Chinezinho
TODA CASA TEM MESMO!
CONVIDADO A CONHECER A FÁBRICA DA CHINEZINHO, QUE PRODUZ 100 TONELADAS DE ALIMENTOS POR DIA, DEU PARA VER DE PERTO POR QUE A EMPRESA CRESCEU, EXPANDIU E AGORA AJUDA OUTRAS MARCAS A TEREM SEU LUGAR AO SOL NO RIO DE JANEIRO.
Se “toda casa tem” Chinezinho – como garante o slogan desta marca –, resolvi começar a minha coluna pesquisando na minha própria cozinha. Não
precisou vasculhar muito a despensa para perceber que no meu armário, bem brasileiro, tinha muito “Chinezinho”. Sim, o nome parece fazer referência ao Oriente asiático, mas pasme: teve a ver com um jogador de futebol da década de 50, o Chinezinho da Seleção Brasileira. Ninguém imaginaria que uma referência do futebol ia batizar uma das empresas de produção de alimentos mais robustas com alma carioca. “Tudo começou quando me tornei sócio do meu sogro, que tinha acabado de comprar uma fábrica de condimentos em Inhaúma”, relembra Sérgio Duarte, hoje comandando todo o grupo, com a ajuda da sobrinha, Isis Corrêa, diretora industrial da Chinezinho. “É um negócio familiar, que não para de crescer”, comenta Isis.
A Chinezinho tem duas fábricas no estado do Rio de Janeiro: uma no município de Vassouras e outra no município de Valença. Além de gerar um total de 250 empregos diretos só na fábrica de Vassouras, toda a operação da Chinezinho chega a empregar 600 pessoas no estado. Gente como a líder de logística, Sonia Bento, que trabalha ao lado da filha Maria Clara, auxiliar de produção. “Eu entrei primeiro, faz sete anos, e minha filha veio depois, tem um ano. E a fábrica faz toda a diferença no nosso orçamento doméstico”, diz a mãe. Perguntadas se quando chegam em casa ainda falam de trabalho, as duas sorriem: “A gente até tenta desconectar, mas é impossível não levar o assunto na cabeça. Quando a gente gosta do que faz, o trabalho não fica pesado”, conclui Maria Clara.
NOSSA VISITA
À FÁBRICA DE VALENÇA
No munícipio de Valença, que fica a cerca de três horas de carro da capital fluminense, foi implantada a maior fábrica da Chinezinho. Fácil de chegar, mas atenção: para entrar e conhecer os 40 mil metros quadrados de área construída, tem que estar preparado. Além de toucas e máscaras, é preciso vestir um jaleco descartável. Devidamente paramentado, é só lavar as mãos e começamos!
Visitar uma fábrica que produz uma linha de 700 produtos – próprios ou para outras marcas – é como entrar em uma orquestra de máquinas ruidosas, mas sincrônicas: sempre preparando, misturando e embalando. As máquinas só param depois das 5 da tarde, quando acaba o expediente.
Um dos primeiros equipamentos que me chamou a atenção foi o que produz chá de camomila. Num ritmo frenético, as ervas são colocadas dentro de um feltro, formando um sachê, que depois é inserido em uma embalagem de papel com pouco – ou nenhum – contato humano. O “saquinho de chá”, como a gente fala em casa, surpreenderia até a corte inglesa: o chá verde da Chinezinho já foi premiado por sua pureza e seu sabor.
Entendeu por que todos os ambientes são controlados quando a assunto é higiene e limpeza? E não me deu a impressão de que fossem cuidados só “para inglês ver”, por conta de nossa visita à fábrica. Tudo é levado muito a sério. “A qualidade final do que fazemos não depende só da matéria-prima. Saber produzir dentro dos mais rígidos processos de segurança faz o produto ser melhor”, garante Eliane Paiva, gerente de desenvolvimento de produtos, enquanto me ciceroneia pela fábrica.

HORA DE DEGUSTAR
Além de produzir, é preciso vender. Quando falamos de 100 toneladas de produtos fabricados por dia é que temos a noção do quanto isso significa em estoque para rodar e vender a outras empresas, como restaurantes, outras fábricas e também supermercados, que é como os produtos chegam em nossas mãos. Mas, visitando a fábrica, nem precisa ir ao supermercado. Ao final do meu tour, a surpresa: uma degustação dos produtos Chinezinho, com foco nos molhos, já que descobriram minha paixão por mostarda escura, tipo alemã – que eu quase tomei no copo de tão pura e saborosa.
Para isso, vários sanduíches foram montados, serviram batatas fritas, etc. Onde coubesse um molho temperado ou ketchup, estava tudo na mesa. Confesso que provei um pouco de cada com muito mais consciência empresarial do que quando cheguei. Entender como, repito, 100 toneladas de alimentos são produzidas e distribuídas por dia faz a gente perceber que, com conhecimento e tradição de mais de 50 anos, fabricar alimentos pode ser um negócio da China se bem administrado e multiplicado.

E por falar em multiplicação, além da produção própria de grãos, farináceos e molhos, descobri que nem tudo feito nas fábricas é necessariamente com a marca Chinezinho. O grupo diversificou os negócios e hoje, além de produzir, começa a alavancar os negócios de outras empresas do setor. Trata-se de um modelo de sociedade em que a Chinezinho entra com o conhecimento e a produção, fazendo com que marcas menores comecem a crescer. Empresas já engatadas nessa “incubadora” de outras empresas menores começam a despontar. Em alguns casos, pequenas marcas já chegaram a multiplicar por cinco seu faturamento depois desse apoio. Esta é mais uma prova do quanto a Chinezinho se preocupa não só com o desenvolvimento econômico, mas também com a qualidade do que chega à mesa das famílias brasileiras, já que, lembrando, toda casa tem produtos da marca. E os consumidores agradecem.
Fábio Ramalho é jornalista e publicitário, apaixonado por viagens e comportamento carioca, com mais de 30 anos de televisão






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