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Pilates: Movimentos para viver melhor

 

PILATES
MOVIMENTOS PARA VIVER MELHOR

É MUITO MAIS DO QUE QUE ALONGAMENTO: FORTALECE O CORPO, MELHORA A MOBILIDADE E AJUDA A PRESERVAR A AUTONOMIA EM DIFERENTES FASES DA VIDA. COM EXERCÍCIOS ADAPTADOS A CADA PESSOA, A ATIVIDADE REÚNE BENEFÍCIOS E HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO, MOSTRANDO A TRANSFORMAÇÃO QUE CHEGA PARA QUEM PRATICA COM REGULARIDADE.

Nesta edição, vamos conhecer uma atividade que combina movimentos controlados, respiração e concentração. O pilates trabalha força, flexibilidade, mobilidade e consciência corporal, respeitando os limites de cada praticante. A proposta é aprender a usar melhor o corpo.
O método nasceu no início do século XX, criado pelo alemão Joseph Pilates, que o chamou de “contrologia” (a arte do controle do corpo pela mente). A ideia era justamente integrar corpo e mente por meio de movimentos precisos, coordenados com a respiração. Em Nova York, a partir de 1926, a técnica se difundiu entre bailarinos. No Brasil, um marco de sua expansão foi a abertura de um estúdio em Guarulhos (SP), em 1996, pela professora Inelia Garcia.

A prática pode ser feita no solo ou em aparelhos com molas, e a intensidade dos exercícios varia conforme cada aluno. A musculatura abdominal, das costas e da região pélvica recebe atenção especial, pois participa da estabilização do tronco. Mas o trabalho envolve todo o corpo.

A instrutora de pilates Ana Paula de Sousa, do Espaço Essencial, acompanha de perto os resultados. Com 12 anos de experiência, ela conta que começou a formação imaginando que trabalharia principalmente com idosos. Mas a realidade mostrou um público bem mais diverso. “Tenho muitos alunos adultos de 40 a 50 anos, que vêm carregando dores, principalmente nas costas e nos joelhos, e que precisam de um fortalecimento mais específico”, revela. Ao contrário do que muita gente pensa, os homens também estão presentes nas aulas de pilates: segundo ela, representam cerca de 40% dos frequentadores do espaço.

Essa diversidade exige atenção individual. As aulas podem ser particulares ou reunir grupos de até quatro pessoas, permitindo adaptar os exercícios às necessidades de cada um. Há quem procure condicionamento físico geral e quem tenha objetivos aparentemente simples, mas fundamentais para a autonomia. “Tem alunos que vêm só realmente fazer um exercício global, mas tem outros que querem coisas pontuais, como sentar no chão e brincar com o neto, sentar e levantar de uma cadeira ou tomar banho sozinho”, conta Ana Paula. São conquistas que fazem enorme diferença na vida cotidiana. E ela faz uma reflexão: “São coisas que os jovens não sentem, mas se eles se mantiverem ativos até o final da vida, talvez nem venham a sentir”.

 

UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Entre os casos acompanhados por Ana Paula, está o de Sidnei Antônio dos Santos, marido de uma aluna. Há dois anos, ele chegou ao espaço após sofrer quatro fraturas nas vértebras lombares em decorrência da osteoporose. Nenhuma atingiu a medula, mas o quadro exigia cuidados. Sidnei, antes muito ativo, havia passado cerca de um ano debilitado, na cama, com receio de novos episódios.
O trabalho começou com dois meses de aulas individuais, com movimentos cuidadosamente direcionados. Aos poucos, Sidnei recuperou a capacidade de realizar atividades e passou a participar das aulas coletivas. Hoje, continua frequentando o espaço diariamente, pratica também treinamento de força, anda de bicicleta, caminha e viaja. O próprio aluno conta o que essa mudança representou: “A minha mulher já fazia parte dessa família e sempre me chamou para ir com ela. Até que um dia eu fui e espero que todos os dias da minha vida, até o final dela, eu continue vindo aqui, porque o pilates me faz bem, me curou. Estou me sentindo maravilhosamente bem”.

ESTUDOS RECONHECEM
OS BENEFÍCIOS DA PRÁTICA
Apesar dessa história de sucesso, é importante que o pilates seja visto como parte de uma rotina de cuidados, e não como solução milagrosa. Há evidências de que o método pode ajudar a reduzir a dor lombar e melhorar a capacidade funcional, embora pesquisas não demonstrem que seja superior a todas as outras formas de exercício. Seus ganhos possíveis incluem equilíbrio, mobilidade e fortalecimento muscular, aspectos relevantes para quem deseja manter a independência com o passar dos anos.

Outra aluna, Elenice Soares, associa a prática ao alívio dos desconfortos que sente. Seu relato é direto: “Eu tenho dores no ciático e nas juntas dos pés e das mãos. Melhoro bem quando faço pilates. Se eu estiver com uma dorzinha, venho para a aula e saio outra pessoa. Se não fosse o pilates, talvez eu estivesse em uma cama”. É por isso que, com acompanhamento adequado e regularidade, o pilates pode ser um aliado nessa conquista e em várias outras para o bem-estar.

 

 

Walter Troncoso é profissional de educação física e empresário

 

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