Na trilha do frescor
QUANDO O VERÃO VAI EMBORA, MAS O CALOR INSISTE EM FICAR, A COZINHA CARIOCA PEDE LEVEZA, SEM ABRIR MÃO DO SABOR. POR ISSO, QUE TAL PREPARAR UM PEIXE QUE COMBINA COM O CLIMA DO RIO? ESTA RECEITA DE TRILHA NO FORNO, CHUTNEY DE MANGA COM GOIABA E VINAGRETE DE MAÇÃ FOI PENSADA PARA REFRESCAR O CORPO E DESPERTAR OS SENTIDOS. DELICIE-SE!
Na Cidade Maravilhosa, o verão se despede, mas o calor continua, ainda que com temperaturas mais amenas. Este clima ainda pede pratos que tragam leveza, frescor e sabor sem excessos. Pensando nisso, para esta edição, escolhi um peixe que dialoga diretamente com o Rio de Janeiro: a trilha, preparada no forno, acompanhada de um chutney tropical de manga com goiaba e um vinagrete de maçã-verde. A ideia dessa receita é trabalhar com ingredientes simples, orgânicos e cheios de vida.
Nesta cidade tradicionalmente quente, a comida precisa refrescar de verdade, não só no sabor, mas na sensação que deixa depois. Por isso, a escolha da trilha não é por acaso. Com sua carne delicada e sabor marcante, ela se beneficia de preparações suaves, que respeitam sua textura e realçam o frescor natural. Assada lentamente, envolta em ervas, azeite e aromas sutis, a trilha mantém suculência e equilíbrio.
O contraponto vem dos acompanhamentos. O chutney de manga com goiaba traz doçura natural, acidez controlada e um toque de especiarias que conversa com o peixe sem sobrecarregar o prato. Já o vinagrete de maçã-verde entra como elemento de frescor imediato. Gosto de criar contrastes. O doce da fruta, a acidez da maçã, a gordura do azeite e a salinidade medida fazem o prato despertar o paladar.
Mais do que técnica, a receita fala de método e respeito ao ingrediente. O uso de frutas frescas, ervas aromáticas e temperos naturais reforça a proposta de uma cozinha mais leve, conectada ao clima e ao território. Cozinhar em locais com temperatura mais alta é entender o ritmo do corpo. A comida precisa acompanhar esse ritmo, ser fluida, refrescante e prazerosa.
Finalizado com flor de sal, pimenta-do-reino moída na hora e pimenta-rosa, o prato chega à mesa colorido, aromático e vibrante. Uma sugestão que traduz bem o espírito do carioca: calor, frescor e ingredientes que falam por si. Quando a receita é bem pensada, você termina a refeição se sentindo bem. E isso, para mim, é essencial.
“A escolha da trilha não é por acaso. Com sua carne delicada e sabor marcante, ela se beneficia de preparações suaves, que respeitam sua textura e realçam o frescor natural.”
RECEITA DO CHEF FRÉDÉRIC MONNIER
Trilha ao forno
CHUTNEY DE MANGA COM GOIABA E VINAGRETE DE MAÇÃ
Ingredientes
4 unidades de trilha (150 g cada)
1 goiaba
½ manga palmer
2 g de pimenta-rosa
2 tangerinas ponkan
½ maçã verde
4 g de flor de sal
100 ml de azeite
2 g de pimenta-do-reino
4 g de sal
50 g de açúcar
50 ml de vinagre de maçã
10 ml de molho tarê
Modo de Preparo
Chutney de manga com goiaba. Em uma panela, leve ao fogo a manga, a goiaba e o açúcar. Ajuste com suco de tangerina aos poucos e cozinhe em fogo baixo até reduzir e ficar rústico, brilhante e levemente espesso. Reserve.
Vinagrete de maçã-verde. Pique a maçã-verde e misture com vinagre de maçã, azeite, molho tarê, sal e pimenta-do-reino. Finalize com pimenta-rosa e reserve bem fresco.
Trilha no forno (por último). Prepare o vinagrete misturando a maçã-verde picada, o vinagre de maçã, o azeite, o sal e a pimenta-rosa.
Montagem. Sirva a trilha quente, coloque o chutney e finalize com o vinagrete de maçã (frio e fresco). Ajuste com flor de sal e, se quiser, com um toque final de ervas.
Frédéric Monnier é presidente e fundador da Associação de Chefs França-Brasil, Embaixador do Polo Gastronômico da Zona Sul, professor do Senac e proprietário da Monnier Gastronomia. Sua formação na França: restaurantes estrelados, como Au Comte de Gascogne, L’Agath, Lasserre e L’Amphyclès, chef do Bistrot Maison – Consulado da França na Av. Presidente Antônio Carlos, 58, 11º andar, Centro – Rio de Janeiro






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E isso, para mim, é o que mais importa.
RECEITA DO CHEF FRÉDÉRIC MONNIER
Finalização
ara preparar essa entrada tão especial, Monnier começou ajustando seu posto de trabalho cuidadosamente: tábuas geladas, sua faca assinada bem afiada, temperos frescos. Tudo disposto como um artista organiza sua paleta. Ele ressaltou a importância de manter o peixe gelado até o momento do corte para preservar textura e sabor. A cada fatia de salmão, o chef trabalhava com um rigor milimétrico, em busca do equilíbrio entre delicadeza e presença.
Com o tempo, o preparo ganhou variações mais leves e contemporâneas, substituindo a carne por peixes e frutos do mar. O tartar de salmão se tornou símbolo dessa releitura moderna, unindo a técnica francesa de corte preciso e tempero equilibrado com a busca por frescor e leveza, características da cozinha contemporânea.
Ingredientes
Cresci no interior da França, em uma cidade chamada Angers, localizada a cerca de 300 km a sudoeste de Paris. Conhecida pelo Castelo de Angers, uma verdadeira fortaleza que abriga a Tapeçaria do Apocalipse – a maior peça de tapeçaria medieval do mundo. Angers chegou a ganhar o título de cidade mais verde da França e oferece muitas opções de lazer e cultura. Mas, em mim, as fortes lembranças estão nos aromas dos crepes frescos e das tripas vindos do fogão da minha avó, que me acordavam diariamente. E foi ali que a gastronomia começou a habitar em meus sentimentos antes mesmo de virar uma escolha.

Em uma tarde no segundo andar da Casa Canastra Rosé, em Botafogo, a fumaça sobe suave da parrilla comandada por Frédéric Monnier, enquanto cortes de pato, legumes frescos e pães exalam aromas que embalam uma conversa cheia de histórias e risos, ao olhar atento e tranquilo de Vassia Tolstói, um dos fundadores do Grupo Canastra. Nesta edição, Frédéric Monnier traz a história do grupo Canastra, fundado por três franceses – Vassia, Laurent Rinaldo e Gérard Giaume – que tinham um desejo ousado: criar um espaço onde o vinho fosse tão acessível quanto a cerveja de garrafa, e onde os encontros acontecessem naturalmente, como numa calçada de Ipanema.
Antes de mergulhar nas histórias saborosas do Grupo Canastra, Frédéric, com seu avental, sua faca Monnier, fumaça e alegria, prepara um prato que traduz a alma da parrilla: pato grelhado com purê de baroa e legumes assados, finalizado com um clássico francês que ganha alma carioca, o molho gastrique. “O segredo está na simplicidade do fogo e na precisão do agridoce”, diz o chef, enquanto coloca o pato na brasa, alho e cebola no azeite, começando a obra de arte. É o tipo de receita que não apenas alimenta, como também inaugura conversas e memórias.
Frédéric Monnier é presidente e fundador da Associação de Chefs França-Brasil, Embaixador do Polo Gastronômico da Zona Sul, Professor do Senac, Proprietário da Monnier Gastronomia. Sua formação na França: restaurantes estrelados, como Au Comte de Gascogne, L’Agath, Lasserre e L’Amphyclès, Chef do Bistrot Maison – Consulado da França na Av. Presidente Antônio Carlos, 58, 11º andar, Centro – Rio de Janeiro





