
ENTREVISTA
POR MARIANA LEÃO
ANDRÉIA REPSOLD
NASCIDA PARA LIDERAR E UNIR LIDERANÇAS
SUA TRAJETÓRIA SE CONFUNDE COM A PRÓPRIA HISTÓRIA DOS GRANDES EVENTOS NO RIO DE JANEIRO. À FRENTE DE PROJETOS QUE MARCARAM GERAÇÕES E CONECTARAM LIDERANÇAS DOS MAIS DIVERSOS SETORES, ELA TRANSFORMOU COMPETÊNCIA, VISÃO ESTRATÉGICA E PAIXÃO PELO QUE FAZ EM UMA REFERÊNCIA PARA O EMPRESARIADO BRASILEIRO.
O nome de Andréia Repsold é sinônimo de grandes eventos, realizados com maestria. Durante 28 anos, ela fundou e dirigiu a Fagga Eventos, a maior empresa do gênero no Rio de Janeiro, estando à frente de cerca de 2,5 mil eventos realizados no Brasil e 250 no exterior. Em 2007, a Fagga se associou ao grupo francês GL events, líder mundial do setor, e Andréia se tornou acionista e vice-presidente da GL Brasil. Nesse período, expandiu sua atuação para a implantação, gestão e modernização de centros de convenções, como o Riocentro e o HSBC Arena – atual Farmasi Arena –, além de ter produzido dois eventos premiados como os melhores da década: a Etapa Rio da Volvo Ocean Race e a Convenção Mundial GL events. Porém, três anos após a consolidação financeira da GL Brasil, a empresária vendeu suas ações e deixou as funções executivas no grupo.
O ano de 2011, contudo, lhe acenou com outra grande oportunidade: assumir a presidência do LIDE Rio – Grupo de Líderes Empresariais do Rio de Janeiro. Trata-se de uma organização que reúne líderes, executivos e autoridades – normalmente, em almoços no hotel Fairmont Rio – para promover o desenvolvimento socioeconômico, o networking de alto nível e a defesa de princípios éticos de governança corporativa no estado. O LIDE Rio, que é uma unidade regional do LIDE nacional, tem como objetivo sensibilizar o empresariado brasileiro para a importância de seu papel na construção de uma sociedade melhor. Quinze anos depois, Andréia segue firme à frente desse cargo, além de capitanear a sua própria empresa, A. Repsold Assessoria e Marketing, que organiza eventos corporativos.

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Vale destacar que ela, além de colunista da Revista Manchete, também faz parte do nosso conselho editorial. Para completar, comanda o podcast Business Talk, no canal da rádio BandNews FM. E é com alegria, então, que agora inverte os papéis, deixando de ser a produtora de conteúdo para se tornar a entrevistada. Surpreenda-se, a seguir, com as ideias desta mulher que causa orgulho no empresariado brasileiro.
Como esse mercado de eventos surgiu em sua vida?
Eu iniciei muito cedo na área de eventos, e dizem que quem começa em evento não sai. Você vê o início, o meio e o fim. Vê a realização acontecer. E como são muitos segmentos, muitos assuntos, isso despertou a minha curiosidade. Sempre fui uma pessoa curiosa e gosto muito de aprender. E nessa área, estamos diariamente aprendendo. Comecei em receptivo de produção de evento, quando ainda estudava. Depois, tive a oportunidade de ter uma empresa pequenininha, até ir para a Fag, que era uma grande empresa de feiras e exposições no Rio de Janeiro, que depois se transformou na Fagga e eu passei a ser sócia. Quando essa empresa foi vendida para o grupo francês chamado GL events, mudou o meu patamar. Passei a ter uma empresa multinacional de capital aberto, numa outra forma de gestão, porque o grupo estrangeiro trouxe uma outra cultura e, com isso, a empresa expandiu muito. Foi uma experiência extremamente interessante.
E, nessa trajetória, você viu a Bienal do Livro nascer, certo?
Sim, a Bienal do Livro começou no Copacabana Palace, como uma feira muito pequenininha. Tivemos que fazer com que o Sindicato Nacional de Editores de Livros e os editores acreditassem no projeto, e assim o público veio. É maravilhoso trabalhar com cultura. A Bienal é um evento espetacular, e eu tenho muito orgulho de ter passado por ele.
Imagino que outro grande orgulho tenha sido participar da Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento…
Foi um projeto grande e tivemos uma participação importante em alguns segmentos. Naquela época, ninguém ouvia falar em ONG. Foi uma movimentação incrível no Rio de Janeiro, porque trouxemos pessoas do mundo inteiro. A Eco-92 botou o Rio no foco, trouxe negócios para a cidade, mudanças, informação, cultura… É isso o que os eventos fazem.
No LIDE, além das lideranças no meio corporativo, você reúne ministros, governadores, prefeitos e líderes dos três poderes. Como consegue isso?
O LIDE é apartidário. A ideia de nossos eventos é fazer ponte, é trazer um tema que seja relevante para uma agenda positiva do estado do Rio de Janeiro, e que possamos colocar lideranças e empresários para buscar soluções. Essa conexão é o que nos faz vibrar. Nosso estado tem tantos empresários competentes, tantas realizações excepcionais, e precisamos dar luz a isso. Esse é o propósito do LIDE: oferecer informação e conectar as pessoas, para que, juntas, elas gerem negócios. E negócios trazem emprego, renda e resultado.
O fato de não ter posições partidárias foi mostrado recentemente no palco do LIDE no âmbito nacional, quando você trouxe o ministro André Mendonça para abrir um dia de evento e o ministro Alexandre de Moraes para encerrar, com posições completamente opostas…
Sim, isso aconteceu no ano passado, no Fórum Empresarial do LIDE Global, que vem sendo realizado há alguns anos no Rio de Janeiro. A ideia é exatamente essa: trazer todas as mentes, posições e opiniões para informar o empresário. É uma plateia formada por pessoas extremamente importantes de todo o Brasil, que estão ali para ouvir, aprender e trocar. Acho que esse propósito temos cumprido muito bem.
Mas como é que você consegue orquestrar tudo isso, reunindo pessoas tão importantes com agendas tão difíceis?
Acho que o mais importante é encontrar os temas que são demandas, que vêm do mundo empresarial e também dos próprios dirigentes. Quando chegamos a um tema que faz a diferença na vida das pessoas e no estado, e trazemos os interlocutores corretos, fica mais fácil reunir esses empresários para um debate.
Pelo fato de ser mulher, já encontrou dificuldades nesses eventos, que contam com uma presença majoritariamente masculina?
Quando você tem certeza do trabalho que está realizando e da qualidade da sua entrega, supera isso. Preconceitos existem em vários setores, mas acho que as pessoas conquistam as posições. Acredito muito nisso. Tem mulheres tão bem-sucedidas, realizando tanto… Passamos como um trator por cima e vamos embora.
Outra prova do que está falando é que você faz parte do conselho de algumas empresas e do Conselho das Mulheres da Firjan. Pode falar mais sobre isso?
São executivas que se reúnem e debatem temas importantes para o Rio. É muito bom. Ele é presidido pela Carla Pinheiro, que é uma empresária do setor de joalheria, e durante o ano reunimos essas lideranças para discutir alguns temas e, principalmente, proporcionar formas de aprendizado e de qualificação para mulheres. Buscamos abrir portas para mais mulheres atingirem posições de liderança.
Há 28 anos, você esteve no Japão a trabalho. E, recentemente, foi a passeio. O que você aprendeu dessa cultura?
O principal que aprendi é a cultura do respeito. As pessoas lá respeitam umas às outras. É muito impactante para quem vive numa cidade como o Rio não ver um papel no chão. Uma organização impecável. Entrar no metrô e as pessoas falarem baixo. Você pedir uma informação e a pessoa ter total vontade de te atender com a maior cordialidade. Eles têm muito orgulho do próprio país. E lá é tudo muito tranquilo. Você passa a ter um outro ritmo e sai um pouco dessa loucura.
Ao mesmo tempo que você vê toda essa calma, dizem que o japonês tem muito foco e motivação para o trabalho, não é?
Totalmente. Eles têm orgulho da posição que ocupam. Eu tenho um mantra, que sempre falo: topou fazer, faz bem-feito. Você tem que ser o melhor no que você está fazendo, não importa o que seja.
Como foi trabalhar no Japão?
Muito difícil, por conta da posição da mulher naquela época. Para começar, pelo meu nome, não sabiam se eu era homem ou mulher, porque Andréia, na Itália, é usado no masculino. E aí, quando cheguei numa reunião, muitos ficaram me olhando. Mas consegui. Se vamos com competência e confiança, acreditando que vai dar certo, sempre dá. Quando você tem a certeza de que está fazendo um trabalho bem-feito, conquista tudo. Também tenho outro mantra: seja curioso e aprenda com o que está fazendo. Eu sempre digo que a prática faz a perfeição. Faça, refaça e seja o melhor. E trabalhar com evento te dá muito isso, porque acontece uma só vez. Não dá para voltar a fita. É todo um planejamento envolvido, com começo, meio e fim e hora marcada. Você tem que pensar o todo e ver todos os fatores que podem dar certo ou dar errado e ter a certeza de que vão dar certo.
Hoje, muitas pessoas que trabalharam com você estão em grandes empresas. Você também é formadora de outros líderes?
Isso me dá muito orgulho. Quando eu encontro pessoas que entraram como estagiários na minha época de Fag e Fagga e hoje estão ocupando posições de liderança, é maravilhoso. Acho que fica nelas o aprendizado da garra, da motivação, da valorização. Em evento, você tem que ter um olhar 360. Ele é feito para dar resultado, e cada um que está ali é responsável pelo bom resultado para a empresa. Qualquer problema que ocorrer pode colocar a perder um ano de trabalho. Acho que esse foco na atenção ao detalhe ajuda muito nas carreiras.
A gente percebe que você tem muita energia positiva. Acredita que isso faz alguma diferença?
Tem gente que não acredita, mas a energia positiva faz muita diferença. A gente precisa estar perto de pessoas positivas. Isso faz falta no Rio de Janeiro. Precisamos falar bem do Rio, porque ele é maravilhoso. Esse é o meu propósito no LIDE: trazer luz para as coisas boas que estão acontecendo. Tem tanto empresário espetacular no Rio! Problemas todas as cidades do mundo têm. Mas eu acho que quanto mais valorizarmos a agenda positiva do Rio, mais para frente a gente vai andar. Mais negócios vão ser gerados.
Qual a mensagem você deixaria para as pessoas que sonham em também se tornar líderes?
Primeiro, devem investir tempo para estudar, ler e se informar. Como é que você vai criar algo se não tem informação? Eu tive a oportunidade de fazer dois MBAs. Às vezes, isso reacende a cabeça, te traz de volta para um momento que você tinha deixado passar, porque senão fica só focado no trabalho. Além disso, é preciso ter certeza de que vai fazer bem-feito. Foco total e procurar fazer o bem. Quando a gente faz o bem, retorna o bem. Sempre. A energia tem que estar positiva e ter equipes boas. Saber escolher as pessoas que estão do seu lado, ensinando a elas que devem ser curiosas para trazer ao time o que pode acrescentar ao jogo. Essa é a escola LIDE, em que há profissionalismo e a certeza de fazer bem-feito em cada detalhe. Para mim, realizar esse trabalho é um orgulho.
Mariana Leão é jornalista, apresentadora, repórter e editora, com passagem pelas emissoras Globo, Record, Rede TV e Band






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