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Ozonioterapia: grande aliada no alívio da dor

OZONIOTERAPIA
GRANDE ALIADA NO
ALÍVIO DA DOR

SE A SUA COLUNA “GRITA” E VOCÊ JÁ TENTOU DIVERSOS TRATAMENTOS SEM SUCESSO, CONHEÇA ESTA PRÁTICA QUE TEM TRAZIDO RESULTADOS IMPRESSIONANTES PARA A MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA.

A colunista conversou com o ortopedista Maurício Marteleto, que já beneficiou muitos pacientes com a ozonioterapia

O tratamento parece novo, mas não é. A ozonioterapia é feita desde a época da Primeira Guerra Mundial e já é bastante utilizada na Europa, nos Estados Unidos e em países da Ásia, como Japão e Israel. Apesar de no Brasil ter sido iniciada em 1976, só recentemente, em 2018, é que foi aprovada pelo Ministério da Saúde e entrou como prática integrativa no sistema de saúde brasileiro; em 2020, foi autorizado o seu uso em todo o território nacional; e, em 2025, o Conselho Federal de Medicina liberou para os médicos a sua realização em consultório.

Para falar sobre o assunto, com foco específico em dores causadas por doenças degenerativas do aparelho musculoesquelético (como osteoartroses e hérnia de disco), nesta edição converso com o ortopedista Maurício Marteleto, que é professor da Universidade de São Paulo (USP) e um amplo utilizador da ozonioterapia em seus pacientes.

“Os resultados são excepcionais, e a necessidade de cirurgia acaba diminuindo bastante. Hoje, em termos de porcentagem, a prática do dia a dia com o ozônio diminuiu muito a quantidade de operações que faço”, revela o médico.

Mas, afinal, no que consiste a ozonioterapia?

Trata-se de uma terapia biológica que ajuda o organismo a combater aquilo que o está agredindo. Isso se dá por meio da aplicação – normalmente, via injeções – de uma mistura de ozônio e oxigênio em diferentes partes do corpo. Quando entra em contato com o organismo, desencadeia uma série de reações que vão diminuir as citocinas inflamatórias (causa da dor) e aumentar as citocinas anti-inflamatórias. Além disso, a ozonioterapia modula o estresse oxidativo, combatendo os radicais livres que estão aumentados em nosso corpo e que causam o desequilíbrio. Assim, quando o ozônio é aplicado, ele estimula a produção de enzimas antioxidantes e regula vários genes que vão proteger o nosso organismo.


Marteleto lembra, ainda, que a ozonioterapia não tem apenas uma ação analgésica, como muita gente pensa. “Ela acaba desbloqueando as mitocôndrias, que são as fábricas de energia das células, porque muitas das doenças que tratamos são mitocondriais. Portanto, uma das funções do ozônio é estimular a produção de substâncias que vão dar energia para a célula reagir a uma série de condições patológicas. Não é só tirar a dor e não fazer mais nada”, explica. Porém, é importante compreender que a ozonioterapia não age como um medicamento, que ingerimos e causa um determinado efeito. Ela, na verdade, regula o nosso corpo de forma com que ele próprio combata e trate aquilo que está causando a dor. É uma ação absolutamente normal e fisiológica para o nosso organismo, sem agredir, sem efeitos colaterais e sem causar qualquer dano.

 

 

RESULTADOS COM
TODA A SEGURANÇA


Para explicar melhor, vamos usar o exemplo da hérnia de disco. De acordo com o especialista, o tratamento conservador desse problema incluiria exercícios, fisioterapia, analgésicos potentes, relaxantes musculares e anti-inflamatórios que visam à melhora da dor do paciente. Quando isso não acontece, há a necessidade de realizar a cirurgia. “Então, ao analisar todos esses recursos e compará-los com a ozonioterapia, percebemos que o ozônio também seria mais conservador, porque não chega a ser um tratamento cirúrgico e não tem cortes. E o resultado costuma ser melhor e mais seguro, porque há muito menos complicações do que uma cirurgia para a remoção mecânica da hérnia de disco”, garante.

E por que isso ocorre? “Primeiro, vamos entender que a hérnia de disco é um pedaço de cartilagem solto dentro do canal vertebral. Ou seja, é um pedaço do organismo, mas que ele próprio não reconhece como sendo dele, e isso provoca a inflação que traz a dor. Mas, devido ao uso excessivo de medicamentos anti-inflamatórios, opioides e outras drogas, o organismo simplesmente pode não conseguir reagir. Então, em muitos casos, o ozônio provoca uma reação no organismo, que vai ativar as células de defesa a fagocitarem – elas vão comer os pedaços soltos de cartilagem que estão lá provocando a inflamação na raiz nervosa. E, com isso, vem a cura da doença”, esclarece Marteleto.

Mas vale lembrar que o alívio não chega apenas para quem sofre com as dores de hérnias. “Por exemplo, a ozonioterapia também melhora a regeneração das articulações no caso de artroses, principalmente quando o ozônio é associado a um plasma rico em plaquetas ou células-tronco. Isso leva à regeneração não só das articulações, como também da coluna, ou até mesmo de músculos e tendões que foram rompidos”, acrescenta.

E será que existe alguma contraindicação para a prática? Só uma: a deficiência de uma enzima em nosso corpo chamada G6PD, mas é algo raro. Outra situação em que evitamos o tratamento é nos três primeiros meses de gravidez, porque ainda não há estudos que atestem a segurança. Fora isso, antes das aplicações, o médico poderá primeiro corrigir alguns fatores descompensados no organismo, como deficiências de ferro ou problemas na tireoide. Uma vez tudo equilibrado, pode-se partir para a aplicação do ozônio.

Por último, vale a recomendação: quem desejar se beneficiar desse tratamento deve antes consultar a Associação Brasileira de Ozonioterapia, que oferece cursos de formação tanto para médicos quanto para profissionais da área da saúde. Assim, encontrará a indicação de profissionais que se prepararam adequadamente para atender os pacientes.

Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira Medicina Integrativa Clínica.

Dr. Maurício Marteleto é ortopedista regenerativo, professor na Universidade São Paulo (USP) e em diversos cursos de formação em ozonioterapia no Brasil e no exterior. Atua em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tel.: (11) 98562-0056.

 

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