Qualistage
O PALCO QUE FEZ
(E AINDA FAZ) HISTÓRIA
MUITO ANTES DE A BARRA DA TIJUCA SE CONSOLIDAR COMO POLO DE ENTRETENIMENTO, UM PROJETO OUSADO MUDOU O CENÁRIO DOS GRANDES ESPETÁCULOS NO RIO DE JANEIRO. TRÊS DÉCADAS DEPOIS, A CASA SEGUE REINVENTANDO SUA HISTÓRIA, REUNINDO NÃO SÓ ÍDOLOS E SEUS FÃS, MAS TAMBÉM EVENTOS QUE AGITAM O MUNDO CORPORATIVO.

O Canecão era um boliche, que virou choperia, até se tornar casa de shows. Em São Paulo, o Palace era uma loja, e o Olimpia, um antigo cinema. Ou seja, todos esses estabelecimentos precisaram ser adaptados para receber artistas. Foi apenas em 1994 que surgiu o primeiro empreendimento 100% voltado para espetáculos de médio e grande portes do Brasil, projetado originalmente dentro de um novo shopping que nascia na Barra, o Via Parque. No dia 2 de setembro daquele ano, o então chamado Metropolitan abriu suas portas com um show icônico, da cantora americana Diana Ross. E logo se consagrou como uma marca do show business internacional e nacional.
Quem nos conta essa história é o empresário Bernardo Amaral, que, na época com pouco mais de 20 anos, ficou à frente de todo esse processo junto a seu pai, Ricardo Amaral, e hoje se mantém como sócio-diretor do agora chamado Qualistage. “Na época, foi um grande sucesso, porque estávamos vivendo o Plano Real e o dólar estava um para um. Então, teve uma enxurrada de shows internacionais. E para o Rio de Janeiro, que sempre foi o protagonista da cultura, ter uma casa como essa foi muito importante”, lembra Bernardo. O sucesso da novidade foi galopante. Nos dois primeiros anos, o palco da casa chegou a receber cerca de 22 shows por mês – no mínimo, 15 a cada 30 dias –, abrigando até 12.500 pessoas na pista livre. E vale reforçar que tudo isso aconteceu numa parte da Barra da Tijuca que, nos anos 90 – antes da criação da Linha Amarela e de vários novos condomínios –, ainda era considerada longínqua.

A distância, contudo, não foi impedimento para o crescimento da casa. E, no início dos anos 2000, com a entrada das naming rights, o Metropolitan foi cedendo o seu nome. Primeiro, para ATL Hall, depois para Claro Hall, Citibank Hall e Km de Vantagens Hall. Com a pandemia, as portas se fecharam temporariamente. E, em janeiro de 2022, o empreendimento voltou com força total, agora com o naming rights adquirido pela operadora de planos de saúde Qualicorp. Nascia, assim, o Qualistage, mas como um diferencial: um local multiuso. “Voltamos com uma nova atmosfera, como uma casa de espetáculos e eventos. Além dos grandes artistas, tem muita coisa que as pessoas não enxergam, como eventos corporativos, religiosos e imobiliários, e também formaturas. Só no ano passado, fizemos 18 formaturas”, explica Bernardo, reforçando que o espaço agora está mais moderno, com áreas diversificadas, suítes, camarotes e uma nova estrutura de gastronomia.
32 ANOS DE SUCESSO

Hoje, quando subimos a rampa para entrar no Qualistage, já vamos curtindo toda a sua trajetória com grandes artistas, desde 1994, apresentada numa galeria de fotos. E são histórias que marcaram a nossa cultura. Por exemplo, tem Ivete Sangalo em seu primeiro show solo pós-Banda Eva, as turnês lotadas do rei Roberto Carlos – com as 4.200 cadeiras sempre preenchidas – e as 24 apresentações com ingressos esgotados de Jô Soares, com Um Gordo em Concerto (num palco todo preto, com cadeira preta, e somente ele de branco). Também encontramos registros dos grandes nomes brasileiros, como Zezé di Camargo & Luciano, Cássia Eller, Barão Vermelho, Titãs, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia, além dos internacionais Lou Reed, Ramones, Plácido Domingo, Luciano Pavarotti, José Carreras, Taylor Swift, Coldplay, Green Day, Iron Maiden e Ozzy Osbourne. “Coisas que você nem imaginaria. Tomo mundo lembra dos sucessos. E hoje o Qualistage segue cheio”, comemora Bernardo.
Todas essas histórias viraram livro, lançado dois anos atrás – 30 anos: Do Metropolitan ao Qualistage.
Essa obra fotográfica documental de 200 páginas, com textos de Bernardo Araújo, é o resultado da curadoria de Marcos Hermes em cima de mais de 54 caixas com negativos – da época da fotografia analógica – guardadas pelo sócio-diretor da casa de espetáculos. “Eram mais de 7 mil negativos, aproximadamente. Marcos começou a digitalizar o que ele achava de mais interessante. Foi uma baita seleção. Acredito que ele tenha digitalizado umas 700 fotos, e no livro deve ter umas 200”, revela Bernardo Amaral. E com certeza, nos próximos anos, muitos novos registros virão desta casa que faz toda a diferença na Cidade Maravilhosa.
Pedro Guimarães é diretor-presidente da Apresenta – Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento e Afins. Foi secretário de Turismo da prefeitura e subsecretário de Esportes e Eventos do estado do Rio de Janeiro. Foi CEO da Marina da Glória e é empresário de diversos segmentos






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No coração da Zona Sul, entre o verde da Gávea e o espelho d’água da Lagoa, a Arena Jockey se consolidou como um dos espaços mais vibrantes do entretenimento brasileiro. Criado pelo empresário e produtor Simon Fuller, o projeto nasceu do desejo de devolver ao Rio um espaço de shows à altura de sua história musical.


Mas, com o sucesso crescente, foi necessário um espaço mais amplo, e já faz quatro anos que o evento se instalou de vez na área central do Jockey. Ao longo de 12 dias do mês de agosto, passaram por lá de 10 a 12 mil pessoas diariamente, totalizando 130 mil visitantes. “Batemos o nosso recorde de público”, comemora Leonardo André, diretor de projetos da Editora Globo – vale lembrar que o Rio Gastronomia é uma realização do Grupo Globo, com o incentivo do Ministério da Cultura.
Contando com um pano de fundo belíssimo, que é o visual emblemático das montanhas da Cidade Maravilhosa, o Rio Gastronomia reuniu 34 restaurantes – incluindo grandes chefs e estabelecimentos premiados, como Rufino, Lasai, Babbo Osteria, Absurda Confeitaria, San e Katz-sü –, 10 produtores de cachaças regionais e 20 produtores de queijos, geleias e azeites do interior do estado. Por seus estandes, passou gente de todas as idades. “Esse é um evento que leva famílias. Tinha muito carrinho de bebê, muita criança correndo… É uma arena bastante propensa para as pessoas interagirem”, comenta o diretor de projetos.

Com toda a certeza, esse grande evento esportivo movimenta muito a cidade. O reflexo se viu nos hotéis, restaurantes e pontos turísticos lotados. Isso, claro, traz um impacto econômico muito positivo ao Rio. Na edição anterior, a economia local foi impulsionada em R$ 355 milhões e houve a geração de 2,8 mil empregos diretos e indiretos, segundo o Instituto Fecomércio de Pesquisa. Até o fechamento desta edição, ainda não havia dados atualizados, mas a expectativa era de um número ainda maior, já que a quantidade de inscritos também foi superior a 2024. “Isso é incrível, não é mesmo? Como o nosso palco é a própria cidade, ela também se beneficia muito”, comemora Duda.E, nesse aspecto, o empresário enaltece ainda mais a Maratona: “O Rio de Janeiro não é uma cidade qualquer para se correr. É ‘a’ cidade! Não tem melhor lugar no mundo para se fazer a prova tendo esse pano de fundo constante. Em qualquer quilômetro que você esteja, vislumbra e contempla um ponto turístico, uma paisagem”. Duda está falando dos cartões postais ao longo do trajeto, como as praias do Leblon, de Ipanema, de Copacabana, de Botafogo e do Flamengo, além do visual do Corcovado e Pão de Açúcar. Até o Centro histórico da cidade conquista os atletas-turistas, que podem ver pelo caminho ícones da arquitetura carioca, como a igreja da Candelária, o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Museu de Arte do Rio (MAR). O bombeiro militar Anderson Perez, do Rio Grande do Sul, que o diga: “Aqui a gente corre feliz, curtindo realmente as paisagens. E ainda tem essa vibe da galera, que puxa a gente a seguir firme e tentar fazer sempre o nosso melhor”.

E é possível dar spoiler do que vem por aí? Sim! O empresário está se referindo à ampliação, ainda mais, desse evento esportivo. “Tivemos uma demanda muito grande este ano. Havia mais de 400 mil pessoas de todo o mundo na fila para comprar ingressos”, comenta. João explica que esse número é até pequeno, em comparação, por exemplo, à Maratona de Londres, em que mais de 1 milhão de pessoas tentam garantir sua vaga para correr.
“A nossa visão de futuro é transformar a Maratona do Rio em parte do Circuito Mundial de Majors. Existe a World Marathon Major, que é uma organização privada composta pelos organizadores de um seleto grupo de provas, que acontecem em Nova York, Chicago, Boston, Londres, Berlim, Tóquio e Sidney, e Cape Town e Xangai estão em processo de certificação para entrar. O nosso desejo é que essa organização crie uma décima vaga e que a América Latina seja representada por nós.”
“Foi o hub do evento, com tudo 100% gratuito. A Marina da Glória, com o Pão de Açúcar atrás, é a imagem do Rio que queremos passar para o mundo.”















