SRE
CONEXÕES QUE
MOVEM O VAREJO

A SUPER RIO EXPOFOOD REAFIRMOU SEU PROTAGONISMO AO REUNIR MILHARES DE PROFISSIONAIS DO TRADE ALIMENTÍCIO E MOVIMENTAR CIFRAS BILIONÁRIAS NO RIOCENTRO. EM SUA 36ª EDIÇÃO, PROMOVEU DEBATES ESTRATÉGICOS E MOSTROU COMO TECNOLOGIA E RELACIONAMENTO ESTÃO DESENHANDO O FUTURO DO SETOR.
Ambiente feito, negócios feitos, feira entregue”, declarou Fábio Queiróz, com certa humildade, após o término da 36ª edição da Super Rio Expofood (SRE), que aconteceu entre 17 e 19 de março, no Riocentro, saindo consagrada como edição histórica. Idealizador deste megaevento 100% B2B – reunindo representantes de supermercados, bares, restaurantes, hotéis, padarias e outros varejos que abastecem a mesa da população –, Fábio contou que bateu recorde: “No ano passado, os três dias de feira geraram 1,8 bilhão de dólares em negócios. Este ano, aumentamos para 1,9 bilhão”.
Outros números revelaram a magnitude do evento: mais de 75 mil visitantes, 750 marcas expositoras, delegações de 16 países e de 20 estados brasileiros e 8 mil empregos diretos e indiretos gerados. Essa vitória é dividida com o seu sócio, Jerônimo Vargas, diretor da SRE, que confirmou a informação:

“Trouxemos 16 países, além da participação de praticamente todos os estados brasileiros, com seus empresários de supermercados, bares e restaurantes. Promovemos discussões densas e importantes, especialmente no momento geopolítico em que vivemos”. E a dupla acostumada a dobradinhas de sucesso quando o assunto é organizar eventos – outro deles é o Rio Innovation Week – recebeu todo esse público com uma novidade tecnológica: o reconhecimento facial, que garantiu um controle primoroso do acesso, feito pela mesma operadora responsável pela biometria do Maracanã.
A feira já se consolidou como um clássico no calendário carioca. Mas por que sempre na Cidade Maravilhosa? “O Rio de Janeiro é muito relacional, inclusive nos negócios. A gente nota essa diferença de como o relacionamento aqui se converte em negócio”, declarou Fábio, que é presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e que já foi vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Durante a abertura oficial da SRE, sua representatividade no ramo varejista subiu mais um degrau: ele tomou posse como presidente da Associação das Américas de Supermercados (Alas), para o biênio 2026-2027. “Não havia um brasileiro no cargo há 30 anos. Isso significa que tudo o que fizemos para ter supermercados muito bem-estruturados é o reflexo do que sempre faço na minha vida, com normas e diretrizes por onde eu vou”, comentou Fábio.
O organizador da feira completou: “Os supermercados do Brasil não devem nada para nenhum do mundo, e isso foi reconhecido, de uma certa maneira, nessa liderança. Eu estou muito feliz, por dois motivos. Primeiro, pelo comércio exterior. Segundo, pela troca de boas práticas”. Não à toa, Fábio comemorou bastante o fato de as delegações de países tão representativos terem ido à feira. “Hablamos muito em espanhol, o tempo todo”, brincou.
Em relação às boas práticas, o atual presidente da Alas é muito incisivo: o maior foco é o preço dos produtos. “O meu setor é extremamente competitivo. Mas a guerra precisa estar, entre aspas, nas gôndolas. Temos que lutar por centavos para que o melhor preço chegue ao bolso do consumidor. Por isso, trazemos boas práticas de combate para que, ao final, o consumidor seja um grande beneficiário”. Fábio também se orgulha de estar participando da transformação tecnológica dentro desse mercado. “Todo janeiro, eu estou em Nova Iorque buscando as tendências. Troco boas práticas com o mercado de fora, também levando para lá coisas muito boas que estamos fazendo aqui. E isso vai transformando. O varejo tem sua velocidade. Eu não quero apressá-la, mas também não quero deixar de empurrá-la sempre que possível”, afirmou.
“O algoritmo que aprende a manter a sua atenção é IA, que foi criada justamente com esse intuito. É uma corrida pela dopamina, e isso mudou a sociedade, os negócios e o varejo para sempre.”
Chris Rynning, sócio-gerente da AMYP Ventures

UMA FEIRA REPLETA DE CONTEÚDO
O idealizador da SRE comemora mais um fato marcante que levou aos visitantes: conteúdo. Dividindo espaço com os estandes dos varejistas, quatro palcos simultâneos apresentaram grandes nomes nos pavilhões do Riocentro, sempre prestigiados por auditórios cheios. A programação principal ficou por conta da terceira edição da Convenção das Américas, que desde 2023 ocorre dentro da SRE. No primeiro dia, o ex-jogador Bebeto conectou o universo do futebol à realidade empresarial. “Se não tiver disciplina, não vai para lugar nenhum, não anda. Para isso, são necessários três pilares: ordem, resiliência e foco”, orientou o campeão da Copa do Mundo de 1994.
No segundo dia, Chris Rynning, sócio-gerente da AMYP Ventures, com sede na Suíça, abordou o papel da inteligência artificial como motor da inovação no varejo. Em sua palestra, destacou como a tecnologia vem acelerando a experiência do cliente, tornando as jornadas de compra mais personalizadas, eficientes e conectadas às novas demandas do consumidor. “O algoritmo que aprende a manter a sua atenção é IA, que foi criada justamente com esse intuito. É uma corrida pela dopamina, e isso mudou a sociedade, os negócios e o varejo para sempre. O algoritmo sabe no que você está interessado. Com isso, é possível alimentar consumidores com mensagens específicas”, declarou Rynning.]
Em seguida, o influenciador digital Felipe Theodoro trouxe uma abordagem mais comportamental ao defender que a simplicidade pode ser um diferencial competitivo para fidelizar. “Chamar o cliente pelo nome, fazer ele se sentir em casa, entender o que ele gosta… Isso cria rotina. Quando ele se sente confortável, volta”, apontou. Theo também ressaltou que posicionamento e transparência são cada vez mais cobrados pelo público: “O consumidor quer resposta. Se acontece um problema, ele quer ver a marca se posicionando, resolvendo, mostrando cuidado. Quando a empresa demonstra que se importa, ela ganha confiança”.
CAPRICHO E ACOLHIMENTO

No terceiro e último dia da SRE, o escritor Fabrício Carpinejar emocionou o público ao falar sobre conexão humana, propósito e relações em tempos digitais, refletindo sobre os desafios enfrentados por empresários do varejo para criar vínculos reais com clientes e equipes. Entre as mensagens levadas aos empresários e gestores, Carpinejar lembrou que negócio também enfraquece quando falta dedicação: “Somos felizes quando existe capricho. Capricho é não querer se livrar, mas aproveitar a tarefa e fazer da melhor forma possível”.

Para encerrar os painéis da Convenção das Américas, o chef Henrique Fogaça trouxe lições de gestão, disciplina e cultura de resultado. O jurado do MasterChef Brasil fez um paralelo entre a rotina da cozinha profissional e os desafios do food service e do varejo: “Um chef de cozinha vai seguir a cartilha de um restaurante à risca. Um bom líder já compartilha conhecimento com os cozinheiros. Eu puxo as pessoas para pensarmos juntos. A liderança vem com exemplo, não só com ordem”. E sobre fidelização, Fogaça ressaltou: “A experiência se complementa com uma comida boa, um preço justo, mas, principalmente, pelo acolhimento”.
E foi justamente nesse clima de acolhimento, grandes trocas e muitas entregas que a SRE se despediu do público. Mas lembrando que no ano que vem tem mais, e com uma pegada ainda melhor: “O evento vai crescer. Vamos investir muito mais em conteúdo e ainda vamos usar mais uma pavilhão do Riocentro”, garantiu Fábio Queiróz. Agora, é só aguardar.
Pedro Guimarães é diretor-presidente da Apresenta – Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento e Afins. Foi secretário de Turismo da prefeitura e subsecretário de Esportes e Eventos do estado do Rio de Janeiro. Foi CEO da Marina da Glória e é empresário de diversos segmentos






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