EMPRESAS
Os bastidores da energia que impulsiona o Brasil
Por trás do setor energético brasileiro, há pesquisa, planejamento, investimento em tecnologia e muito trabalho. Seja para fortalecer a segurança energética, preservar a soberania nacional ou promover conhecimento, cada empresa vinculada à área desempenha um papel estratégico. O mais importante é que, embora atuem em frentes distintas, todas compartilham o mesmo propósito: contribuir para o desenvolvimento do Brasil e para a qualidade de vida da população. Conheça melhor cinco delas e descubra como suas iniciativas ajudam a construir um futuro mais seguro, sustentável e inovador para o país.

Aben: energia nuclear mais próxima da sociedade
A Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) tem promovido cada vez mais a integração entre a comunidade nuclear e a sociedade. Fundada em 1982, ela reúne técnicos e pesquisadores, além das principais empresas da área, com o objetivo de difundir informações sobre as aplicações pacíficas da energia nuclear em diferentes campos da vida humana, como a geração de energia elétrica, a medicina, a agricultura, o meio ambiente e a propulsão naval. “Um ponto que temos explorado é a passagem de conhecimento. Temos uma preocupação devido à falta de investimentos no setor nos últimos anos e ao crescimento mundial da área. É necessário haver uma nova geração de especialistas no setor nuclear”, afirma o presidente da associação, Carlos Henrique Silva Seixas.
A Aben é ainda responsável pela organização da International Nuclear Atlantic Conference (Inac), considerada a principal conferência do setor nuclear na América Latina. O evento conta com a participação de instituições nacionais e internacionais para a discussão sobre os avanços e os desafios da área.

Cnen: tecnologia nuclear segura a serviço da população
Promover o desenvolvimento e o uso seguro da tecnologia nuclear no Brasil. Essa é a missão da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), autarquia federal responsável por apoiar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na elaboração da Política Nuclear Brasileira. “A Cnen enxerga as oportunidades para o país nesse campo, assim como os desafios a serem superados, para garantir que os benefícios da tecnologia nuclear cheguem à população brasileira em todo o território nacional”, afirma o presidente da comissão, Francisco Rondinelli.
Entre os projetos dos quais participa, estão o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), voltado à aplicação da energia nuclear na medicina, e a implantação do Centro de Tecnologia Nuclear e Ambiental (Centena), que vai abrigar o repositório de rejeitos de baixa e média atividade resultantes do uso da tecnologia nuclear. A autarquia também avalia o potencial do Brasil para o ciclo do tório (uma alternativa ao urânio) e a viabilidade de instalação dos chamados Acelerated Driven Systems (ADS) para o tratamento de rejeitos nucleares de alta atividade.

EPE: planejando hoje a energia de amanhã
A energia que acende a luz, carrega o celular ou liga o chuveiro só chega até o consumidor final porque, muitos anos antes, foi necessário pensar em quanta energia o país consumiria hoje, estudar alternativas e promover o comissionamento das usinas, das linhas e dos combustíveis para atender a essa demanda. No Brasil, essa tarefa fica a cargo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal criada em 2004 após o racionamento de 2001, quando o país descobriu que havia deixado de gerar a energia que precisaria para uma crise hídrica.
A empresa se tornou, então, peça-chave para conciliar renovabilidade, confiabilidade, gás, biocombustíveis, hidrogênio, energia nuclear, armazenamento, clima e transmissão. “Por meio de pesquisas e referências trazidas pela EPE, o governo, as empresas e a sociedade podem decidir qual caminho trilhar. A luz que o leitor da Manchete acenderá em 2033 está sendo decidida agora, nos estudos publicados este ano”, destaca o presidente da estatal, Thiago Guilherme Ferreira Prado.
INB: fortalecimento da soberania do país na produção de urânio
A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) é uma empresa pública que exerce, em nome da União, o monopólio da produção de urânio. Sua atuação abrange toda a cadeia do combustível nuclear, desde a mineração até a fabricação

do pó, das pastilhas e do combustível para as usinas nucleares brasileiras.
O ciclo do combustível nuclear tem início na Unidade de Concentração de Urânio, em Caetité (BA), onde está implantada a única mineração de urânio em atividade no país. Na Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende (RJ), o urânio é enriquecido e transformado em combustível. Com o olhar voltado para o futuro, a INB atua em projetos estratégicos, como o Santa Quitéria, que está em fase de licenciamento ambiental. Em parceria com a Galvani, a iniciativa prevê a produção anual de 2.300 toneladas de concentrado de urânio, volume capaz de suprir mais de três vezes a demanda das usinas de Angra. Estruturado pela INB, o Programa Pró-Urânio visa ampliar o conhecimento sobre as reservas brasileiras e criar modelos para atrair investimentos privados voltados à prospecção e mineração, preservando o monopólio da União sobre esse mineral e contribuindo para a expansão da produção nacional.

Nuclep: engenharia de alta complexidade a serviço do Brasil
Criada em 1975 para atender ao Programa Nuclear Brasileiro, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep) desempenha papel estratégico para a soberania nacional e a segurança energética do Brasil. Vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), é o único fabricante brasileiro capacitado para produzir equipamentos pesados de alta complexidade para os setores nuclear, de defesa, de óleo e gás e de geração de energia. A empresa faz parte de importantes projetos – entre eles, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), em que contribui para a construção do primeiro submarino de propulsão nuclear da Marinha do Brasil.
No campo energético, ela atua no fortalecimento da cadeia produtiva nuclear brasileira, colaborando para a autonomia tecnológica nacional e a expansão de uma matriz energética limpa, segura e confiável. “A energia nuclear tem papel indispensável na transição energética global, e a Nuclep é parte essencial desse esforço ao fornecer soluções industriais que apoiam projetos estratégicos para o Brasil”, assegura o presidente da estatal, Adeilson Telles.






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