PÓS-COVID
EFEITOS DA DOENÇA PODEM APARECER BEM DEPOIS
SEIS ANOS DEPOIS DA PANDEMIA, ALGUMAS ALTERAÇÕES NO ORGANISMO DE QUEM TEVE A DOENÇA PODEM PERMANECER SILENCIOSAS. ENTENDER ESSES SINAIS E INVESTIR NA PREVENÇÃO FAZ TODA A DIFERENÇA PARA PRESERVAR A QUALIDADE DE VIDA.
A pandemia ficou para trás, mas, para muitas pessoas, seus efeitos continuam presentes. Mesmo anos após a infecção, alguns pacientes ainda relatam cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações de memória, ansiedade e problemas cardiovasculares. Embora nem sempre seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito, a medicina tem observado um número crescente de casos que reforçam a importância do acompanhamento clínico de quem já teve covid-19.
Hoje, entende-se que a covid deixou de ser vista apenas como uma doença respiratória para ser compreendida também como uma condição de caráter vásculo-inflamatório, capaz de provocar processos inflamatórios persistentes que podem atingir diferentes órgãos e sistemas. Além das alterações físicas, outro aspecto que merece atenção é a saúde mental. Quadros de ansiedade, pânico e depressão passaram a ser observados com maior frequência após a pandemia e podem comprometer significativamente a qualidade de vida.
Um dos maiores desafios é justamente o fato de que muitas dessas alterações evoluem de forma silenciosa. Há pacientes que não apresentam sintomas importantes, mas descobrem alterações cardiovasculares apenas durante exames de rotina. Por isso, mesmo quem se sente bem deve manter o hábito de realizar check-ups periódicos.
Foi exatamente o que aconteceu com o empresário Sérgio Ferreira, de 66 anos. Acostumado a realizar exames preventivos regularmente, ele percebeu que a rotina de acompanhamento fez toda a diferença. “Antes da covid, meus exames não mostravam qualquer alteração. Agora, apareceram placas na carótida e gordura em artérias do coração. Isso reforçou ainda mais a importância da prevenção. Descobrir um problema cedo permite agir antes que ele se torne algo muito mais grave”, relata.
Na prática clínica, também temos observado um aumento no diagnóstico de doenças crônicas em pacientes que tiveram covid, principalmente naqueles que apresentaram quadros mais graves da infecção. Entre as alterações encontradas, estão hipertensão arterial em pessoas que antes tinham pressão normal, infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e transtornos relacionados à saúde mental, como ansiedade intensa e depressão.
O EFEITO DA NÉVOA MENTAL
Outro grupo de sintomas bastante frequente envolve o chamado comprometimento cognitivo pós-covid. Muitos pacientes relatam que, mesmo anos depois da infecção, nunca mais recuperaram totalmente a memória, a concentração ou o condicionamento físico. Essa alteração costuma ser diferente do simples esquecimento do dia a dia. Algumas pessoas descrevem uma espécie de “névoa mental”, com dificuldade para encontrar palavras, organizar pensamentos e manter o desempenho no trabalho. Embora ainda não exista uma explicação definitiva, acredita-se que o intenso processo inflamatório desencadeado pela doença, associado ao estresse prolongado e às alterações hormonais provocadas pelo organismo, possa contribuir para esse quadro.
A boa notícia é que há caminhos para minimizar esses sintomas. O tratamento envolve controlar a inflamação metabólica, ajustar a qualidade do sono, reduzir o estresse e recuperar hábitos saudáveis. Com isso, muitos pacientes apresentam melhora tanto da fadiga quanto das funções cognitivas.
Como os sintomas do pós-covid podem se confundir com diversas outras doenças, o acompanhamento médico se torna fundamental para identificar a origem de cada alteração e definir a melhor estratégia de tratamento. Avaliações cardiovasculares periódicas, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e controle dos fatores inflamatórios são medidas importantes para reduzir os riscos e preservar a saúde a longo prazo.
Nesse contexto, a prevenção continua sendo a principal aliada. Mesmo pessoas sem sintomas devem realizar um check-up anual. Já aquelas que apresentam alguma alteração ou fator de risco podem precisar de avaliações mais frequentes, sempre com orientação médica. Além dos exames físicos, também é importante observar a saúde emocional e buscar ajuda quando houver sinais persistentes de ansiedade, estresse ou depressão.

Outro cuidado essencial está no estilo de vida. Alimentação rica em alimentos naturais, redução do consumo de ultraprocessados, prática de exercícios físicos, sono de qualidade e boa gestão do estresse formam um conjunto de medidas capazes de diminuir processos inflamatórios e contribuir para a recuperação do organismo. A adoção dessas atitudes reforça uma verdade: cuidar da saúde, hoje, continua sendo o melhor investimento para o futuro.
Dra. Ana Cristina Barreira é médica endocrinologista, cardiologista, geriatra, especialista em medicina ortomolecular, diretora científica da Associação Brasileira de Ozonioterapia, professora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Diretora do Espaço Ana Cristina Barreira Medicina Integrativa Clínica
Dr. João Branco é médico endocrinologista, pós-graduado em medicina desportiva e ortomolecular e perito legista. Membro do corpo clínico da clínica HE Performance. Médico responsável pelo tratamento de emagrecimento da artista Jojo Todynho
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