MILHO DE GRÃO EM GRÃO, RUMO AO TOPO
MUITO ALÉM DO PETRÓLEO, MACAÉ DESPONTA COMO POTÊNCIA AGRÍCOLA E LIDERA A PRODUÇÃO DE MILHO NO ESTADO. VENHA CONHECER O DIA A DIA EM UMA FAZENDA QUE COMBINA PLANEJAMENTO, TECNOLOGIA E PRODUTIVIDADE.
O Brasil vive uma revolução silenciosa no campo: em menos de duas décadas, se transformou no maior exportador de milho do mundo. A força dos grãos impulsiona essa trajetória, mas é o milho que, ano após ano, reafirma sua importância estratégica na mesa, na indústria e na economia. E, embora muitos imaginem que esse protagonismo esteja restrito ao Centro-Oeste, o estado do Rio de Janeiro também abre seu espaço nesse cenário – com destaque para Macaé, onde o milho cresce em escala, tecnologia e ambição.
É ali, na Primus Ipanema Agropecuária, que encontramos um dos maiores produtores de milho do estado. Cercado por talhões jovens e outros já robustos, o proprietário da fazenda, Gonçalo Cristovam Meirelles, nos conduz pelo coração verde de sua produção: “Em 2025, nós plantamos aproximadamente 1.400 hectares. Em nosso processo, uma parte vai para a silagem; outra parte, para o grão. Nós usamos uma parte do grão no confinamento e a outra parte, vendemos”.

O planejamento é milimétrico: o plantio é escalonado ao longo de um mês, garantindo que cada área atinja a maturidade em semanas diferentes, o que facilita todo o processo. “Isso também é importante para nós, não só no plantio, como também na colheita”, completa Gonçalo.

O clima da região ajuda bastante. Com um índice pluviométrico que gira em torno de 1.600 mm anuais, Macaé permite algo raro no estado: duas safras de milho por ano. “Nós somos um dos maiores produtores. Tem outros produtores também aqui em Macaé, em Campos, em Quissamã… O agro tem crescido bastante aqui no Rio de Janeiro”, destaca Gonçalo. É uma realidade que contrasta com a ideia comum de que o estado, por ser pequeno, teria pouca expressão na produção agrícola. A verdade é que há um potencial enorme nas regiões agrícolas fluminenses: “No Rio, nós temos terra, sol, água… Existe uma possibilidade imensa de o agro crescer”, acredita o proprietário da Primus Ipanema.
Essa visão é compartilhada pelo prefeito de Macaé, Welberth Rezende, que tem incluído a agricultura entre os pilares estratégicos do desenvolvimento econômico local. “A área do agronegócio em Macaé é importante. A cidade já é conhecida pelo óleo e gás, mas temos trabalhado muito a questão do lazer, do turismo e da agricultura”, revela o prefeito. O município já lidera o estado na produção de grãos e também na pecuária confinada. “Acreditamos que vamos crescer, e crescer muito”, afirma ele, explicando que a prefeitura tem buscado apoiar os produtores rurais e está disposta a investir em maquinário e silos, que é a infraestrutura de armazenamento para conservar os grãos. Mas reforça que o avanço precisa ser responsável: “O que é inegociável é a questão das áreas de preservação. Respeitamos muito o meio ambiente”.
NADA SE PERDE NA PRODUÇÃO

Do campo, seguimos para a unidade de silos, onde o milho ganha outra forma – a da conservação, da eficiência e da tecnologia. Entre estruturas metálicas imponentes, Jonas Kluppel, gerente-geral da Primus Ipanema, explica o funcionamento da etapa que garante segurança e qualidade ao produto. “Cada silo da fazenda tem capacidade de 800 toneladas de grãos. E em nosso galpão também há mais uma unidade de 1.200 toneladas”, revela. A estrutura permite alternar milho e soja, quando necessário, e conservar o grão por longos períodos. “Pode ficar conservado por mais de um ano, desde que haja aeração e não tenha umidade no grão”, explica o gerente-geral.
A próxima parada é o secador, peça-chave no processo pós-colheita. Jonas abre a porta metálica e indica a fornalha: “Essa aqui é a unidade onde é realmente o secador. O ar quente passa por essa massa de grão retirando a umidade”. Depois, o milho segue para máquina de pré-limpeza: “As impurezas retiradas são colocadas para compostagem e devolvidas ao solo, para melhorar a sua fertilidade. E uma parte também vai para alimentação animal. Nada se perde”, enaltece o gerente-geral.

Ao caminhar pela propriedade, é impossível não perceber que o milho está no centro do avanço agrícola de Macaé. Ele é o carro-chefe. Outros grãos, como soja, arroz e feijão, aparecem como complementares, compondo a dinâmica de rotação e aproveitamento de solo, mas é o milho que dita o ritmo: o plantio, a colheita, a armazenagem, o confinamento e o fluxo econômico.
E esse protagonismo não é por acaso. O agronegócio só deu um salto no Brasil quando máquinas modernas, conhecimento técnico e tecnologia passaram a fazer parte do cotidiano das propriedades. Em Macaé, esse conjunto está presente: tratores novos, silos robustos, secadores eficientes, profissionais qualificados e, sobretudo, produtores que enxergam longe.
O resultado é claro: o Rio de Janeiro planta muito milho. E faz isso com produtividade, planejamento e visão de futuro. Em um estado conhecido pelas praias, pelo petróleo e pelo turismo, o milho se levanta como símbolo de uma nova força, que brota da terra e ajuda a construir um capítulo promissor do agro fluminense.
Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro-Rio, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD






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