CIÊNCIA QUE TRANSFORMA O CAMPO

Celebrar os 50 anos da Pesagro-Rio é, acima de tudo, reconhecer o papel estratégico da ciência na transformação do agro fluminense. Esta edição especial da Revista Manchete Agro nasce com esse propósito: contar uma história de mudança, construída ao longo de décadas por pesquisadores, técnicos, produtores e gestores públicos comprometidos com o desenvolvimento sustentável do estado do Rio de Janeiro.


O agro que temos hoje é resultado de uma virada profunda. Saímos de um modelo extensivo e predatório para um sistema cada vez mais orientado pela inovação, pela sustentabilidade ambiental, inclusão social e valorização do pequeno e médio produtor rural. Essa transformação não ocorreu por acaso. Ela foi impulsionada pela pesquisa aplicada, pela transferência de tecnologia e por políticas públicas baseadas em evidências, campos nos quais a Pesagro-Rio tem atuação decisiva desde sua criação.

Ao longo destas páginas, você encontrará não apenas a linha do tempo de uma instituição, mas o retrato de um agro que passou a alimentar com mais qualidade, a recuperar áreas degradadas, a gerar renda no campo e a aproximar pessoas, promovendo inclusão, formação e cidadania. Projetos como os voltados aos bioinsumos, à agroecologia, à capacitação de jovens e à agricultura social mostram que ciência e sensibilidade social caminham juntas.
Esta revista também aponta para o futuro. Um futuro que exige respostas científicas às mudanças climáticas, investimentos em tecnologia de ponta, inteligência artificial, modernização de laboratórios e, sobretudo, compromisso com as pessoas que vivem e produzem no campo.

A Pesagro-Rio chega aos seus 50 anos como um dos maiores patrimônios científicos do estado. Que esta edição seja, ao mesmo tempo, memória, reconhecimento e inspiração para os próximos capítulos dessa história.

A CIÊNCIA MUDOU O RUMO DO

AGRO DO RIO

O ANO DE 2026 MARCA A CHEGADA DA QUINTA DÉCADA DE EXISTÊNCIA DA PESAGRO-RIO, INSTITUIÇÃO QUE FOI CRIADA PARA AUXILIAR NO DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. DE 1976 ATÉ HOJE, OS AVANÇOS CIENTÍFICOS APLICADOS AO CAMPO NÃO PARAM DE CRESCER. NAS PÁGINAS A SEGUIR, ACOMPANHE ESSA EVOLUÇÃO, ANO APÓS ANO.

A transformação do agro fluminense tem raízes profundas na trajetória de uma instituição pública que completou 50 anos neste ano. A história da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio) – se confunde com a própria consolidação das ciências agrárias no Brasil. No início do século XX, a pesquisa agropecuária no estado encontrou solo fértil com a criação da Estação Experimental de Campos, marco pioneiro da ciência aplicada ao campo. Integradas à estrutura nacional de pesquisa a partir de 1973, as iniciativas ali desenvolvidas lançaram as bases científicas que moldaram o agro fluminense e culminaram na criação da Pesagro-Rio.

RAÍZES DAS PESQUISAS NO CAMPO FLUMINENSE

 

 

1910 – Criação da Estação Experimental de Cana-de-Açúcar, em Campos dos Goytacazes, marco inicial da pesquisa agropecuária científica no estado do Rio de Janeiro.
1913 – Inauguração oficial da Estação Experimental de Campos, consolidando a unidade como referência nacional no desenvolvimento científico voltado à agricultura.
Décadas de 1940–1960 – Desenvolvimento das variedades de cana-de-açúcar do grupo CB (Campos-Brasil), amplamente difundidas no Brasil e no exterior.
1973 – Integração das unidades de pesquisa do estado à estrutura nacional de pesquisa agropecuária com a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Anos 1970

1975
Convênio entre União, estado do Rio de Janeiro e Embrapa estabelece o Programa Integrado de Pesquisa Agropecuária e cria as bases para a empresa estadual de pesquisa.

1976
Criação oficial da Pesagro-Rio como empresa estadual responsável por coordenar o sistema de pesquisa agropecuária fluminense.

1977
Implantação dos primeiros programas estruturados de pesquisa em culturas alimentares (arroz, feijão e milho) e pecuária.

EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO DA PESQUISA AGROPECUÁRIA

Ao longo da década de 1980, a pesquisa agropecuária fluminense avançou para além dos grandes centros e passou a ocupar, de forma estruturada, o interior do estado. Foi um período marcado pela interiorização da ciência e pela criação de novas estações experimentais. A Pesagro-Rio consolidou sua presença em diferentes regiões, levando conhecimento aplicado a culturas estratégicas, como frutas, grãos e alimentos básicos, ao mesmo tempo que diversificava suas linhas de pesquisa. Esse movimento fortaleceu cadeias produtivas locais, impulsionou a agricultura familiar e ampliou o impacto da ciência no desenvolvimento regional.

Anos 1970

1979
Inauguração da Estação Experimental de Macaé, com foco em fruticultura tropical (abacaxi, banana e citros).

O Laboratório de Biologia Animal, da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, é incorporado à Pesagro-Rio, com nova e moderna sede, dentro do mesmo Jardim Botânico, idealizada e construída pelo Dr. Geraldo Manhães Carneiro, passando a ser denominado Laboratório de Biologia Animal.

1980
Início dos estudos sobre a produção de soja no Centro Estadual de Pesquisa em Agroenergia e Aproveitamento de Resíduos, em Campos, o que impactou diretamente a crescente produção do grão no estado, culminado com a safra recorde em 2025.

1981
Recomendação dos primeiros materiais de feijão desenvolvidos pela Pesagro-Rio para cultivo extensivo no Norte Fluminense. O lançamento da cultivar BR 1 – Xodó mudou a economia da cadeia produtiva do feijão e passou a ser cultivada em maior escala nas décadas seguintes.

1984
Consolidação de tecnologias de manejo da bananicultura, elevando a produtividade e regularidade da produção.

1988
Criação da Estação Experimental de Nova Friburgo, primeira da América Latina dedicada à pesquisa em agricultura orgânica.

INOVAÇÃO A SERVIÇO DA PRODUÇÃO RURAL

Com a chegada dos anos 1990, a pesquisa agropecuária fluminense entrou em uma nova fase, marcada pela incorporação de tecnologias, inovação científica e soluções práticas voltadas ao aumento da produtividade com responsabilidade ambiental. A Pesagro-Rio ampliou sua atuação no desenvolvimento de mudas, no controle de qualidade dos alimentos e na criação de tecnologias acessíveis ao produtor rural. Foi um período em que a ciência passou a dialogar de forma ainda mais direta com o cotidiano do campo, transformando conhecimento em resultados concretos, fortalecendo a agricultura familiar e preparando o agro fluminense para os desafios de um novo século.

Anos 1990

1990
Expansão da produção de mudas de hortaliças e cítricos para atendimento direto a pequenos produtores do Norte e Noroeste Fluminense.

1992
Criação do Centro Estadual de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA).

1993
Concessão de patente (Privilégio de Inovação) para o uso da urina de vaca como fertilizante, defensivo natural e estimulante vegetal, trabalho desenvolvido pelo pesquisador Ricardo Gadelha.

1998
Produção e distribuição mensal de cerca de 100 mil mudas de hortaliças, fortalecendo a agricultura familiar no estado.

Anos 2000
2000
Desenvolvimento de pesquisas aplicadas à cadeia produtiva da cachaça artesanal fluminense, com foco em fermentação, destilação e envelhecimento.

2004
Intensificação de pesquisas em sustentabilidade, recuperação produtiva de áreas degradadas com Florestas Sustentáveis (Sistemas Agroflorestais) e culturas voltadas à agroenergia.

2009
Implantação do Programa Rio Genética que tinha como objetivo viabilizar animais de alto valor genético a pequenos e médios produtores, melhorando a genética individual e do rebanho, garantindo alta produção de leite.

O FUTURO DO AGRO FLUMINENSE SE CONSTRÓI HOJE

De 2020 para cá, novos programas foram implementados, levando ainda mais tecnologia ao campo. E isso é só o prenúncio de muitos avanços que estão por vir: “O futuro da empresa está ancorado na ciência, na inovação e na capacidade de responder aos grandes desafios do nosso tempo. Estamos investindo na modernização dos laboratórios, na incorporação de equipamentos de ponta e na aplicação de inteligência artificial ao agro, ampliando a qualidade das pesquisas e a eficiência das soluções entregues ao campo. Mais do que acompanhar as transformações, a Pesagro-Rio se prepara para liderar uma resposta científica consistente às mudanças climáticas, garantindo sustentabilidade, produtividade e segurança para o agro fluminense nas próximas décadas”, garante Paulo Renato Marques, presidente da Pesagro-Rio.

Anos 2010
2010
Com a reestruturação e modernização da empresa, as Estações Experimentais passam a funcionar como Centros de Pesquisa.

2013
Comemoração dos 20 anos da Fazendinha Agroecológica Km 47, em Seropédica, uma referência nacional em agroecologia. A Fazendinha é resultado da parceria entre a Embrapa Agrobiologia, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e a Pesagro-Rio.

2014
Reorientação estratégica das pesquisas da Pesagro-Rio para alinhamento às políticas públicas de sustentabilidade e agricultura de base ecológica. A empresa passa a atuar na implantação de feiras de produtos orgânicos.

2016
Marco dos 40 anos da Pesagro-Rio, com consolidação institucional e científica da empresa.

Anos 2020
2020
Implantação do Programa CapacitaAgro, voltado à pesquisa aplicada e à transferência de tecnologia ao pequeno produtor.

2023
Lançamento do Programa Inova Pesagro-Rio, estruturando pesquisas em bioinsumos, sanidade e agroecologia.

2024
Modernização do Centro de Pesquisa em Qualidade de Alimentos (CEPQA) e aquisição do superequipamento de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência, o HPLC.

2025
Construção e modernização dos Laboratórios de Café, Solos e Uva.

Criação do Projeto AprendizAgro, direcionado à formação técnica
de jovens do campo.

Implantação do Projeto Agricultura Social, integrando ciência, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial.

QUEIJOS VALENÇA É BERÇO DE PREMIADOS

Durante muito tempo, o estado do Rio de Janeiro esteve fora do circuito nacional e internacional dos grandes queijos artesanais. Mas esse cenário vem mudando, e a região de Valença, no Centro-Sul Fluminense, desponta como um dos principais símbolos dessa transformação. Condições naturais favoráveis, tradição produtiva, assistência técnica e investimento em qualidade explicam por que os queijos locais vêm conquistando reconhecimento em concursos de alto prestígio no Brasil e no exterior.

O clima ameno, a boa disponibilidade hídrica e as pastagens adequadas criam um ambiente propício para a produção leiteira de qualidade. A isso se soma o manejo cuidadoso dos rebanhos, a atenção à alimentação animal e a adoção de boas práticas sanitárias e de maturação. De acordo com a pesquisadora em Qualidade de Alimentos da Pesagro-Rio, Eliane Rodrigues, “para fazer um queijo de boa qualidade e atendendo aos critérios da nossa legislação, é fundamental a higiene e a sanidade estarem presentes”. Valença reúne, ainda, um ecossistema de apoio formado por instituições de pesquisa, extensão rural e capacitação, que contribuíram para a profissionalização da cadeia do leite e derivados.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse avanço é o Caprinus do Lago, queijo de leite de cabra produzido pelo Capril do Lago, que alcançou reconhecimento internacional ao conquistar a medalha Super Gold no World Cheese Contest, na França, uma das mais importantes competições do setor. O produto se destaca pelo rigor técnico, pela maturação cuidadosa e pela valorização das características sensoriais do leite caprino, colocando o queijo fluminense entre os poucos não europeus a alcançar essa distinção em disputas globais.
Outro destaque da região é o Neblina, da Queijaria Vale do Vento. Maturado por cerca de três meses, o queijo conquistou medalha de bronze no World Cheese Awards, competição que reúne milhares de produtos de dezenas de países. O Neblina simboliza a nova geração de queijos artesanais fluminenses, aliando identidade territorial, sustentabilidade e técnica apurada.
Essas premiações funcionam como selo de credibilidade, ampliam o acesso a novos mercados e agregam valor à produção local. O queijo artesanal passa a ser um vetor de desenvolvimento econômico, fortalecendo a agricultura familiar, gerando renda, estimulando o turismo rural e incentivando a permanência de jovens no campo. Valença, assim, se consolida como referência na produção de queijos artesanais no Rio de Janeiro. O desafio agora é ampliar a escala com qualidade, fortalecer a regularização sanitária e expandir a presença desses produtos em mercados especializados, no Brasil e no exterior.

ASPAS 01:
“PARA FAZER UM QUEIJO DE BOA QUALIDADE E ATENDENDO AOS CRITÉRIOS DA NOSSA LEGISLAÇÃO, É FUNDAMENTAL A HIGIENE E A SANIDADE ESTAREM PRESENTES.”
Eliane Rodrigues, pesquisadora da Pesagro-Rio

LEGENDA 01:
Acima, Isadora Malafaia e Lucas Machado, da Queijaria Vale do Vento

CINTURÃO VERDE HORTALIÇAS QUE ALIMENTAM O RIO

A Região Serrana do Rio de Janeiro abriga um dos mais importantes polos agrícolas do estado. O chamado Cinturão Verde, que se estende entre Nova Friburgo e Teresópolis, abrangendo 16 municípios, responde por grande parte do abastecimento de hortaliças consumidas no território fluminense, exercendo papel estratégico na segurança alimentar e na economia local.

Com altitudes médias de 800 metros e clima ameno, a região reúne condições ideais para o cultivo de hortaliças folhosas, frutos e raízes. A produção é majoritariamente familiar: cerca de 24 mil produtores atuam em pequenas propriedades. Em 2021, eles forneceram cerca de 148 milhões de toneladas de alimentos à Ceasa-RJ, consolidando sua relevância no cenário agrícola do estado.

Pesquisa, inovação tecnológica e apoio técnico aos agricultores são pilares desse desempenho. O Centro Estadual de Pesquisa em Horticultura (CEPH), da Pesagro-Rio, em Nova Friburgo, desenvolve ações voltadas à sustentabilidade e à melhoria da produção. “Dispomos de laboratório de análise do solo e conduzimos pesquisas para reduzir metais pesados em culturas, como brócolis e couve-flor, além de estudos em controle microbiológico e uso de bactérias promotoras de crescimento”, explica Hugo Zóffoli, chefe do CEPH.

Essas iniciativas ganharam ainda mais importância após as enchentes de 2011, que afetaram a produção local. “No âmbito do programa CapacitAgro, realizamos pesquisas para identificar os principais problemas socioambientais enfrentados pelos produtores e subsidiar políticas públicas para a região”, destaca Zóffoli.

No campo do Cinturão Verde, o protagonismo é do pequeno agricultor. João Victor Nascimento, do Sítio Bom Retiro, representa essa realidade. “Sou filho de produtores rurais e sempre vivi no campo. Hoje, cultivo abobrinha e outras hortaliças, acompanhando a demanda por alimentos frescos e de qualidade”, conta. Para ele, o trabalho vai além da produção: “A agricultura proporciona qualidade de vida e uma sensação gratificante ao colher cada lavoura”.

Para a Pesagro-Rio, o futuro da região passa pela transição para práticas mais seguras e sustentáveis. “A única cadeia produtiva em que o Rio é autossuficiente são as hortaliças. Precisamos garantir essa produção com menos agroquímicos, mais controle biológico de pragas e proteção do solo e das nascentes, garantindo alimento seguro para a população e saúde para quem produz”, sintetiza Raquel Muller, coordenadora de pesquisa da instituição.

 

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS PRODUTOS E TERRITÓRIOS VALORIZADOS

O Rio de Janeiro avança no reconhecimento e na valorização de produtos que carregam identidade, tradição e vínculo direto com seus territórios. E isso é feito com as Indicações Geográficas (IGs), instrumento que fortalece economias locais, preserva saberes produtivos e agrega valor aos alimentos e matérias-primas fluminenses.


Concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), as IGs certificam produtos cuja reputação, qualidade ou características estão associadas à sua origem geográfica. No Brasil, o reconhecimento ocorre em duas categorias: Indicação de Procedência, que destaca a notoriedade da região produtora, e Denominação de Origem, quando fatores naturais e humanos influenciam diretamente a qualidade do produto.
No estado do Rio, cinco produtos já possuem IG reconhecida: a laranja de Tanguá, a cachaça de Paraty e três pedras ornamentais do Noroeste Fluminense. Juntos, eles representam a diversidade produtiva fluminense, unindo agricultura, tradição artesanal e recursos naturais singulares.

 

A laranja de Tanguá ganhou destaque nacional pelo sabor adocicado e baixa acidez, atributos ligados ao solo e ao clima locais. A cachaça de Paraty conquistou a Denominação de Origem por suas práticas artesanais, pelo cultivo manual da cana e pelas características ambientais da região. “Quando o consumidor compra a cachaça com o selo de IG, tem a certeza de estar adquirindo um produto com origem controlada e qualidade garantida”, afirma Eduardo Mello, presidente da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Paraty (Apacap). Já as pedras carijó, madeira e cinza foram pioneiras ao receber a Denominação de Origem, protegendo legalmente a extração e ampliando o valor agregado desses materiais no mercado da construção civil e do design.

O mapa das IGs no estado do Rio vai crescer em breve. No Norte Fluminense, o abacaxi e a farinha de mandioca estão em fase final de reconhecimento. Para o presidente da Associação de Produtores de Abacaxi do Norte Fluminense (Apra-Rio), Heraldo Meireles Pessanha, a certificação representa uma virada para o setor. “O abacaxi leva cerca de 18 meses para ser colhido. A IG ajuda a mostrar esse esforço, valoriza o produtor e abre novas possibilidades de comercialização”, explica. E, recentemente, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou a criação da Denominação de Origem “Serra do Rio”, que irá certificar vinhos produzidos com uvas cultivadas e processadas em Teresópolis e Areal. Mais produtos de qualidade reconhecida em nosso agro fluminense.

O MAPA DAS IGS NO ESTADO

Neste mapa, conheça a distribuição das Indicações Geográficas no estado do Rio de Janeiro. Em destaque, estão os municípios e as regiões que já possuem produtos certificados por sua origem, qualidade e tradição, como frutas, bebidas e rochas ornamentais, além daqueles que avançam no processo de reconhecimento oficial.

PARATY – Cachaça
TANGUÁ – Laranjas
QUISSAMÃ, CAMPOS DOS GOYTACAZES E SÃO JOÃO DA BARRA – Abacaxis
TERESÓPOLIS E AREAL – Vinhos
SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA – Farinha de mandioca
PORCIÚNCULA, MIRACEMA E SANTO ANTONIO DE PÁDUA -Pedra carijó, pedra madeira e pedra cinza

As IGs certificam produtos cuja reputação, qualidade ou características estão associadas à sua origem geográfica.

SOJA
DESTAQUE NO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE

O cultivo da soja vem se consolidando como uma nova fronteira agrícola no Norte Fluminense, impulsionado por tecnologia, pesquisa científica e logística favorável. Municípios como Macaé e Campos dos Goytacazes passaram a ganhar destaque com safras expressivas, resultado de estudos de viabilidade iniciados há décadas e retomados nos últimos anos. A proximidade com o Porto do Açu tem sido decisiva para a competitividade do produto, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso ao mercado externo. Por exemplo, a Primus Ipanema Agropecuária, de Macaé, exportou pela primeira vez 1.350 toneladas de soja, enquanto a última safra da Fazenda Santa Cruz, em Campos, registrou uma produção de 3 mil toneladas.
A trajetória da soja no estado começou ainda nos anos 1980, quando pesquisas conduzidas pela Pesagro-Rio apontaram o potencial do Norte e do Noroeste Fluminense para o cultivo do grão. Esses estudos foram retomados recentemente, com a participação de instituições como Embrapa e UFRRJ, e confirmaram a elevada produtividade da região, acima da média nacional.
Segundo o agrônomo e pesquisador da Pesagro-Rio Benedito Fernandes, a mudança no cenário logístico e de mercado foi determinante para o cultivo. “Quando retomamos os estudos, o contexto era outro. Havia o Porto do Açu e uma demanda crescente por subprodutos da soja. As pesquisas confirmaram que o Norte e o Noroeste Fluminense são regiões altamente favoráveis à cultura”, explica.
Além da logística, o uso de tecnologias agrícolas modernas tem sido um diferencial. Na Primus Ipanema, o plantio ocorre em áreas planejadas, com rotação de culturas, e a produção gera dezenas de empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico local. “Os investimentos em tecnologias de GPS, maquinários e insumos biológicos favorecem o crescimento da produção”, afirma Jonas Kluppel, gerente-geral da empresa.
Apesar do avanço, desafios permanecem. A necessidade de investimentos elevados em maquinário, a oferta limitada de estruturas de armazenagem e a dependência das condições climáticas exigem planejamento e apoio institucional. Nesse contexto, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da soja passou a ser um aliado importante, orientando períodos adequados de plantio e facilitando o acesso a crédito rural.
Para o pesquisador da Pesagro-Rio Arivaldo Viana, a consolidação da soja no estado é resultado direto da persistência da pesquisa pública. “Sempre acreditamos no potencial da soja para o Norte Fluminense. Investir em ciência e inovação é o caminho para gerar desenvolvimento, renda e oportunidades no meio rural”, destaca.

A proximidade com o Porto do Açu tem sido decisiva para a competitividade do produto, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso ao mercado externo.

AGROFLORESTAS
PRODUZIR SEM DESMATAR

Durante décadas, o território fluminense viveu os efeitos de um modelo agrícola baseado na exploração extensiva do solo. O avanço do café e, posteriormente, da cana-de-açúcar deixou como herança áreas degradadas, empobrecimento do solo e perda de biodiversidade. É nesse contexto que os sistemas agroflorestais (SAFs) ganham protagonismo como alternativa capaz de conciliar produção, recuperação ambiental e geração de renda no campo.
As agroflorestas integram, em uma mesma área, árvores nativas ou cultivadas com culturas agrícolas e, em alguns casos, criação de animais. O resultado é um sistema produtivo que protege o solo, melhora o balanço hídrico, estimula a biodiversidade e garante retorno econômico ao produtor, sem necessidade de desmatamento. No estado do Rio de Janeiro, essa estratégia vem sendo estruturada e expandida por meio do programa Rio Agroflorestas, desenvolvido pela Pesagro-Rio.
Nos últimos anos, o projeto avançou da pesquisa para a implementação prática em diferentes regiões, com experiências em municípios como Silva Jardim, Valença, Magé, Paracambi e, mais recentemente, Mendes e São João de Meriti. Nessas áreas, florestas produtivas passaram a abrigar cultivos como banana, café, cacau, abacaxi, pupunha e outras frutíferas, protegidas pelo próprio sistema florestal.
“O que as agroflorestas oferecem é a possibilidade de recuperar áreas degradadas e, ao mesmo tempo, torná-las economicamente viáveis para o próprio agricultor”, explica Aldo Bezerra, pesquisador em Agroflorestas da Pesagro-Rio. Silvio Galvão, diretor técnico da mesma instituição, complementa: “Há mais de 20 anos, desenvolvemos e validamos sistemas agroflorestais no estado. O avanço recente potencializa uma expertise construída ao longo do tempo”.
Esse processo ganhou novo impulso com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica com a Rede ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), que passou a atuar junto às unidades experimentais da Pesagro. A parceria permite adaptar modelos de integração à realidade fluminense, marcada por pequenas propriedades, diversidade territorial e forte presença da Mata Atlântica.
Em Silva Jardim, o Centro Estadual de Pesquisa em Agroflorestas se consolidou como vitrine dessa agricultura de baixo carbono. Mesmo em uma área reduzida, os arranjos produtivos demonstram desempenho acima da média, com retorno econômico de curto, médio e longo prazos, além da produção de mudas nativas que abastecem programas de reflorestamento.
Ao unir ciência, tradição e inovação, as agroflorestas reposicionam o agro fluminense diante dos desafios ambientais e econômicos atuais. Assim, transformam o passado de exaustão do solo em um futuro de produção sustentável.

 

PROJETOS SOCIAIS
O AGRO QUE TRANSFORMA VIDAS

Voltado à integração entre políticas agrícolas e sociais, o Agricultura Social tem como proposta utilizar a atividade agrícola como ferramenta de geração de renda, segurança alimentar e fortalecimento comunitário. Em 2025, o projeto realizou 11 edições em diferentes municípios fluminenses, levando capacitação técnica, orientação produtiva, ações educativas e atividades culturais para agricultores familiares, jovens, mulheres e idosos. Além disso, promove melhorias concretas na estrutura produtiva local.
A produtora rural Sabrila Wallace, de Casimiro de Abreu, relata a transformação trazida pelo Agricultura Social: “A realização de uma estufa no nosso assentamento é a concretização do sonho do produtor. Sempre foi difícil termos acesso a alguns tipos de mudas. Com a chegada da estufa, tudo mudou”. Segundo ela, a iniciativa garantiu mais qualidade e diversidade à produção destinada à feira da agricultura familiar da região.
Já o AprendizAgro tem foco na formação técnica de jovens do meio rural, preparando novas gerações para atuar no campo de forma qualificada e sustentável. O projeto oferece capacitação prática e teórica em áreas estratégicas da agropecuária, contribuindo para a sucessão rural e a permanência dos jovens na atividade agrícola.
Um dos momentos recentes de destaque foi a aula prática realizada durante o Dia de Campo no Centro Estadual de Pesquisa da Pesagro-Rio, em Macaé. Na ocasião, os participantes tiveram contato direto com pesquisadores, projetos em andamento e tecnologias aplicadas à realidade do agro fluminense.
Para Lucas Nascimento, participante do AprendizAgro, a experiência ampliou horizontes. “Foi diferente de tudo o que eu já tinha vivido. Ver de perto os pesquisadores explicando e mostrando como aplicar o conhecimento no campo me deu ainda mais vontade de seguir na área”, conta, satisfeito.

AÇÕES
PARA A PRODUÇÃO
SUSTENTÁVEL

COMO ALIMENTAR UM PLANETA EM CRESCIMENTO SEM DESTRUIR O MEIO AMBIENTE? ESSE FOI O DESAFIO QUE REUNIU ESPECIALISTAS NO 1º FÓRUM FLUMINENSE DE SEGURANÇA ALIMENTAR, UM ENCONTRO QUE PODE TRANSFORMAR O PAPEL DO BRASIL NA LUTA CONTRA A FOME E O DESPERDÍCIO.

No final de novembro, o hotel Fairmont Rio foi palco de um evento essencial para o futuro da humanidade: o 1º Fórum Fluminense de Segurança Alimentar e Responsabilidade Ambiental. Reunindo gestores públicos, pesquisadores, lideranças sociais, representantes do setor produtivo e organizações da sociedade civil, teve como objetivo discutir as maneiras de produzir com maior eficiência e menor impacto para alimentar o mundo e preservar o planeta.

O evento foi uma iniciativa do Projeto Brasil que Alimenta 2050, no qual especialistas discutem estratégias para o país enfrentar o desafio global de aumentar a produção de alimentos de forma sustentável para atender a uma população mundial crescente até 2050.

Isso porque, de acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), será necessário aumentar a produção global de alimentos em cerca de 70%. “Deste 70%, 30% é responsabilidade do resto do mundo e 70%, do Brasil. E não dá para o Rio de Janeiro ficar fora disso, porque é um player muito importante de nosso país. Então, este é o primeiro evento da agenda Brasil que Alimenta 2050, com o objetivo de fazer com que essa temática cresça e apareça de forma responsável e ajude o Brasil a melhorar a sua marca, além de fazer com que o Rio esteja associado ao agronegócio de uma maneira positiva”, revela Denis Deli, diretor da DBR Ativações e organizador do evento.


Entre os participantes, estava o ex-ministro Aldo Rebelo, relator do Código Florestal Brasileiro. “Este fórum valoriza um tema importante e atual para o mundo, para o Brasil e para o Rio de Janeiro. Você vê, por exemplo, uma região metropolitana aqui do Rio com 13 milhões de pessoas que precisam todos os dias fazer três refeições. Provavelmente, elas não produzem a comida necessária para a sua sobrevivência. Mas é uma necessidade cotidiana. O fórum colocou em debate essa situação e o desafio de produzir alimentos em quantidade necessária, com a possibilidade de distribuição, e isso ser compatível com a proteção do meio ambiente”, declarou.

O CEO da ECP Environment Solutions, Carlos Favoreto, concordou com Rebelo: “É um fórum muito importante porque existia uma distância gigante entre falar de segurança alimentar e o desafio da proteção ambiental conciliando com a produção de alimentos. Isso vem sendo diminuído ao longo de três a quatro anos para cá, e temos conseguido encaixar esse tema de uma forma bastante simpática e orgânica, fazendo com que as pessoas possam ver que não há a menor possibilidade de produzir alimentos causando a degradação do meio ambiente”.

Favoreto lembrou que, atualmente, há 8 bilhões de pessoas vivendo no mundo, e, entre elas, cerca de 370 milhões enfrentam a fome aguda. “Isso significa que a cada 11 pessoas no planeta, uma passa fome. Por isso, estamos tratando de uma questão de sobrevivência, que é muito importante. E quando falamos de segurança alimentar, necessariamente vamos ter que falar de proteção ambiental também. São dois assuntos que devem andar juntos”, completa.

AÇÕES CONTRA O DESPERDÍCIO


Para auxiliar o combate a essa triste realidade, algumas organizações procuram fazer a sua parte. E uma delas é o Instituto Fome de Tudo. “Temos, há cinco anos, um sistema bem validado e bem maduro sobre a governança do resíduo. Trabalhamos B2B com produtores de pequeno, médio e grande porte, agricultores e supermercados, fazendo essa governança para quem precisa. No caso, são instituições, igrejas, comunidades, vizinhanças solidárias, escolas e hospitais, para os quais conseguimos dar o acesso de qualidade ao alimento”, revela Úrsula Corona, presidente do Instituto.

Todo esse trabalho foca, principalmente, em diminuir uma estatística bastante alarmante: segundo a ONU, o Brasil descarta cerca de 27 milhões de toneladas de comida anualmente – em média, cada brasileiro joga fora mais de 41 quilos de comida por ano. Por esse motivo, Úrsula é categórica: “Para falar de fome, não precisamos produzir mais alimentos, e sim reduzir o desperdício, que corresponde a um terço de todo alimento”. Sobre o tema, Silvia Marie Ikemoto, subsecretária de Mudanças no Clima e Conservação da Biodiversidade, completa: “É possível produzir e conservar, mas, para isso, precisamos olhar de forma integrada a questão social, ambiental e econômica”.

Já em relação à educação relacionada ao alimento, a chef Carol Barros, presidente do Instituto Bio, também dá a sua contribuição: “Criamos a metodologia do biochef, que é uma formação profissional em que capacitamos não só com técnicas e habilidades de cozinha, que todos aprendem em qualquer curso de gastronomia, mas também com técnicas e habilidades de agroecologia”. Ela explica que percebeu a necessidade de trabalhar nos territórios diretamente com os agricultores. “Nós vamos em sítios e chácaras, montamos a cozinha com o que se tem e provamos o grande potencial que cada unidade de produção possui”, explica Carol.

Todas essas ações são vistas com bons olhos por Victor Hugo Miranda, superintendente de Estado de Segurança Alimentar e Nutricional: “É o estado do Rio de Janeiro trabalhando para a retirada do Brasil do mapa da fome, mudando todos os seus índices em comparação aos anos anteriores. Então, temos um compromisso sim, e seguimos aliançados com esse compromisso para que o acesso ao alimento seja, de fato, um direito garantido, conforme dita a Constituição desse país”.

No balanço de todo o evento, o presidente da Revista Manchete, Marcos Salles, anuncia uma novidade: “Este fórum foi muito produtivo e, por isso, o tema Brasil que Alimenta 2050 vai se transformar numa coluna fixa na revista, para que possamos aprofundar o assunto. Afinal, como já dizia o Betinho, quem tem fome tem pressa. E ficou muito claro que o Brasil tem um grande potencial para reverter esse quadro”.

Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro-Rio, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD

 

LEGENDA 01:
Silvia Marie Ikemoto, Carol Barros, Carlos Favoreto, José Carlos Polidoro, Úrsula Corona, Daniel Vidal Pérez, Paulo Renato Marques, Denis Deli e Leandro Gomes

LEGENDA 02:
Acima, Denis Deli com Ana Asti. Ao lado, as apresentações de Victor Hugo Miranda e Úrsula Corona

MILHO DE GRÃO EM GRÃO, RUMO AO TOPO

MUITO ALÉM DO PETRÓLEO, MACAÉ DESPONTA COMO POTÊNCIA AGRÍCOLA E LIDERA A PRODUÇÃO DE MILHO NO ESTADO. VENHA CONHECER O DIA A DIA EM UMA FAZENDA QUE COMBINA PLANEJAMENTO, TECNOLOGIA E PRODUTIVIDADE.

O Brasil vive uma revolução silenciosa no campo: em menos de duas décadas, se transformou no maior exportador de milho do mundo. A força dos grãos impulsiona essa trajetória, mas é o milho que, ano após ano, reafirma sua importância estratégica na mesa, na indústria e na economia. E, embora muitos imaginem que esse protagonismo esteja restrito ao Centro-Oeste, o estado do Rio de Janeiro também abre seu espaço nesse cenário – com destaque para Macaé, onde o milho cresce em escala, tecnologia e ambição.

É ali, na Primus Ipanema Agropecuária, que encontramos um dos maiores produtores de milho do estado. Cercado por talhões jovens e outros já robustos, o proprietário da fazenda, Gonçalo Cristovam Meirelles, nos conduz pelo coração verde de sua produção: “Em 2025, nós plantamos aproximadamente 1.400 hectares. Em nosso processo, uma parte vai para a silagem; outra parte, para o grão. Nós usamos uma parte do grão no confinamento e a outra parte, vendemos”.

O planejamento é milimétrico: o plantio é escalonado ao longo de um mês, garantindo que cada área atinja a maturidade em semanas diferentes, o que facilita todo o processo. “Isso também é importante para nós, não só no plantio, como também na colheita”, completa Gonçalo.

O proprietário da fazenda, Gonçalo Cristovam Meirelles

O clima da região ajuda bastante. Com um índice pluviométrico que gira em torno de 1.600 mm anuais, Macaé permite algo raro no estado: duas safras de milho por ano. “Nós somos um dos maiores produtores. Tem outros produtores também aqui em Macaé, em Campos, em Quissamã… O agro tem crescido bastante aqui no Rio de Janeiro”, destaca Gonçalo. É uma realidade que contrasta com a ideia comum de que o estado, por ser pequeno, teria pouca expressão na produção agrícola. A verdade é que há um potencial enorme nas regiões agrícolas fluminenses: “No Rio, nós temos terra, sol, água… Existe uma possibilidade imensa de o agro crescer”, acredita o proprietário da Primus Ipanema.

Essa visão é compartilhada pelo prefeito de Macaé, Welberth Rezende, que tem incluído a agricultura entre os pilares estratégicos do desenvolvimento econômico local. “A área do agronegócio em Macaé é importante. A cidade já é conhecida pelo óleo e gás, mas temos trabalhado muito a questão do lazer, do turismo e da agricultura”, revela o prefeito. O município já lidera o estado na produção de grãos e também na pecuária confinada. “Acreditamos que vamos crescer, e crescer muito”, afirma ele, explicando que a prefeitura tem buscado apoiar os produtores rurais e está disposta a investir em maquinário e silos, que é a infraestrutura de armazenamento para conservar os grãos. Mas reforça que o avanço precisa ser responsável: “O que é inegociável é a questão das áreas de preservação. Respeitamos muito o meio ambiente”.

NADA SE PERDE NA PRODUÇÃO


Do campo, seguimos para a unidade de silos, onde o milho ganha outra forma – a da conservação, da eficiência e da tecnologia. Entre estruturas metálicas imponentes, Jonas Kluppel, gerente-geral da Primus Ipanema, explica o funcionamento da etapa que garante segurança e qualidade ao produto. “Cada silo da fazenda tem capacidade de 800 toneladas de grãos. E em nosso galpão também há mais uma unidade de 1.200 toneladas”, revela. A estrutura permite alternar milho e soja, quando necessário, e conservar o grão por longos períodos. “Pode ficar conservado por mais de um ano, desde que haja aeração e não tenha umidade no grão”, explica o gerente-geral.

A próxima parada é o secador, peça-chave no processo pós-colheita. Jonas abre a porta metálica e indica a fornalha: “Essa aqui é a unidade onde é realmente o secador. O ar quente passa por essa massa de grão retirando a umidade”. Depois, o milho segue para máquina de pré-limpeza: “As impurezas retiradas são colocadas para compostagem e devolvidas ao solo, para melhorar a sua fertilidade. E uma parte também vai para alimentação animal. Nada se perde”, enaltece o gerente-geral.

Jonas Kluppel, gerente-geral da Primus Ipanema

Ao caminhar pela propriedade, é impossível não perceber que o milho está no centro do avanço agrícola de Macaé. Ele é o carro-chefe. Outros grãos, como soja, arroz e feijão, aparecem como complementares, compondo a dinâmica de rotação e aproveitamento de solo, mas é o milho que dita o ritmo: o plantio, a colheita, a armazenagem, o confinamento e o fluxo econômico.

E esse protagonismo não é por acaso. O agronegócio só deu um salto no Brasil quando máquinas modernas, conhecimento técnico e tecnologia passaram a fazer parte do cotidiano das propriedades. Em Macaé, esse conjunto está presente: tratores novos, silos robustos, secadores eficientes, profissionais qualificados e, sobretudo, produtores que enxergam longe.

O resultado é claro: o Rio de Janeiro planta muito milho. E faz isso com produtividade, planejamento e visão de futuro. Em um estado conhecido pelas praias, pelo petróleo e pelo turismo, o milho se levanta como símbolo de uma nova força, que brota da terra e ajuda a construir um capítulo promissor do agro fluminense.

Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro-Rio, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD

 

 

Tomates
PROTAGONISTAS
EM PATY DO ALFERES

O VERMELHO DESSE FRUTO COLORE A ECONOMIA DE UMA CIDADE QUE FICA A POUCO MAIS DE 100 KM DO RIO DE JANEIRO. NESTA EDIÇÃO, VAMOS CONHECER AS ESTUFAS DA SEAL HORTIFRUTI, UMA DAS EMPRESAS QUE FOMENTA A PRODUÇÃO DA REGIÃO E AJUDA PATY A SE MANTER COM O TÍTULO DE A “TERRA DO TOMATE”.

Paty do Alferes ocupa uma posição de destaque no agronegócio fluminense. Segundo a Emater-Rio, o município responde, junto a Sumidouro, por quase um terço da produção estadual de tomates, e celebra a colheita com a tradicional Festa do Tomate, patrimônio imaterial do estado do Rio. O clima de altitude, com dias ensolarados e noites frias, favorece o amadurecimento uniforme do fruto e a doçura que se tornou marca da região.

E não é à toa que esta simpática cidade, emoldurada pelas montanhas da Serra do Mar, se orgulha do título de “terra do tomate”. O município é o maior produtor do estado do Rio de Janeiro e tem na agricultura protegida o motor de sua economia. E nós fomos conhecer um pouco de toda essa produção, nas estufas da Seal Hortifruti, que contabilizam 1.560 m2, contendo três mil vasos com tomates. Lá, presenciamos como a tecnologia e o cuidado com cada planta transformam o fruto vermelho em símbolo de prosperidade e identidade local.

“Esse tomate aqui já está com quatro meses de colheita. É o tipo grape, o tomate uva, e hoje dá uma rentabilidade muito boa para nós, produtores”, explica Juliano Fernandes, proprietário da Seal Hortifruti, enquanto nos apresenta as fileiras simétricas de vasos suspensos.

“A planta é guiada a 45 graus para aumentar o volume de produção e facilitar a colheita. Quando chega no ponto vermelhinho, a gente já vem colhendo”, completa.

COLHEITA EM VASO É O DIFERENCIAL

Na Seal, as plantas não tocam o solo. São cultivadas em vasos com substrato de turfa e recebem os nutrientes certos, na medida exata. “Quando a planta está no chão, ela absorve pouco do nutriente do solo. No vaso, a gente faz a dieta dela. Todo o nosso sistema é de fertirrigação por gotejo: cada gota d’água leva junto os nutrientes que desejamos. Num dia mais quente, aumentamos o tempo do gotejo; num dia mais frio, diminuímos”, conta Juliano.


A técnica é resultado de anos de aprimoramento. O uso de substrato suspenso evita o contato com pragas do solo, e o chamado “vazio sanitário” – período de 30 dias em que a estufa fica completamente vazia – garante o controle de doenças. “A intenção é não deixar a praga se alimentar. Sem planta, ela morre. É um jeito natural de limpar o ambiente”, explica o proprietário.

O cuidado com o manejo se reflete nos números: “Temos uma das melhores produtividades do Brasil no tomate grape em vaso”, afirma o produtor. “Nossa média é de 12 quilos por planta. São três mil vasos por estufa, e cada uma produz até três toneladas por semana no pico da colheita”, diz. O ciclo dura cerca de oito meses, garantindo colheita e renda praticamente o ano todo.

O controle ambiental também é de alta precisão. “Nas nossas estufas usamos uma tela chamada luminete. Quando a temperatura chega a 38 graus, ela abre automaticamente, estabilizando o clima interno. Assim, a planta não sofre estresse térmico”, comenta Juliano. O sistema de sombreamento automático é um dos diferenciais que permitem manter a produtividade mesmo nos meses mais quentes.

HORA DE SEGUIR PARA A EMBALAGEM

Depois da colheita, o fruto segue para o setor de processamento e embalagem. “Aqui, o tomate é separado por tamanho, em máquinas que classificam por milímetro. Temos quatro categorias: o italianinho, o mini, o tomate A e o dois A”, informa Juliano. A área é climatizada e conta com câmaras frias para conservar o frescor. “O grape e o italiano ficam aqui no máximo dois a três dias antes de seguirem para os supermercados”, acrescenta.
Dentro da câmara fria, Juliano apresenta uma inovação: o uso do ozônio para prolongar a durabilidade do produto. “O ozônio melhora o ambiente e aumenta o tempo de conservação. Hoje, temos 70 toneladas de tomate armazenadas aqui dentro. O fruto fica firme por até 15 dias, pronto para ser embalado e enviado.”

É nesse momento que entra em cena Diego Gomes, supervisor de produção. “Estamos na fase final do processo, a área de expedição. Daqui saem, por dia, de 10 a 14 toneladas de tomate”, explica ele, enquanto aponta para os pallets que seguem em direção aos caminhões. “A maior parte vai para o estado do Rio, mas já estamos enviando também para Santa Catarina e começando com São Paulo. A empresa está crescendo”, comemora.

O cuidado com cada detalhe, do plantio à entrega, é o que faz da Seal Hortifruti uma referência no setor. Juliano explica que a combinação entre tecnologia e dedicação ao campo é o que sustenta a qualidade dos frutos. Produzir tomate, para ele, é acompanhar o ciclo da planta todos os dias – entender suas necessidades, respeitar os limites do clima e atender às expectativas de quem consome. Com o olhar voltado para o futuro, ele aposta em sustentabilidade e inovação. A Seal planeja ampliar as estufas e investir em novas variedades, como o grape e o sweet, buscando atender a um mercado cada vez mais exigente e que valoriza a qualidade e a rastreabilidade.

Enquanto o sol se despede atrás da serra e o aroma das plantas maduras toma conta da estufa, Juliano observa as fileiras que brilham sob o plástico translúcido, refletindo o resultado de meses de trabalho. Orgulhoso, ele enaltece o empenho de toda a equipe e o significado daquele cultivo para a cidade. Em cada fruto colhido, há a cor da terra e o esforço de quem transforma o campo em prosperidade.

Assim, entre tradição e tecnologia, Paty do Alferes reafirma seu lugar no mapa do agronegócio brasileiro – não apenas como a capital do tomate, mas como exemplo de uma agricultura que floresce em harmonia com o ambiente e com a satisfação de quem vive do campo.

Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro-Rio, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD

 

Flores
O MAIOR JARDIM DE FRIBURGO

FOMOS ATÉ A FAZENDA HECKERT, NA SERRA FLUMINENSE, CONHECER UM CENÁRIO QUE MAIS PARECE UMA PINTURA IMPRESSIONISTA, EM QUE ESTUFAS SE TORNAM CORREDORES DE CORES E PERFUMES. NÃO É À TOA QUE A CIDADE OSTENTA O TÍTULO DE CAPITAL DA PRODUÇÃO DE FLORES DE CORTE DO RIO DE JANEIRO E OCUPA O SEGUNDO LUGAR NO RANKING NACIONAL.

o portão de entrada da Fazenda de Flores Heckert, que também produz morangos

Logo na chegada da Fazenda das Flores Heckert – que fica em Vargem Alta, distrito de Nova Friburgo –, parece que entramos no céu: são milhares de metros quadrados dedicados ao cultivo de diversas flores, que se renovam a cada estação. Quem nos guia é Wallaf Heckert, proprietário do local.

 

“Hoje, contamos com mais de dez tipos de espécies. A maioria delas abertas. Temos aproximadamente 9 mil m2 de estufas, todas interligadas em espaço aberto de produção”, explica ele, orgulhoso. E Wallaf faz seus cálculos: “Acredito que, por mês, produzimos mais de 10 mil maços”.

Wallaf Heckert, proprietário da fazenda

A importância da floricultura para a economia local é destacada pelo engenheiro agrônomo Silvio Galvão, diretor da Pesagro-Rio. Segundo ele, estamos diante de uma tradição que já atravessa gerações. “Isso aqui é mais do que um paraíso, é um local de trabalho e de vida. Já estamos nas terceiras gerações de familiares que começaram vendo a oportunidade do comércio de flores e plantas ornamentais. Hoje, o município de Nova Friburgo representa 48% de tudo o que é produzido em termos de flores de corte para o estado do Rio de Janeiro. Isso significa mais de R$ 30 milhões por ano, envolvendo em torno de 200 hectares de área plantada em estufas e mais de 200 famílias. É um universo de economia e desenvolvimento social muito importante, que hoje explora o mercado do Rio de Janeiro e de outros estados vizinhos”, informa Silvio.

“Isso aqui é mais do que um paraíso, é um local de trabalho e de vida.”

Silvio Galvão, engenheiro agrônomo (na foto à esquerda)

Nazaré Dias, gerente do Programa Florescer

TECNOLOGIA FEZ A DIFERENÇA

Para que tantas flores cheguem ao consumidor com qualidade impecável, entra em cena a tecnologia. Nazaré Dias, gerente do Programa Florescer – iniciativa estadual que apoia a modernização da produção –, exemplifica: “O estado do Rio, quando começou, era abastecido por São Paulo, e hoje, com a profissionalização que os produtores estão tendo com o apoio do estado, eles dominam, principalmente, a tecnologia do cultivo protegido”.

A proximidade com a capital é outro diferencial competitivo. “Nós estamos a 150 quilômetros do Rio de Janeiro, do grande centro comercial, e isso é uma vantagem muito grande porque outros concorrentes ou outros mercados produtores estão a mais de 500 quilômetros. Hoje, conseguimos resultados técnicos e econômicos maiores, a ponto de parte do mercado do Espírito Santo e de Minas Gerais também ser abastecido pelo sucesso da produção fluminense”, destaca Silvio.

O desafio é manter o frescor das flores até o destino final. O engenheiro agrônomo explica como isso é possível: “Temos nos dedicado a estruturar os produtores rurais com o que eles precisam para a comercialização, e eles já detêm uma infraestrutura de câmaras frigoríficas em torno de 4ºC, além de eletrificação rural e até geradores para que não tenham prejuízos. A colheita pode começar na véspera ou em até três, quatro dias. Após colhidas, as flores são mantidas não só refrigeradas, mas também em poços com água. O nosso transporte é todo rodoviário, feito nos caminhões com essa infraestrutura. Então, hoje consigo ter um deslocamento de até cinco dias com toda a tranquilidade, deixando as flores com o mesmo frescor, com a mesma tonalidade de cores e com a mesma qualidade para poderem ser ainda comercializadas em mais alguns dias nos pontos de venda”.

TURISMO DE ENCANTAMENTO


A fazenda é também um espetáculo para os olhos de quem visita. Nazaré explica a lógica por trás das estufas: “A área de produção também é de visitação, em que as mudas se encontram em vários estágios – pequenas, intermediárias e já florescendo. Então, o local fica sempre florido”. E, diante de tantas cores, não tem como não se encantar. “Quem vem visitar essa propriedade fica deslumbrado ao ver as flores. A gente vende a emoção. É um encantamento”, resume Nazaré.

De olho nesse fascínio, Wallaf decidiu abrir as portas também para o turismo. “Como muitas pessoas nunca tiveram a oportunidade de ir a uma produção de flores, mas só de verem em fotos ou vídeos ficam encantadas, decidimos trazer essa experiência até aqui. Preparamos o nosso espaço para trabalhar com turismo, recebendo visitações aos sábados e domingos”, conta ele. E a experiência vai muito além das flores: “Hoje, temos uma cafeteria bem completa, que vende inclusive doces feitos, em sua maioria, com morango, que nós também plantamos aqui”. Mas, antes de ir embora, os visitantes recebem uma lembrança especial: “Toda pessoa que vem nos conhecer, no final da visitação, ganha de brinde um buquezinho de flores, para levar com ela um pedacinho nosso”, avisa Wallaf.

Assim, associando trabalho e encantamento, a Fazenda das Flores Heckert mostra que Nova Friburgo não é apenas um lugar de montanhas e clima ameno. É, sobretudo, um jardim que floresce em cores e histórias.

“Hoje, contamos com mais de dez tipos de espécies. A maioria delas abertas. Por mês, produzimos mais de 10 mil maços.”
Wallaf Heckert, proprietário da fazenda

 

 

LARANJAS:
AS MAIS DOCES ESTÃO EM TANGUÁ

Esta fruta é a segunda mais cultivada em todo o mundo – só perde para a banana. E o Brasil aparece como o seu maior produtor mundial, com destaque para o estado de São Paulo. Mas, numa pequena cidade do estado do Rio, encontram-se as laranjas de sabor mais indescritível. Venha conhecer essa delícia!

Em sua origem, a laranja não é um produto tipicamente nacional. Há mais de 4 mil anos, ela começou a ser cultivada no sul da China e só foi chegar à Europa – mais precisamente, na Península Ibérica – lá pelo século X, trazida pelas mãos de comerciantes mouros. Até que, por volta de 1530, essa fruta finalmente atracou no Brasil graças a uma necessidade dos colonizadores portugueses: tratar os seus marinheiros que sofriam de escorbuto, doença causada pela deficiência de vitamina C. Mal sabiam que isso daria início a uma nova paixão nacional, já que, hoje, o Brasil se encontra como o maior produtor de laranjas do mundo.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra em terras verde-amarelas foi de 12,3 milhões de toneladas da fruta em 2024, sendo seguida por 7,6 milhões de toneladas na China e 5,7 milhões de toneladas nos solos norte-americanos. No Brasil, 74,6% da produção se encontra no estado de São Paulo. Ainda assim, no estado do Rio de Janeiro, numa pequena cidade a apenas 65 km da capital, estão as mais doces de todo o país: as laranjas de Tanguá.

O prefeito de Tanguá, Rodrigo Medeiros, entre o nosso colunista Paulo Renato Marques e o presidente da Revista Manchete, Marcos Salles

Rodeada pelas cidades de Itaboraí, Maricá, Rio Bonito e Saquarema, Tanguá compõe o que chamamos de região metropolitana do Rio. E o seu maior atrativo – inclusive turístico – se baseia justamente em sua produção diferenciada da fruta, tanto é que recebeu o título de Capital Estadual da Laranja. “Aqui, produzimos uma laranja terroir, vamos dizer assim, que tem um nível de acidez muito mais baixo e que promove uma sensação de doçura. Uma laranja gourmetizada, que nós chamamos de laranja de mesa. Os outros estados até produzem mais, mas não com esse esplendor, com o paladar das laranjas de Tanguá”, enaltece Rodrigo Medeiros, prefeito da cidade.

Não foi à toa que essa fruta tanguaense recebeu, em 2022, o selo de Indicação Geográfica (IG), que reconhece a origem e a qualidade de um produto devido a características específicas (e, muitas vezes, únicas) de sua produção em uma determinada região – e, no caso de Tanguá, a doçura e a suculência de suas laranjas as diferenciam das outras produzidas no país. “A nossa laranja é a mais doce do Brasil por uma questão de combinação de elementos químicos do solo. O que isso quer dizer? Que ela só é doce por estar aqui em Tanguá. Se pegarmos um pé e levarmos para outro local, a fruta não vai ter essa questão de menor teor de acidez e maior doçura, em que a frutose dela se sobressai. Isso só se dá em função dessa combinação de solo, abençoado por Deus nessa terra”, assegura Paulo Renato Faria Ramos, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Tanguá. Para se ter uma ideia, a maioria das laranjas apresenta uma pontuação de doçura entre 10 e 12 brix (índice que se refere ao teor de açúcar em alimentos), enquanto as de Tanguá chegam a 16 brix.

PRODUÇÃO ACOLHEDORA E FAMILIAR

Paulo Renato Faria Ramos, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Tanguá, mostra os diferentes tipos das laranjas da região. Acima, o pomar do Sítio Rocha, cuja casa de taipa (à esquerda) é uma das atrações turísticas do Circuito da Laranja

Outro detalhe importante da fruta tanguaense é que 95% da produção é oriunda da agricultura familiar. Isso impulsionou o governo da cidade a implantar em Tanguá uma biofábrica de mudas certificadas de laranja. “Em breve, todos os produtores vão receber gratuitamente mudas novas, livres de patógenos. E lá na biofábrica vamos ensinar técnicas de manejo, irrigação e como aproveitar melhor as questões climáticas, que também favorecem para que ela tenha esse grau de doçura e menos acidez, explicando sobre a incidência de chuva e sol na época certa e na quantidade certa. Ou seja, temos tudo para avançar e fazer com que Tanguá seja reconhecida como a maior produtora de laranjas do estado do Rio de Janeiro”, informa Paulo Renato.
Um dos produtores familiares de Tanguá é Claudionor Rocha, do Sítio Rocha. Em seu pomar, há 2 mil pés de laranja, entre seleta, natal comum (mais apropriada para suco), bahia e lima. Desde os 8 anos de idade, ele já trabalhava na produção e colheita das frutas junto ao pai, à mãe e à irmã. Hoje, ele segue cuidando de tudo ao lado de sua esposa e da filha Amanda, que também se dedica ao turismo na região. “Aqui, eu não me preocupo com a quantidade da produção, e sim com a qualidade do fruto. E posso garantir que a laranja de Tanguá é a mais doce não só do Brasil, mas também do mundo”, opina Claudionor.

“Aqui, produzimos uma laranja terroir, vamos dizer assim, que tem um nível de acidez muito mais baixo e que promove uma sensação de doçura. Uma laranja gourmetizada, que nós chamamos de laranja de mesa. Os outros estados até produzem mais, mas não com esse esplendor, com o paladar das laranjas de Tanguá.”

Rodrigo Medeiros, prefeito de Tanguá

 

Quem participa do Circuito da Laranja também se delicia com produtos feitos à base da fruta, como o bolo acima, e pode comprar licores e casca de laranja cristalizada (à esquerda)

CONVITE IRRESISTÍVEL
De fato, a Revista Manchete esteve em Tanguá e teve a oportunidade de experimentar suas laranjas. E, realmente, são deliciosas. Se você se encantou com a possibilidade de conhecer essa cidade acolhedora, tão perto do Centro do Rio, para conferir pessoalmente tamanha doçura, é só organizar sua visita para participar do Circuito da Laranja. De maio a outubro – época da colheita da fruta –, de quinta-feira a domingo, a cidade recebe centenas de turistas para entenderam por que a laranja de Tanguá é tão especial.

“Nós oferecemos um café da manhã maravilhoso e os visitantes ganham uma faca e uma bolsinha para poder colher a laranja do pé, descascar e degustar”, convida o secretário Paulo Renato. Quem disser sim ao convite, será recepcionado por um mascote, o Laranjito, que deixa o passeio ainda mais divertido, passará por belas paisagens e ainda poderá curtir a feira de artesanato local – obviamente, repleta de produtos cuja base é a laranja. Mais doce, impossível.

Mas atenção: o Circuito da Laranja só atende a grupos agendados, com 25 a 30 pessoas. Para garantir a sua vaga, ligue para o tel.: (21) 2747-4113, de segunda a sexta, das 9 às 16 h. Organize-se e boa degustação dessa laranja única!

Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD

O Aberdeen Angus é uma raça pura, sem cruzamentos, originária da Escócia, no século XIX. É uma das mais antigas do planeta e tem sido aperfeiçoada com pesquisas e melhoramento genético ao longo de mais de duzentos anos. O Angus chegou ao Brasil em 1906 e rapidamente se tornou uma das mais importantes raças para a produção de carne de alta qualidade. Nos últimos anos, vem ganhando destaque com os cortes gourmet. Além do Brasil, também é criada na Argentina, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia, assim como na Europa. As características da carne, levemente marmoreada, suculenta e tenra, propagam sua fama de uma das mais saborosas do mundo. 

GADO ANGUS

RAÇA BOVINA DE CORTE ENTRE AS MELHORES DO MUNDO

A  maciez e a suculência se devem à distribuição uniforme da gordura entremeada nos tecidos musculares. Durante o preparo, o calor derrete a gordura parcialmente e impregna a parte magra, tornando-a mais tenra e saborosa. Muitos descrevem a carne como amanteigada, com um leve sabor de nozes, sendo considerada uma das mais nobres nas churrascarias.     

O gado Angus é bastante rústico e manso, e adapta-se facilmente a diferentes climas, pastos e condições ambientais, o que torna sua criação valorizada e com alta rentabilidade para o pecuarista. Outras características muito positivas dessa raça são a facilidade de parto, uma boa conversão alimentar, o ponto de abate mais rápido e a alta fertilidade. As vacas atingem a idade de reprodução em torno dos 15 meses e os novilhos podem ser abatidos de 14 a 16 meses, com peso de carcaça de 17 arrobas. O conjunto dessas características torna a raça completa.

Existem duas variações de cor de pelagem: a Aberdeen Angus, que é a mais popular, com cor preta e vermelha, e a Red Angus, pre-dominantemente vermelha, resultado de um gene recessivo, com as mesmas características, porém é mocha, ou seja, sem chifres. São animais de grande porte, sendo que as fêmeas adultas têm tamanho entre 125 e 140 cm e os machos adultos, 135 a 150 cm, pesando, respectivamente, 550 a 700 kg e 900 a 1.000 kg.

creep feeding – um pequeno dispositivo de passagem,
dentro de um cerco, que dá ao bezerro o acesso a um
cocho com ração concentrada e balanceada e, por ser
mais baixo, as lactantes não conseguem ter acesso
Bezerros de 4 a 5 meses, pesando entre 180 a 200 kg, alimentam-se no piquete de desmama.

BRASIL – MAIOR EXPORTADOR DE CARNE BOVINA DO MUNDO

Mesmo com uma indústria internacional robusta, o Brasil é o campeão de exportações de carne bovina desde 2003, em volume, e desde 2006, em faturamento. A alta qualidade é um dos principais motivos, além da competitividade e do crescimento sustentável. Em setembro de 2024, o Brasil bateu um novo recorde nas exportações, com o embarque de mais de 286 mil toneladas, gerando um faturamento de US$ 1,258 bilhão. Também somos o terceiro maior consumidor mundial e o segundo maior produtor de carne bovina, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária. 

Os fatores que contribuem para o sucesso nesse ranking são: melhorias na sanidade do rebanho, aumento da produção e expansão das indústrias frigoríficas. Nesse pacote de exportações, também está a carne Angus, inclusive com registro de crescimento nos últimos anos. A carne Angus certificada cresceu 9,2% em 2024, totalizando 3.137 toneladas comercializadas. A China é o principal destino das exportações, seguida do Oriente Médio e do Chile. A Associação Brasileira de Angus (ABA) coordena o programa de certificação da raça, garantindo a qualidade da carne. 

A equipe da Revista Manchete visitou a Fazenda Cananéia, uma das principais produtoras de carne Angus do estado do Rio de Janeiro. Localizada no município de Vassouras, centro-sul fluminense, a fazenda cria, além da raça Angus, o gado Ultrablack, uma raça sintética, originária da Austrália, obtida por meio de cruzamentos. Sua composição é baseada em 81% de sangue Angus e 19%, Zebu – espécie originária da Índia, conhecida por sua corcova ou cupim. Esse mix valoriza os atributos de qualidade da carne e conserva a rusticidade típica dos zebuínos, tão necessária para o enfrentamento das altas temperaturas. 

Bezerros de 4 a 5 meses, pesando entre 180 a 200 kg, alimentam-se no piquete de desmama.

O uso da genética Ultrablack é visto como uma excelente alternativa para o aproveitamento das vacas Angus no cruzamento industrial. As vantagens são: o crescimento e a carcaça do animal, a facilidade de adaptação, a resistência e a qualidade superior de carne gourmet. A Fazenda Cananéia aderiu à tendência nacional e internacional de valorização da qualidade do Angus/Ultrablack, mantendo suas atividades dentro dos padrões que a credenciaram com todas as certificações. Suas instalações e seus sistemas de criação contam com os mais modernos avanços tecnológicos.

Pelo segundo ano consecutivo, a Fazenda Cananéia recebeu o Selo Angus Sustentabilidade, certificado pelo TÜV Rheinland, um rigoroso organismo de certificação alemão, com mais cem anos de atuação na área de inspeção em todos os tipos de serviços relacionados à qualidade da segurança técnica, de proteção ao homem e ao meio ambiente. Na última auditoria, em 2024, a Cananéia foi avaliada em 87 ítens e não apresentou qualquer inconformidade, recebendo a máxima pontuação, que é o nível 3.

Um sistema sustentável compreende a integração de práticas que melhoram a qualidade ambiental. O Selo Angus Sustentabilidade utiliza seis pilares de indicadores para testar o sistema e a produção: responsabilidade ambiental, responsabilidade social, biossegurança, sanidade, bem-estar e rastreabilidade animal. Com esses indicadores, é possível fornecer aos consumidores informações de que o sistema de produção e a origem dos alimentos produzidos estão de acordo com os princípios de produção sustentáveis.

“A Fazenda Cananéia tem um selo internacional de sustentabilidade. Para a gente ter uma ideia, só tem uma carne com esse selo hoje no país além de nós. Então, o nosso objetivo para o ano que vem é produzir os cortes nobres de Angus com a nossa marca para o estado do Rio de Janeiro.”

Jomar Machado, gerente da Fazenda Cananéia

PILARES DO SELO ANGUS SUSTENTABILIDADE 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“A fazenda está aumentando o plantel com machos Angus comercializados como reprodutores e machos Ultrablack com a finalidade da engorda. Para o animal ganhar peso e ter uma pelagem brilhante, a nutrição é fundamental.”

Sistema israelense de irrigação totalmente automatizado na lavoura de milho recém-plantada

E por falar na nutrição do gado Angus, os grãos da soja são colhidos, depois processados até obter-se o farelo com 10 a 12% de extrato etéreo, importante para dar energia, ganho de peso e brilho ao pelo. A máquina esmagadora de grãos de soja processa 120 kg de grãos por hora. Para cada 60 kg de grão de soja, a máquina produz 51 kg de farelo de soja e 8 kg de óleo.

A dieta dos animais a pasto é feita com farelo de soja, silagem de milho e grão de milho úmido.

Marcos Salles, presidente da Revista Manchete, Jomar Machado, gerente da fazenda, Paulo Renato Marques, colunista, e Geraldo Calmon, proprietário da fazenda

A fazenda desenvolve projetos para as áreas de genética, alimentação e manejo, por meio de convênios com instituições de ensino e de parcerias com empresas de diversos setores agrícolas.

E para quem pensa que a pecuária brasileira está só nos Pampas gaúchos, saiba que essa raça tem se adaptado muito bem em climas quentes, como no nosso estado. Isso é o Agro do Rio!

Paulo Renato Marquesé presidente da Pesagro, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD



 

“Capital da Uva”, assim é chamado o município na Serra Fluminense, que, com muita dedicação pública e investimentos de empresários confiantes no novo destino turístico, transformam Areal/RJ em um polo de vinícolas e vilas temáticas, inspiradas em países europeus. Isso é o Agro do Rio!

Vale dos Desejos é uma vinícola familiar na Serra Fluminense

Quantas vezes já saímos do Rio de Janeiro rumo a outros países ou até ao sul do Brasil para realizar o enoturismo. Mas, você carioca, pode se deslocar por apenas 100km e obter uma experiência gastronômica e sensorial harmonizando vinhos e pratos de excelente qualidade. O tour compreende vinícolas de diferentes categorias de vinhos, incluindo o processo de produção, inspirado na história de países europeus com tradição nessa cultura milenar. O município de Areal, com apenas 12 mil habitantes, vizinha da cidade imperial de Petrópolis, conquistou empresários interessados em explorar o “terroir” da região e hoje já colhe uvas e resultados de um trabalho incansável de transformar o fruto em sabores e polos turísticos.

Atualmente, o Brasil é o 5º maior produtor de vinhos do hemisfério sul, com aproximadamente 78 mil hectares plantados e produção anual de 700 milhões de quilos de uvas. Areal, graças aos empresários apaixonados por essa cultura, coloca também o Estado do Rio nessa estatística do vinho e do enoturismo

Vinícola Borgo Del Vino inspirada em uma vila italiana
A área plantada de uvas em Areal, no Rio de Janeiro, é de mais de 40 hectares. O município é considerado a “Capital da Uva” do estado

Fazendas que anteriormente passaram pelo ciclo do café e da cana de açúcar no interior do Rio, hoje descobriram um novo e importante ciclo na pequena Areal e estão se tornando produtores de vinhos de qualidade

As primeiras videiras do Brasil foram trazidas pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, em 1532. Brás Cubas, fundador da cidade de Santos, é, reconhecidamente o primeiro a cultivar a vinha em nossas terras.

Mas a plantação nas encostas da Serra do Mar, no litoral paulista, não vingou, então transferiu o cultivo para uma região onde hoje é o bairro do Tatuapé, na cidade de São Paulo. Somente por volta de 1875, com os padres jesuítas, a produção de vinho chegou ao Rio Grande do Sul. Com a vinda dos imigrantes italianos, ocorreu um grande impulso à vitivinicultura gaúcha, que atualmente representa 85% de todo o vinho produzido no Brasil.

A região da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, conhecida como Vale dos Vinhedos, é uma das mais famosas do país, com um clima fresco e plantações em áreas mais elevadas.

As castas de uvas cultivadas em Areal incluem: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Marselan, Sauvignon Blanc, Viognier, Malbec, Tempranillo, Sangiovese, Montepulciano

Em 2019, a família Eloy resolve investir na vitivinicultura, atividade de produção de uvas e vinhos, no Estado do Rio de Janeiro e assim, a pequena Areal começa a estrear no cenário de um novo mercado que cresce em ritmo exponencial em todo o Brasil. Em 2020, com apoio da prefeitura e do governo do estado, recebeu atenção especial e muitos empresários aceitaram o desafio de investir na região, que passou a ser conhecida como a Capital da Uva. Em muito pouco tempo, 40 hectares de terras em Areal e municípios adjacentes já estavam com plantação em ritmo acelerado.

A Associação dos Vinicultores de Areal (AVIVA) reúne os produtores da região, entre eles Fazenda Bemposta, Borgo Del Vino (Família Eloy), Vinus Vale, Vale dos Desejos, Tassinari, Vinícola Arouca, Vinícola Mendez, Vale da Bússola, Fazenda São João Penedo, Fazenda Santa Teresa, Di Bento, Dream Farm e Altos do Rio, fazem parte de dezenas de vinícolas que estão em formação.

Uma das vinícolas em formação da região, do casal Antônio Manso e Márcia Marinho

Muitas delas já produzem excelentes vinhos e com rótulos premiados internacionalmente. Algumas das vinícolas tem optado pelo sistema de dupla poda ou colheita de inverno, que compreende realizar 2 podas na videira, sendo a primeira em agosto (época usual) e a segunda em janeiro, o que inverte seu ciclo natural.

Embora a técnica criada pelo agrônomo Murillo de Albuquerque esteja sendo difundida em todo o Brasil, a quem ache que, para grandes plantações, compromete a qualidade da uva. Por enquanto, os clientes têm se mostrado contentes com a excelente qualidade.

Ideraldo Machado, proprietário do Vale dos Desejos e presidente da AVIVA
Maurício Arouca, proprietário da Vinícola Arouca, em entrevista ao colunista Paulo Renato Marques

Uma grande comunidade se forma ao redor do agronegócio e agroturismo em Areal, município do Estado do Rio com grande potencial nesses segmentos

A equipe da Revista Manchete visitou quatro vinícolas na região de Areal para comprovar todo esse crescimento. O roteiro começou pelo primeiro condomínio vinícola da Região Sudeste do Brasil – o Borgo Del Vino. Tradição, beleza natural e o estilo de construção da vila transportam os visitantes à Toscana. O condomínio realiza venda de lotes, possui vila temática, hotel boutique, além das parreiras que produzem vinhos Syrah, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc e Malbec. Um universo de alma italiana no coração da Região Serrana Fluminense com excelente gastronomia e harmonização aliadas a um passeio altamente instagramável.

A equipe seguiu em direção ao Vale dos Desejos – uma vinícola familiar, que pode ser apreciada de um mirante de tirar o fôlego. Recentemente inaugurada como vinícola, possui um restaurante com uma bela “cave”, proporcionando ambientes sofisticados e cheios de estilo, aconchego e ótima gastronomia. O local conta com 5 suítes para hospedagem e possui uma estrutura completa para casais que desejam celebrar o grande dia de casamento em um espaço diferenciado com amplo jardim e área coberta de sapê.

Detalhe de uma das áreas do Restaurante “cave” da Vinícola Vale dos Desejos

A próxima parada foi na Fazenda Terra Benta, com a receptividade do casal Antônio Manso e Márcia Marinho. Eles apresentaram o projeto em construção, já com previsão de colheita e funcionamento no segundo semestre de 2025. Por fim, a visita à Vinícola Arouca, do produtor Maurício Arouca, que é um grande investidor na região. Além de estudioso do terroir, testou diferentes composições para seu corte bordalês. Aqui está a maior plantação da região, em expansão turística com investimento em um centro de degustação para visitantes com vista panorâmica. Os projetos também incluem a construção de uma pousada e de um parque temático dedicado ao vinho.

A reportagem também ouviu o proprietário da Fazenda Bemposta, Marcus Rezende, um entusiasta da uva e do vinho. Orgulha-se ao dizer que sua fazenda já foi visitada por personalidades do cinema americano, políticos importantes e a tradicional família Guinle. Toda essa história contada por ele e ilustrada com fotos da época, você poderá assistir acessando o canal da Revista Manchete do YouTube através do QRCode.

O primeiro vinho premiado internacionalmente saiu de Areal/ RJ, o que enche a cidade de orgulho e compromisso com o futuro desta cultura

No agronegócio do Estado do Rio de Janeiro há muitas oportunidades ainda desconhecidas pela maioria das pessoas e esta coluna é justamente dedicada a fornecer informações sobre esse segmento, que tanto orgulha os fluminenses. A Agro Rio é apresentada pelo especialista Paulo Renato Marques, com extensa formação técnica – é formado em engenharia pela UFRJ, com pós-graduação em engenharia econômica, MBA em marketing pela COPPEAD, mestrado em ciência política, doutorando em psicanálise e sociedade e é o atual presidente da Pesagro – Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro.

O jovem prefeito de Areal, José Augusto Bernardes Lima, conhecido como Gutinho reeleito com 80% dos votos em 2024

A matéria sobre vinhos abre o caminho nesta rota inesgotável sobre um estado que está se reinventando principalmente no interior. Sobre vinho, cerveja, cachaça, queijo, laticínios, café, laranja, gado, ovinos, piscicultura, cacau e muito mais, você conhecerá nas páginas e nos vídeos da nova Revista Manchete. A percepção da união de empresários e sociedade com o poder público, como facilitador do processo de desenvolvimento, vem colhendo resultados satisfatórios em cidades da região do Vale do Café, Miguel Pereira, Areal, Vassouras e muitas outras que surpreendem com investimentos e colheitas de resultados.

A região serrana do Estado do Rio de Janeiro é propícia a vitivinicultura e o enoturismo. Uma indústria sem chaminés que precisa ser explorada e ampliada