Sérgio Duarte
Construir empresas é o seu negócio

Ele transformou uma pequena fábrica de condimentos em um grupo que produz 100 toneladas por dia e ajuda outros empreendedores a também alavancarem seus produtos. Conheça, nesta entrevista, a trajetória deste carioca inovador, que acredita, acima de tudo, no potencial do estado do Rio de Janeiro para ser um grande polo industrial.

Marcos Salles recebeu Sérgio Duarte no estúdio da Revista Manchete

Como bom filho de imigrantes portugueses, empreender corria em suas veias. E assim, com apenas 19 anos, Sérgio Duarte se tornou sócio em uma metalúrgica. Aos 24, já casado, decidiu deixar de lado essa sociedade e partir para outra, junto ao sogro, que havia comprado uma empresa bem pequenininha de condimentos, no bairro carioca de Inhaúma, chamada Chinezinho. E lá se vão 38 anos de crescimento incessante, não só para Sérgio, mas também para várias outras marcas que hoje fazem parte do grupo Corrêa Duarte, do qual ele é o presidente. Atualmente, este conglomerado empresarial produz 700 linhas de produtos, em duas fábricas no estado do Rio: uma em Valença, outra em Vassouras, além de manter um escritório na Barra da Tijuca, uma transportadora em São João de Meriti e uma distribuidora em São Paulo.


Aos 62 anos, o empresário traz na bagagem os diplomas de Economia e de um MBA em Gestão de Negócios, além do mérito de ter sido, por quatro anos, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) – atualmente, se mantém como conselheiro desta instituição. E mais: é presidente do Sindicado das Indústrias de Alimentos do Município do Rio de Janeiro (Siarj) e presidente da Rio Indústria – Associação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Para completar, já recebeu a Medalha Pedro Ernesto, principal homenagem da cidade a quem mais se destaca na sociedade. Nas páginas a seguir, entenda por que Sérgio Duarte é merecedor dessa e de outras homenagens, como ser a capa da Revista Manchete.

 

 

Vamos começar nossa conversa matando uma curiosidade… Como surgiu o nome Chinezinho?
Quando fui buscar a origem desse nome, descobri que o primeiro dono da fábrica era um português. E, na época em que foi criada a marca, 52 anos atrás, tinha um jogador do Vasco da Gama chamado Chinezinho, inclusive com a grafia utilizando o “z”, e não o “s”, que seria o certo. Creio que foi uma homenagem a esse jogador.

Como é que está hoje a sua área de atuação? Já não é mais só Chinezinho, não é mesmo?
O grupo cresceu muito. Hoje, a Chinezinho é a principal marca da nossa empresa, o grupo Corrêa Duarte. Mas nós temos várias outras. Atualmente, chegamos a produzir 100 toneladas de produtos por dia, e, como sempre digo, temos que vender 100 toneladas todo dia, senão o estoque não cai.

Por qual motivo você escolheu ir para o interior do estado do Rio de Janeiro? Teve a ver com incentivo fiscal?
Foi em 1999, mais ou menos, que começamos a estudar o assunto. Às vezes, as pessoas confundem muito incentivo imaginando que isso é para o bolso do empresário. Só que uma política de incentivos bem-feita ajuda a empresa a competir. Teve um estudo que a Firjan fez na época, mostrando que a carga tributária do setor industrial era por volta de 44% do PIB dela. Então, de cada R$ 1 que a indústria produzia, R$ 0,44 eram impostos. Em comparação a outros países, por que o Brasil não é competitivo na hora de agregar valor ao produto fabricado? Porque há uma carga tributária como essa. E como brigar com o chinês, que está com zero? Eu não vou conseguir. Por isso, começamos a estudar levar a fábrica para outro lugar do Brasil que tivesse um incentivo mais forte, para poder competir. E, na época, o estado do Rio estava com uma política de incentivos para o interior, e Valença tinha acabado de aderir. Para nós, esse município fez mais sentido por causa da ligação com São Paulo. Então, fomos para o interior pela política de incentivos. E também para ficar perto do mercado consumidor, já que, em Valença, estou a 90 km de Juiz de Fora, a 250 km de São Paulo e a 150 km do Rio. Nós nos posicionamos numa região que concentra praticamente 50% do PIB nacional.

Muita gente fala que, em relação ao setor industrial, o Rio de Janeiro não é competitivo. Concorda?
Não. Nós aqui temos vantagens comparativas. Possuímos mão de obra qualificada, já que contamos com a segunda melhor base de ensino no Brasil, em termos de formação de especialistas e técnicos. Nós temos mercado consumidor, estradas com boa estrutura e portos e aeroportos juntos. O Rio de Janeiro é um hub, e por isso tem vocação industrial, sim. Se você der as condições e as políticas certas, pode transformar o Rio, principalmente o interior do estado. A capital está sempre protegida por seu turismo muito forte. Mas como desenvolver o interior? A indústria é um grande motor para esse desenvolvimento.

Então, o seu mercado de venda hoje está mais concentrado no Rio de Janeiro?
Estamos presentes em 13 estados da federação, mas o nosso forte é o Rio. É onde se concentra a maior parte de volume de mercadoria. A Chinezinho, em nosso estado, é uma marca muito consolidada. Isso está até no nosso slogan: “Toda casa tem”. Se você abrir a sua despensa agora, vai encontrar alguma coisa nossa.

Só que você não tem mais apenas produtos Chinezinho na sua prateleira. Está junto com várias empresas. Explica isso melhor…
Como a Chinezinho começou muito pequena, eu posso falar que sei de todas as dificuldades que um empreendedor passa para construir o seu negócio, para poder entender um pouco de finanças, de contabilidade… Então, dentro dessa experiência, o que percebi? Que existiam grandes ideias, grandes produtos, que não conseguiam ir para frente. Por isso, comecei a buscar esses empresários menores que estavam com alguma dificuldade e ofereci a eles a nossa estrutura, criando uma aceleradora de empresas na nossa holding, na Barra da Tijuca. Já temos quatro empresas sendo aceleradas e mais duas que devem entrar nos próximos meses. Ou seja, os produtos dessas empresas começam a ser produzidos nas nossas fábricas, com toda a assistência. E o empreendedor vem conosco, porque aquele produto é a alma dele, não queremos tirar isso, e sim que ele continue preservando essa vontade de empreender, de fazer alguma coisa diferente. Eu sempre brinco dizendo que toda a parte chata a gente assume. A contabilidade, o financeiro, a parte trabalhista, a estrutura e o transporte ficam com a gente, e o empreendedor fica com a parte que ele mais gosta: criar produto e vender.

Pode dividir com a gente alguns exemplos de empresas que estão acelerando?
Uma delas é o Brownie do Luiz. Nós trouxemos esses sócios, que sempre foram muito fortes em marketing. Com a nossa aceleração, já estamos até exportando para os Estados Unidos. Trouxemos também mais duas empresas, especialistas em fornecer para restaurantes, que eram boas em venda e atendimento ao cliente, e agora o nosso grupo complementa com o que elas precisam. Outros exemplos são o grupo Rão e o TT Burger, e, agora, somos nós que fabricamos os produtos deles.

E qual é o maior desafio que essas empresas enfrentam?
Capital de giro é o maior problema para o empreendedor no início. E você ainda tem a dificuldade com burocracia, que é a parte contábil. É impossível um empresário entender disso, daí ele vai para o contador. Porém, às vezes, nem o contador entende, porque são muitas mudanças na legislação. E quando um erro é pego pela fiscalização, o Estado vem punir o empresário com toda a força, sem dar o princípio da dúvida. E essa punição pode inviabilizar o negócio dele.

Além da sua veia industrial, você acaba tendo também uma veia um pouco social e política, no sentido de ajudar outros empresários a fazerem essa jornada no Rio de Janeiro. E, nesse sentido, fundou a Rio Indústria. Por que que você acha que é importante coexistir politicamente aqui no estado?
A Rio Indústria é uma associação de indústrias do Rio de Janeiro, que existe há cinco anos. Ela busca harmonizar os interesses, ou seja, fazer a interlocução do empresário com o poder público. E a gente também entende que, muitas vezes, o governo tem dificuldade de atender uma empresa. Por isso é que as entidades representativas são importantes, porque fazem com que essa interlocução fique melhor.

De certa forma, a Rio Indústria seria uma concorrente da Firjan?
Não, isso não existe. São entidades que coexistem, tanto é que eu faço parte do conselho da Firjan e sou presidente da Rio Indústria. Em nenhum momento elas se atritam. Muitas vezes, trabalhamos em paralelo, reforçando o pleito e a defesa, e buscando harmonizar os interesses dos setores.

Diante de tantas demandas profissionais, sobra tempo para o lazer?
Olha, o meu hobby é ficar com a minha família. O grande prazer da minha vida realmente é estar com a minha mulher, Laura, com quem estou casado há 39 anos. Ela é minha parceira, que sempre me motivou, me ajudou e me botou para frente. Temos dois filhos, Antônio e Anique, que são os meus amores. E o Antônio me deu, há cinco anos, o meu neto Noah. Todos botafoguenses! Também adoro bater papo com os amigos. E faço atividade física. Caminho e treino na academia. Mas só porque preciso, não é hobby. Nem gosto… Faço porque é importante para a saúde.

Você teria algum recado a dar ao consumidor carioca?
Percebo que nem sempre o carioca e o cidadão fluminense sabem das empresas que têm no Rio de Janeiro. Mas, quando eles pegam um produto da Chinezinho, é importante entender que, hoje, geramos 600 empregos diretos e mais de mil indiretos. Então, quando o consumidor vai ao supermercado e tem o princípio da escolha, seja pela qualidade ou pelo preço, sugiro que dê uma olhada onde ele é fabricado. E eu não estou falando só da Chinezinho, porque há outras grandes empresas no Rio de Janeiro. Ao ver que é produzido aqui e decidir comprar, com esse gesto está gerando emprego e renda ao estado. E só assim vamos ajudar o nosso Rio, gerando oportunidades.

 

Marcos Salles é jornalista e presidente da Revista Manchete

 

ZICA ASSIS
BELEZA QUE INSPIRA

No estúdio da Revista Manchete, Zica Assis bateu um papo emocionante com Mariana Leão

Heloísa Helena Belém de Assis, conhecida como Zica Assis, é sinônimo de empreendedorismo, inovação e valorização da autoestima. Mulher de origem pobre, vítima de preconceito, teve na sua própria história motivação para mudar a vida de milhares de outras. Com reconhecimento nacional e internacional, Zica hoje é considerada uma das principais referências inspiradoras do empreendedorismo brasileiro. Criou uma fórmula de sucesso e fundou o instituto Beleza Natural, em 1993, que, com o reposicionamento da marca, passou a se chamar Beleza – considerada a maior rede especializada em cabelos crespos e cacheados do país.

Atualmente, o Beleza conta com 37 unidades, entre lojas próprias e franquias, em cinco estados brasileiros, além de uma fábrica, a Cor Brasil Cosméticos, empregando cerca de 1.500 colaboradores. A marca vai além de serviços e produtos, promovendo autoestima, acolhimento e felicidade para mais de 100 mil clientes atendidos mensalmente.

Zica acumula importantes prêmios, como Empreendedora do Ano e Mulher Mais Influente do Brasil em Empreendedorismo, e marcou presença na lista das Mulheres de Negócios Mais Poderosas do Brasil da revista americana Forbes. Pioneira, sua empresa integra a Endeavor desde 2005 e se destaca também pelo impacto social, valorizando o primeiro emprego e a formação profissional. Com mais de 30 anos de atuação, o Beleza reafirma seu papel como referência em inovação e diversidade. Conheça, nesta entrevista, a trajetória inspiradora de Zica Assis.

Vamos começar falando da Zica, que, muito novinha, começou a trabalhar para ajudar a família?

Eu venho de uma família muito humilde, de 13 irmãos. Morávamos no Catrambi, uma comunidade na Tijuca, e tínhamos que trabalhar para ajudar a sustentar os mais novos. Vivíamos num barraquinho com dois cômodos, todo mundo junto, mas ali tinha amor e união. Quando completei 9 anos, a minha mãe me levou para conhecer a patroa e, assim que ela me viu, fui proibida de entrar na casa dela por causa do meu cabelo. Foi pesado, porque eu amava o meu cabelo e minha mãe disse que eu tinha que cortar. Aí eu cortei, alisei, perdi a minha identidade, e no dia seguinte estava lá trabalhando, cuidando de uma criança de 5 anos. Eu não entendia o porquê de ter que cortar e alisar o meu cabelo para poder trabalhar, não tinha uma resposta, ninguém me falava. Eu passei a minha adolescência inteira com aquela dor que só eu sei.

Foi por isso que você decidiu fazer um curso de cabeleireira aos 21 anos?

Sim, nessa idade eu percebia que as pessoas já estavam me procurando: “Cadê a Zica?”. A Zica que lava a melhor roupa, que faz a melhor faxina, que passa a melhor roupa, e isso me deu a garantia de que eu tinha feito o meu trabalho bem e que merecia ir em busca de algo maior. Fiz o curso na paróquia da minha comunidade, gratuitamente. Eu fui em busca de entender por que o meu cabelo era tão crespo, por que crescia para o alto, por que as pessoas não o respeitavam. No curso, na verdade, eu queria encontrar essas respostas. Aprendi tudo o que uma cabeleireira faz, mas não pensava em trabalhar com isso. Então, veio uma luz dizendo: “Faça e busque o que você quer”. Naquela época, o mercado só oferecia alisamentos, e eu não queria mais aquilo. Cortei meu cabelo curtinho para deixar o natural e comecei a buscar algo que pudesse amaciar. Não encontrei, mas lá no curso tinham representantes comerciais que vendiam produtos, e eu os convenci a trazer alguns que eram matérias-primas em forma de pozinhos, porque eu queria fazer misturas.

Além de seus salões, a empresária comercializa linhas de produtos para cabelos crespos e cacheados

E foi assim que nasceu a fórmula de sucesso que mudou a vida de milhares de mulheres?

Foi assim que começou. Eu levei para casa esses pozinhos, peguei a colher de pau e misturei várias coisas. Aplicava no meu cabelo e, claro, aconteciam erros. O cabelo caía muito, mas eu não desisti. Todo mundo falava que eu era louca, até a professora do curso não me dava bola. Foi quando entendi que precisava estudar mais. Peguei meu irmão, que era black, comecei a treinar no cabelo dele até chegar numa formulação base, e não caiu mais. Passei a aplicar em mim e foi dando certo, e eu chamei a atenção das pessoas da comunidade. As mulheres perguntavam o que eu estava usando e foi aí que descobri que tinha desenvolvido um produto. E todo mundo queria.

Em 1993, você abriu o seu próprio salão chamado Beleza Natural, com uma proposta inovadora para cabelos crespos e ondulados. Que lembranças você guarda dessa época?

Nós abrimos o Beleza Natural numa casinha de mais de 100 anos, no fundo de quintal, na Muda, que é um lugarzinho pequeno na Tijuca. Eram dois cômodos, muito humildes, mas ali havia o quê? Um nicho de mercado esquecido, um produto inovador que ninguém tinha, e aí foi um sucesso. Explodiu o Beleza Natural. Só que, para eu chegar até o meu salão, esperei dez anos. Não foram dez meses, foram dez anos! Esse foi o tempo que eu levei para desenvolver a minha alquimia até o registro chegar na minha mão. Não foi fácil, muita gente teria desistido. E quando o registro finalmente chegou, eu abri o salão.

E o sucesso foi tanto, que tinha fila na porta com senha, três horas antes de abrir as portas.

Sim, filas enormes. Todo mundo queria aplicar o produto no salão. Para mim, a coisa mais linda que aconteceu foi atender as pessoas da minha comunidade. Mas, quando eu vi, não estava atendendo só elas… Vinha gente da Tijuca, de outras cidades, de outros estados. A fila se formava às 5 da manhã e o salão só abria às 8 horas. As novas unidades reuniam mais de 100 pessoas lá dentro, por isso tivemos que começar a distribuir senhas, que fazem parte do Beleza até hoje. A marca cresceu, abrimos mais duas filiais em dois anos, e não paramos mais. Hoje, são 37 unidades de negócio, entre lojas próprias e franquias.

O Beleza impressiona por sua ascensão comercial com impacto social ao longo desses 32 anos. Hoje, conta com 1.500 colaboradores, a maioria mulher, não é?

É lindo demais, porque no Beleza elas se encontram. Damos oportunidade do primeiro emprego. Mais de 90% da nossa força de trabalho é formada por mulheres, que aprendem uma profissão e encontram a identidade delas. Temos parceria com universidades, para que elas se capacitem mais. Muitas delas entram fazendo cabelo, limpeza, e chegam a gerente comercial. Elas começam a se olhar, a melhorar o seu desempenho, a vida da família, dos filhos… Mexe com tudo, com toda a vida.

Pode citar um exemplo de alguém que tenha crescido profissionalmente no Beleza?

A Roberta tem uma história muito linda. Ela foi contratada como auxiliar de serviços gerais na empresa. Sempre muito caprichosa, mas não levantava o olhar, era envergonhada. Eu falei: “Nossa, essa menina tem potencial”, e comecei a mostrar a importância dela naquele lugar. Ela virou para mim e perguntou se poderia levantar, como quem diz “era proibido levantar a cabeça”. Roberta, então, entendeu que podia ir além e começou a estudar, a se interessar por outras áreas, e foi para o centro técnico. E sabe onde ela está hoje? Em Vitória, no Espírito Santo, como gerente comercial de uma unidade do Beleza.

Você também coleciona lembranças lindas com suas clientes. Qual a primeira história que vem à sua mente?

A transformação da mulher acontece quando ela descobre o poder dela. Eu lembro de uma cliente que estava casada há mais de 20 anos, e usava uma peruca porque tinha vergonha de seu cabelo. O marido elogiava muito o cabelo dela, só que ele não sabia que era peruca. Como ela conseguiu esconder, eu não sei. Então, essa cliente foi em busca do Beleza porque já não aguentava mais isso. Foi no salão de Jacarepaguá, e toda a equipe sabia da história dela. Ela chegava com a peruca, tirava, fazia o cabelo e botava a peruca de novo, porque o marido ficava no carro esperando. Aí teve um dia que, ao terminar de fazer o cabelo, quem entra no salão antes de ela colocar a peruca? O marido! E sabe o que ela falou para ele? Encheu o peito e disse: “Eu sou assim!”. Ele a abraçou, e nós vimos uma lágrima. Eu e a equipe nos emocionamos muito. Sabe quando um homem olha para uma mulher com amor? A reação dele foi essa. Foram 20 anos guardando esse segredo e, naquele dia, ela se libertou.

Zica Assis palestrando na Expo Favela 2025

Vendo o seu ponto de partida e onde chegou, o que você pode dizer para crianças, adolescentes e mulheres que ainda não se libertaram para assumir com orgulho a sua beleza natural?
Eu falo que passei por isso na minha infância, na escola. O meu cabelo era chamado de Bombril, e incomodava as pessoas, até a professora. Eu nunca sentei na frente porque ela dizia que o cabelo atrapalhava. Tinha que sentar lá atrás. Naquela época, era tudo muito silencioso. Mas hoje, quando a gente consegue botar para fora, recebe o apoio da mãe, do pai, das pessoas. Atualmente, você vê quanta gente que se assume dizendo: “Sou eu e pronto”? Com o black ou do jeito que quiser. Eu sou uma mulher que passou por preconceitos, mas acreditei em mim. Porque não é só o cabelo. O cabelo levanta a autoestima, sim, mas dentro de você tem força, tem energia dizendo para se garantir. Seja você mesma!

Zica, por todos esses motivos, você é a capa desta edição, e sabemos que você tem uma memória afetiva com a Revista Manchete.
Eu fui empregada doméstica e lia a Manchete, porque ganhava as revistas antigas dos patrões. Eu levava os exemplares para o meu salão, e hoje estou aqui, sendo capa! A vida é como uma escada. Acredito que a gente tem que subir cada degrau e olhar para trás para saber qual é a nossa base, para que não se perca nessa subida. Hoje, eu olho para o meu passado e digo que é uma honra muito grande estar aqui.

 

Palmas para os Destaques de 2025

Em 26 de novembro, o glamouroso Roxy Dinner Show brilhou ainda mais durante o Prêmio Revista Manchete 2025. Na plateia, cerca de 500 convidados aplaudiram os empresários e as personalidades que subiram ao palco para receber a placa em homenagem às suas atuações de sucesso no ano anterior.

Além de premiarmos as 20 melhores empresas do estado do Rio de Janeiro, escolhidas sob a curadoria da Fecomércio-RJ, Firjan e ACRJ, a noite foi marcada pelo lançamento da quinta edição da Revista Manchete e da edição especial 20 Melhores Empresas. Também prestamos o nosso reconhecimento a dez grandes nomes que fizeram a diferença, oferecendo a cada um o Troféu Personalidade Manchete.

 

O CEO e fundador do Roxy Dinner Show, Alexandre Accioly, reconheceu a importância da cerimônia:

 

“Premiar essas empresas vale não só para inspirar outros empreendedores, mas também para mostrar que o nosso estado tem muita coisa legal, muitas empresas bacanas”.

 

O nosso colunista Sávio Neves completou: “Essa premiação foi um marco, e teremos que repetir todo final de ano. Sucesso retumbante juntar tanta gente boa, que faz o bem”.

 

Emocionado, o presidente da Revista Manchete, Marcos Salles, concluiu: “Foi um evento simplesmente maravilhoso, nessa casa icônica do Rio de Janeiro, que é o Roxy. Estou realmente muito feliz com tudo o que conseguimos entregar para as pessoas”. E isso você acompanha nas páginas a seguir.

 

EMPRESAS QUE IMPULSIONARAM O RIO DE JANEIRO

Para entregar o Prêmio Revista Manchete 2025 a dez empresas que tiveram grande relevância no estado do Rio de Janeiro, convidamos o presidente da Fecomércio, Antonio Florencio de Queiroz Junior. As homenageadas foram: Multiplan, BlueMan, Supermercados Guanabara, Sergio Castro Imóveis, Ramada, Venancio, Impecável, Supermercados Zona Sul, Casas Pedro e Zerezes. “Todos os empresários que estão aqui recuperaram um pouco da autoestima do Rio de Janeiro e a nossa economia. Isso só foi possível por conta do trabalho deles, que enfrentam o dia a dia e se reinventam a cada momento, fazendo com que a nossa cidade continue sendo a mais linda do mundo”, discursou Queiroz.

 

Os homenageados de cada empresa posaram com a placa comemorativa recebida no Prêmio Manchete 2025

 

INDÚSTRIAS QUE BRILHARAM EM 2025

A Firjan ficou responsável por elencar as dez indústrias que mais se destacaram ao longo do ano passado. As escolhidas foram: Werner Tecidos, Petrobras, Fumel, SLB, Iconic, Porto Sudeste, Merck, Casa da Moeda do Brasil, Copapa e SBM Offshore. A editora-chefe da Revista Manchete, Mariana Leão, convidou ao palco o vice-presidente da Firjan, Carlos Erane de Aguiar, e ele foi o responsável por oferecer, a cada representante das empresas, a placa comemorativa. “É uma honra estar aqui esta noite para entregar o prêmio para as melhores empresas do Rio de Janeiro, iniciativa da Revista Manchete, em parceria com a Fecomércio e a Firjan”, comentou Aguiar.

“É uma honra estar aqui esta noite para entregar o prêmio para as melhores empresas do Rio de Janeiro.” Carlos Erane de Aguiar, vice-presidente da Firjan

 

HOMENAGEM AOS ÍCONES QUE INSPIRAM

Para fechar a noite com chave de ouro, entregamos o Troféu Personalidade Manchete para pessoas especiais que vêm contribuindo, ano após ano, para o engrandecimento de nosso estado em diferentes áreas. Os dez homenageados foram: Ilana Braun, Isadora Landau Remy, Yvonne Bezerra de Mello, Cristina Gaulia, Eduardo Peres, Ronaldo Cézar Coelho, Ricardo Amaral, João Pedro Paes Leme, Alexandre Monteiro e Abel Gomes. O eterno Rei da Noite Carioca, Ricardo Amaral, declarou: “A Manchete foi o palco do Rio de Janeiro elegante, charmoso. Todo mundo cobra isso: por que não somos mais tão charmosos? Então, com a volta da Revista Manchete, também vamos trazer de volta o charme do Rio”.

 

“Com a volta da Revista Manchete, também vamos trazer de volta o charme do Rio de Janeiro.”
Ricardo Amaral, jornalista e empresário

 

 

“A cidade é rodeada por maciços costeiros. As serras principais são Calaboca, Mato Grosso e o Pico da Lagoinha, com 890 metros. O território estende-se por 360mil km², dividido entre os distritos Maricá, Ponta Negra, Inoã e Itaipuaçu com uma população estimada em 200 mil pessoas.”

Alguns destaques da cultura brasileira tiveram ligação estreita com a cidade que escolheram para fixar residência e ter casa para lazer. Figuras como as cantoras Maysa e Beth Carvalho, o antropólogo Darcy Ribeiro e o jornalista João Saldanha. A Prefeitura vem adquirindo os imóveis que pertenceram a eles em vida para transformá-los em museus e espaços culturais. São todos bem próximos, na extensão das belas praias do Cordeirinho e de Barra de Maricá. O projeto recebeu o nome de Circuito Cultural Caminho das Artes.

A Estrada de Ferro de Maricá também faz parte da história da cidade. E viveu seu auge entre 1911 e 1940, registrando um grande volume de cargas da produção local.

Pátio da estação de Inoã (ou Inohan, na época)
Autoridades chegando em Maricá por meio da EFM (Estrada Férrea Maricá).
Panorâmica da cidade costeira de Maricá vista do mirante Pedra do Elefante

Maricá possui serras, as quais são chamadas de Mato Grosso, Calaboca, Lagarto, Espraiado, Silvado e Tiririca.

Possui também canais de ligações artificiais que fazem as águas das lagoas serem levadas ao mar

GESTÃO CONSOLIDADA

Maricá é um reduto do governo progressista consolidado há 16 anos. Comandado de 2009 a 2016 por Washington Quaquá, seguido por mandatos de Fabiano Horta de 2017 a 2024 e com os votos renovados por mais 4 anos (provavelmente 8) com o atual prefeito Quaquá. Mas qual a fórmula de tamanho sucesso? A Revista Manchete veio conhecer as principais entregas da gestão pública que efetivamente tem garantido a continuidade de uma mesma linha partidária por tanto tempo, algo incomum no cenário brasileiro.

MUMBUCA

Mumbuca é a moeda social de Maricá com conceito de economia circular. Distribuição de renda para a população com consumo local que gera emprego e aumento do poder aquisitivo. Para participar precisa estar inscrito no Cadastro Único da União. O cidadão recebe um cartão de débito com valores em mumbuca e os pagamentos são pela plataforma digital e-dinheiro. A moeda é administrada pelo Banco Mumbuca – instituição comunitária com CNPJ e independente da Prefeitura. Como curiosidade, Mumbuca é o nome do principal rio que corta a região central de Maricá e o valor é de 230 mumbucas com 90 mil beneficiários.

VERMELHINHO

Com os ônibus na cor vermelha predominante, a Empresa Pública de Transporte (EPT) possui atualmente 135 veículos, distribuídos em 39 linhas transportando uma média diária de 95 mil passageiros. São 1300 viagens por dia em um modelo pioneiro no Brasil a oferecer ônibus totalmente gratuito para toda a população. Não precisa de cadastro, é só esticar o braço entrar e se sentar.

PASSAPORTE UNIVERSITÁRIO

Programa municipal criado para permitir a moradores de baixa renda de Maricá ter acesso gratuito ao estudo universitário em instituições privadas, por meio de bolsas de estudos. Serve como oportunidade de formação profissional de nível superior a pessoas que não teriam condições financeiras de custear os estudos em faculdades particulares, para isso, é preciso atingir notas superiores a 450 pontos no ENEM.

AEROPORTO OFFSHORE

Remodelado e reinaugurado em 2018, o Aeroporto de Maricá realiza cerca de 18 voos offshore diários, com destino à Bacia de Santos. Localizado em um ponto estratégico possui 3 três pátios que somam 20 posições de aeronaves e 20 vagas para helicópteros de grande e médio porte. O programa da Prefeitura de Maricá em parceria com a Azul possui voos diários para Campinas e conexões para todo o Brasil.

HOSPITAL DR. ERNESTO CHE GUEVARA

A Prefeitura de Maricá possui um hospital de referência. Inaugurado em 2020 atende somente pacientes referenciados, ou seja, recebidos em ambulâncias, agendados pela Central de Regulação ou encaminhados por outros serviços da rede. A unidade possui quatro salas cirúrgicas de ponta totalmente equipadas para mais de 15 especialidades sendo destaque no atendimento de traumas. Existe no local um moderno centro de imagens, ambulatórios com diversas especialidades. Conta ainda com 5 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros cinco de enfermaria cirúrgica.

CODEMAR

A Codemar é a Companhia de Desenvolvimento de Maricá, uma sociedade por ações que atua na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro. A Codemar é responsável por diversos projetos na cidade, como o Parque Tecnológico, a Escola de Startups, o Hotel Maricá e o Biotec Maricá.

ORLA DE MAMBUÍ

Um boulevard que fica às margens da Avenida Braulino Venâncio da Costa com uma estrutura que inclui ciclovia e bicicletas gratuitas, um lago e bancos para contemplação, área esportiva com skatepark, campo de grama sintética, academias ao ar livre, pista de corrida além de playground para as crianças. Possui estabelecimentos comerciais, horta e aviário.

Uma cidade que cuida, transforma e inspira

EM 2025 começa uma nova fase em Maricá e durante a posse do atual prefeito o vídeo Cidade das Utopias foi apresentado aos que assistiram à posse, e você leitor, poderá também assistir clicando no QRC que está nesta matéria. É um vídeo futurístico, mas que, considerando a disposição de Quaquá ele se tornará realidade. A avaliação da nova gestão é clara e bem razoável quando afirma que o petróleo não é para sempre e que a cidade precisa se preparar para novos tempos, sem a dependência do royalty com a inserção de uma economia sustentável por meio de turismo, empresas de tecnologia, indústria e comércio, sem esquecer de cuidar das pessoas e da cultura. Até o momento o desenho tem sido neste caminho com redução de alguns benefícios como o PPT que vai gerar uma economia de R$ 180 milhões transformados em investimentos diretos em um conjunto de atratividades para quem estiver a caminho de Maricá a passeio ou negócios.

Uma nova e moderna estrutura rodoviária com integração de ônibus, VLT, Maria Fumaça com total acessibilidade e segurança para pedestres e veículos. O complexo terá parcerias com Governo do Estado, setor privado e prefeitura

BEM VINDOS AO FUTURO

Cidade das Utopias é um projeto de urbanização futurista de grande envergadura com um orçamento na casa de R$ 7 bilhões. Nas redes sociais, o prefeito vem dividindo com os seguidores sua visão positiva sobre a cidade que está novamente sob a sua gestão. Ele liga a Loja das Sardinhas, em Lisboa, Portugal, a uma loja similar com a produção de camarões e tilápias do projeto CIAMAR.

Conecta o parque Puy du Fou Espanhã, com quem já assinou contrato de intenções, a uma roda gigante e um esplendoroso teleférico, trazendo as instalações do Hotel de Maricá e o complexo hoteleiro Maraey. O projeto inclui tudo isso junto com a certeza de que, para alavancar o turismo, é necessário investir em muitas atrações. Nada passa despercebido, mesmo com a urgência da transformação da cidade. Faz parte dos planos acelerar as usinas fotovoltaicas, construir condomínios empresarias e residenciais, além dos 7 novos pórticos para a cidade. O atual gestor de Maricá tem demonstrado capacidade política para trazer investimentos do governo do Estado RJ, da iniciativa privada, de quem conquistou respeito pela sua história e do governo federal, pela sua carreira progressista. Assim, tem conseguido realizar obras de grande vulto, como o complexo esportivo, parque linear e tecnológico, piscina natural e ainda, um gigantesco porto. Isso sem falar do mergulhão em Inoã, duplicação da BR e corredor de VLT ligando Inoã a Itapuaçu, além da maria fumaça para resgatar a história como forma de atrativo turístico.

Que ninguém duvide da disposição e do olhar atento da nova gestão, pois existe o preceito da urgência de seguir pelo caminho da geração de emprego e renda na cidade por meio do empreendedorismo dos maricaenses e dos empresários, que resolverem lançar suas fichas na Cidade das Utopias. O que a Revista Manchete deseja é que esse projeto seja um grande sucesso, pois o nosso estado precisa de um interior forte com muitas opções para cariocas, fluminenses e turistas nacionais e internacionais.

“Este é só o começo! Maricá vai se tornar uma cidade mundial, cuidando das pessoas e das famílias. Uma cidade onde as utopias se tornam realidade.”

Washington Quaquá (prefeito eleito de Maricá (RJ)