do Brasil.
Por meio do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), a Força Naval tinha o objetivo inicial de garantir autonomia tecnológica e desenvolver a capacidade de construir o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear. No entanto, os conhecimentos gerados ao longo dessa trajetória passaram a produzir impactos em áreas como energia, indústria, formação de recursos humanos e saúde.

Um dos pilares desse esforço é o Centro Industrial Nuclear de Aramar (Cina), em Iperó (SP), onde estão as instalações ligadas ao ciclo do combustível nuclear e o Laboratório de Geração Nucleoelétrica (Labgene). O empreendimento foi concebido para validar, em terra, a tecnologia que será utilizada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) Álvaro Alberto – em homenagem ao almirante –, considerado um dos projetos mais complexos já desenvolvidos pelo Brasil. O diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, almirante de esquadra Alexandre Rabello de Faria, fala sobre a importância do laboratório: “O Labgene é um marco estratégico do país, um ponto de inflexão na história nuclear do Brasil”.
O SNCA Álvaro Alberto deverá ampliar a capacidade de vigilância, dissuasão e proteção dos interesses brasileiros no mar, reunindo tecnologias navais e nucleares desenvolvidas ao longo de décadas. O caminho até sua construção incluiu a produção, em território nacional, dos submarinos convencionais da Classe Riachuelo – Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42) – e do Almirante Karam (S43), consolidando a capacitação tecnológica, industrial e profissional necessária para o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Os avanços obtidos pelo PNM também contribuem para o fortalecimento da cadeia nuclear brasileira.
Parte das tecnologias desenvolvidas pela Marinha é incorporada ao Programa Nuclear Brasileiro e utilizada na produção de combustível para as usinas de Angra dos Reis. O foco está, ainda, em aplicações civis, com os chamados Small Modular Reactors (SMRs), reatores nucleares modulares de pequeno porte, que vêm ganhando espaço nas discussões globais sobre segurança energética e descarbonização. Eles podem ser usados para abastecer regiões remotas, centros de processamento de dados, operações de mineração, instalações industriais e até projetos de produção de hidrogênio de baixo carbono. Segundo Rabello, o desafio agora é transformar esse patrimônio tecnológico em desenvolvimento econômico e científico para o país. “Não dá para, em pleno 2026, investir recursos elevados no exterior sem trazer para o Brasil desenvolvimento científico e tecnológico”, finaliza.
LEGENDA:
Na página ao lado, a maquete do primeiro submarino nuclear do Brasil. Acima, a Marinha segue firme construindo novos submarinos e os lançando ao mar, como o Almirante Karan (à esquerda) e o Tonelero (à direita)
ASPAS:
Não dá para, em pleno 2026, investir recursos elevados no exterior sem trazer para o Brasil desenvolvimento científico e tecnológico.”
ALMIRANTE ALEXANDRE RABELLO DE FARIA,
diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha






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