Saúde Clínica

Saúde hackeada: tecnologia de olho nos sinais

SAÚDE CLÍNICA

Saúde hackeada
TECNOLOGIA DE OLHO NOS SINAIS DO NOSSO CORPO

COM O BIOHACKING, É POSSÍVEL ACOMPANHAR PARÂMETROS DO ORGANISMO, IDENTIFICAR POSSÍVEIS ALTERAÇÕES E AGIR PREVENTIVAMENTE. SAIBA COMO PULSEIRAS, ANÉIS E RELÓGIOS PODEM CONTRIBUIR PARA UMA VIDA MAIS LONGA E COM QUALIDADE.

Você já ouviu falar em biohacking? É uma maneira de acompanhar o funcionamento do nosso organismo com o auxílio da tecnologia, identificando sinais que podem nos ajudar a cuidar melhor da saúde. Hoje, anéis, pulseiras e relógios inteligentes conseguem monitorar uma série de parâmetros do nosso organismo, trazendo informações que antes não tínhamos tão facilmente à disposição. A proposta é justamente esta: “hackear” o próprio corpo para perceber o que pode estar em desacordo e buscar melhorar a qualidade de vida.


Esses dispositivos acompanham, por exemplo, frequência cardíaca e respiratória, temperatura da pele, qualidade do sono e recuperação após atividades físicas. Alguns utilizam inteligência artificial para interpretar os dados e mostrar tendências individuais. Uma mudança de temperatura pode chamar a atenção para uma possível infecção. Já alterações após um treino intenso podem indicar a necessidade de observar melhor a recuperação. Mas é preciso entender o significado desses números: tecnologia sem informação não traz todo o benefício que poderia oferecer.


Na medicina esportiva, esse acompanhamento é especialmente útil. Podemos observar a intensidade do exercício, a resposta da frequência cardíaca e os períodos de descanso. Se uma pessoa percebe que vem dormindo mal e não consegue se recuperar dos treinos, por exemplo, esses registros podem ajudá-la a rever hábitos e procurar orientação. O sono tem papel fundamental na recuperação do organismo, e não devemos ignorar seus sinais.

 

MAS PODEMOS CONFIAR NOS NÚMEROS?

Para acompanhar tendências de frequência cardíaca, respiração e temperatura, esses aparelhos podem ser bons auxiliares. Já a identificação precisa das fases do sono, por exemplo, tem limitações. Nenhum deles substitui uma polissonografia quando precisamos investigar um distúrbio, como a apneia. O mesmo vale para o coração: alguns dispositivos registram eletrocardiogramas e emitem alertas de ritmo irregular, mas não fazem uma avaliação cardíaca completa, nem permitem prever um infarto.

Se o relógio indicar uma alteração, isso deve funcionar como um sinal de alerta para procurar o médico, e não como um diagnóstico. E, se a pessoa estiver sentindo aperto no peito, dor irradiada para o braço ou mal-estar, não importa que o aplicativo diga que ela está recuperada e apta a treinar: é preciso buscar atendimento. Não podemos colocar a leitura de um aparelho acima dos sinais do nosso próprio corpo.
É justamente aí que está o papel do biohacking: ser um coadjuvante da saúde. Temos hoje aparelhos que facilitam o acompanhamento cotidiano, mas nada dispensa os exames clínicos e o médico avaliando o paciente de forma global, com uma atitude preventiva. Os dados podem contribuir para essa avaliação, nunca substituí-la.


A medicina conseguiu aumentar muito a expectativa de vida. Agora, nosso desafio é ampliar também os anos vividos com saúde, autonomia e disposição, sem passar tanto tempo convivendo com doenças e limitações. Com acompanhamento médico e atenção aos sinais do organismo, a tecnologia pode nos ajudar nessa busca. Afinal, não queremos apenas viver mais: queremos chegar aos 60, 70 ou 80 anos vivendo bem.

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira Medicina Integrativa Clínica

Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho

BATIMENTOS CARDÍACOS
Monitora a frequência cardíaca em tempo real

PRESSÃO ARTERIAL
Acompanha os níveis de pressão arterial

CALORIAS
Calcula o gasto calórico diário

SONO
Analisa a qualidade do sono e do descanso

ATIVIDADE FÍSICA
Registra passos e eficiência do treino

HIDRATAÇÃO
Lembra de beber água durante o dia

OXIGENAÇÃO DO SANGUE
Mede o nível de oxigênio do sangue

ESTRESSE
Monitora os níveis de estresse e ajuda a relaxar

EXEMPLOS DE BIOHACKING
CONHEÇA QUATRO DISPOSITIVOS QUE MONITORAM INDICADORES DA SAÚDE E AUXILIAM OS CUIDADOS COM O BEM-ESTAR.

OURA RING
Em formato de anel inteligente, monitora indicadores como frequência cardíaca, temperatura da pele, oxigenação do sangue durante o sono e qualidade do descanso. Também acompanha atividades físicas e estima os níveis de estresse e recuperação do organismo. É indicado principalmente para quem deseja melhorar o sono e equilibrar esforço e descanso.

WHOOP
Pulseira inteligente sem tela, voltada especialmente para quem pratica atividades físicas. Monitora continuamente a frequência cardíaca, acompanha o sono e analisa a intensidade dos exercícios e a recuperação do organismo. Seus indicadores ajudam o usuário a ajustar a rotina de treinos, evitando excessos e respeitando os períodos de descanso.

APPLE WATCH
Relógio inteligente que reúne recursos de saúde, atividade física e comunicação. Monitora frequência cardíaca, sono, exercícios e outros indicadores, podendo oferecer eletrocardiograma, alertas de ritmo cardíaco irregular e detecção de quedas, de acordo com o modelo. Também permite receber chamadas e mensagens, integrando cuidados com a saúde e funcionalidades do dia a dia.

APOLLO NEURO
Diferentemente dos demais, não tem como principal função monitorar indicadores do organismo. Utiliza vibrações suaves, aplicadas por meio de um dispositivo usado no pulso, tornozelo ou preso à roupa, com a proposta de favorecer o relaxamento, melhorar o foco, auxiliar o sono e ajudar no gerenciamento do estresse.

 

Deixe um comentário