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Medicina Nuclear

MEDICINA NUCLEAR

Com diagnósticos mais precoces e terapias personalizadas, essa especialidade estratégica avança no Brasil e amplia as perspectivas para pacientes e profissionais, apesar de ainda existirem desafios para expandir o acesso a todos.

A ciência
que enxerga antes

A medicina nuclear vive uma fase de transformação, impulsionada pela combinação entre ciência, tecnologia e novas possibilidades terapêuticas. Ao integrar funcionamento das células, medicamentos radioativos (radiofármacos) e equipamentos avançados de imagem, a especialidade contribui para diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e monitoramento dos pacientes em áreas como oncologia, cardiologia e neurologia. No Brasil, esse avanço vem acompanhado do desafio de fortalecer a infraestrutura e criar condições para que as novas tecnologias cheguem a mais pessoas.
A principal característica da medicina nuclear é a capacidade de analisar em detalhes o funcionamento do organismo. Por meio de radiofármacos, é possível identificar alterações na atividade das células e dos tecidos antes que mudanças visíveis apareçam nos exames de imagem. Com equipamentos de alta precisão, ela permite uma avaliação mais completa do quadro de cada paciente.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a medicina nuclear é considerada uma base indispensável para diagnóstico, acompanhamento e definição de terapias, embora sua disponibilidade permaneça desigual em todo o planeta. “Reconhecendo a urgência da questão, a Assembleia Mundial da Saúde da OMS aprovou, em maio de 2025, uma resolução histórica, que posicionou a medicina nuclear como um pilar da cobertura universal de saúde”, afirma Elba Etchebehere, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN).

Avanços e perspectivas para o Brasil

Em nosso país, a especialidade vive o processo de ampliar sua presença e acompanhar o ritmo das transformações tecnológicas observadas no mundo. Entre as décadas de 1950 e 1990, o Brasil consolidou um ecossistema de medicina nuclear reconhecido internacionalmente, com destaque para a formação de profissionais, a comercialização de radiofármacos e a incorporação de técnicas inovadoras à prática clínica.


A partir dos anos 2000, a evolução acelerada da área no mundo trouxe novos desafios. E enquanto os países que lideravam esse campo avançaram com marcos regulatórios mais flexíveis e investimentos contínuos em infraestrutura, o Brasil passou a enfrentar limitações relacionadas à atualização tecnológica, ao acesso a radiofármacos e à demora na incorporação de métodos já consolidados internacionalmente.
Outro ponto de atenção é a formação médica. No Brasil, a medicina nuclear ainda não está incorporada de forma estruturada à grade curricular da maioria das faculdades de medicina, sendo muitas vezes apresentada por profissionais de outras áreas. Esse cenário pode limitar o conhecimento sobre suas aplicações diagnósticas e terapêuticas.

Diante disso, instituições como a SBMN têm atuado para fortalecer a especialidade no país. A entidade mantém diálogo com órgãos reguladores, participa de discussões sobre políticas públicas e acompanha temas estratégicos, como o abastecimento de radiofármacos e a evolução do ambiente regulatório. “Esperamos que esses movimentos reverberem em ações voltadas à expansão da oferta de serviços, ao desenvolvimento tecnológico e à valorização da produção nacional em arcabouço regulatório, que garanta a segurança dos pacientes, sem dificultar a incorporação dos avanços tecnológicos”, diz Paulo Almeida, vice-presidente da SBMN.

Entre as perspectivas positivas para o setor, destaca-se um projeto de lei que propõe a criação da Política Nacional para o Desenvolvimento da Medicina Nuclear, com diretrizes para a ampliação da especialidade no país. O texto contempla a produção nacional de radionuclídeos – elementos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia –, a expansão da oferta de procedimentos diagnósticos e terapêuticos e o incentivo à inovação e ao crescimento da área.

Além disso, avanços relacionados ao teranóstico, que une diagnóstico e tratamento por meio de radiofármacos, vêm aproximando o Brasil de centros internacionais de excelência. Nesse contexto, a SBMN amplia sua participação em redes globais de cooperação científica e profissional.
A escolha do Rio de Janeiro como sede do Congresso Mundial de Medicina Nuclear de 2030 e o ingresso do Brasil na direção da Federação Mundial de Medicina Nuclear também reforçam a crescente participação brasileira no cenário internacional da especialidade. “Essas conquistas traduzem o trabalho desenvolvido pelo país ao longo de décadas. O Brasil busca reocupar uma posição de protagonismo nas discussões científicas e institucionais da medicina nuclear”, reconhece Elba.

LEGENDA 01:
A medicina nuclear está presente em exames avançados de imagem, como a ressonância magnética

LEGENDA 02:
Os radiofármacos contribuem para diagnósticos mais precisos
e tratamentos de doenças graves

ASPAS 01:
“A Assembleia Mundial da Saúde da OMS aprovou, em maio de 2025, uma resolução histórica, que posicionou a medicina nuclear como um pilar da cobertura universal de saúde.”

ELBA ETCHEBEHERE, presidente da SBMN

ASPAS 02:
“Esperamos que esses movimentos reverberem em ações voltadas à expansão da oferta de serviços, ao desenvolvimento tecnológico e à valorização da produção nacional.”
PAULO ALMEIDA, vice-presidente da SBMN

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