Mercado Wellness
NÃO É MAIS TENDÊNCIA
ELE CHEGOU PARA FICAR E PARA AJUDAR A CONSTRUIR UM FUTURO COM PESSOAS MAIS LONGEVAS E SAUDÁVEIS. ESSA EVOLUÇÃO É DEMONSTRADA NA HISTÓRIA DAS LOJAS MUNDO VERDE, QUE HÁ MAIS DE 30 ANOS REVOLUCIONARAM ESSE SETOR.

A organização internacional Global Wellness Institute (GWI) estima que a economia global do bem-estar, que movimentou cerca de US$ 6,3 trilhões em 2023, poderá alcançar aproximadamente US$ 9 trilhões até 2028. Isso significa que, hoje, temos uma economia muito forte nesse setor. Para falar sobre o assunto, eu estreio a minha coluna – na qual irei abordar assuntos sobre wellness, saúde e longevidade – conversando com Lucas Karam, gestor e sócio do grupo Karam, franquia master da rede Mundo Verde no Rio de Janeiro. Ele representa uma nova geração de empresários, que transformou tradição familiar em estratégia, expansão e inovação. Quando Lucas nasceu, sua família estava no setor saudável havia dois anos. E, aos 16 anos, ele já administrava a primeira franquia da loja. Hoje, aos 30, comanda a transição geracional do grupo e prepara a empresa para esse mercado de transformação acelerada.
“Eu presenciei toda essa mudança do consumo. E posso citar o período de pós-pandemia como um marco importante, porque, na época da covid, as pessoas realmente tiveram informações de que quem estava mais saudável tinha menos probabilidade de desenvolver a doença. Então, elas buscaram ter mais saúde e agora estão muito mais antenadas a respeito do que estão consumindo”, conta Lucas, destacando que raros consumidores chegam ao Mundo Verde sem saber o que é um whey protein, um colágeno ou qualquer tipo de vitamina ou mineral. “Às vezes, o cliente dá até aula para o funcionário. As pessoas estão mais ligadas no rótulo do produto e em sua qualidade. Essa mudança no consumo é algo que a gente realmente vê”, afirma. Diante disso, Lucas revela mais um dado surpreendente: “Há alguns anos, o mercado wellness cresce mais do que o PIB global”.
Na verdade, o que o jovem empreendedor observa é que há dois grupos de pessoas que chegam às suas lojas: formado por aquelas que não têm muito conhecimento sobre o que irão consumir e vão orientadas por prescritores (nutricionistas, nutrólogos e outros profissionais da saúde) e pelas que são influenciadas pelas redes sociais, porque seguem um atleta ou algum influenciador. “Eu acho que o caminho correto é a busca por um profissional, porque de repente, na internet, o influenciador indica algo para um certo público, e não exatamente para o perfil de determinado tipo de cliente. Por isso, sempre recomendo que procure um nutricionista para poder começar a suplementar”, conta Lucas. Nesse aspecto, ele está certíssimo, porque muitos médicos demonstram sua preocupação quanto a essa suplementação sem prescrição, já que o excesso de suplementos diferentes pode causar danos em alguns órgãos, como o fígado.
UM PÚBLICO NOVO E CRESCENTE

Nesse processo de mudança de mentalidade no mercado wellness, o que também temos visto é a procura por um público cada vez mais abrangente. “Antigamente, nas lojas, a gente tinha muito o suplemento para aquele jovem marombeiro, preocupado apenas com a parte estética. Hoje, atendemos a todos os públicos, desde crianças que já estão suplementando até idosos. O marombeiro continua, mas o mercado está muito mais aberto para a saudabilidade”, informa o franqueado Mundo Verde.
Não é à toa que, nos estoques da franquia, há atualmente cerca de 9 mil SKUs (sigla para Stock Keeping Unit, que é atribuída na identificação dos produtos que serão colocados à venda). “Na época em que eu nasci, eram apenas uns mil, 2 mil, no máximo”, comenta Lucas, demonstrando, mais uma vez, o crescimento do mercado wellness. Esse valor, contudo, não se refere apenas à parte de suplementação. Engloba, ainda, alimentos, produtos naturais, chás, incensos, velas aromáticas e óleos essenciais, entre outros itens que buscam gerar mais bem-estar.
O gestor do grupo Karam também revela que, atualmente, os clientes andam cada vez mais à procura de marcas clean label. Como o próprio nome diz, trata-se de um “rótulo limpo”, ou seja, produtos com o máximo de ingredientes naturais e com corantes e adoçantes que não agridem o organismo. “Eles tendem a se destacar no mercado porque foram pensados exclusivamente para entregar valor e qualidade ao cliente. Não só o melhor preço, mas o melhor produto. Aquele que realmente vai poder ser usado durante muito tempo sem causar complicações, e que vai realmente mudar a vida do cliente”, explica Lucas. E ele reforça: “Eu vejo com um bom olhar cada marca clean label que surge, porque ela está realmente visando à longevidade com qualidade. Não adianta nada a gente viver muito se não viver com qualidade”.
Realmente, o que vejo hoje em dia nos eventos voltados aos setores de estética, saúde e nutrição é a busca pela longevidade, pela prevenção, pela alimentação consciente e pelo equilíbrio. Ao ver o Lucas falar sobre a evolução de um negócio familiar construído ao longo de décadas, fico pensando que essa mesma mudança também aparece, de formas diferentes, nos eventos que acompanho. Os temas que surgem nas conversas com empresários do varejo saudável são os mesmos que aparecem nos congressos de turismo, de hospitalidade, de saúde e de estética e nos encontros corporativos. O que estamos vendo não é apenas a evolução de empresas, mas sim a transformação da sociedade.
Hoje, talvez ainda usemos a palavra wellness como se estivéssemos descrevendo uma tendência. Não tenho tanta certeza disso. Afinal, as tendências passam e são substituídas por outras. Agora, é diferente: quando o bem-estar influencia a economia, o turismo, o urbanismo, as relações de trabalho, o consumo e até a forma como envelhecemos, talvez ele deixe de ser um segmento e passe a ser um dos pilares sobre os quais estamos construindo o futuro. Porque, no fundo, não estamos falando apenas de saúde. Estamos falando de futuro.
Fatima Facuri é CEO do Grupo Open Brasil, administradora e uma das principais lideranças da indústria brasileira de eventos. Embaixadora do Global Wellness Institute, atua na promoção da inovação, do desenvolvimento do setor e da agenda do bem-estar.






Menu
