MOTOR
Marcos Salles
@ms.marcossalles
Esqueça a ideia de um simples passeio no mar. Entre sofisticação e tecnologia de ponta, navegar virou uma experiência de outro nível. Das lanchas compactas às verdadeiras “mansões flutuantes”, a tecnologia naval redefine a experiência de curtir o balanço das ondas e o vento no rosto.

LUXO EM
Velocidade Máxima
Dia de luz, festa de sol, e um barquinho a deslizar no macio azul do mar…” Barquinho? Este clássico da Bossa Nova estaria defasado nos dias de hoje, diante das lanchas extraordinárias que cruzam a Baía da Guanabara. Singrando em full throttle (velocidade máxima – passando de 50 nós, o equivalente a 90 km/h) ou em velocidade de cruzeiro (ritmo constante entre 20 e 30 nós – 37 a 55 km/h), o que vemos atualmente são modelos equipados com motores que tiram o fôlego dos navegadores, mas sempre com muito conforto e segurança.
Para falar a respeito, conversamos com Luiz Gustavo Cavalcanti (o Guto), sócio da Kadu Marine, empresa de venda de lanchas novas e seminovas, com 33 anos de experiência no mercado, além de ser uma das representantes da marca Schaefer Yachts no Brasil. Na Marina da Glória, ele nos apresentou embarcações com motores internos que garantem toda a potência. Uma delas é movida por dois IPS 650, da Volvo Penta, que têm como diferenciais as rabetas que ficam sob o barco (e não
na popa, como ocorre em lanchas menores) e hélices ao contrário – são para frente, em vez de para trás. “Com isso, você ganha muito em performance e manobrabilidade, porque o barco tem um sistema de joystick que o faz andar em todos os sentidos: em 45 graus, de lado, para frente, para trás… E por ser um sistema muito eficiente, tem uma economia de combustível grande”, comenta Guto, lembrando que o diesel é que abastece esse modelo de lancha – ao contrário dos motores de popa, que são a gasolina.
PARECE IATE, MAS NÃO É

Guto também nos levou a uma lancha Schaefer 770, que tem 77 pés de puro luxo – somente acima de 100 pés a embarcação é considerada um iate. Movida por três motores Volvo IPS 1050, dispõe de diferentes ambientes na parte superior, como espaço para tomar sol, sala de jantar com mesa para oito pessoas e cozinha com fogão a indução e freezer, e, na parte inferior, quatro suítes aguardam os convidados, sendo uma delas master: com closet, lava e seca embutida, penteadeira e banheiro grande com piso de mármore.
Um modelo desses, seminovo, ultrapassa R$ 20 milhões, como se vê no site da Kadu Marine. E quem está à frente das negociações desse e de vários outros tipos de lanchas é Kadu Cavalcanti, sócio do Guto. E ele deixa claro que o que está por trás de tantos equipamentos maravilhosos é a qualidade de vida. “Isso é uma coisa que a pessoa compra junto. Comprou o barco já agregou passeio, família, amigos. É uma bebidinha, é um lugar diferente que vai conhecer. É uma oportunidade de criar novos amigos também. Você conhece muita gente no mar”, comenta. Mas o empresário lembra que, nesses passeios, também podem surgir negócios. “Imagine você chamar um amigo que está querendo comprar um apartamento, e você é um investidor. A partir daquela saída de barco, é ruim de ele não comprar”, brinca Kadu.

Os modelos menores, porém, também surpreendem. A Schaefer V34, por exemplo, é uma lancha de velocidade com 34 pés (cerca de 10 m de comprimento). Possui equipamentos modernos, bem intuitivos, permitindo que uma pessoa com habilitação de Arrais-Amador já possa pilotá-la. E agora, qual escolher para comprar? Kadu orienta: “É preciso conversar com o interessado para saber onde vai usar e quantas pessoas vão navegar. Se eu vender uma lancha de 50 pés para quem vai usar na Lagoa de Araruama, não vai funcionar. Assim como uma de 10 pés não vai ser a melhor opção para o mar aberto de Angra”. Além disso, para se comprar um bom produto, é importante que seja de uma marca conceituada, com boa construção e com material de salvatagem adequado. De resto, é curtir o vento no rosto e o macio azul do mar.
Marcos Salles é jornalista e presidente da Revista Manchete






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