Gilmar Mendes
O NOME POR TRÁS DO GRANDE FÓRUM
FOI HÁ 14 ANOS QUE O MINISTRO DO STF ORGANIZOU UM SEMINÁRIO PARA O INTERCÂMBIO ACADÊMICO ENTRE BRASIL E PORTUGAL. HOJE, O FÓRUM DE LISBOA SE TORNOU UM DOS MAIS RELEVANTES ESPAÇOS INTERNACIONAIS DE DEBATE SOBRE DIREITO, DEMOCRACIA, ECONOMIA E POLÍTICAS PÚBLICAS.
Idealizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o Fórum de Lisboa nasceu para aproximar professores e pesquisadores dos dois países, mas cresceu a ponto de reunir milhares de participantes e especialistas de diferentes partes do mundo. Com isso, se consolidou como um ambiente plural de reflexão sobre os grandes desafios contemporâneos.

Promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em parceria com a FGV Justiça e a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o encontro ampliou seu escopo ao longo dos anos. Inicialmente, era conhecido como Fórum Jurídico de Lisboa, voltado às questões constitucionais, mas perdeu o termo “Jurídico” ao passar a incorporar temas relacionados a economia, finanças públicas, inovação, tecnologia, relações internacionais, saúde, democracia e desenvolvimento sustentável. “Hoje, discutimos temas que dizem respeito ao Brasil, a Portugal e também às grandes questões internacionais, como direito digital, regulação das redes, soberania tecnológica e crise internacional”, reforça Gilmar Mendes.
Segundo o ministro, a iniciativa aconteceu de forma bastante natural, a partir da intensa cooperação acadêmica entre juristas brasileiros e portugueses: “Nós mantínhamos diálogos com os colegas de Portugal, que vinham frequentemente aos eventos em Brasília, inclusive ao nosso Congresso de Direito Constitucional. Daí surgiu a ideia de fazermos um seminário em Lisboa. Imaginávamos realizá-lo de maneira alternada, mas foi se consolidando e avançando cada vez mais”.

Nas 14 edições do Fórum, passaram pela programação debates sobre defesa da democracia, direito à saúde, modelos de sistema de governo, desenvolvimento econômico, integração entre Mercosul e União Europeia, inteligência artificial e regulação das plataformas digitais. O crescimento do público surpreendeu até mesmo o seu idealizador. “Tudo começou como um projeto normal de seminários entre os dois países. Não imaginávamos chegar a esse nível. Depois da pandemia, houve uma reanimação muito forte. Eram cerca de mil inscritos, e hoje já ultrapassamos 2.500 participantes”, revela.
Para o ministro, esse resultado demonstra que o Fórum conquistou credibilidade junto à comunidade jurídica e acadêmica. “As pessoas se dispõem a viajar, investir em passagem e hospedagem porque entendem que vão fazer uma verdadeira imersão. Tivemos painéis com o prêmio Nobel de Economia, e, ao mesmo tempo, os outros que ocorriam paralelamente também estavam cheios. Acho que houve uma excelente curadoria, reunindo pessoas extremamente representativas do Brasil, de Portugal, de outros países da Europa e do mundo. Conseguimos um bom equilíbrio e um bom resultado. A maior propaganda do Fórum é feita por quem vai lá e participa”, afirma Mendes.
O ministro ressalta que o objetivo sempre foi construir um espaço democrático de diálogo: “O convite é dirigido a todos. Tentamos fazer uma diversidade de interesses e buscar equilíbrio entre vários segmentos econômicos e sociais”. Essa preocupação também se refletiu na ampliação da presença das mulheres nos painéis. “Este ano, trabalhamos de maneira bastante rigorosa para ultrapassarmos os 30% de participação feminina, evitando mesas compostas apenas por homens”, revela.
Outro avanço é que a edição deste ano reuniu representantes de cerca de 15 países e 51 palestrantes estrangeiros. A expectativa é que essa evolução se reflita, inclusive, na identidade do encontro. “Nós já vínhamos trabalhando para deixar de ser apenas um evento luso-brasileiro. Agora, conseguimos uma internacionalização muito maior e isso nos levou à ideia de transformá-lo em Fórum Mundial de Lisboa”, adianta o ministro.
Para os próximos anos, Gilmar Mendes aposta em uma presença estrangeira ainda mais expressiva, com painéis realizados integralmente em inglês. “Espero que isso nos ajude a inserir cada vez mais o Brasil no cenário internacional. Hoje, percebemos que países europeus já nos veem como parceiros em temas importantes, como regulação das redes sociais e inteligência artificial. Espero que, daqui a cinco anos, o Fórum Mundial de Lisboa esteja plenamente consolidado”, finaliza.






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