OBESIDADE
TRATAMENTO EFICAZ, PARA A VIDA TODA

CONHEÇA A HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO DE JOJO TODYNHO, QUE CONTOU – E CONTA ATÉ HOJE – COM UMA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR PARA EQUILIBRAR NÃO SÓ O SEU PESO NA BALANÇA, MAS TAMBÉM A SUA VIDA.

Jojo Todynho exibe sua atual silhueta, após ter eliminado 84 quilos

A obesidade é uma doença multifatorial, em que precisamos atuar nos múltiplos fatores que levam ao acúmulo de gordura nos tecidos. Isso significa quebrar a imobilidade com a introdução de atividades físicas, respeitar o ciclo circadiano ao equilibrar o sono, fazer uma reeducação alimentar contínua e gradual, entrar com suplementos (vitaminas minerais e aminoácidos) e cuidar dos distúrbios que possam levar à compulsão alimentar.

Porém, é preciso entender: a obesidade não possui um tratamento definitivo, mas tem controle, que deve ser sustentável a longo prazo – nada muito brusco ou radical. É um processo que vale a pena, já que afasta os problemas decorrentes do excesso de peso, como gordura no fígado, hipertensão e doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e articulares, além da piora da qualidade de vida.

E foi diante de um quadro de saúde caminhando para a síndrome metabólica (quando doenças crônicas se instalam por conta dos hábitos ruins da vida) que Jordana Gleise de Jesus Menezes – mais conhecida como Jojo Todynho – chegou ao meu consultório, em 2018. Na época, ela apresentava gordura no fígado, anemia e deficiência de ferro e vitaminas D e B12, que a deixavam muito prostrada. Além disso, a gordura estava inflamando o seu corpo e afetando todos os seus sistemas de maneira insidiosa.

Jojo deu início ao tratamento para a obesidade, mas, após a participação no reality A Fazenda, em 2020, ganhou muito peso e chegou a 165 quilos. Foi quando a necessidade da cirurgia bariátrica foi constatada, porque ela já tinha passado por outros tratamentos sem alcançar o efeito desejado. Mas, antes de a cantora, empresária e atual estudante de Direito passar pelo procedimento, precisou melhorar a sua condição de saúde. Entramos, então, com reposição venosa de vitaminas e minerais e reeducação alimentar, para que ela eliminasse 15 quilos – essencial para que a cirurgia fosse bem-sucedida.

Em agosto de 2023, com a saúde já equilibrada, chegou a hora da bariátrica. Após o procedimento, além de continuar com meus atendimentos de endocrinologia ortomolecular, ela seguiu com nutricionista, psicoterapeuta e educador físico. Agora, Jojo exibe a vitória: eliminou cerca de 84 quilos, marcando 72 quilos na balança. Mas, como eu disse que o tratamento da obesidade é de longo prazo, ainda trabalhamos para a manutenção de sua massa magra e perda de gordura.

“As pessoas acham que é só fazer bariátrica… Mas é uma construção gradativa. O nosso presente interfere no nosso futuro. Agora, faço uma construção do que eu quero. E o que eu quero é saúde. O shape é consequência disso.”

Jojo Todynho, cantora e empresária

CARINHO DE PAI E FILHA

Hoje, fico muito feliz ao dizer que eu e Jojo desenvolvemos uma relação tão próxima que ela me chama de “pai” e eu a chamo de “filhota”. Para quem vê de longe, pode parecer que tudo se deu num passe de mágica. Mas não foi bem assim, como ela própria conta: “Foi muito doloroso. As pessoas acham que é só fazer bariátrica, que é só fazer plástica… Mas é uma construção gradativa. Acho que o nosso presente interfere no nosso futuro. Então, agora, faço uma construção do que eu quero. E o que eu quero é saúde. O shape é consequência disso. Hoje, minha fome voltou. Por isso, preciso ter muito controle da alimentação e dos treinos, senão volta tudo de novo”.

De fato, existe uma grande incidência de reganho de peso entre quem fez a bariátrica. Assim, apenas passar pela cirurgia não significa que a batalha está vencida. A cada dia, é um novo round. “Essa luta vai se perpetuar na minha vida até a velhice, porque tenho que seguir os cronogramas alimentares e vitamínicos. É uma batalha diária para cuidar da alimentação e para me levantar e ir treinar”, afirma Jojo.

A cantora também passou por uma situação que pode acontecer nesse processo de emagrecimento: o desenvolvimento de alguns hábitos nocivos, como uso excessivo de álcool ou distorção de imagem. “No meu caso, passei a comprar em excesso. Antigamente, quando eu via uma roupa na vitrine, tirava a foto e mandava para a costureira fazer. Hoje, posso comprar a roupa do tamanho que tiver na loja. A minha terapeuta, então, me orientou a fazer um bazar. Depois que eu usar algo por seis vezes, coloco no bazar e só depois posso comprar coisas novas”, comenta.

“Quero representar quem vê em mim a porta da esperança para mudar a sua história.”
Jojo Todynho

Por outro lado, Jojo faz uma grande constatação positiva: “Essa retirada da obesidade da minha vida me fez entender que a gordura só vem atrapalhar a vida daqueles que querem viver fora da procrastinação”. E isso diz respeito não apenas à prática de exercícios e à adesão a uma alimentação melhor, mas também ao retorno aos estudos. “Parece que, quando a camada de gordura foi se dissolvendo, fui ficando mais inteligente. Antigamente, tinha dificuldade de assimilar muitas coisas, e hoje consigo ter uma percepção maior e melhor de tudo, e me desenvolvo mais dentro da faculdade. Parece que a gordura faz a gente atrofiar um pouco o cérebro”, suspeita. E com razão: estudos já mostraram que a gordura está diretamente ligada à degeneração cerebral e que o emagrecimento traz a melhora cognitiva.

Diferentes fases: o excesso de peso, o início dos treinos para vencer a obesidade, a virada de chave na Disney (quando não conseguiu entrar nos brinquedos) e seu novo visual, repleto de saúde

A HORA DA VIRADA DE CHAVE
Mas quando Jojo compreendeu que precisava buscar um tratamento para emagrecer? “Quando eu fui à Disney e não entrei em vários brinquedos, surgiu o meu gatilho para mudar. Depois, na terapia, fui entender que, quando eu era criança, tinha saúde, mas não tinha dinheiro para brincar num parque que ficava perto da casa da minha avó. Depois, passei a ter dinheiro, mas não tinha saúde”, reflete. Isso a fez cogitar passar pela bariátrica. “Antes, eu não aceitava. Mas já tinha colocado balão e tentado todas as canetas emagrecedoras. A caneta é ótima, mas, se você não virar a chave, perde 40 quilos e depois ganha 100. Por isso é que precisa ter um acompanhamento profissional com nutricionista e endócrino ortomolecular, que vai trazer todo esse olhar de dedicação para a sua saúde”, conta.

A cantora lembra de outros fatores que começaram a gritar dentro dela: “É normal você não conseguir subir uma escada? É normal precisar de alguém para colocar um sapato em você, te vestir, te banhar, te locomover? É muito ruim ficar dependente das pessoas. E isso despertava uma ira interna, que só piorava o meu quadro. Tive que ir na raiz de onde comecei a me perder”, revela a cantora, ressaltando que a terapia tem sido, até hoje, parte muito importante em seu processo.

Graças à sua visibilidade, Jojo inspira muitas pessoas que também passam pelo processo de emagrecimento. “Eu sou uma mulher que vem buscando transformação diariamente, física e mental. Então, quero representar quem vê em mim a porta da esperança para mudar a sua história. O que quero trazer de inspiração para a mulherada é que se cuide, porque isso é muito importante.”

E ela finaliza com uma bela mensagem: “Não podemos arrumar um culpado para a nossa situação, porque o culpado somos nós. Somos vítimas de nós mesmos, das nossas escolhas. E pagamos o preço do que escolhemos. Então, se você quer ter uma vida prolongada, em que pode brincar com seus filhos e ter a liberdade de ir para onde quiser, precisa entender que a única pessoa que pode fazer diferença na sua vida é você mesmo”. Palavras da minha filhota Jojo, e eu assino embaixo.

Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho

Lipedema
A DOENÇA IGNORADA
AGORA TEM VOZ

Durante anos, ele foi confundido com obesidade ou tratado como mero problema estético. Mas, em 2025, o 1º Consenso Brasileiro de Lipedema mudou o jogo: trouxe ciência, clareza e acolhimento a milhares de mulheres que convivem com dor, limitações e preconceitos.

Descrito em 1940, o lipedema é uma condição inflamatória crônica e progressiva. Ele provoca o depósito simétrico de gordura em pernas, braços e quadris – poupando pés e mãos – e causa dor, hematomas fáceis e sensação de peso constante. Estima-se que 12% das mulheres brasileiras tenham sinais da doença, embora muitas sigam sem diagnóstico. E saiba que essa é uma questão predominantemente feminina – embora existam casos raros em homens.

Mas como o problema se desenvolve? O Consenso Brasileiro de Lipedema descreve um ciclo patológico: células de gordura se multiplicam, o tecido entra em hipóxia (redução do oxigênio), há inflamação e fibrose, além de alterações vasculares e linfáticas. O resultado é o acúmulo de gordura que não responde a dietas ou exercícios, piora em fases hormonais (puberdade, gravidez e menopausa) e compromete a mobilidade.

O seu diagnóstico é feito, sobretudo, pela observação clínica. O médico avalia se há gordura em membros (exceto nos pés e nas mãos), dor e hematomas frequentes, além de histórico familiar positivo. Exames, como ultrassom e densitometria óssea (DXA – que também avalia a composição corporal), ajudam em casos duvidosos, mas o olhar atento do especialista é decisivo.

Uma vez detectado o problema, a boa notícia é que há tratamento para o lipedema. E, quanto a isso, o Consenso Brasileiro é claro: o tratamento conservador deve ser a primeira escolha. Isso se dá por meio de drenagem linfática manual, meias de compressão sob medida, exercícios de baixo impacto, dieta anti-inflamatória e suporte psicológico. A cirurgia (como a lipoaspiração linfossuperficial) é reservada para casos avançados e sempre acompanhada de fisioterapia intensiva.

Exercícios de baixo impacto, como caminhada, ajudam a tratar o lipedema.

INOVAÇÃO E FUTURO
Tecnologias como radiofrequência, vibrolipoaspiração e protocolos integrados vêm ampliando as opções de tratamento. A telemedicina também se consolida: consultas virtuais, aplicativos de monitoramento e grupos de apoio on-line aproximam pacientes de cuidados especializados, reduzindo deslocamentos e isolamento.

Inserido na CID-11 em 2022, o lipedema só terá protocolos padronizados no Brasil em 2027. Até lá, o Consenso Brasileiro de 2025 já garante avanços ao combater o estigma, reconhecer a doença como crônica e priorizar a abordagem multidisciplinar.
O que todos precisam entender, a partir de agora, é que o lipedema não é uma questão estética. É uma doença real, complexa e inflamatória – e que finalmente ganha o reconhecimento que tantas mulheres esperavam. É, portanto, um marco para a saúde feminina.

O lipedema finalmente ganha o reconhecimento que tantas mulheres esperavam. É, portanto, um marco para a saúde feminina.

TEM DÚVIDAS SOBRE O ASSUNTO?
AS RESPOSTAS ESTÃO AQUI

Por que o lipedema passa, tantas vezes, despercebido pelas pessoas?
Isso acontece porque, por muitos anos, foi confundido com obesidade ou vaidade estética, quando, na verdade é uma condição médica.

Como diferenciar o lipedema da obesidade comum?
O lipedema tem características muito próprias: dor ao toque, tendência a hematomas, acúmulo de gordura, que não chega aos pés nem às mãos, e o fato de não responder a dietas ou exercícios. Além disso, o aspecto arredondado dos joelhos e a simetria dos membros são pistas importantes. Para completar, ao se apertar a região, a gordura do lipedema é mais semelhante a bolinhas de gude, diferentemente da gordura localizada, que é mais homogênea. Vale dizer, ainda, que na obesidade comum temos gordura envolvendo todo o corpo, enquanto no lipedema é uma gordura de distribuição irregular, atingindo membros e quadril.

Existe cura para o lipedema?
Não existe cura definitiva, mas o tratamento pode trazer enorme melhora na qualidade de vida. E quanto mais precoce ele for iniciado, melhor vai ser o resultado. O ponto de partida é sempre conservador: drenagem linfática, meias de compressão, exercícios de baixo impacto, nutrição com suplementos orais e/ou injetáveis que vão reparar a inflamação e o desbalanço gordura/massa muscular, alimentação anti-inflamatória e suporte psicológico. A cirurgia só é indicada em casos avançados, como complemento.

Tem como evitar o lipedema?
Não. Essa é uma doença genética inflamatória crônica que, dependendo do grau, pode ser observada até em crianças. Mas é importante lembrar: se o diagnóstico for precoce e o tratamento começar logo, e de forma persistente, é possível minimizar ou até fazer o lipedema “sumir” – ou seja, não mais incomodar a mulher.

O lipedema dói?
A maioria dos lipedemas dói, sim. Mas há casos sem dor, principalmente no estágio 1. Nesse estágio, é mais difícil perceber o problema, a não ser que a pessoa tenha um cansaço nas pernas ou a sensação de peso sem qualquer outra causa. Outro sinal inicial, também sem dor, é a formação de uma gordura nodular ou joelhos que perdem o seu desenho definido (ficam com um aspecto mais “inchado” ou “embotado”, como se a gordura escondesse a estrutura óssea).

Qual é o impacto desse Consenso Brasileiro de 2025 para as pacientes?
Ele muda tudo. O Consenso padroniza critérios de diagnóstico, coloca o tratamento conservador como prioridade e reconhece oficialmente o lipedema como uma doença real e crônica. Isso significa mais acolhimento, menos preconceito e protocolos claros para os profissionais da saúde.

Quais são as novidades e perspectivas futuras para o manejo do lipedema?
Temos avanços em técnicas cirúrgicas mais seguras, como a vibrolipoaspiração e o Vaser (tecnologia ultrassônica de última geração que ajuda a modelar o corpo), além do uso de tecnologias de radiofrequência para melhorar a pele. Outro ponto importante é a telemedicina, que permite acompanhamento multidisciplinar à distância, aplicativos de monitoramento de dor e até grupos de apoio on-line. O futuro aponta para um cuidado mais tecnológico e personalizado.

 

 

 

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra e especialista em medicina integrativa. Diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Membro do corpo clínico da Clinica HE Performance e diretora-médica do Instituto Ana Cristina Barreira.

Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho.

Vitaminas e Minerais
BENEFÍCIOS E RISCOS DA REPOSIÇÃO

Sensação de esgotamento, falta de foco, imunidade baixa. Coincidência ou sinal de desequilíbrio silencioso? Mesmo com uma dieta equilibrada, o corpo pode não absorver o que precisa. Deficiências sutis de vitaminas e minerais podem comprometer funções essenciais – da cognição à saúde cardiovascular. Mas suplementar sem critério pode trazer riscos. Nesta edição, revelamos as descobertas da ciência sobre esse tema e as circunstâncias em que a reposição se torna uma aliada ou um erro disfarçado de cuidado.

Reposição inteligente é como uma orquestra: exige harmonia, precisão e propósito. Não adianta apenas engolir um comprimido. Vivemos uma era de abundância alimentar, mas de carência nutricional. Comemos muito e absorvemos pouco. Alimentos processados, solos empobrecidos e excesso de contaminantes, como agrotóxicos, comprometem até mesmo dietas aparentemente equilibradas. Somado a isso, o estresse crônico reduz a acidez gástrica – condição chamada de hipocloridria –, prejudicando a absorção intestinal de micronutrientes essenciais. O resultado? Uma geração inflamada, cansada e sem respostas. Entender o papel das vitaminas e dos minerais é essencial para recuperar o equilíbrio, otimizar funções vitais e prevenir doenças silenciosas.

.Vitamina A: Importante para a visão, imunidade e saúde da pele.
Sua deficiência pode causar cegueira noturna e maior suscetibilidade
a infecções.
.Vitaminas do complexo B (como B12 e ácido fólico): Importantes para a produção de energia e função cognitiva. Sua deficiência pode causar fadiga e dificuldade de concentração.
.Vitamina C: Essencial para o sistema imunológico. Sua deficiência pode aumentar a incidência de infecções respiratórias.
.Vitamina D: Crucial para a saúde óssea e imunológica. Sua falta está associada ao maior risco de doenças autoimunes e a alguns tipos de câncer.

.Vitamina E: Atua como antioxidante, protegendo as células contra danos. Sua falta pode levar a problemas neuromusculares.
.Vitamina K: Essencial para a coagulação do sangue e a saúde óssea.
A deficiência pode causar sangramentos excessivos.
.Cálcio: Essencial para a saúde óssea. Sua falta pode aumentar o risco de osteoporose.
.Ferro: Mineral importantíssimo inserido nas células que transportam o oxigênio do nosso corpo, a hemoglobina. Sua deficiência pode levar à anemia, causando fraqueza e falta de energia.
.Iodo: Fundamental para a função da tireoide e o desenvolvimento cognitivo.
.Magnésio: Essencial para a função muscular e nervosa, além de ajudar na regulação da pressão arterial.
.Zinco: Importante para o sistema imunológico e para a cicatrização de feridas.

 

Olá, pele jovem! Estética e saúde em dia

Um mito sobre a vitamina C é a sobrecarga nos rins. Podemos tomar diariamente, mas sob prescrição. Sua reposição é importante para aumentar a imunidade, participar da formação do colágeno, combater o envelhecimento celular e modular processos inflamatórios. Com sua deficiência, a pessoa pode adoecer, ter má cicatrização, gengivas sangrando e pele opaca. A vitamina C não é marketing para gripe. Ela é considerada a rainha na nutrição, mas não podemos esquecer também a importância do zinco, cobre, eanxofre e magnésio e de alguns aminoácidos, como glicina, lisina, prolina e silício orgânico.

A vitamina D, conhecida como a vitamina do sol, é um nutriente essencial para a saúde – ela é considerada uma “hormovitamina”. Atua no cérebro, nos ossos, na imunidade e até na regulação hormonal. A deficiência é epidêmica, mesmo em países ensolarados como o Brasil. O uso diário de protetor, mesmo com proteção baixa, impede a conversão dos precursores de vitamina D em pró-vitamina. O excesso de melanina (pessoas que tomam muito sol) age como um protetor solar. Da mesma forma, a idade avançada e a obesidade também atrapalham as funções de certos medicamentos, como estatinas, corticoides e anticonvulsivantes, podendo interferir no metabolismo hepático ou renal, causando a deficiência de absorção. O que poucos sabem é que em ambientes poluídos, mesmo que tenha sol, a produção de vitamina D é prejudicada. Por todos esses fatores, a suplementação em casos de deficiência deve ser prescrita por um médico, principalmente a idosos.

Queda de cabelo, pele seca, unhas fracas, exaustão, memória ruim… Podem ser sintomas da deficiência de B12, mas a causa também pode estar na falta de ferro e zinco. Situação que pode piorar no estágio de pós-bariátrica, no veganismo e quando há sangramento menstrual intenso e doenças autoimunes. Às vezes, os exames nem acusam anemia, mas podemos ter uma ferritina abaixo do ideal. A B12, a B6 e o ácido fólico em formas ativas (metiladas) são essenciais para o metabolismo celular, a produção de neurotransmissores e a saúde mental. A deficiência dessas vitaminas aumenta a homocisteína, que é inflamatória para os vasos. Quem tem mutações genéticas, como MTHFR, por exemplo, não consegue ativar essas vitaminas. Resultado? Ansiedade, fadiga crônica, queda de cabelo e até infertilidade.
O cálcio sempre foi o protagonista quando falamos em saúde óssea, mas talvez esteja na hora de revermos esse roteiro. Embora sua importância na formação e manutenção dos ossos seja indiscutível, esse mineral não atua sozinho. A deficiência de cofatores essenciais, como vitamina D, vitamina K2, magnésio e até boro, é frequentemente a verdadeira causa por trás de quadros de osteopenia e osteoporose. Sem esses elementos, o cálcio pode se perder no caminho ou, pior, depositar-se onde não deve, como nas artérias, provocando a calcificação vascular. Por isso, a suplementação deve ser individualizada e realizada sob orientação médica, especialmente na prevenção e no tratamento de doenças, como osteoporose, osteomalácia e raquitismo. No fim das contas, não é apenas sobre consumir cálcio, e sim fazê-lo chegar ao lugar certo.

O lugol é uma solução concentrada de iodo e iodeto de potássio, usada principalmente para tratar problemas da tireoide, como hipotireoidismo, ou como antisséptico tópico. O lugol e o iodo ainda dividem opiniões sobre a reposição. O iodo é essencial para a tireoide, memória e até fertilidade. Mas a dose é individual e, muitas vezes, a contaminação do organismo pelo flúor ou alumínio impede que o iodo que já existe no seu corpo entre nos receptores da tireoide, impossibilitando seu funcionamento correto. A moda do lugol criou exageros, cuidado! O excesso pode ser tão prejudicial quanto a falta. A dose deve ser cuidadosamente ajustada com precisão para evitar riscos à saúde.
A vitamina A, também conhecida como retinol, é um micronutriente essencial para o bom funcionamento do corpo. Seu uso não é recomendado apenas com a finalidade de ter uma pele bonita; também serve para proteger a visão, reforçar a imunidade e a saúde das mucosas. Desempenha papel fundamental na produção de pigmentos na retina, que são importantes para a visão em condições de pouca luz. Mulheres com candidíase recorrente ou baixa resistência costumam ter deficiência. Estética é só a ponta do iceberg.

A vitamina E é o escudo antioxidante das nossas células. Protege o cérebro e o coração, além de ajudar na fertilidade. Também é uma protetora das células contra lesões causadas pelos radicais livres, com ações anti-inflamatórias que ajudam a melhorar o sistema imune, a pele e o cabelo, assim como previne doenças como aterosclerose e Alzheimer. Quem tem gordura abdominal crônica, por exemplo, consome mais radicais livres e precisa ainda mais da vitamina E.

A vitamina K vai muito além da coagulação do sangue. Na sua forma de K2, ajuda a evitar a calcificação arterial e ativa proteínas que fixam o cálcio nos ossos, sendo especialmente crucial para a longevidade. Poucos médicos ainda pedem esse marcador, mas deveriam. A vitamina K é encontrada em alimentos de origem vegetal, principalmente em folhas verde-escuras.

O magnésio é realmente o mineral do século. Participa de mais de 300 reações bioquímicas. Está ligado ao humor, ao sono, à TPM, à pressão arterial e à sensibilidade à insulina. Uma pessoa irritada, com câimbras ou intestino preso pode estar só com falta de magnésio! Temos que lembrar que o magnésio é o mineral que mais é retirado do nosso corpo, e um das principais causas disso é o estresse.

O zinco está relacionado à imunidade e à beleza. É o arquiteto da pele e da defesa. Sem zinco, o colágeno desmorona, as unhas lascam e a pele enruga. Além disso, ele é antiviral. Crianças que vivem doentes e adultos com baixa libido muitas vezes têm deficiência de zinco e nem sabem. Esse mineral também é importante para a tireoide e a imunidade.

SAÚDE NÃO É AUSÊNCIA DE DOENÇA

Queremos chamar a atenção para muitos casos de pacientes que tomam antidepressivos há muitos anos, inclusive com doses progressivas, desencadeando efeitos colaterais sem apresentar melhora no quadro clínico. É importante que seja avaliado o fator nutricional paralelamente, pois a fisiologia humana necessita desses componentes estruturais, associando vitaminas e oligoelementos para o bom funcionamento do aorganismo. A suplementação é uma grande aliada no combate às doenças crônicas, além de fornecer energia para o corpo e melhorar o sistema imunológico.

Em outras situações, como gravidez, amamentação, recuperação pós-cirúrgica e restrições alimentares, a reposição de vitaminas e minerais pode ser essencial para garantir saúde e bem-estar. Nas farmácias, há muitas prateleiras repletas de frascos de vitaminas, muitas inclusive já com fórmula pronta de complexos, mas, cuidado, a automedicação pode trazer riscos à saúde.

A RELAÇÃO DA BARIÁTRICA COM VITAMINAS E MINERAIS

Vitaminas e minerais são importantíssimos no processo após a cirurgia bariátrica. O verdadeiro tratamento começa na correção das deficiências silenciosas, transformando as estatísticas. Hoje, de 50% a 80% das pessoas têm reganho de peso após dois a cinco anos de cirurgia. A bariátrica é uma ferramenta poderosa, mas exige um plano de suporte contínuo, com foco em nutrição funcional, modulação hormonal, suporte psicológico e estímulo à massa magra. E temos que lembrar que, dentro das cirurgias bariátricas mais comuns, principalmente as com função metabólica, ocorre uma disabsorção importante, pois o paciente perde uma parte do seu corpo que é fundamental para absorver o que come. Isso vai gerar uma deficiência nutricional importante que só vai ser regulada com suplementação injetável, mesmo na cirurgia menos agressiva que preserva o intestino, mas perde 2/3 do estômago, o que acarreta uma hipocloridria, diminuindo e muito a absorção dos nutrientes por via oral.

VITAMINAS E SAIS MINERAIS DE USO EXTERNO

Se você tem dúvidas se funcionam, a resposta é sim, auxiliando de forma complementar. Existem vitaminas que não precisam ser injetáveis, nem ingeridas em forma de comprimidos e cápsulas. Temos, por exemplo, na indústria de cosméticos, as ampolas com finalidade de nutrição da fibra capilar. Os componentes protagonistas são: biotina – grande aliada na formação dos folículos capilares, dando força aos fios –, riboflavina, B3, B5, B12 e ácido fólico, além da vitamina D e do retinol. O cabelo passa por três fases essenciais em seu ciclo de vida. A primeira é a anágena, que é o período em que cresce e a fibra recebe constantes doses de vitaminas e sais minerais importantes parar a saúde e força. As próximas etapas são a catágena e a telógena, que necessitam de nutrientes favoráveis para manter o ciclo sem enfraquecimento, evitando a queda. Regeneração e hidratação são as melhores aliadas para a qualidade dos fios, assim como a nutrição é ideal para a multiplicação celular. É importante entender qual a necessidade do cabelo para montar um tratamento eficaz, que consiga repor nutrientes importantes e manter o ciclo de vida capilar saudável.

SUPLEMENTAÇÃO PARA 60 +

A atenção com a suplementação da pessoa idosa deve ser primordial. O intestino nessa fase está sob alerta, como um pneu careca que rodou muitos anos e pode apresentar falhas na absorção de nutrientes. Para reparar esse desgaste, recomendamos um combo, mas que deve ser dosado individualmente, contendo: a campeã vitamina D, com sua ação imunomoduladora; o zinco, por ser essencial para a maturação de células de defesa, como os linfócitos T e cels NK; a vitamina C, que aumenta a produção de interferon, essencial no combate a vírus; a B12, pela queda drástica depois dos 60 anos e por ser essencial para manter o sistema imune; e o magnésio, que ajuda no controle do cortisol, pois, quando alterado, desregula o sistema imune.

Mesmo sem alterações aparentes nos exames, o uso estratégico de algumas vitaminas e minerais pode otimizar a saúde, prevenir doenças e melhorar o funcionamento metabólico.

E detalhe: exames de rotina, muitas vezes, não detectam deficiências funcionais, aquelas que já estão afetando o bem-estar, mas ainda não geraram uma alteração laboratorial “fora da curva”. Além do mais, o sangue não é o melhor meio para determinarmos a deficiência de minerais, Então, podemos subdiagnosticar uma deficiência de magnésio, que é muito comum em nosso dia a dia estressante e perigoso, no qual geramos muita adrenalina.

 

 

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira Medicina Integrativa Clínica.

Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho.