OZONIOTERAPIA
GRANDE ALIADA NO
ALÍVIO DA DOR

SE A SUA COLUNA “GRITA” E VOCÊ JÁ TENTOU DIVERSOS TRATAMENTOS SEM SUCESSO, CONHEÇA ESTA PRÁTICA QUE TEM TRAZIDO RESULTADOS IMPRESSIONANTES PARA A MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA.

A colunista conversou com o ortopedista Maurício Marteleto, que já beneficiou muitos pacientes com a ozonioterapia

O tratamento parece novo, mas não é. A ozonioterapia é feita desde a época da Primeira Guerra Mundial e já é bastante utilizada na Europa, nos Estados Unidos e em países da Ásia, como Japão e Israel. Apesar de no Brasil ter sido iniciada em 1976, só recentemente, em 2018, é que foi aprovada pelo Ministério da Saúde e entrou como prática integrativa no sistema de saúde brasileiro; em 2020, foi autorizado o seu uso em todo o território nacional; e, em 2025, o Conselho Federal de Medicina liberou para os médicos a sua realização em consultório.

Para falar sobre o assunto, com foco específico em dores causadas por doenças degenerativas do aparelho musculoesquelético (como osteoartroses e hérnia de disco), nesta edição converso com o ortopedista Maurício Marteleto, que é professor da Universidade de São Paulo (USP) e um amplo utilizador da ozonioterapia em seus pacientes.

“Os resultados são excepcionais, e a necessidade de cirurgia acaba diminuindo bastante. Hoje, em termos de porcentagem, a prática do dia a dia com o ozônio diminuiu muito a quantidade de operações que faço”, revela o médico.

Mas, afinal, no que consiste a ozonioterapia?

Trata-se de uma terapia biológica que ajuda o organismo a combater aquilo que o está agredindo. Isso se dá por meio da aplicação – normalmente, via injeções – de uma mistura de ozônio e oxigênio em diferentes partes do corpo. Quando entra em contato com o organismo, desencadeia uma série de reações que vão diminuir as citocinas inflamatórias (causa da dor) e aumentar as citocinas anti-inflamatórias. Além disso, a ozonioterapia modula o estresse oxidativo, combatendo os radicais livres que estão aumentados em nosso corpo e que causam o desequilíbrio. Assim, quando o ozônio é aplicado, ele estimula a produção de enzimas antioxidantes e regula vários genes que vão proteger o nosso organismo.


Marteleto lembra, ainda, que a ozonioterapia não tem apenas uma ação analgésica, como muita gente pensa. “Ela acaba desbloqueando as mitocôndrias, que são as fábricas de energia das células, porque muitas das doenças que tratamos são mitocondriais. Portanto, uma das funções do ozônio é estimular a produção de substâncias que vão dar energia para a célula reagir a uma série de condições patológicas. Não é só tirar a dor e não fazer mais nada”, explica. Porém, é importante compreender que a ozonioterapia não age como um medicamento, que ingerimos e causa um determinado efeito. Ela, na verdade, regula o nosso corpo de forma com que ele próprio combata e trate aquilo que está causando a dor. É uma ação absolutamente normal e fisiológica para o nosso organismo, sem agredir, sem efeitos colaterais e sem causar qualquer dano.

 

 

RESULTADOS COM
TODA A SEGURANÇA


Para explicar melhor, vamos usar o exemplo da hérnia de disco. De acordo com o especialista, o tratamento conservador desse problema incluiria exercícios, fisioterapia, analgésicos potentes, relaxantes musculares e anti-inflamatórios que visam à melhora da dor do paciente. Quando isso não acontece, há a necessidade de realizar a cirurgia. “Então, ao analisar todos esses recursos e compará-los com a ozonioterapia, percebemos que o ozônio também seria mais conservador, porque não chega a ser um tratamento cirúrgico e não tem cortes. E o resultado costuma ser melhor e mais seguro, porque há muito menos complicações do que uma cirurgia para a remoção mecânica da hérnia de disco”, garante.

E por que isso ocorre? “Primeiro, vamos entender que a hérnia de disco é um pedaço de cartilagem solto dentro do canal vertebral. Ou seja, é um pedaço do organismo, mas que ele próprio não reconhece como sendo dele, e isso provoca a inflação que traz a dor. Mas, devido ao uso excessivo de medicamentos anti-inflamatórios, opioides e outras drogas, o organismo simplesmente pode não conseguir reagir. Então, em muitos casos, o ozônio provoca uma reação no organismo, que vai ativar as células de defesa a fagocitarem – elas vão comer os pedaços soltos de cartilagem que estão lá provocando a inflamação na raiz nervosa. E, com isso, vem a cura da doença”, esclarece Marteleto.

Mas vale lembrar que o alívio não chega apenas para quem sofre com as dores de hérnias. “Por exemplo, a ozonioterapia também melhora a regeneração das articulações no caso de artroses, principalmente quando o ozônio é associado a um plasma rico em plaquetas ou células-tronco. Isso leva à regeneração não só das articulações, como também da coluna, ou até mesmo de músculos e tendões que foram rompidos”, acrescenta.

E será que existe alguma contraindicação para a prática? Só uma: a deficiência de uma enzima em nosso corpo chamada G6PD, mas é algo raro. Outra situação em que evitamos o tratamento é nos três primeiros meses de gravidez, porque ainda não há estudos que atestem a segurança. Fora isso, antes das aplicações, o médico poderá primeiro corrigir alguns fatores descompensados no organismo, como deficiências de ferro ou problemas na tireoide. Uma vez tudo equilibrado, pode-se partir para a aplicação do ozônio.

Por último, vale a recomendação: quem desejar se beneficiar desse tratamento deve antes consultar a Associação Brasileira de Ozonioterapia, que oferece cursos de formação tanto para médicos quanto para profissionais da área da saúde. Assim, encontrará a indicação de profissionais que se prepararam adequadamente para atender os pacientes.

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira Medicina Integrativa Clínica.

Dr. Maurício Marteleto é ortopedista regenerativo, professor na Universidade São Paulo (USP) e em diversos cursos de formação em ozonioterapia no Brasil e no exterior. Atua em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tel.: (11) 98562-0056.

 

SAÚDE CLÍNICA: ENERGIA E VITALIDADE APÓS OS 50

Cientistas do mundo inteiro estão cada vez mais focados em reduzir o hiato entre dois conceitos que vêm se distanciando perigosamente: o lifespan (tempo total de vida) e o healthspan (tempo de vida com saúde e funcionalidade preservadas). A verdade é que estamos vivendo mais – só que, por vezes, adoecendo por mais tempo. E é justamente entre os 45 e 55 anos que esse divisor de águas aparece com força: menopausa, andropausa, perda de vigor físico, oscilações emocionais e o início de uma lista crescente de diagnósticos que poderiam ser evitados.
Será que os 50 são mesmo o início do declínio? Ou essa pode ser a década mais poderosa da vida? Nesta edição, vamos revelar os caminhos reais para ampliar o seu healthspan com ciência, estratégia e qualidade de vida. Vamos falar sobre os impactos hormonais, os pilares da performance metabólica, os segredos de uma pele jovem de dentro para fora e os protocolos mais eficazes para construir vitalidade sustentável – mesmo após os 50. Porque a pergunta certa não é “quanto tempo você vai viver?”, mas “com quanta potência você quer viver esse tempo?”.

MENOPAUSA E ANDROPAUSA:
A VIRADA DO METABOLISMO
Estima-se que cerca de 29 milhões de brasileiras estão no climatério. Fogachos, insônia, depressão, pele opaca, queda da libido e perda óssea são mais que sintomas – são pedidos de socorro bioquímico. Nos homens, a andropausa costuma ser silenciosa, mas vem com queda de testosterona, perda de massa muscular, desânimo, gordura abdominal, queda de libido e aumento do risco cardiovascular. A boa notícia? Tudo isso pode ser modulado. Mas não com fórmulas mágicas, e sim com uma medicina que entende o corpo como um sistema integrado.

A NOVA LÓGICA DA VITALIDADE
Depois dos 50, o segredo está em manter a base afiada:
Sono profundo e reparador.
Hormônios equilibrados com segurança.
Músculo ativo como órgão de juventude.
Alimentação anti-inflamatória.
Nutrientes-chave ajustados conforme seus exames, e não pela moda.
Este é o mapa para preservar a função mitocondrial (as usinas de energia do nosso corpo) e impedir que nossos telômeros (estruturas das nossas células que nos renovam) se deteriorem. Quando eles falham, você sente cansaço, perda de foco e envelhecimento precoce.

AUTOESTIMA FAZ A DIFERENÇA
Beleza e força não vêm do espelho, vêm do sistema. Por isso, pele firme e viçosa não se resume a cremes. A base é interna: colágeno se constrói com sono, proteína, vitamina C, zinco e autoestima. Sim, a autoestima aparece na pele. E os ossos? São a sua estrutura silenciosa. Eles reagem ao impacto muscular, ao estrogênio em equilíbrio e aos cofatores certos: vitamina D, K2, magnésio, boro e zinco. Caminhada ajuda, mas a musculação salva ossos.

MEDICINA QUE DÁ MATCH COM LONGEVIDADE
Hoje, temos recursos acessíveis para promover a verdadeira saúde, e não só tapar buracos:
Terapias injetáveis com aminoácidos, vitaminas, substâncias antioxidantes e de energia para nossas mitocôndrias.
Reposição hormonal transdérmica, oral ou via implante, com individualização total.
Terapias pró-oxidativas agem como moduladoras do estresse oxidativo e imunológico.
Peptídeos bioativos e terapias regenerativas, que, quando indicados, são protocolos de performance física e mental.
Essa abordagem não é luxo, é saúde! Mas, muitas vezes, uma alimentação saudável com comida de verdade, um bom sono, atividade física e relacionamentos felizes e estáveis são o suficiente para nos levar a um envelhecimento digno, sem depender de outras pessoas para nossas atividades diárias.

A verdade é que estamos vivendo mais – só que, por vezes, adoecendo por mais tempo. E é justamente entre os 45 e 55 anos que esse divisor de águas aparece com força: menopausa, andropausa, perda de vigor físico, oscilações emocionais e o início de uma lista crescente de diagnósticos que poderiam ser evitados.

QUAL O SEGREDO MAIS PODEROSO?
É a coerência! Coerência com o que você come e pensa e com a forma como dorme, sente e age. Isso porque, depois dos 50, o que cansa não é a idade, e sim a ausência de propósito, de estratégia e de direção. E quando você se alinha consigo mesmo, o corpo responde. A vitalidade volta. O desejo de viver renasce. O brilho reaparece.

Talvez seja a hora de mudar a pergunta. Em vez de se preocupar apenas com quanto vai deixar de herança, pense no que você já deixou: o caráter, o exemplo, o ensino e os valores. Isso sim é patrimônio. O resto seu filho ou seus dependentes constroem com o que você ensinou.
A verdadeira sabedoria está em construir um tripé forte: saúde, estabilidade financeira e relacionamentos saudáveis. Se você hipertrofia só uma dessas pernas e negligencia as outras, o sistema todo desaba. E, no fim, você não quer só viver mais, quer viver bem.
A juventude não está no RG. Está no seu sistema celular e mitocondrial, no seu músculo ativo, no seu olhar com vontade de viver. E tudo isso pode ser acessado – com ciência, coragem e escolha.

 

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira MedicinaIntegrativa Clínica.

Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho.

Quem nunca tentou perder peso e sentiu que estava lutando contra o próprio corpo? A verdade é que emagrecer é muito mais difícil do que parece e a ciência tem contribuído com o combate à obesidade. Mas, será que as medicações disponíveis são para todo mundo? Enquanto algumas pessoas juram que perderam peso sem esforço, outras relatam enjoos, fraqueza e sofrimento com o efeito sanfona. O que realmente está acontecendo com quem faz uso das chamadas canetas emagrecedoras? Os médicos João Branco e Ana Cristina Barreira esclarecem o processo de tratamento e os efeitos do Ozempic, Mounjaro, Wegovy e outras drogas para emagrecimento.

Para dar início ao tratamento de emagrecimento com a semaglutida, tirzepadida ou liraglutida, princípios ativos das canetas emagrecedoras, é preciso antes entender a complexidade da obesidade, indevidamente associada à preguiça. Não é uma questão de força de vontade, a obesidade é uma doença crônica, ou seja, não tem cura, mas tem tratamento e deve ser constante. A causa é atribuída a vários fatores como genética, hormônios, estresse e até hábitos imperceptíveis. E mais, a obesidade está ligada a doenças graves como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. Então, tratar não é somente um benefício estético, é ganho de saúde.

É importante lembrar que essas medicações que viraram febre no Brasil são uma parte do tratamento, ou seja, não é milagre, o paciente deverá dar a sua parcela de contribuição. Os médicos João Branco e Ana Cristina Barreira combinam o tratamento com a indicação de uma boa alimentação, exercícios, possibilidade de outros medicamentos, suplementos vitamínicos, suplemento proteico e até hormônios, se necessário. O acompanhamento médico é fundamental para atingir um bom resultado e até mesmo para eventuais ajustes.

As canetas emagrecedoras atuam no organismo imitando substâncias naturais do nosso corpo, estimulando receptores para ativar um ou dois hormônios do intestino, que são o GLP-1 e o GIP. A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, age no hormônio GLP-1, retardando o esvaziamento do estômago, aumentando a saciedade e ainda melhorando o controle do açúcar no sangue. De acordo com estudos, as pessoas perderam em média 15% do peso corporal, mas fica o alerta: podem surgir alguns efeitos colaterais, como enjoos, diarreia e até constipação.

A tirzepatida, princípio ativo do Monjaro e Zepbound é um passo à frente, porque atua em dois hormônios, GLP-1 e GIP, além de estimular outro hormônio do nosso intestino: o GIP, que melhora a resposta do nosso corpo à insulina e potencializa o efeito, levando a uma perda de até 20 a 25% de peso. Além disso, tem menos efeitos colaterais. Alguns até a chamam de ‘bariátrica em uma injeção’, pois os resultados chegam perto da cirurgia para algumas pessoas.

Ozempic, medicamento injetável criado para tratar diabetes tipo 2, tem se destacado no processo de emagrecimento. É um medicamento de tarja vermelha, ou seja, só pode ser comprado com receita médica.

Os hormônios são como os maestros do nosso organismo. Eles regulam desde o apetite até o metabolismo e a forma como o corpo armazena gordura. Se algum deles estiver desequilibrado, fica muito mais difícil emagrecer, mesmo com dieta e exercícios. Temos que ter atenção aos hormônios da tireoide e o cortisol, assim como os hormônios sexuais, pois a obesidade também os desregula e vice-versa.

OUTRAS DROGAS PARA EMAGRECIMENTO

Existem mais opções de medicamentos disponíveis para o emagrecimento, mas cada um tem seus prós e contras. O médico João Branco explica o uso da fluoxetina no controle do apetite e da fome emocional. Um dos primeiros medicamentos a ser usado no emagrecimento, a fluoxetina, é um antidepressivo bem conhecido, mas que também pode ser usado como parte do tratamento da obesidade, principalmente em casos de fome emocional. Funciona aumentando os níveis de serotonina no cérebro, o que melhora o humor e ajuda a reduzir aquela vontade incontrolável de comer por ansiedade ou estresse. Porém, não é uma medicação para todos, porque pode causar efeitos colaterais, como insônia, dor de cabeça ou até perda de apetite exagerada.

A médica Ana Cristina Barreira sentiu na pele os problemas da obesidade: “Eu ganhei muito peso, tinha compulsão, até minha família, que também é composta por médicos, dizia que eu era sem vergonha. Aí eu resolvi testar o Mounjaro e tive um resultado de perda de 25 quilos em 4 meses”.

Conhecida como o ‘hormônio do amor’, a ocitocina está ligada ao vínculo emocional, ao bem-estar e até à redução do estresse. Mas o que muita gente não sabe é que ela também pode ajudar no controle do peso. Isso acontece porque a ocitocina tem um efeito sobre o cérebro que reduz o apetite e melhora a sensibilidade à insulina, ajudando no controle do metabolismo. Além disso, pode reduzir o desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura, que são comuns em casos de compulsão alimentar. João indica a ocitocina em casos específicos, como para pacientes que têm compulsão ou dificuldade em lidar com o estresse, que são fatores comuns na obesidade.

Já o Contrave é bem diferente, pois combina dois medicamentos: o bupropiona, que atua no sistema nervoso e ajuda a controlar a compulsão alimentar e o naltrexona, que reduz o prazer que a gente sente ao comer em excesso. É especialmente indicado para pessoas que lutam com a fome emocional, aquele desejo de comer por causa de ansiedade ou estresse. Ao combinar essas duas substâncias, o Contrave ajuda a reduzir o apetite e a melhorar o controle sobre o que comemos, porém pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns são náuseas, dor de cabeça e tontura. Além disso, não é indicado para pessoas com histórico de convulsões ou hipertensão descontrolada. É essencial que todos os medicamentos para emagrecer sejam acompanhados por um médico.

A médica Ana Cristina Barreira explica como age o Venvanse no organismo. A lisdexanfetamina é usada principalmente para tratar compulsão alimentar, é o único medicamento em bula para tratar a compulsão, aquele desejo incontrolável de comer sem parar. Funciona muito bem para algumas pessoas, mas pode causar efeitos como insônia, irritação e até perda de apetite exagerada.

O Orlistate é famoso por reduzir a absorção de gordura no intestino, melhorando a resistência à insulina, o colesterol alto, a diabetes e à gordura visceral. É eficaz, mas pode causar desconfortos como diarreia gordurosa e gases, principalmente se comer comidas gordurosas.

A Sibutramina aumenta a sensação de saciedade e a queima de calorias, porém tem contraindicações, especialmente para quem tem problemas cardíacos.

A Empagliflozina é um medicamento originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2. Ajuda a eliminar o excesso de glicose pela urina e descobriu-se que também pode auxiliar no emagrecimento. Quando você perde glicose pela urina, isso reduz o número de calorias que seu corpo absorve. Além disso, pode melhorar a sensibilidade à insulina, o que ajuda a evitar o acúmulo de gordura.

Essa medicação é indicada principalmente para pacientes com obesidade que estejam com a resistência à insulina alta, pois isso dificulta o emagrecimento. Entretanto, Ana Cristina faz um alerta sobre os efeitos colaterais: “pode causar infecções urinárias, porque aumenta a quantidade de açúcar na urina. Então, o uso precisa ser bem monitorado principalmente em mulheres. Após urinar, faça uma higienização com lenço umedecido ou água”, orienta a médica.

Cirurgia Bariátrica é coisa do passado? “Não, absolutamente”. João diz que é uma opção poderosa para casos graves. A cirurgia bariátrica muda a vida de muita gente. O lado ruim é que exige um compromisso para o resto da vida com suplementos e alimentação regrada. Ou seja, não é mágica, também precisa de esforço.

EMAGREÇA DE FORMA SAUDÁVEL

Para o médico João Branco, desintoxicar, desinflamar e cuidar do estresse oxidativo são protocolos cruciais na luta contra o sobrepeso. “Quando falamos de obesidade, não estamos lidando apenas com gordura acumulada. O corpo de uma pessoa com obesidade está, muitas vezes, sobrecarregado. Ele sofre com inflamação crônica, excesso de toxinas acumuladas, pois a célula gordurosa é o maior reservatório do lixo do nosso corpo e um desequilíbrio no sistema oxidativo, o famoso estresse oxidativo.” O médico alerta que esses fatores não só dificultam a perda de peso, como também aumentam o risco de outras doenças, como diabetes e hipertensão. Por isso, ele inclui no tratamento antioxidantes, como vitamina C, vitamina E, selênio entre outros.

A médica Ana Cristina Barreira compara a desintoxicação no processo de emagrecimento ao ato de acender uma fogueira: “se a lenha está molhada, vai ser muito mais difícil. Primeiro, você seca a lenha – ou seja, desintoxica e desinflama – e aí, sim, as estratégias de emagrecimento começam a funcionar melhor. Quando desintoxicamos, desinflamamos e reduzimos o estresse oxidativo, estamos literalmente desbloqueando o corpo.”

COMECE COM PEQUENAS MUDANÇAS:

Beba mais água para ajudar o corpo a eliminar toxinas.

Inclua alimentos naturais, como vegetais, frutas e sementes.

Evite o excesso de sal, açúcar e alimentos ultraprocessados.

Sob a orientação de um médico, pode ser usado suplementos antioxidantes e anti-inflamatórios.

DISBIOSE INTESTINAL E EMAGRECIMENTO

Você sabia que o intestino é conhecido como nosso segundo cérebro?

O cuidado com o intestino é um dos pilares fundamentais no tratamento da obesidade. É lá que estão bilhões de bactérias que formam o microbioma intestinal, um ecossistema essencial para a saúde do corpo inteiro. Essas bactérias desempenham papéis importantes, como:

Regular o sistema imunológico.
Produzir vitaminas, como B12 e K.
Controlar o apetite e o metabolismo.
Ajudar na digestão e absorção de nutrientes

Na obesidade, a disbiose é muito comum. Estudos mostram que pessoas com obesidade tendem a ter menos diversidade de bactérias no intestino e um aumento de bactérias que favorecem a absorção excessiva de calorias. Isso cria um círculo vicioso: o desequilíbrio do intestino favorece o ganho de peso e esse excesso piora ainda mais o problema. A disbiose ocorre quando há um desequilíbrio no microbioma intestinal. Em vez de termos mais bactérias boas, que ajudam o corpo, temos uma proliferação de bactérias ruins, que causam inflamação e outros problemas. Além disso, a disbiose aumenta a inflamação no corpo, libera substâncias que afetam o metabolismo e até interfere na produção de hormônios relacionados à saciedade, como a grelina e o GLP-1. Ou seja, fica muito mais difícil emagrecer.

Para restaurar o equilíbrio do intestino, os médicos desta coluna usam uma abordagem em quatro passos:

1. remover: Eliminar alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e substâncias que alimentam as bactérias ruins.
2. repor: Adicionar probióticos, que são bactérias boas, e prebióticos, que são fibras que alimentam essas bactérias boas.
3. reparar: Suplementar com nutrientes como glutamina e zinco, que ajudam a regenerar a mucosa intestinal.
4. reequilibrar: Incentivar um estilo de vida saudável, incluindo hidratação adequada, controle do estresse e uma dieta rica em alimentos integrais

COMPULSÃO ALIMENTAR, ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL E PSICOLÓGICO

A compulsão alimentar é quando a pessoa sente uma necessidade incontrolável de comer grandes quantidades de comida, geralmente em um curto período, mesmo sem fome. Isso vem acompanhado de culpa e frustração. É mais comum na obesidade do que imaginamos e pode ter origem em fatores emocionais, como ansiedade ou depressão, ou até fisiológicos, como alterações hormonais. Por isso, o acompanhamento psicológico é fundamental. Esse acompanhamento para determinadas pessoas é tão importante quanto a parte física, pois ajuda a identificar gatilhos e a trabalhar estratégias para controlar esse comportamento.

BASE DO TRATAMENTO: PRESERVAR MÚSCULOS E SAÚDE

Emagrecer não é só perder peso na balança. O objetivo é se livrar da gordura preservando os músculos e, assim, manter o metabolismo acelerado. Por isso, é indicada uma dieta rica em proteínas, exercícios de força, com a possibilidade de incluir suplementos, dependendo do organismo. João recomenda aos seus pacientes principalmente a musculação e faz um cálculo de suplementação de pro teína de acordo com cada pessoa, que pode ser em forma de Whey ou alimentos. “Assim, o corpo queima gordura e não músculo. Exercícios aeróbicos ajudam a queimar gordura, mas musculação é essencial para reservar a massa muscular. É a combinação dos dois que dá os melhores resultados. Emagrecer é só a primeira etapa desse processo que se chama vida saudável.”

DISBIOSE INTESTINAL E EMAGRECIMENTO

Como a obesidade é crônica, o cuidado nunca acaba completamente. Depois de atingir o peso ideal, o paciente deve manter hábitos saudáveis. Mas, se em algum momento, perceber que está ganhando peso de novo, o ideal é retomar o tratamento rapidamente. É como ajustar as velas de um barco. Se o vento mudar, o correto é corrigir a direção antes que se desvie demais. E isso pode significar voltar com a medicação por um tempo. Todo esse planejamento envolve um estudo detalhado do organismo de cada indivíduo, não há fórmulas prontas, portanto, para ter um processo saudável de emagrecimento, é fundamental que o paciente busque orientação de médicos especialistas.

OZEMPIC É UM MEDICAMENTO SEGURO PARA PERDA DE PESO

Ozempic é um medicamento aprovado pela FDA no tratamento do diabetes tipo 2

É capaz de estimular a produção de insulina e ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue

Portanto, também é considerado benéfico para perda de peso

Ozempic mostrou potencial para causar tumores e até câncer de tireoide

Ozempic pode causar prisão de ventre, náuseas e vômitos

Ozempic não deve ser tomado sem recomendação e orientação médica

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira Medicina Integrativa Clínica.

Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho.