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FPN: Frente Parlamentar Nuclear

FPN

Frente Parlamentar Nuclear
Incentivo para o futuro energético do país

Formulada pela Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), a Proposta para o Novo Programa Nuclear Brasileiro reúne diretrizes para modernizar o setor, fortalecer a medicina nuclear, contribuir para a soberania nacional e consolidar o Brasil como referência científica e tecnológica na área nuclear.

A energia nuclear brasileira tem potencial para contribuir cada vez mais com a segurança energética, a saúde, a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico do país. Os avanços na área, porém, ainda esbarram em desafios relacionados a aspectos como a modernização da legislação e o fortalecimento da cadeia nuclear. Em resposta a esse cenário, a Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN) elaborou um documento – a Proposta para o Novo Programa Nuclear Brasileiro –, que traz uma série de diretrizes para promover a inovação e o crescimento do setor.


A FPN foi criada em 2023 para debater o avanço do setor nuclear, fortalecer a indústria, aprimorar a legislação e apoiar projetos estratégicos relacionados à área. A proposta da Frente Parlamentar busca atualizar o Programa Nuclear Brasileiro criado em 1953, o adequando às demandas do século XXI e aos novos desafios tecnológicos, econômicos e estratégicos do setor. “Com esse relatório, incentivamos o diálogo com o Congresso, bem como com a sociedade civil e todas as partes interessadas, em função do avanço do nosso setor nuclear como um todo”, explica o deputado Júlio Lopes, presidente da FPN.

A conclusão da usina nuclear Angra 3 se destaca como uma das principais propostas defendidas pela Frente Parlamentar. Iniciada em 1984, a construção do empreendimento foi interrompida diversas vezes ao longo das últimas décadas. Atualmente, 65% das obras estão concluídas e a paralisação da usina representa um desperdício de recursos públicos, como aponta a FPN. Isso porque o custo para manter Angra 3 sem entrar em operação é de cerca de R$ 100 milhões por mês. “Quando você tem um empreendimento que custa R$ 1,2 bilhão por ano para permanecer parado, com a estrutura de financiamento já aprovada pelo BNDES, é um contrassenso não concluir essa obra”, alega Lopes.

Júlio Lopes

Vale destacar que a conclusão de Angra 3 será capaz de ampliar a autonomia energética do país. Com capacidade instalada de 1.405 MW, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a usina deverá gerar um volume de energia próximo ao produzido por Angra 1 e Angra 2 juntas. De acordo com o deputado, atualmente, entre 30% e 40% da energia consumida no estado do Rio de Janeiro é nuclear. A partir da operação de Angra 3, esse percentual pode chegar a 70%, permitindo também a exportação de energia para outros estados.

A ampliação da atuação da iniciativa privada no setor nuclear brasileiro é vista com bons olhos pelo presidente da FPN. Como exemplo, ele cita a venda da participação da Eletrobras na Eletronuclear para a Âmbar Energia, do grupo J&F. Segundo ele, movimentos como esse contribuem para viabilizar projetos estratégicos, incluindo a conclusão de Angra 3. “O Brasil já está se conscientizando da importância de permitir que empresas privadas participem desse setor”, avalia.

Júlio Lopes na exposição Do Átomo à Inovação, promovida pela FPN.

Muito além da energia elétrica

Na área da medicina nuclear, a FPN aponta como uma de suas prioridades o apoio à conclusão do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). A expectativa é a de que o projeto permita que o Brasil alcance independência na produção de radioisótopos, elementos essenciais para a fabricação de radiofármacos utilizados no diagnóstico e no tratamento de diversas doenças, como o câncer. A Frente Parlamentar também defende uma política nacional voltada à construção de reatores modulares de pequeno porte (SMRs, na sigla em inglês), tecnologia considerada estratégica para ampliar a participação da energia nuclear na matriz energética brasileira.

A Proposta para o Novo Programa Nuclear Brasileiro também traz diretrizes destinadas à valorização e ao fortalecimento das empresas nacionais do setor, além do incentivo à pesquisa para a aplicação da tecnologia nuclear na agricultura e à criação de um programa voltado à formação de profissionais qualificados para impulsionar o desenvolvimento da área. O texto reforça ainda a necessidade do investimento em iniciativas capazes de garantir ao Brasil soberania e domínio tecnológico no campo nuclear.

Entre as conquistas da FPN, está a criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). A autarquia foi instituída para assumir as atividades de regulação, fiscalização e monitoramento da segurança nuclear e da proteção radiológica, funções antes concentradas na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). “A gente trabalhou muito para ter a ANSN”, destaca Lopes.

Para o presidente da Frente Parlamentar, a segurança é um dos principais diferenciais da energia nuclear. Ele explica que instalações como Angra 2 são acompanhadas por um amplo sistema de fiscalização, que inclui monitoramento contínuo, inspeções regulares e mecanismos internacionais coordenados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). “Esse conjunto de medidas torna o setor nuclear o mais fiscalizado entre os demais setores de energia e, com isso, ele possui os mais elevados padrões de segurança”, garante, deixando no ar a esperança de mais energia limpa e segura para todo o estado.

 

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