DIAMANTE ENERGIA
Pedro Litsek
Evolução energética para garantir o futuro
O CEO da Diamante Energia mantém seu foco na segurança energética, ao investir em soluções disruptivas, que incluem desde pesquisas com zeólitas e projetos com biocarvão e hidrogênio verde até o desenvolvimento de um microrreator nuclear. Em um cenário de transformação da matriz energética, ele apresenta as inovações da companhia.

Garantir o abastecimento contínuo de energia, em quantidade suficiente e a preços acessíveis. Quando assunto é segurança energética, a Diamante Energia transforma esse conceito em compromisso, como assegura o CEO da companhia, Pedro Litsek. Com operações que atendem a uma parcela importante da demanda de Santa Catarina e do Ceará, a empresa vem ampliando seus investimentos em inovação e novas tecnologias – incluindo projetos na área nuclear – para contribuir com a estabilidade do fornecimento de energia no país.
A Diamante é uma das principais geradoras de energia termoelétrica do Brasil. Em Capivari de Baixo (SC), ela opera o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, com 740 MW de capacidade instalada, o que representa 21% da energia necessária para o estado. “Por ano, movimentamos R$ 6 bilhões na economia de Santa Catarina”, afirma Litsek. Em São Gonçalo do Amarante (CE), a empresa é responsável pela gestão do Energia Pecém, complexo termelétrico que possui 720 MW de capacidade instalada e desempenha papel estratégico no abastecimento energético da região Nordeste. Considerando toda a cadeia produtiva, as operações da Diamante sustentam cerca de 25 mil empregos diretos e indiretos.
Microrreator nuclear
100% brasileiro
Além da geração de energia, a companhia tem ampliado seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento com foco em promover a inovação no setor elétrico. Entre as iniciativas em andamento, está o Projeto Microrreator Nuclear, uma solução de engenharia compacta, segura e sustentável com potencial para fornecer energia estável e limpa.
Com investimento total de R$ 50 milhões, o projeto vem sendo realizado em parceira com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e um consórcio de renomadas instituições brasileiras científicas, tecnológicas e de inovação brasileiras. Em 2024, foi criado o Núcleo Brasil Energia (NBEPar), empresa dedicada a estruturar e desenvolver os projetos nucleares do Grupo Diamante. “Quando forem concluídas todas as etapas da pesquisa e da construção do protótipo, teremos um microrreator nuclear totalmente brasileiro, produzido com tecnologia nacional”, comemora Litsek.

Um dos principais diferenciais do microrreator é a sua capacidade de operar ininterruptamente, fornecendo energia firme e estável por até dez anos sem necessidade de reabastecimento. Seu design modular permite a fabricação padronizada e facilita o transporte, assim como a instalação em diferentes localidades. Vale ainda mencionar que a tecnologia não emite gases de efeito estufa e dispensa o uso de água para a geração de energia.
Com capacidade de 5 MW, o equivalente ao consumo de um município de pequeno a médio porte, o microrreator poderá ser utilizado em data centers, plataformas offshore e projetos de mobilidade elétrica. Além disso, ele surge como alternativa para atender a comunidades que hoje não são abastecidas pelo Sistema Interligado Nacional. “Na Amazônia, várias cidades têm a energia vinda do óleo diesel. Um microrreator nuclear do tipo que estamos desenvolvendo poderia abastecer cidades de 20 mil habitantes de forma ininterrupta e sem necessidade de reabastecimento por um prazo de seis a dez anos”, exemplifica o CEO da Diamante.
O microrreator representa uma resposta concreta aos desafios da transição energética. Isso porque ele está totalmente alinhado aos chamados cinco “Ds” do setor – descarbonização, descentralização, digitalização, diversificação e democratização – ao combinar geração de energia limpa, flexibilidade operacional e potencial para ampliar o acesso à energia em diferentes regiões do país. “Se o mundo quer chegar a uma descarbonização importante na geração de energia elétrica, não vejo outra tecnologia senão a nuclear, capaz de produzir energia nos montantes necessários para substituir as fontes atuais”, declara Litsek.
Diversificação
e inovação tecnológica
Focado na prospecção de novos negócios e novas fontes de energia, o CEO da Diamante revela que a companhia atua também em outras frentes de inovação. Entre elas, está o estudo da aplicação de zeólitas no setor agrícola, que pode contribuir para a diminuição da demanda nacional por fertilizantes importados. Na área de hidrogênio verde, a companhia trabalha na implantação de um projeto-piloto na unidade de Energia Pecém para produzir hidrogênio de alta pureza.
Já no campo da biomassa, a empresa desenvolve programas de aproveitamento da casca do coco no Ceará. O objetivo é produzir biocarvão para utilização em conjunto com o carvão mineral nas caldeiras da usina de Pecém, reduzindo emissões e ampliando o uso de fontes renováveis na geração de energia.
Sustentabilidade
e segurança energética
Como forma de apoio às fontes renováveis, como a eólica e a solar, Pedro Listek informa que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia realizaram recentemente o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026. O objetivo foi contratar usinas de geração despacháveis, capazes de fornecer energia imediatamente quando acionadas, para atender à demanda em momentos críticos e de pico de consumo. Entre os empreendimentos selecionados, está a unidade de Energia Pecém, recontratada para operar até 2037.
Para Litsek, o futuro da matriz energética brasileira passa pelo equilíbrio entre sustentabilidade e segurança. Embora o país possua uma das matrizes mais renováveis do mundo, a crescente participação de fontes dependentes das condições climáticas reforça a necessidade de tecnologias que possam fornecer energia de forma contínua e controlada. “O Brasil está chegando a 90% de energia renovável, e isso é extraordinário. Mas é necessário ter uma parcela dessa energia despachável que não dependa de condições climáticas. Que seja despachável se faltar chuva e vento ou à noite, quando não tem sol. A nossa visão da matriz elétrica é que esse país, com essa quantidade de geração renovável que possui, deva ter pelo menos 10% de geração térmica constante para poder dar segurança ao sistema”, conclui.






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