DIREITO EMPRESARIAL
O DIREITO DE EMPREENDER
ADVOCACIA, EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO SE CRUZAM NA TRAJETÓRIA DA ADVOGADA EMILIA GARCEZ, QUE ATUA NO DIREITO EMPRESARIAL, ALÉM DE SER CONSELHEIRA E DIRETORA DE APOIO À ADVOCACIA NA OABRJ. NESTA ENTREVISTA, ELA FALA SOBRE PREVENÇÃO JURÍDICA, TECNOLOGIA E OS DESAFIOS DA PROFISSÃO.

Como Direito e empreendedorismo se encontraram na sua trajetória?
Encontrei esse caminho em duas heranças familiares. Do lado materno, vieram a criatividade, o empreendedorismo e a inovação; do lado paterno, a influência do Direito e do serviço público. A convergência dessas duas vertentes me proporcionou uma visão empreendedora e me levou ao Direito Empresarial. Essa área me permitiu estar no centro das decisões, acompanhando a constituição das empresas, seu desenvolvimento e a preservação do negócio.
O que muda quando o advogado participa das decisões antes que o conflito se instale?
Muda a própria natureza da atuação jurídica. É muito importante prestar assessoria visando prevenir o conflito. O advogado deve participar desde a constituição da empresa e estar presente em cada etapa. O empresário precisa compreender que o advogado não deve ser acionado apenas diante do conflito; sua atuação é um investimento.
Todo advogado pode ser um empreendedor?
Sim. Todo advogado que constitui seu próprio escritório passa também a incorporar uma perspectiva empreendedora à profissão.
E qual deve ser o primeiro passo para quem está começando?
O advogado que acabou de ingressar na profissão deve buscar capacitação. Além disso, precisa desenvolver habilidades multidisciplinares para acompanhar as transformações tecnológicas e compreender que não basta o conhecimento jurídico.
Inovação na advocacia é necessariamente sinônimo de tecnologia?
Não. Temos projetos voltados à cultura inovadora, incentivando o advogado a ter um olhar mais 360 graus e compreender sua capacidade empreendedora. Ele pode inovar sem utilizar tecnologia. Quando elabora uma tese e obtém êxito em uma demanda, por exemplo, ele criou, utilizou criatividade e inovação. Muitos advogados acreditam que tecnologia é sinônimo de inovação.
O uso da inteligência artificial preocupa?
Principalmente entre os jovens advogados. Percebo que muitos têm utilizado excessivamente a inteligência artificial, com prejuízo ao exercício da capacidade crítica. Esse é um alerta para toda a advocacia. Não podemos abdicar da doutrina, dos livros, da leitura da legislação e, sobretudo, da construção de um raciocínio jurídico próprio.
Que legado pretende deixar para advogados e empresários?
Na advocacia, pretendo deixar como legado o compromisso com o conhecimento e a autonomia intelectual, formando profissionais preparados para compreender as transformações sociais e tecnológicas sem perder a essência do Direito. O advogado é agente de transformação social. Ao empresário, quero deixar como legado a consciência de que a advocacia é indispensável ao crescimento sustentável do negócio.
LEGENDA 01:
Juliana Kelling entrevistou a advogada Emilia Garcez no estúdio da Manchete
ASPAS 01:
“O empresário precisa compreender que o advogado não deve ser acionado apenas diante do conflito; sua atuação é um investimento.”
ASPAS 02:
“Ao empresário, quero deixar a consciência de que a advocacia é indispensável ao crescimento sustentável do negócio.”






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