FÓRUM ESTRATÉGICO
Durante dois dias, autoridades e especialistas examinaram os rumos da energia nuclear no país. Este importante evento reforçou o papel estratégico do setor para a segurança energética, a descarbonização da economia e o desenvolvimento tecnológico nacional.
Nuclear Summit 2026
Debates movimentam o futuro energético
A Casa Firjan, nos dias 23 e 24 de março, abriu suas portas para o Nuclear Summit 2026, considerado um dos principais fóruns estratégicos do setor na América Latina, promovido pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan). O evento reuniu representantes das principais organizações nacionais e internacionais para discutir tendências, inovações e oportunidades que moldam o futuro da tecnologia nuclear no Brasil.

Celso Cunha, presidente da Abdan, resumiu o intuito do Nuclear Summit: “Não é apenas sobre a energia nuclear. É sobre o futuro do sistema elétrico, da indústria, da saúde, da inovação e da segurança energética do Brasil”. Ele também reforçou a importância do público presente, ao dizer que 70% das pessoas que ali estavam pertencem a cargos acima de diretoria ou cargos públicos. “Nós estamos falando para quem toma a decisão. Estamos entrando num momento em que o Brasil vai discutir o rumo político, para onde nós vamos. E esse evento traz um highlight, mostrando que temos uma questão na matriz energética que precisamos resolver, e não adianta ficarmos pensando de formas paliativas. Nós temos que pensar a médio e longo prazo, porque esse negócio de paliativo só custa caro”, declarou Cunha.
Quanto ao “preço” atual da energia, o deputado federal Júlio Lopes – que é presidente da Frente Parlamentar Nuclar (FPN) – fez questão de explicar em sua apresentação: “Na semana passada, no leilão de capacidades, foram renovados aqui no Rio de Janeiro 3 gigas. Qual é o custo dessa renovação? R$ 70 bilhões. Também foram contratadas novas usinas aqui no Rio com 1.7 gigas, por R$ 30 bilhões. E temos uma usina parada com 63% feitos, que custa no máximo R$ 25 bilhões para acabar. Eu não estou criticando a contratação dessas novas capacidades, mas estou chamando a atenção de que é mais caro, mais lento e mais demorado, e que não será tão eficiente, tão sustentável e tão bom para o país, nem para o planeta”.

O presidente da FPN também salientou a importância do Nuclear Summit, ao mesmo tempo que buscava conscientizar a plateia. “Precisamos de mais mobilizações como essa, para que as pessoas como você e a sociedade entendam que a energia nuclear é a grande energia limpa do futuro. É a energia que está revolucionando o mundo, a ponto de o Brasil ter assinado agora um termo de compromisso para triplicá-la. Então, precisamos avançar imediatamente na contratação de novas fontes e terminar Angra 3”, reforçou Lopes. Quanto a isso, o deputado federal Arnaldo Jardim concordou: “A questão da energia nuclear guarda coerência com aquilo que é o desafio de reformulação do setor elétrico. Por isso, estou muito entusiasmado de estar aqui, convicto de que as condições nunca foram tão favoráveis para, no Brasil, vivermos um novo momento, uma nova era para a energia nuclear. E esse evento é muito relevante para isso”.
Painéis enriqueceram o evento
Além das autoridades de governo, também estiveram presentes ou representados os principais players do setor, que participaram de painéis abordando transição energética, segurança, cadeia produtiva e novas aplicações da tecnologia nuclear. Entre eles, o gerente-executivo de projetos estruturados da Petrobras, Wagner Victer, passou a sua mensagem: “Desde a época que eu era secretário na área de energia e petróleo, sempre defendi a energia nuclear. O Brasil tem um potencial muito grande para essa energia de base, que é limpa e estabelece uma segurança energética muito grande em relação a esse grande conflito na geopolítica internacional”. Victer também fez questão de lembrar que nosso país é rico em urânio, a principal matéria-prima da energia nuclear.

E foi sobre isso que João Gonçalves, consultor sênior da Infra Minerals, falou em seu painel dedicado especificamente ao urânio. “Nós somos a oitava reserva de urânio do mundo, com apenas 30% do território pesquisado. Isso significa que, se pesquisarmos mais, vamos achar mais urânio. Para vocês terem uma ideia, um quilo de urânio é comparável a dez toneladas de barril de petróleo ou a vinte toneladas de carvão em energia. Se eu pegar o urânio natural dessa forma, olha o conteúdo de energia! E energia move tudo, traz o progresso. O urânio vai preparar o radioisótopo para a medicina nuclear, para fazer irradiação de alimentos ou para a indústria especial e aeroespacial. Ele vai ser utilizado e enriquecido para ser usado nos reatores nucleares, dando uma energia limpa, mais barata, perene e estável”, revelou Gonçalves.
Já Júlio Rodriguez, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, debateu sobre a energia nuclear no novo cenário geopolítico. E alertou: “Garantir a nossa autonomia energética, garantir a nossa autonomia e a soberania nacional são elementos fundamentais”. E foi complementado por Wagner Victer: “Quando se pensava em falar de energia nuclear, a questão climática estava muito presente pela potencialidade que nós temos na questão da descarbonização. As pessoas voltaram a reconhecer a energia nuclear como uma fonte limpa e como um potencial, mas eu acho que o novo cenário geopolítico que se colocou faz com que a energia nuclear tenha uma outra grande representatividade no âmbito internacional, especialmente para o Brasil. É claro que ainda temos uma trilha tecnológica para desenvolver. Mas cada vez mais o que está importando no mundo? A segurança e a independência energética, e, fundamentalmente, a verticalização do sistema de geração de energia dentro de cada país”.
Ao longo de dois dias, a Nuclear Summit 2026 produziu resultados imediatos, como terem sido firmados acordos estratégicos entre lideranças nacionais e internacionais para a expansão da energia nuclear. Entre desafios e avanços, esta energia limpa segue no centro do debate global, como uma ponte entre presente e futuro na geração energética do planeta.






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