EM MEIO A UMA DAS MAIORES FLORESTAS URBANAS DO MUNDO, UMA INICIATIVA VEM TRANSFORMANDO A FORMA COMO VISITANTES SE CONECTAM COM A CIDADE. E POUCOS CARIOCAS IMAGINAM QUE BEM PERTINHO DO CENTRO EXISTE UMA REGIÃO ONDE ECOTURISMO, HISTÓRIA, EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COMUNIDADES TRADICIONAIS SE ENCONTRAM.
AGREGA ALTO
O RIO QUE
POUCOS CONHECEM
O Rio de Janeiro abriga uma das maiores trilhas urbanas de longa distância do mundo: a Trilha Transcarioca. Ela atravessa a cidade de ponta a ponta, conectando áreas de preservação, mirantes pouco explorados e trechos de floresta que revelam um Rio quase desconhecido até mesmo para quem vive na cidade. Com mais de 180 quilômetros de extensão, o percurso liga a Barra de Guaratiba ao Morro da Urca, passando por unidades de conservação, como o Parque Nacional da Tijuca, e diversos trechos da cidade que são verdadeiros paraísos de biodiversidade, apresentando potenciais experiências no percurso.
É nesse contexto que iniciativas locais ganham ainda mais relevância. Inserido em uma das regiões atravessadas por esse corredor verde, o Agrega Alto (@agrega_alto) aproxima visitantes da natureza e das histórias que sustentam esse ecossistema urbano. Trata-se de uma iniciativa de turismo de base comunitária – modalidade construída, conduzida e protagonizada pela comunidade –, localizada em um antigo sítio da década de 1940, no Alto da Boa Vista, que pertenceu ao avô de Dirlei Silva, técnico em gestão de turismo.
O Agrega Alto foi criado com foco principal nos visitantes aventureiros que exploram a trilha, mas também em estudantes, turistas e moradores do estado no geral, interessados em uma imersão pedagógica e ecológica na rica e histórica região da Floresta da Tijuca. “O nosso maior objetivo é fazer o resgate da história e levantar antigas famílias. Quando você fala em turismo de massa, tem toda uma organização de uma grande empresa. Já no turismo de base comunitária, não. Você tem as pessoas na gestão e à frente do próprio negócio. Seguimos um tripé: valorização cultural, preservação ambiental e geração de renda”, explica Dirlei. Assim, o projeto nasceu da união dos moradores dessa região e mostra que o turismo pode ir muito além de visitar lugares bonitos – ele pode fortalecer vínculos sociais, validar histórias importantes e despertar consciência ambiental. E, claro, ser uma poderosa ferramenta econômica.
“AS PESSOAS HOJE EM DIA QUEREM FUGIR, NÉ? SÓ QUE NÃO QUEREM IR PARA TÃO LONGE. E AQUI FICARÃO NA METRÓPOLE DO RIO DE JANEIRO, MAS DENTRO DESSA NATUREZA CONSERVADA DA FLORESTA DA TIJUCA.”
Claudio Moraes, técnico de estruturas do Agrega Alto
EXPERIÊNCIA ÍMPAR
COM VISTA PRIVILEGIADA

Para quem busca conexão com a natureza e gosta de se sentir em casa, este é o lugar. E, de quebra, poderá vivenciar uma experiência incrível e ainda ter a oportunidade de apreciar uma vista privilegiada da cidade. No roteiro “Oásis Carioca”, por exemplo, os responsáveis pelo Agrega Alto promovem atividades que vão desde a caminhada pelos pontos históricos da região, como a Capela de Santo Cristo dos Milagres e os antigos pontos de extração de minério, até atividades de educação ambiental, vivências em agrofloresta com plantação de cogumelos, ecoturismo, gastronomia afetiva e hospedagem em barracas ou em um chalé construído de forma totalmente ecológica. “Aqui, unimos o útil ao agradável”, diz Claudio Moraes, técnico responsável pela construção do chalé. Ele completa: “O local pode suportar toda essa estrutura, sendo, ao mesmo tempo, próximo de tudo. As pessoas hoje em dia querem fugir, né? Só que não querem ir para tão longe. E aqui ficarão na metrópole do Rio de Janeiro, mas dentro dessa natureza conservada da Floresta da Tijuca”.
Numa cidade que oferece uma visão sobre comunidade um pouco deturpada, por conta da violência, é importante reforçar que o Agrega Alto está dentro de uma propriedade particular. “É um ambiente com estrutura e segurança. Há grande controle aqui”, reforça Claudio. E quem experimenta esse turismo comunitário aprova. “Todo mundo que vem passar um dia acaba ficando uma semana. E quem vem para ficar dois dias, fica um mês. Muita gente de fora, mas também muitas pessoas do Rio”, afirma Zilma Souza, zeladora do camping.

Como se vê, é surpreendente descobrir experiências que revelam esse Rio mais autêntico, feito de histórias locais, natureza preservada e atividades que não aparecem nos roteiros tradicionais. Saber que no coração da Cidade Maravilhosa, entre o mar e a montanha, existe um lugar onde o tempo desacelera e a vida ganha novos sentidos, mostra que o turismo também é uma ferramenta de transformação social e de conscientização ambiental. E que viajar não precisa ser apenas consumir lugares, mas aprender com eles.
Alice Morais é publicitária, especialista em Comunicação, Gestão Empresarial e de Projetos. Atuou por mais de 15 anos em veículos de comunicação, como Editora Abril e jornal O Dia. Hoje, é CEO da agência de experiências de viagens VIAJECER.






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