Matéria do Mês

Ações para a Produção Sustentável

AÇÕES
PARA A PRODUÇÃO
SUSTENTÁVEL

COMO ALIMENTAR UM PLANETA EM CRESCIMENTO SEM DESTRUIR O MEIO AMBIENTE? ESSE FOI O DESAFIO QUE REUNIU ESPECIALISTAS NO 1º FÓRUM FLUMINENSE DE SEGURANÇA ALIMENTAR, UM ENCONTRO QUE PODE TRANSFORMAR O PAPEL DO BRASIL NA LUTA CONTRA A FOME E O DESPERDÍCIO.

No final de novembro, o hotel Fairmont Rio foi palco de um evento essencial para o futuro da humanidade: o 1º Fórum Fluminense de Segurança Alimentar e Responsabilidade Ambiental. Reunindo gestores públicos, pesquisadores, lideranças sociais, representantes do setor produtivo e organizações da sociedade civil, teve como objetivo discutir as maneiras de produzir com maior eficiência e menor impacto para alimentar o mundo e preservar o planeta.

O evento foi uma iniciativa do Projeto Brasil que Alimenta 2050, no qual especialistas discutem estratégias para o país enfrentar o desafio global de aumentar a produção de alimentos de forma sustentável para atender a uma população mundial crescente até 2050.

Isso porque, de acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), será necessário aumentar a produção global de alimentos em cerca de 70%. “Deste 70%, 30% é responsabilidade do resto do mundo e 70%, do Brasil. E não dá para o Rio de Janeiro ficar fora disso, porque é um player muito importante de nosso país. Então, este é o primeiro evento da agenda Brasil que Alimenta 2050, com o objetivo de fazer com que essa temática cresça e apareça de forma responsável e ajude o Brasil a melhorar a sua marca, além de fazer com que o Rio esteja associado ao agronegócio de uma maneira positiva”, revela Denis Deli, diretor da DBR Ativações e organizador do evento.


Entre os participantes, estava o ex-ministro Aldo Rebelo, relator do Código Florestal Brasileiro. “Este fórum valoriza um tema importante e atual para o mundo, para o Brasil e para o Rio de Janeiro. Você vê, por exemplo, uma região metropolitana aqui do Rio com 13 milhões de pessoas que precisam todos os dias fazer três refeições. Provavelmente, elas não produzem a comida necessária para a sua sobrevivência. Mas é uma necessidade cotidiana. O fórum colocou em debate essa situação e o desafio de produzir alimentos em quantidade necessária, com a possibilidade de distribuição, e isso ser compatível com a proteção do meio ambiente”, declarou.

O CEO da ECP Environment Solutions, Carlos Favoreto, concordou com Rebelo: “É um fórum muito importante porque existia uma distância gigante entre falar de segurança alimentar e o desafio da proteção ambiental conciliando com a produção de alimentos. Isso vem sendo diminuído ao longo de três a quatro anos para cá, e temos conseguido encaixar esse tema de uma forma bastante simpática e orgânica, fazendo com que as pessoas possam ver que não há a menor possibilidade de produzir alimentos causando a degradação do meio ambiente”.

Favoreto lembrou que, atualmente, há 8 bilhões de pessoas vivendo no mundo, e, entre elas, cerca de 370 milhões enfrentam a fome aguda. “Isso significa que a cada 11 pessoas no planeta, uma passa fome. Por isso, estamos tratando de uma questão de sobrevivência, que é muito importante. E quando falamos de segurança alimentar, necessariamente vamos ter que falar de proteção ambiental também. São dois assuntos que devem andar juntos”, completa.

AÇÕES CONTRA O DESPERDÍCIO


Para auxiliar o combate a essa triste realidade, algumas organizações procuram fazer a sua parte. E uma delas é o Instituto Fome de Tudo. “Temos, há cinco anos, um sistema bem validado e bem maduro sobre a governança do resíduo. Trabalhamos B2B com produtores de pequeno, médio e grande porte, agricultores e supermercados, fazendo essa governança para quem precisa. No caso, são instituições, igrejas, comunidades, vizinhanças solidárias, escolas e hospitais, para os quais conseguimos dar o acesso de qualidade ao alimento”, revela Úrsula Corona, presidente do Instituto.

Todo esse trabalho foca, principalmente, em diminuir uma estatística bastante alarmante: segundo a ONU, o Brasil descarta cerca de 27 milhões de toneladas de comida anualmente – em média, cada brasileiro joga fora mais de 41 quilos de comida por ano. Por esse motivo, Úrsula é categórica: “Para falar de fome, não precisamos produzir mais alimentos, e sim reduzir o desperdício, que corresponde a um terço de todo alimento”. Sobre o tema, Silvia Marie Ikemoto, subsecretária de Mudanças no Clima e Conservação da Biodiversidade, completa: “É possível produzir e conservar, mas, para isso, precisamos olhar de forma integrada a questão social, ambiental e econômica”.

Já em relação à educação relacionada ao alimento, a chef Carol Barros, presidente do Instituto Bio, também dá a sua contribuição: “Criamos a metodologia do biochef, que é uma formação profissional em que capacitamos não só com técnicas e habilidades de cozinha, que todos aprendem em qualquer curso de gastronomia, mas também com técnicas e habilidades de agroecologia”. Ela explica que percebeu a necessidade de trabalhar nos territórios diretamente com os agricultores. “Nós vamos em sítios e chácaras, montamos a cozinha com o que se tem e provamos o grande potencial que cada unidade de produção possui”, explica Carol.

Todas essas ações são vistas com bons olhos por Victor Hugo Miranda, superintendente de Estado de Segurança Alimentar e Nutricional: “É o estado do Rio de Janeiro trabalhando para a retirada do Brasil do mapa da fome, mudando todos os seus índices em comparação aos anos anteriores. Então, temos um compromisso sim, e seguimos aliançados com esse compromisso para que o acesso ao alimento seja, de fato, um direito garantido, conforme dita a Constituição desse país”.

No balanço de todo o evento, o presidente da Revista Manchete, Marcos Salles, anuncia uma novidade: “Este fórum foi muito produtivo e, por isso, o tema Brasil que Alimenta 2050 vai se transformar numa coluna fixa na revista, para que possamos aprofundar o assunto. Afinal, como já dizia o Betinho, quem tem fome tem pressa. E ficou muito claro que o Brasil tem um grande potencial para reverter esse quadro”.

Paulo Renato Marques é presidente da Pesagro-Rio, engenheiro e cientista político com MBA em marketing pela COPPEAD

 

LEGENDA 01:
Silvia Marie Ikemoto, Carol Barros, Carlos Favoreto, José Carlos Polidoro, Úrsula Corona, Daniel Vidal Pérez, Paulo Renato Marques, Denis Deli e Leandro Gomes

LEGENDA 02:
Acima, Denis Deli com Ana Asti. Ao lado, as apresentações de Victor Hugo Miranda e Úrsula Corona