ALÉM DA TOGA

PELAS LENTES DO
SEBÁ

DOS JULGAMENTOS DIFÍCEIS À ARTE DE FOTOGRAFAR. CONHEÇA O OUTRO LADO DO MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, QUE, USANDO UMA CÂMERA, REVELA EM FOTOS PROFUNDAS A EXTENSÃO DO SEU OLHAR.

Quinze anos atrás, Sebastião Reis Júnior deu um grande passo em sua carreira, tornando-se ministro do Superior Tribunal de Justiça. Cinco anos depois, ele encontrou uma nova companhia para ajudar a aliviar o foco dos cerca de 1.300 processos que precisa analisar por mês: uma câmera fotográfica. E quando ele empunha a sua Nikon, praticamente assume outra personalidade, o Sebá – seu apelido. “É para quebrar um pouco a tensão do dia a dia. É o meu hobby, a minha diversão. E serve, principalmente, para conhecer um pouco a realidade do mundo, ver o que está acontecendo lá fora e não ficar fechado aqui dentro o tempo todo”, justifica o magistrado, que nos recebeu em seu gabinete, cujas paredes expõem inúmeras fotografias clicadas por ele (confira apontando o seu celular para o QR Code desta matéria).

Sebá em sua noite de autógrafos junina.

Mas, o que surgiu como um hobby, hoje já lhe rendeu três livros: Riscos (de 2021), Translúcida (de 2023) e o recém-lançado Fotos e Votos, cuja noite de autógrafos, em junho, ocorreu de maneira inusitada: numa festa junina. Recentemente, o ministro também demonstrou que sua paixão pela fotografia é generosa, ao promover, no prédio do STJ, uma mostra com os fotógrafos da casa. “Eles estão aqui todo dia. Organizei a exposição para mostrar que vão muito além do trabalho de fotografar sessões e eventos aqui do tribunal. Também têm uma vida artística, e foi muito emocionante”, lembra Sebastião.

E o que será que o fotógrafo Sebá prefere captar com a sua câmera? “Gosto de ver uma realidade que vai muito além do que está no gabinete. Acho que um juiz não pode ficar sentado em uma mesa e conhecer o mundo apenas pelos livros. O bom é conhecer a vida, e, no caso, a fotografia me permite isso. Eu viajo para fotografar e, aí, vou conhecendo o ser humano, outras realidades completamente diferentes”, conta, revelando que, em sua última viagem à Índia, chegou a tirar mais de 3 mil fotos. As regiões brasileiras também já estiveram sob seu enquadramento, como os estados do Amazonas e Roraima e a cidade de Belém. Já em São Paulo, sua lente apontou para presidiárias transexuais, e o ensaio artístico acabou resultando no seu segundo livro.


Apesar das fotos já publicadas em obras, o ministro não quer enxergar o hobby como um ofício: “É um prazer, não uma obrigação. Gosto muito de fotografar, mas não quero ter pressão, porque não sou profissional. Acho que a fotografia tem o seu momento e a sua razão de ser”, acredita. E, nessas páginas, podemos ver que a razão de ser de Sebá realmente vale a pena.

 

 

 

PEGA ESSA ONDA

DOIS MAGISTRADOS E UMA MESMA PAIXÃO: SUBIR NA PRANCHA E DESLIZAR SOBRE O MAR. VEJA, AQUI, COMO O SURFE PODE AJUDAR, ATÉ MESMO, A SE TOMAR AS MELHORES DECISÕES NO TRIBUNAL.

Quando o relógio marca 5h30, eles já estão na praia. É assim que, de segunda a sexta, começa o dia do desembargador César Curi, do TJRJ, e do juiz federal Fábio Sousa, do TRF2. Religiosamente, antes de vestirem a toga, eles colocam a sunga para praticar o esporte que amam: o surfe. Morando perto de Itacoatiara, bairro da Região Oceânica de Niterói, curtem as ondas desse famoso reduto de surfistas, deixando um pouco de lado a rotina estressante dos tribunais para terem contato com essa natureza linda. “Aproveitar os primeiros minutos da manhã para fazer o esporte ajuda a ter uma rotina de trabalho bem melhor, muito mais suave e tranquila”, assegura César.

César Curi e Fábio Souza chegam para surfar na praia de Itacoatiara

Fábio concorda: “O surfe nos ajuda muito na atividade profissional, e não só por ser um momento para a cabeça estar mais relaxada. Quando estamos no mar, temos que tomar decisões rapidamente, porque o surfe é um esporte muito difícil. A cada hora, a onda está em condições diferentes, e precisamos saber se vamos realmente dropar ou não. O tempo todo existe a atividade de decidir ali. E quando jogamos isso para o Judiciário, vemos que facilita também o nosso processo de decisão. É um treino constante sobre como decidir bem”.

Não é à toa que, para César, o surfe é uma grande filosofia de vida. “Aprendemos muitas lições nessa prática diária, como ter respeito pelo mar e autoconfiança para poder entrar, e saber que, mesmo estando sozinho na prancha, tem que ser solidário com quem está ao seu lado. No surfe, lidamos com o medo e com o desafio, mas também com a satisfação e o prazer. Toda vez que eu chego ao mar, é sempre uma sensação de privilégio e de gratidão. Eu agradeço todos os dias por poder vir à praia e pegar onda. Se Deus me permitir, quero surfar até o meu último dia de vida”, comenta o desembargador.


Tudo isso traz para eles inúmeras vantagens. César ressalta que a prática exige um preparo constante, como condicionamento físico, alimentação saudável e uma excelente noite de sono. E ele vê essas exigências do esporte como algo muito positivo: “Isso te prepara para o restante do dia, seja no trabalho, seja nas relações sociais”. Fábio, por sua vez, pensa que todos os “sacrifícios” que fazem hoje são para a construção de uma amanhã melhor: “É sempre importante planejar o futuro. Mas o mais importante é conseguir viver o hoje com equilíbrio. Afinal, você só constrói um amanhã de qualidade se começa a semear a partir de agora”. E isso ambos estão fazendo. Aloha, magistrados!

 

Sergio Maciel é vice-presidente da Revista Manchete, bacharel em direito, especializado em relações institucionais e governamentais

 

A SAÚDE atrás da toga

VAMOS SABER O QUE UMA DAS MAIORES REFERÊNCIAS SOBRE O BEM-ESTAR FÍSICO E EMOCIONAL DOS MAGISTRADOS TEM A DIZER SOBRE ESTRESSE, BURNOUT, ENVELHECIMENTO ATIVO E DESAFIOS FÍSICOS E EMOCIONAIS DE QUEM ENFRENTA O DIA A DIA NOS TRIBUNAIS.

Francisco Barreira, cardiologista e geriatra que atende profissionais do Direito, junto a Sergio Maciel

Nesta edição, eu trouxe um convidado especial para a coluna: o cardiologista e geriatra Francisco Barreira, que é um médico muito querido de vários magistrados. Ele exerce a medicina há 54 anos e, desde a década de 1980, se dedica a atender a magistratura. Por dois biênios (nas presidências dos desembargadores Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho e Cláudio Melo Tavares), foi diretor do departamento médico do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. E atualmente, em seu consultório, um número expressivo de advogados recebe os seus cuidados. Aqui, Barreira fala sobre as questões de saúde que podem envolver os magistrados.

Percebo que suas propostas de tratamento não são de proibir, mas sempre de sugerir algo que se adeque à realidade dos magistrados. Por que isso?
Porque eu vejo que os magistrados sofrem uma pressão muito grande com a carga de trabalho excessiva. Então, sei o que é hoje a luta e a dedicação da magistratura brasileira. Cansei de conviver com pessoas de dentro do Tribunal de Justiça e as vi trabalhando até em fins de semana. É um trabalho que não pode ser interrompido. Isso me orgulha, porque o médico também não para.

Eu queria a sua opinião sobre um assunto polêmico. Em 2015, foi criada a PEC da Bengala, que aumentou o tempo de aposentadoria para 75 anos. E hoje já ouvimos que existe um projeto para aumentar para 80, o que está sendo chamado de PEC do Andador. Do seu ponto de vista médico, existe uma idade ideal para o magistrado se aposentar?
Quanto a isso, temos que primeiro pensar que há (ou havia) um verdadeiro desperdício de cérebros privilegiados no que tange ao exercício da magistratura, por conta da sabedoria acumulada ao longo dos anos. Nesse sentido, acho que a aposentadoria não deveria ser feita por uma classificação etária. Conheço pessoas que, aos 80 anos, ainda estão esbanjando conhecimento, vitalidade, memória e precisão de posições, e também conheço outras que, precocemente, vêm perdendo a sua capacidade cognitiva. Então, se possível fosse, deveríamos fazer um inquérito embasado num tripé: a observação do médico em relação à pessoa, exames de imagem e laboratoriais, e a própria propensão do magistrado que não quer se afastar. A partir daí, podemos estabelecer uma realidade para ele, abandonando aquela cartorial, da certidão de nascimento. Há pessoas que não deveriam se aposentar.

Mesmo assim, como lidar com a iminência da chegada da aposentadoria?
Há que se estabelecer um preparo pré-aposentadoria. Isso porque, dentro de qualquer instituição, não raramente vemos quadros agudos de depressão ou tristeza, por conta daquela ilusão de se aposentar e ir para o interior criar galinha. Mas isso não abastece a mente de uma pessoa que a vida toda exerceu determinada profissão. Se possível, a aposentadoria há que ser um momento não compulsório, muito pensado por parte de quem está trabalhando.

Nos dias de hoje, qual seria o grande vilão da saúde do magistrado?
Acho que o grande vilão não só dos magistrados, mas principalmente deles, é a sobrecarga de trabalho, que tem como consequência inevitável o estresse. Este é o grande inimigo que mais mata hoje, mais que câncer e do que outras doenças graves, por atingir o segmento cardiovascular. Há duas coisas principais dentro do deterioramento do sistema cardiovascular: uma é a genética, a outra é o estresse. Hoje, fala-se muito no burnout, que seria o momento em que o organismo não suporta mais as adversidades do estresse. Se passarmos a conviver melhor com isso, e há uma série de maneiras de assim fazermos, minimiza-se a possibilidade de um burnout e de um evento cardiovascular.

Sergio Maciel é vice-presidente da Revista Manchete, bacharel em Direito, especializado em relações institucionais e governamentais

ALÉM DA TOGA
Sergio Maciel

QUEM OLHA PARA ESSES CINCO MAGISTRADOS NOS TRIBUNAIS NEM IMAGINA O TALENTO QUE POSSUEM QUANDO ESTÃO COM UM INSTRUMENTO MUSICAL NAS MÃOS. É SÉRIO! QUANDO ELES SE JUNTAM, DÃO VIDA A UMA BANDA PARA LÁ DE AFINADA. CONFIRA.

José Acir, Carlos Saraiva, Sergio Maciel, Adillar Teixeira, Márcio Quintes e Wagner Cinelli

AUMENTA O SOM

Fotos: Isabela Salles

Na bateria, o juiz Adillar dos Santos Teixeira; no baixo, o juiz Carlos Sérgio Saraiva; no bandolim, o desembargador José Acir Lessa Giordani; no saxofone, o desembargador Márcio Quintes; e no teclado, o desembargador Wagner Cinelli. Está formada a banda dos magistrados! Na verdade, cada um deles já toca sozinho há tempos, com outras bandas. Mas se uniram para participar do I Festival Nacional da Canção da Magistratura, promovido pela Associação Nacional de Desembargadores (Andes), que aconteceu em outubro. E também aceitaram o desafio de tirar um som para a Revista Manchete, tocando O Barquinho. Para ver o resultado, aponte o celular para o QR Code na página ao lado. E veja, ainda, o depoimento de Roberto Menescal – com quem Wagner Cinelli toca – contando sobre a divertida história de como surgiu essa música, que é um ícone da Bossa Nova.

COMO TUDO COMEÇOU

Vamos iniciar pelo próprio Cinelli, que, por pouco, não deixou a música de lado. “Quando entrei para a magistratura, parei de ter banda. Mas, depois de um tempo, resolvi gravar minhas músicas autorais. Fui procurando meus amigos músicos, até bater na porta do Menescal, que o desembargador Elton Leme havia me apresentado”, lembra. A partir daí, começou a sua parceria com esse grande nome da Bossa Nova, resultando em encontros mensais e na criação de várias músicas. “A vida nos aproximou, para a minha sorte”, comemora.

Já Márcio Quintes respira música desde a infância, por influência dos pais que ouviam muita MPB. Até que, aos 12 anos, escutou seus vizinhos ensaiando jazz e se apaixonou. E por que o sax? “Um dia, ouvi um amigo tocando esse instrumento e decidi que era isso o que queria aprender. Comecei a ter aulas e não larguei mais. Até hoje me reúno para fazer um som com os amigos”, conta ele, que também toca na noite, incluindo outros estilos, como o rock. E, agora, também cedeu lugar para a Bossa Nova, a convite do Wagner. “Ele tem esse coração agregador que consegue juntar todo mundo para fazer um som legal”, comenta.


No caso de José Acir, a paixão pela música vem de berço. “Minha mãe era cantora de opereta. E eu e meus irmãos seguimos para a música, cada um tocando um instrumento. Comecei com o violão, até que conheci uma turma muito boa do choro, e aquilo me inspirou. Inicialmente, parti para o cavaquinho e depois fui para o bandolim”. Até hoje ele toca chorinho por aí e brinca ao falar sobre o instrumento: “Parece que é uma parte do meu braço”.


Ao contrário dos dois colegas, não havia musicistas na família de Carlos Saraiva. Até que, um dia, ele escutou uma música e a sonoridade do baixo chamou a atenção dele. “A percepção veio de imediato. Mas tive que começar do zero”, lembra o juiz. Para isso, contou com grandes mestres: “Tive a honra de ser aluno do John Patitucci, em Nova York, e, no Rio, de Nico Assumpção. São dois ídolos que acrescentaram muito ao meu conhecimento”.

Para finalizar, chegamos ao baterista Adillar: “Eu me apaixonei por bateria nos anos 80, quando alguns amigos começaram a tocar rock. E, no primeiro Rock in Rio, assisti à banda Whitesnake e percebi que estava num caminho sem volta”. Mas vai ter roqueiro tocando Bossa Nova? “Essa foi uma encrenca que o Wagner me colocou, vamos ver no que dá. Mas vai ser muito bom, né? É uma experiência única”. E realmente foi, como você pode conferir em nosso vídeo. Sucesso, colegas queridos!

 

Sergio Maciel é vice-presidente da Revista Manchete, bacharel em direito, especializado em relações institucionais e governamentais

 

 

NESTA EDIÇÃO, ACOMPANHAMOS ROGÉRIO TOBIAS E VANESSA REIS DURANTE A TRAVESSIA A NADO DA PRAIA VERMELHA À URCA. A PAIXÃO PELA NATAÇÃO NO MAR UNE AINDA MAIS ESSE CASAL.

Ele é de Goiânia (GO). Ela, de Volta Redonda (RJ). Nenhum dos dois cresceu perto do mar. Mas, quando adultos, a paixão pela natação nas águas salgadas nasceu para ambos. E também nasceu o amor entre eles, que já dura 28 anos e rendeu dois frutos: as filhas Mirela e Beatriz. É em meio às braçadas que o desembargador federal Rogério Tobias e a procuradora estadual Vanessa Reis encontram refrigério quando estão longe dos tribunais.
Para Vanessa, a natação começou ainda na infância, na piscina do Clube dos Funcionários de Volta Redonda. Mais tarde, quando ela foi fazer faculdade na Universidade Federal Fluminense (UFF), é que iniciou a prática no mar de Niterói. Até hoje, a procuradora alterna treinos entre a piscina e o mar. “Mas, atualmente, sou mais do mar”, conta Vanessa, que faz parte do Time TX, que nada no mar aberto de Copacabana, na altura do Posto 6.
Já para Rogério, o esporte é mais recente, embora também tenha iniciado no mar de Niterói. “Eu comecei na praia de Camboinhas, em 2015. Antes disso, já sabia nadar, mas sem muita técnica”, revela. Agora, ele treina de duas a três vezes por semana na Equipe Toscano, também no Posto 6. Ao contrário da esposa, a água com cloro deixou de fazer parte de sua vida: “Eu já nadei em piscina, mas gosto mesmo é do mar”.

Nadar como forma de superação

Sergio Maciel recebeu, na Praia Vermelha, Rogério e Vanessa, que, longe dos tribunais, amam nadar no mar

Entregar o corpo ao balanço da água sempre foi uma válvula de escape para Vanessa, desde quando era estudante. “Quando eu fazia faculdade, a vida era muito difícil. Tinha dois estágios para me manter e nadava à noite em um clube. Depois, enquanto estudava para concurso público, minha única distração também era a natação”, lembra. A procuradora conta que, quando era professora de Direito Administrativo da Universidade Gama Filho, pegava ônibus de madrugada em Niterói para Piedade, depois estudava o restante do dia e ainda encontrava tempo para nadar. “Mesmo quando quebrei o tornozelo e fiquei mais de três meses sem andar, nadava todo dia. Por isso, natação é sinônimo de superação para mim”, emociona-se.
Rogério, por sua vez, entra numa verdadeira simbiose quando está dentro da água salgada. “Quando nado no mar, tento fazer parte dele. É uma espécie de meditação. Nadar no mar é mais do que uma atividade física. É uma interação total com a natureza, ficando imerso nela. Me dá saúde e sanidade para enfrentar a rotina estressante do dia a dia”, revela.

Percurso cumprido com sucesso

Nós, da Revista Manchete, decidimos vivenciar de perto a cumplicidade que existe na vida desse casal, tanto em suas trajetórias de excelência no serviço público quanto na paixão pelo mar. Para isso, convidamos os dois para fazerem a travessia entre a Praia Vermelha e o flutuante da Urca. E o desafio foi aceito! Num domingo bem cedo, Rogério e Vanessa colocaram a touca e os óculos de natação e caíram no mar da Baía da Guanabara, tendo o Pão de Açúcar como testemunha de suas braçadas.

O desembargador curtiu a experiência: “Além de ser um desafio, é um privilégio nadar num cartão postal do Rio de Janeiro”. Porém, adverte: “Mas é preciso sempre ter uma preocupação ao entrar no mar, tem que respeitar”. Na altura da praia dos militares, a água começou a bater um pouco. “Nessa hora, tive que respirar só de um lado. Mas a gente se coloca no estado de cruzeiro, não força muito e acaba chegando, devagar e sempre”, comenta o magistrado.

E qual é a receita de Vanessa para superar o mar mexido? “A receita é o apoio dos amigos, do meu marido e dessa equipe maravilhosa. É estar sempre junto, igual um cardume. É como na vida: a gente tem que estar sempre junto dos bons”, ensina a procuradora, satisfeita diante de mais uma missão cumprida.

 

 

 

Sergio Maciel é vice-presidente da Revista Manchete, bacharel em direito, especializado em relações institucionais e governamentais.

O PRAZER PELA ESTRADA

Fora dos tribunais e dos gabinetes, como os magistrados gostam de aproveitar o tempo livre? Nesta coluna, você vai descobrir os diferentes hobbies, hábitos culturais e atividades de lazer que fazem parte da rotina e da personalidade de quem está por trás da toga.

Os magistrados motociclistas fazem uma parada no Mirante do Soberbo, com vista para o pico Dedo de Deus.

Era sábado e, em frente ao Tribunal de Justiça de Niterói, chegavam desembargadores e juízes, mas não se tratava de um plantão judiciário, nem tampouco eles vestiam ternos. O traje escolhido? Jaqueta com emblema da Revista Manchete, calça e capacete. Todos devidamente paramentados para uma pequena viagem pelas curvas da serra.

O desembargador do TJRJ Marcos Alcino – para mim, o Marcão – me ajudou a reunir amigos motociclistas de fim de semana. Juntaram-se a nós para essa aventura os desembargadores Celso Silva Filho e André Cidra, e o juiz Maurílio Teixeira de Mello. Longe dos tribunais, o clima era de descontração, celebração da amizade e a expectativa de comer uma feijoada feita por mim em Teresópolis. O feijão já estava de molho nos aguardando. Os magistrados motociclistas seguiram pela BR-116/RJ até o Alto do Soberbo, ponto turístico e parada obrigatória para admirar a Serra dos Órgãos e o Dedo de Deus. Lá, compramos a famosa cocada da região, de vários sabores, e levamos para a sobremesa.

Abaixo, o colunista Sergio Maciel entre o desembargador do TJRJ, Marcos Alcino, e o juiz Maurílio de Mello

Após duas horas de viagem, chegamos a Teresópolis para saborear a “feijoada do professor Sérgio”, como a chamam. A paisagem deslumbrante e a temperatura amena eram um convite para relaxar. Evitamos falar da rotina pesada de trabalho dos magistrados, especialmente diante do exercício cumulativo de competências e atribuições. Nosso papo seguiu pelo tema das habilidades esportivas. O juiz Maurílio de Mello, que foi delegado de polícia por seis anos e julgou diversos casos de repercussão criminal e política, contou como preserva sua saúde física e mental.

“Como válvula de escape, prezo pela manutenção de tempo para convivência familiar e com amigos. E ainda pela prática de esportes e atividades de lazer, como natação, surfe, futebol e motociclismo, além de uma rotina alimentar saudável”, disse o juiz, que se despediu propondo uma edição do ‘Além da Toga’ com magistrados surfistas. “Pode escolher a praia que eu vou”, concluiu.

“Lembramos que o Celso, além de ser craque no futebol, também foi o nosso maior incentivador com as motocicletas. Ele queria subir a serra para comer um pastel e tomar um café, até que acabávamos em uma cachoeira, tomando banho de rio. Aí, a gente entendeu que era muito mais do que viajar duas horas para comer algo, era o passeio juntos.”

Marcos Alcino, desembargador

 

Sergio Maciel é vice-presidente da Revista Manchete, bacharel em direito, especializado em relações institucionais e governamentais.