Amazônicas – Poéticas Femininas agita o CCBB RJ
A Amazônia é um território historicamente marcado por mulheres protagonistas, pioneiras e fundamentais para a formação cultural do Brasil. Partindo desta ideia, a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” apresenta a potência da arte contemporânea produzida por mulheres, de diferentes gerações, oriundas dos estados do Pará, Acre e Amazonas.
Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a proposta apresenta um amplo panorama da arte produzida por mulheres da região amazônica, desde a década de 1970 até os dias de hoje. São trabalhos feitos em diferentes suportes, como pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte, das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wira Tini e Yaka Huni Kuin.
Curadoria: Sissa Aneleh

Reunindo arte e tecnologia, a Exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” busca explorar uma pluralidade de temáticas que englobam afeto, regionalismo, diversidade e a ancestralidade feminina.
Aprofundando-se no universo da arte contemporânea amazônica ao passo que ressalta a força motriz do bioma como agente de criação e inspiração, a exposição exibe, o corpo e a mente feminina como protagonistas; realçando uma parte indispensável da mãe natureza. De acordo com a curadora e diretora artística da exposição, Sissa Aneleh, o conceito da mostra se encontra no tecer da interpretação de gêneros artísticos a fim de demonstrar os estilos e temáticas predominantemente usados na produção artística das precursoras até a nova geração de criadoras.
“Ao abranger diversas linguagens da arte contemporânea, a exposição ressalta a Amazônia como o ventre do mundo, ao mesmo tempo que valoriza a produção das mulheres do Norte, fortalecendo a identidade local e regional”, pontua Sissa, fundadora e diretora geral do Museu das Mulheres.
Sobre o espaço
A exposição se divide em 4 núcleos temáticos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas.
Materialidades Ancestrais
O primeiro núcleo reúne obras nas quais a ancestralidade se manifesta por meio da matéria, como, por exemplo, nas cerâmicas táteis da artista Lise Lobato, que constroem um vocabulário simbólico que remete a ciclos de vida, nascimento, transformação e espiritualidade. Também conta com obras da série “Revoltosas”, de Cristiane Martins, que apresentam figuras escultóricas que dialogam com mitologias indígenas, feminilidade ancestral e forças simbólicas da floresta.
Gravura Feminina
Possui obras que utilizam as técnicas da gravura como instrumento de expressão, memória e identidade das mulheres. As xilogravuras de Elieni Tenório dialogam com o corpo feminino, suas medidas simbólicas, seus limites e sua presença no espaço social. Já as obras de Maria Auxiliadora Zuazo constroem um imaginário poético onde feminino, natureza e liberdade se entrelaçam, criando figuras híbridas que transitam entre o humano e o simbólico. Também neste núcleo o público encontra gravuras de Elaine Arruda, que exploram texturas, densidades e abstrações que transformam a superfície em campo sensível de experimentação estética.
Amazônia Pictórica

A pintura se apresenta como linguagem central e imagética da experiência amazônica feminina neste núcleo. As obras de Elieni Tenório exploram identidade, subjetividade e construção do feminino como experiência íntima e simbólica. Já as pinturas de Nina Matos constroem narrativas visuais que atravessam memória, deslocamento e afetividade. Haverá, ainda, obras de Sanchris, que criam paisagens simbólicas de reconstrução, memória e reinvenção existencial do corpo feminino diverso. Artistas como Rita Loureiro, Lise Lobato, Bárbara Savannah, Rafaela Moreira, Auá Mendes e Wira Tini ampliam esse território pictórico com narrativas que dialogam com cotidiano, território, espiritualidade, pertencimento e identidade amazônica.

Performáticas
O quarto e último núcleo apresenta o corpo como suporte e temática central da criação. Aqui estarão as fotoperformances de Renata Aguiar, que resgatam mitologias femininas, espiritualidades e narrativas ancestrais do território amazônico, assim como obras de Keila-Sankofa, que exploram identidade, memória, ancestralidade e corpo como arquivo vivo. Também neste espaço será apresentada a série “Mênstrua, Monstro, Monstra, Mostarda”, de Lúcia Gomes, que transforma o corpo feminino em território político, simbólico e discursivo, rompendo silêncios e tabus. As obras de Rafa Bqueer, Val Sampaio, Rafaela Kennedy e Wira Tini ampliam esse campo performático, onde o corpo se torna linguagem, gesto político, território de resistência e poética visual.
CCBBRJ
Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66






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